My Pretty Little Dolls.

1 Minhas preciosas bonecas.


Estou sentada, rindo feito uma idiota, percebendo como a vida é engraçada e má. Penteio minha boneca com minha escova de brinquedo, sorrindo enquanto observo o rosto bonito de minha adorada. Tão real e tão humano...

Deslizo o pincel velho e acabado que encontrei nas minhas gavetas antigas de pintura. Escorro a tinta nos olhos fechados da boneca, a enfeitando com a maquiagem que eu acabara de inventar. Passo o pincel com a tinta vermelha cor de sangue pelo rosto da boneca até o seu queixo, criando perfeitas lágrimas vermelhas.

A boneca tinha a boca aberta, parecendo estar morrendo de pavor, sorri de forma animada, eu sempre adorei bonecas com expressões espontâneas. Mergulho o pincel na tinta preta que estava logo ao lado do pote de tinta vermelha. Resolvo jogar a tinta preta em sua boca, até mesmo por sua língua, deixando-a escorrer até seu vestido branco de boneca. Peguei alfinetes, e prendi no centro do cabelo da boneca. Mantenho a expressão séria no rosto por um tempo, encarando o couro cabeludo da boneca. Encravo com força o alfinete ao perceber que não tinha entrado de primeira.

De repente, percebo que começou a escorrer um líquido vermelho da cabeça dela. A boneca tremeu ou fui eu? Eu estava nervosa e irritada, odeio ver um trabalho meu não dar certo. Peguei a linha e passei pelo alfinete, começando a furar o canto dos lábios da boneca. Ela abriu os olhos e me mordeu.

— VADIA! -Gritei, agarrando firmemente os pulsos da monstrinha que estavam amarrados com uma corda velha, porém, resistente. -Minha preciosa e linda boneca, você está muito mal-criada.

— Está tirando toda minha beleza! Não quer isso, certo...? -Disse a boneca enquanto suas lágrimas escorriam de seus olhos, misturando com a tinta vermelho-sangue que estava escorrida em suas bochechas.

Eu adorava quando elas falavam comigo, porém naquele momento eu estava irritada demais para brincar com minhas bonecas.

— Eu sou a mais linda aqui. -Falo com firmeza e determinação, sem mais um pingo de paciência. — Não fará falta. Tenho outras para brincar. -A mando um sorriso simpático, e passo a olhar para o meu guarda-roupa grande, largo e fundo que estava com suas portas abertas.

Várias outras de minhas bonecas estavam ali com as mãos amarradas e de lábios costurados com minha linha e meu alfinete. Olhavam de olhos arregalados para mim, para os lados e para a minha nova boneca. Deviam estar com ciúmes.

De repente, a nova boneca voltou a falar:

— Sim...você é a mais linda de todas aqui! Me deixe ir!

Porque ela chorava? Eu não conseguia entender. Medo de brigar com as minhas outras? De qualquer forma, seu comentário me deixou feliz e animada, que me fez enaltecer de alegria:

— Isso! Sempre soube! A mais linda! Eu... -Olhei para as outras bonecas, se aproximando, até que disse para as mesmas. -Ela não é melhor que nós, não se preocupem. -Percebo um olhar de insatisfação e de desaprovação de uma das bonecas e falo: Ei ,não me olhe com essa cara, Lizzy. Não sou a mais bonita, se é isso que essa vadia pensa. Somos todas iguais. Lindas e perfeitas. -Sussurrei para minhas bonecas.

Quando olho para trás, percebo que a boneca nova tinha sumido da cadeira e a porta de meu quarto estava aberta.

— VOLTA AQUI ,BONEQUINHA! -Gritei. A segui.A vadia corria mancando e gritando, devido suas pernas amarradas. Tirei minha faca favorita de cabo preto de dentro do vestido. Encravei a faca no estomago dela e subi a faca um pouco em um tremendo rasgo, até escorrer um mar de sangue no chão e em meu próprio vestido. Mamãe ia me matar com a bagunça.

A boneca caiu no chão. Devia ter acabado a pilha. Passei o sangue dela em meus lábios. Olho para o espelho do corredor de minha casa. Gostei do tom do batom novo, posso usar como tinta também. Lambi os lábios, sorrindo. Peguei a boneca pela perna, e a arrastei novamente para o meu quartinho. A coloquei na cadeirinha, penteando seu cabelo e limpando com um lencinho o rosto dela sujo de sangue. Sorri, olhando para as outras bonecas amarradas dentro do armário. Algumas sem mãos, outras sem pés, eram muito levadinhas e adoravam tentar fugir.

— Sabe...vou ficar com ela. Mas não fiquem com ciúmes. Eu amo todas vocês.

Nesse exato momento, mamãe gritou do andar de baixo:

— Não bagunce muito seu quarto, Bonnie!

— Desculpe, mamãe! Não irá se repetir.

— Ótimo! Tem uma garota vendedora de doces aqui na porta. Por favor, vá brincar com ela antes que eu perca a paciência.

— São bonecas, mãe! -Odiava quando mamãe errava os nomes, devia ser a velhice. -Já vou! Vou arrumar meu quarto.

Com animação, abro um largo sorriso. Eu adorava brincar de bonecas e eu adorava ganhar bonecas novas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!