My Own Geek
1 One-shot
Notas iniciais
Natasha — Capital Inicial
Meu nome é Natasha e acabei de completar 18. Hoje não sou mais quem eu era antes. Há um ano atrás fugi de casa e deixei para trás meus pais e meu antigo namorado Tobias. Na verdade não estava realmente apaixonada por ele, só estava com ele porque ele era bad boy, na época era estilo. Agora estou diferente, mudei completamente o meu "eu anterior", como Jeremy gosta de dizer. Jeremy é o meu atual namorado e eu conheci ele de um jeito meio... Bem vamos dizer apenas que não foi o jeito mais comum para se conhecer um namorado.
Me apaixonei completamente por ele, por aquele nerd fofo que usa óculos e é ao mesmo tempo sério e irônico. Foi ele que me mudou, e para melhor.
Agora estávamos dirigindo em direção à casa dos meus pais, o lugar de onde parti a um ano atrás e deixei de ser Ana Paula para ser Natasha. Eu não tinha mais meu cabelo verde ou minha tatuagem no pescoço, mas quis preservar o nome Natasha para mostrar que mesmo a minha mudança tendo sido revoltosa, ela valeu a pena para eu me reajustar e "voltar pros trilhos".
No início eu não queria mudar, é verdade, mas Jeremy me ajudou. Mas acho que estou adiantando demais as coisas. Tudo realmente começou assim:
~flashback on~
Tinha acabado de roubar um carro, um Cadillac velho para ser exata. E ainda por cima era azul! Seja lá quem fosse o dono do carro havia deixado a chave na ignição. Estava no estacionamento de uma sorveteria famosa e o dono do carro, lá dentro, nem perceberia meu furto. Usei um truque antigo que já conhecia para abrir uma porta apenas usando um canivete e entrei no carro. Me apossei do volante macio e do banco de couro e já ia acelerar em alta velocidade, quando um garoto saiu da sorveteria correndo e gritando:
–Pare! Esse é meu carro!
–Ferrou. -pensei
Já estava pensando em acelerar, mas antes de poder agir, o garoto já havia chegado até mim. Ele estava ofegando, como se a pequena corrida que ele tivesse dado até o carro fosse uma maratona. Tentei não encará-lo.
–Desculpe, acho que você está roubando o meu carro. Poderia sair daí? -disse o garoto calmamente
Fiquei imóvel. Raramente, quando me pegavam no flagra roubando um carro, não era assim que as pessoas agiam. Geralmente gritavam, chamavam a polícia ou até mesmo tentavam reagir de uma forma bem agressiva.
–Você não vai gritar? Chamar a polícia? -perguntei incrédula
Pelo canto do olho vi o garoto negar com a cabeça.
– Eu não acredito nisso. -cruzei os braços- Assim que eu sair desse carro, você vai chamar a polícia.
Ainda tentava não encará-lo. Só via uma unidade da polícia entrando no estacionamento e parando a duas vagas de nós, ou seja, perto demais. Senti meus músculos retesarem.
Os policiais deram um olhar para mim, já deviam me conhecer das fotos com o título de " Ladra de carros locais -MI16" na delegacia. Eu mesma já tinha visto a foto lá ao vivo, e não queria chegar tão perto dela de novo. Esse "MI16" significa que, da próxima vez que fosse pega roubando um carro, iria ser presa por um ano, sem direito a uma ligação para que pagassem a minha fiança até esse prazo acabar.
Olhei novamente para o garoto. Agora que estava o olhando melhor, até que ele não era tão feio. Na verdade ele fazia o estilo geek, e tinha cabelos pretos e óculos com grandes lentes quadradas. Uma pequena parte de sua franja caía em seus olhos e ele estava usando uma blusa da série House e jeans.
Acho que o garoto notou os policiais do perto de nós porque se inclinou e sussurrou, acordando-me de meus devaneios.
–Não se você simplesmente sair do meu carro. Prometo que não chamarei a polícia.
Assenti e agindo robóticamente saí do carro e o garoto simplesmente entrou nele como se nada houvesse acontecido.
Não aguentei, aquele garoto estava me intrigando demais. Eu me virei para ele e falei sem pensar:
–Quer sair comigo um dia desses?
Não entendia o que estava acontecendo, eu nunca chamava ninguém para sair, eram os meninos que me chamavam.
–Por que estou fazendo isso?- pensei
Ele olhou para mim com olhos semicerrados.
–Você não está sendo procurada pela polícia, está?
–Não, pelo menos não oficialmente.
O garoto deu de ombros.
–Claro, a qualquer dia. E quer uma carona? Pelo jeito você está sem carro. -adicionou, sorrindo com deboche
Fiz uma careta.
–Claro, engraçadinho.
Dei a volta no carro e entrei. Não sabia para onde exatamente ia pedir para ele me levar, já que não tinha bem um lar, mas ficar perto desse garoto me dava uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo e uma tontura nas pernas, algo que eu nunca havia experimentado antes.
–Ah e a propósito, qual é o seu nome? -perguntou assim que me sentei
Não sabia porque mas falar com esse garoto fazia eu sentir como se houvessem borboletas no meu estômago e me dava uma vontade de sorrir.
–É Natasha. -Sorri
–Natasha...? -perguntou ele arqueando as sobrancelhas
–Não precisa saber o resto. -falei tentando não parecer seca, o que não funcionou
O garoto não pareceu ligar.
–Ta bem, Natasha Não Precisa Saber o Resto. Meu nome é Jeremy. -brincou me dando a mão e apertando-a.
Eu ri da formalidade.
–Jeremy...?
–Greemwhite, e eu ainda vou descobrir seu sobrenome.
~flashback off~
Acho que foi por isso que me apaixonei, esse jeito diferente de ser dele chamou minha atenção. E foi desse jeito que o nosso amor começou e eu voltei a agir como a antiga Ana Paula, só que agora com o nome de Natasha.
"Tchuruuuu" cantaram os pneus do carro do Jeremy ao dar uma parada brusca na frente da casa dos meus pais, acordando-me de meus devaneios.
–Já chegamos?
–Já. Está pronta? -perguntou olhando em meus olhos
Sabia que ele estava preocupado. Conversamos durante muito tempo em conhecer meus pais e finalmente voltar para casa, mas agora que estávamos aqui, eu estava morrendo de medo. E ele sabia disso.
–Vamos enfrentar isso juntos. -sussurrou em meu ouvido, fazendo-me sentir arrepios em minha espinha
Ele me ofereceu a mão.
–Está pronta? -repetiu
–Pronta. Junto com você, sempre estou. -sorri e peguei sua mão
Assim nós dois saímos do carro e batemos na porta de meus pais.
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