My New Wonderland
2 Capitulo 1- My New Wonderland
Notas iniciais
Estou em Wonderland, sentada em um balanço em baixo da única árvore à vista, ao redor flores de diversos tipos e cores até onde os olhos podem ver, a brisa fresca batendo no rosto enquanto balanço com a cabeça jogada para trás. Ouço sussurrarem meu nome repetidas vezes, vou parando o balanço aos poucos enquanto olho ao redor, não vejo ninguém, mas logo o céu começa a escurecer e as flores aos poucos secam e perdem a cor, sem entender, olho para trás ainda procurando o dono da voz e novamente não vejo ninguém, ao voltar a cabeça para frente me deparo com um criatura quase tão grande quanto a árvore em que estou e tão escura como uma noite de tempestade, olhos tão vermelhos quanto o sangue que mancha suas presas gigantes que aparecem pela boca semi aberta com saliva escorrendo pelas cantos da mesma, garras enormes e afiadas. Apavorada. Saio do balanço e dou um passo para trás, pensando em uma maneira de fugir, mas ao fazer isso ela salta sobre mim, me derrubando e me prendendo no chão com suas garras, me debato tentando sair, mas não consigo, seu rosto a poucos centímetros do meu, sinto seu hálito quente e sua saliva em minha pele, vejo-o levantar a pata e a abaixar em um movimento rápido...
Acordo assustada, gritando, sento na cama com as mãos apoiadas na perna e o rosto entre elas, sinto as lágrimas escorrerem e logo um par de braços me envolvem, me aninho a pessoa ainda com o rosto escondido. Antes, esse abraço, que me fazia sentir tão segura e protegida, agora não faz nenhum efeito, as lágrimas não param de cair e logo sinto sua mão levantando delicadamente meu rosto fazendo-me olhá-lo:
–Ei, Ali. Calma. Não chora- Dizia enquanto passava as mãos pelas minhas bochechas limpando as lágrimas- Foi só um sonho ruim, pequena.
–O mesmo das outras vezes, Nic. Eu to com medo, medo de perder wonderland, de não controlá-lo mais.
–Maninha, Wonderland é imaginação sua, você nunca vai perdê-lo ou não controla-lo mais se não quiser que isso aconteça. Agora se arruma e vamos pra aula.
Ele me da um beijo na testa e sai encostando a porta. Vou para o banheiro e tomo um banho frio tentando tirar tudo aquilo da minha cabeça, saio do banho e me troco, desço até a cozinha e pego uma maçã, volto para o quarto e assim que termino de me arrumar, pego minha bolsa e vou até o quarto do Nic, abro a porta sem entrar, logo ele se vira pra mim sorrindo:
–Pronta ?
–Pronta. Leo já tá vindo ?
–Ele não vai com a gente hoje, tava só te esperando. E a Anna ?
–Ainda viajando. Porque o Leo não vem ?
–Ele tá na tia dele. Vamos ?
–Vamos.
Caminhamos em silêncio, 1º dia de aula depois das férias em WesternPark High School, estou indo novamente para o inferno, cheio de gente falsa, cínica, fútil e superficial, mas MEUS amigos compensam tudo isso e por falar neles, estou morrendo de saudades daquele bando de babacas, principalmente do Leo e não, antes que me perguntem, eu não gosto dele, ele foi criado como um irmão pra mim e pro Nic, já que nossos pais são amigos e sempre estão juntos, é estranho ficar tanto tempo sem vê-lo, meus pensamentos são interrompidos por uma buzina alta e quase que simultaneamente alguém me puxa rapidamente pelo braço, olho assustada para a pessoa, meu irmão, no caso, percebendo o que quase tinha acontecido:
–POR HADES, ALICE. PARA DE VIAJAR E PRESTA ATENÇÃO.
Olho para o chão e murmuro um pedido de desculpas, logo sinto seus braços ao meu redor, me abraçando com força, escuto ele respirando fundo, tentando se acalmar:
–Tudo bem, não deveria falar assim com você, mas você quase foi atropelada, Ali. Você precisa prestar atenção. O que teria acontecido se você estivesse sozinha ?
Afirmo com a cabeça e ele termina com a abraço:
–Vem, vamos andando.
Caminhamos em silêncio até o colégio, ao chegar no portão alguém me abraça pelas costas, me impossibilitando de ver quem é, assustada, olho em volta procurando meu irmão, mas não o vejo em lugar algum, ainda mais apavorada, tento me livrar dos braços da pessoa, mas aumente a força dos braços em minha cintura e eu não consigo, logo o escuto rindo:
–Bom dia, gatinha.
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