Notas iniciais
Tem muuuuuuito tempo que não recebo uma recomendação, não mereço uma dos vários leitores que tenho? Boa leitura!

POV Hermione

Agora eu entendia o porquê das pessoas falarem tão mal da ressaca, realmente, era terrível. Minha cabeça doía constantemente, tudo rodava e eu não conseguia nem sequer olhar pro café da manhã daquele dia. Assim que olhei pra Gina, percebi que ela compartilhava o mesmo mal, bebendo aguá como uma louca, assim como eu. Estava desesperada para sair do salão, toda aquela barulhada de conversas era como uma martelada na minha cabeça.

— Á essa hora? — Disse Gina fazendo careta para os pios da coruja que vinham entrando no salão.

A coruja logo veio seguida por outra, eram duas corujas negras que carregavam um envelope e uma caixa, e enquanto uma ia em direção á minha mesa, a outra ia em direção a mesa da sonserina. E coincidentemente — ou não — soltou a entrega na minha cabeça e na de Draco. As pessoas olharam curiosas por um tempo, mas depois perderam a curiosidade e voltaram a comer, enquanto eu abria a carta.

Hermione,

Finalmente entrego a vocês a surpresa que prometi, assim como Draco, você está recebendo uma cópia da chave da Mansão, e não só da entrada mas de todos os cômodos. Façam bom uso delas, a casa é de vocês agora.

Narcisa.

Não era possível, pensei. Tudo bem Narcisa enviar as chaves para Draco, mas pra mim? E ainda com o intuito de morarmos lá, juntos, como duas pessoas casadas, se sustentando, tendo filhos, cuidando da casa — comecei a ficar enjoada -, era um presente e tanto, é claro, mas como eu poderia morar naquela casa? Na casa em que eu fora torturada, aquela casa fria, escura e sabendo que fora sede para Voldemort e... Nessa mesma hora, eu não aguentei, tudo o que eu bebera no dia anterior e comera subiu pela minha boca, e virando rapidamente a cabeça para fora da mesa, eu vomitei no chão todinho, ecoando o barulho na sala.

— Hermione! — Gritou Gina, correndo o perimetro da enorme mesa para contorna-la e vir em minha direção.

Rony estava sentado do meu lado, e provavelmente havia sido atingido por alguns respingos do meu lindo vômito, pousou a mão rápido em meus cabelos e os segurou, meio sem jeito. Assim que Gina chegou do meu lado, Draco vinha logo atras, com os olhos arregalados, olhando para mim e para o chão. Então eu tornei a vomitar, imaginando eu sendo o Draco me olhando pondo tudo o que comi pra fora, e pior, quando souber o motivo.

— Eu assumo daqui Weasley — disse Draco empurrando a mão de Rony e segurando meus cabelos.

— Não precisa mais — eu disse me levantando e já tirando a varinha das minhas vestes rapidamente — "Limpar"- pronunciei para o vomito, saindo do salão as pressas logo depois.

Eu nunca havia passado tanta vergonha na minha vida, não pude olhar os olhos dos alunos me olhando por falta de coragem, mas sabia que estavam todos penetrados em mim. Fui andando rápido até a sala comunal, até que uma mão gelada segurou o meu braço.

— Onde você vai? — disse ele confuso — Precisa ir para a enfermaria.

— Eu estou bem! — e eu realmente estava, totalmente aliviada.

— Você acabou de vomitar pelo salão principal todo, como pode estar bem?

— Obrigada por me lembrar! — revirei os olhos — Eu realmente estou bem.

— Você bebeu? — Disse ele me perguntando, mas sem feição de curiosidade, como se já soubesse a resposta.

Fiquei calada, o olhando, esperando alguma reação.

— Senti o cheiro de firewhisky no vomito, e se você está bem após vomitar, só pode ser bebida — ele me "respondeu" — Desde quando você bebe?

— Eu não bebo — revirei os olhos — só comemorei com Gina ontem.

— Comemorou? Você não pensou em caso seu namorado tivesse tirado um Trasgo no Niem's e estivesse arrasado na cama do dormitório?

— Eu sabia que não tinha tirado isso, e além do mais, depois do que fez ontem lógico que eu não te procuraria!

Ele me ignorou e revirou os olhos, perguntando calmamente logo depois "quanto tirou?"

— "O" — corei — e você?

— "O" também. — Na mesma hora o olhei surpresa, ele merecia um abraço e milhares de beijos, e eu teria o feito, se ele não tivesse me perguntado antes — Vomitou mais por causa da bebida, ou do susto com a carta? — ele disse olhando para o chão.

Eu não sabia o que falar, por que na verdade era os dois, mas eu sei que o machucaria se eu dissesse todas as coisas que pensei antes de vomitar. Mas ele precisava saber que eu não sabia se estava pronta para tudo aquilo.

— Os dois — eu disse baixo.

— Podemos reformar o comodo em que... — ele se calou — você sabe.

— Não sei se adiantaria, o problema não é só lá.

— Onde mais? — ele franziu as sobrancelhas — É uma casa ótima, confortável e tem uma biblioteca enorme pra você, é uma relíquia Hermione, não podemos desfazer dela.

— Draco, é complicado.

— Como pode ser? Eu sei de tudo o que fizemos Hermione, mas não está na hora de perder o nojo que tem dos meus pais e do que eles fizeram?

— Não é nojo Draco! — o olhei assustada — Eu só não suportaria morar em um lugar e saber que Voldemort andou livremente, foi recebido e adorado lá, por causa dele várias famílias foram destruídas, vidas, sonhos, tudo!

Ele ficou calado, me fitando. Olhando no fundo dos meus olhos, quase na minha alma.

— Tem algo para me dizer?

— Como? — disse confusa.

— Você está em duvida em relação á nos? Não quer morar na casa, se interessou em Krum, não ligou para o meu resultado e foi até comemorar com sua amiga!- ele olhava no fundo dos meus olhos com seus olhos azuis tempestade, e em seu olhar havia preocupação e tristeza.

— Draco? — eu o olhei assustada — O que você tem? Para com essa ideia de Krum, é tudo coisa da sua cabeça! Sobre a casa, é só por isso que falei, mas ainda não é um não. E sobre a nota...

— Não sou eu — ele me cortou e aumentou o tom de voz — são suas atitudes!

— Eu não vou ficar aqui ouvindo isso — eu disse já saindo

— Que merda Hermione! — disse ele segurando meu braço — Me fala qual é o problema!

— O problema é você, — virei pra ele nervosa — Você é tão orgulhoso que não pode admitir que está um pouco inseguro, tem que por a culpa em mim!

— Inseguro? — ele me soltou.

— Exatamente — olhei em seus olhos — você está tão preocupado em passar uma imagem, que acaba enganando a si mesmo. Eu não sinto nada por Krum e quero morar numa casa que eu sinta confortável, se você vê problema nisso, devia procurar um psicologo! — eu disse saindo

— O que é um psicologo? — ele gritou pra mim, mas sem sair do lugar, confuso.

x

Entrei para o banho e fiquei um bom tempo, pensando enquanto a água quente caia sobre minha cabeça. Quando as coisas iriam realmente se resolver? Quando tudo iria se acalmar, tudo ficaria normal e eu teria um pouco de sossego? Quando Draco iria colaborar com isso? Meu coração doía por não ter dado um abraço nele, ele merecia o abraço mais apertado do mundo, tinha se esforçado, descoberto sua vocação e até agora ninguém o elogiou, pensei com as lágrimas caindo.

— Hermione? — era Gina, batendo na porta

— Oi? — eu disse limpando os olhos

— Você está bem? — ela entrou — Precisa de algo?

— Estou bem — eu disse baixo

— Trouxe a caixa que você deixou pra trás — ela dizia baixo — está na sua cama.

— Obrigada. — eu disse pensando na carta, na casa e em Draco.

— Desculpe por ter te dado a bebida, não devia ter deixado você beber tanto.

— Não me arrependo de nada, foi ótimo — eu queria ficar sozinha, por isso não rendi assunto.

— Então — percebi que ela tentava procurar assunto — está preparada pro baile depois de amanhã?

— Acho que estou sem par — eu disse rindo da situação.

— Você e Draco terminaram? — disse ela quase gritando, assustada.

— Não — eu ri — mas brigamos, e do jeito que ele é, nem deve aparecer.

— Duvido — ela sorriu — ele não vai deixar você livre pro Krum, não mesmo.

— Como sabe sobre Krum?

— Eu vi como o Draco ficou quando Harry falou dele, e Harry contou que ele perguntou sobre vocês dois.

— Como? — eu disse colocando a cabeça para fora do Box, para olhar para Gina surpresa.

— Isso mesmo — ela gargalhou — ele quis saber o que rolou entre vocês, e Harry disse que nunca vira ele com uma cara tão curiosa, já que ele parece sempre tão indiferente.

— E esse orgulhoso não consegue admitir o ciúmes — eu ri — Vou caprichar amanhã, e se ele não for, vou tentar me divertir mesmo assim!

— Isso mesmo! — ela disse animada, vendo que eu havia me animado — Agora você precisa saber de uma coisa — ela me olhou — estão dizendo que você está gravida.

— O QUE? — eu disse já desligando o chuveiro e me enrolando na toalha.

— Bom — ela disse devagar — você vomitou, e o Draco saiu correndo atras de você, e esse povo você sabe como é...

Fiquei calada, para não praguejar na frente de todo mundo. Me vesti e fui até minha cama, me sentando e pegando a caixa pousada nela. Quando a abri, tirei um chaveiro redondo que prendia cerca de 20 chaves — ou mais — o que não me surpreendeu, era uma mansão. Eu olhei para aquilo por um bom tempo, até perceber que Gina me olhava sentada na cama ao lado.

— O que é isso? — ela disse baixo.

— Chaves da mansão.

Ela não disse nada, mas pareceu entender tudo o que se passava perfeitamente. Então ela respirou fundo e levantou, se sentando na minha cama e me olhando com um olhar misturado com pena e preocupação, praticamente dizendo com o olhar "conte tudo".

— Narcisa me deu, quer que moramos lá depois que as aulas acabarem, mas Gina — meu olhos encheram de lágrimas — eu não sei se conseguiria, aquela casa, tudo o que aconteceu lá, eu não suportaria. E pior é que ele não entende, ele quer morar lá, não consegue se livrar do passado dele.

— Eu entendo tudo Hermione, mas o Draco tem mudado muito, dê mais um tempo pra ele! — ela pegou na minha mão — Ele está tentando, da pra ver, todo mundo tá vendo.

— Mas Gina, eu não sei se conseguiria viver em paz ali!

— Ele vai entender, depois que tudo o que você fez por ele! Ele esta animado com o fato de ter ganhado a mansão e isso o cegou um pouco, mas logo logo ele vai enxergar, até lá fique calma, você tem tempo para resolver isso ainda! — ela sorriu — Enquanto não resolve você ainda tem a Toca pra ficar.

Eu apenas sorri e a abracei e ela me abraçou de volta, me puxando logo depois até a sala comunal. Quando cheguei estava Harry e Rony sentados nas poltronas, e sorriram quando me viram.

— Quantos meses tem o bebê? Já havia percebido a barriga a alguns dias! — disse Ronald, abrindo um sorriso logo depois.

— 3 meses, e o seu? 9? — eu disse revirando os olhos e me sentando em uma das poltronas.

— Não vai querer saber como nos saimos no Niem's? — Harry disse arqueando as sobrancelhas.

Eu dei um pulo e arregalei os olhos, gritando para desembucharem, eu realmente havia me esquecido.

— Eu O e Ron E — ele sorriu -, Neville tirou O e Luna E.

— Uau! — sorri — Depois falam de mim, nerds! — revirei os olhos.

Todos sorriram, e se olharam, inclusive eu. Estávamos todos satisfeitos um com o outro, era como se tudo, desde o primeiro ano estivesse se realizando agora, e todos nós sabíamos que se não fosse por tudo o que tivéssemos passado, não saberíamos tão bem o que iriamos querer ser.

— Foi difícil — disse Harry olhando para o chão — mas conseguimos.

— Muito difícil — concordou Rony, olhando para o mesmo foco no chão que Harry observava.

— Mas não vamos estragar o momento — levantou Harry — já já vamos para o Luau, já devem estar todos chegando.

— Luau? Todos quem?

— Quase todos os convidados — ele me olhou com as sobrancelhas franzidas — não sabia? Combinamos todos de encontrar perto do lago, Hagrid disse que faria uma fogueira e George disse que levaria uns marshmallows.

Apenas sorri, e imaginei todos juntos depois de tudo, num momento em paz, felizes, era só o que faltava para fechar o ano.

x

Estava frio e havia acabado de escurecer, descemos eu, Gina, Harry, Ron e Neville, encontrando Luna na entrada do castelo e fomos todos em direção ao lago, e eu fui pensando em Draco e se por algum milagre ele poderia estar lá. Quando chegamos eu abri a boca de surpresa, havia muita gente! Estavam todos os Weasley, menos Carlinhos e Percy, Fleur com sua barriga já grande e sua irmã bem mais velha sentada ao seu lado num pedaço de tronco em volta da fogueira, assim como estava a própria Minerva, Hagrid e Aberforth conversando entretidamente com Kingsley, Andromeda com Ted nos braços e Angelina estava sentada ao lado de George.
Fui correndo cumprimentar a todos, me sentando num tronco logo depois. Rony sentou do meu lado enquanto o outro lado quase instantaneamente foi preenchido por Krum. Rony ia falar algo comigo, mas foi interrompido pelo cumprimento de Krum. Eu não havia o visto antes, parecia que ele tinha simplesmente brotado.

— Herrmione! — disse com seu forte sotaque búlgaro, já me abraçando.

— Como vai? — eu disse ainda em meio aos seus braços.

— Bem e você? — disse radiante — É tão bom te ver bem, fiquei tão prreocupado nesse ultimo ano!

— Preocupado? — eu disse sorrindo.

— Sim — disse começando a ficar sem graça — com você e claro, Ronald e o Arry!

Eu sorri e vi Ron nos olhando e se eu não conhecesse tanto, podia supor que estava revirando os olhos nesse momento, saindo logo depois e indo se sentar ao lado do Harry. Então assim que Rony saiu, Krum saiu também indo em direção aos marshmallows, trazendo-os espetados em dois palitos E me entregando um. Sorrindo começou a por o seu na fogueira.

— Soube que prretende trabalhar no ministérrio! — disse me olhando.

— Sim, na área de Kingsley — eu disse o olhando.

Seus olhos negros me penetravam e desde que eu o vi, ele não parava de sorrir. Não sabia nada da vida dele para continuar o assunto, não sabia se ele continuava no quadribol e acredito que ele devia estar com 21 anos agora. Sempre tivemos mundos e realidades muitos distintas, e mesmo na época em que estivemos "juntos", não falávamos muito sobre isso.

— Ainda joga quadribol?

— Sim — disse ele pegando o marshmallow e assoprando — agora tudo está se endireitando no quadribol, estava uma bagunça por causa de Voldemort.

Krum havia mudado muito, estava com uma aparência adulta e falava também como um, mas seus olhos tinham o mesmo olhar doce do quarto ano, o sorriso no canto da boca e a mesma mania de olhar para a minha boca enquanto eu falava.

— Entendo — eu disse comendo o meu marshmallow — não só no quadribol, acho que tudo no mundo bruxo está se endireitando agora.

Ele apenas concordou com a cabeça e sorriu. Ficamos um tempo calados, apenas olhando as pessoas á nossa frente e lado. Harry, Gina, Rony, George e Angelina conversaram e riam, assim como Hagrid, Minerva, Molly e Arthur, Kingsley e Aberforth continuavam entretidos e sorri quando vi Gui e Fleur olhando para Ted em pé, apoiado na barriga de Fleur e sorrindo para a barriga, se desequilibrando e voltando a se levantar várias vezes, fazendo Andromeda gargalhar.

— Onde vai morar quando terminar as aulas? — essa pergunta me pegou de surpresa.

— Sinceramente, não sei — olhei para baixo — mas eu e Draco daremos um jeito.

— Draco? — ele me olhou com as sobrancelhas franzidas.

Abri minha boca para responder mas fui interrompida por Molly, que estava em pé e dizia que era um momento único e devíamos estar todos juntos, por isso ela sugeriu que cantássemos uma canção. E foi assim que começamos a cantar canções antigas do mundo bruxo, que descreviam batalhas e até épocas de Merlin. Chegando até a ensinarmos o hino de Hogwarts para Krum e Fleur.

Hogwarts, Hogwarts, oh querida Hogwarts
Vem nos ensinar
Quer sejamos velhos calvos
Quer moços de pernas raladas
Temos as cabeças precisadas
De idéias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar
Moscas mortas e fios de cotão
Nos ensine o que vale a pena
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto
Estudaremos até o cérebro se desmanchar

Sorrimos a noite toda, Rony contou várias histórias de quando estávamos caçando as Horcruxes, sempre acrescentando coisas e exagerando. Todos riamos da forma animada que ele contava, o que levou a Minerva também querer contar histórias junto com Molly e Arthur da guerra de Voldemort passada. Fleur contava sobre sua caminhada grávida, e ríamos o tempo todo de Ted, que insistia em mudar seu cabelo de acordo com a cor do fogo da fogueira. Krum ria mas não falava nada e eu o pegava me olhando as vezes e ele se virava sem graça. Nos perdemos na hora, só nos dando conta quando era duas horas da manhã.
Assim que deu a hora de irmos, pois percebemos que havia ficado muito tarde, Kingsley me deu um aperto de mão e disse que quer me ver de novo no ministério, o que me deixou extremamente grata. Assim que cruzamos a entrada do castelo, Krum e os convidados iriam para um caminho diferente, então ao se despedir ele pegou minha mão e a beijou.

— No baile quero a honra de uma dança, não podemos quebrar a tradição — ele disse ainda segurando minha mão.

Então eu apenas sorri, não concordei e descordei mas ele ficou satisfeito com meu sorriso, se virando e seguindo seu caminho, e logo depois eu fiz o mesmo.

Notas finais
COMENTEM E RECOMENDEM!!