Notas iniciais
Eu sei, eu sei, demorei demais! É pq viajei, e tudo fica salvo aqui no pc, então não teve como mesmo ): Enfim, obrigada pelos comentários do cap passado, e ainda estou esperando as recomendações que não chegaram até hoje ): Boa leituuura

POV Draco

Quando terminei de ler a carta, fiquei extremamente aliviado, eu nem sabia que estava tão tenso assim. Hermione me abraçou em seguida, e ficamos assim alguns minutos. Graças a Merlin eles foram inoscentados, mas infelizmente, com uma condição.

– Sinceramente — disse Hermione se sentando na cama — acho que vai ser melhor até pra eles, viverem no interior, longe de tudo.

– Você acha?

– Sim! — ela forçou um sorriso — Apesar de tudo, eles sofreriam muito preconceito aqui, as pessoas não gostam deles.

Era duro ouvir aquilo, mas era verdade. A condição era que eles seriam afastados do mundo bruxo, não totalmente, mas praticamente. Eles teriam que ir para longe das cidades, em um lugar em que eram pouco vistos, pois acredito que era porque eles poderiam causar um tipo de terror e tumulto se forem vistos andando normalmente na rua bruxa.

– Eles vão ficar bem Draco — ela me abraçou de novo -, agora sim, eles irão ficar.

Hermione estava certa, desde que Voldemort voltou, eles não ficaram, ficaram sempre no meio da obscuridade e tragédia, eles teriam paz de verdade agora, fiquei mais aliviado ainda. Era impressionante como Hermione conseguia dizer coisas tão sábias, até por que ela nem conhecia muito meus pais, mas sempre sabia a coisa certa a dizer.

– Onde será que eles estão agora?

– Devem estar sendo liberados de Azkaban, amanhã podem estar aqui.

Ainda estávamos molhados, então eu peguei a mão de Hermione e a puxei até o banheiro, tirando sua roupa em seguida. Quando tiramos toda a roupa, entramos no banho e ligamos o chuveiro, deixamos a água quente cair sobre nossas cabeças enquanto ficávamos abraçados.
Eu decidira que a partir de agora mais nada nos atrapalharia, nem meus pais, nem os amigos, nada. Eu estava disposto a fazer dar certo, pois eu nunca viveria sem Hermione e ela não merecia mais nada disso que eu a fizera passar.
Enquanto sua cabeça estava pousada em meu peito, apoiei meu queixo em sua cabeça, e fechei os olhos, enquanto fazia seu pequeno corpo ficar preso entre meus braços. O que eu mais queria era poder cuidar dela, protege-la, eu sentia uma necessidade enorme nisso.

– Você já me perdoou? — perguntei baixinho

– Pelo o que? — ela me olhou

– Por tudo. — a olhei, desviando o olhar em seguida

– Não há nada que eu ainda tenha que te perdoar — ela sorriu -, não duvide disso.

Eu apenas sorri e coloquei sua cabeça de volta em meu peito, eu ainda sentia uma tristeza em sua voz e sabia que eu era o culpado dela. Realmente, como ela havia dito, tudo poderia ter acontecido de uma forma diferente, mas meus impulsos fizeram acontecer da forma mais dolorosa, ainda mais pra ela. Segurei choro naquela hora, pois toda vez que eu lembrava o tanto que a machuquei e virei sua vida de cabeça pra baixo, meu peito doía.

xx

Já era de manhã, levantamos cedo para ir até Kinsley e agradecer por tudo. Agradeci pela preocupação, ajuda, hospedagem e Hermione agradeceu também por ele ajuda-la a decidir o que queria, eu nunca a havia visto tão animada com algo. Eu ficava feliz de vê-la assim. Apesar de que isso me preocupava, pois eu nem decidira o que iria fazer.
Após conversarmos, Kinsley nos disse que meus pais foram enviados direto para a casa que ficariam, e que infelizmente não passariam no ministério, mas ele nos deu o endereço para podermos trocar cartas. Claro, fiquei decepcionado, mas nada me deixaria triste já que tudo estava dando certo agora.
Hermione não quis esperar um minuto, fomos logo pra Hogwarts, ela estava preocupadíssima pois os Niem's iriam começar em algumas semanas e precisávamos estudar.
Quando voltamos, não tinha um que passava por nós e não olhava, mas sinceramente, eu não ligava, e Hermione parecia não ligar também. O que importava era a mão dela segurando a minha, e com isso eu iria pra onde ela me levasse. A não ser para a biblioteca.

– Hermione! Vamos estudar amanhã, tem coisas melhores pra fazer — eu a parei.

Ela me olhou de um jeito que eu achei que ela iria me dar um soco, depois falou ríspida.

– Pra eu ir para o nível um eu preciso estudar Draco, não tenho tempo pra "fazer coisas melhores", e você — ela colocou a mão na cintura — tem que decidir logo o que quer.

– O que eu quero? — parei e pensei — Vou jogar quadribol agora, o dia está bonito.

Eu disse saindo, então parei e olhei pra trás, ela me olhava incrédula e comecei a gargalhar. Voltei até ela e dei um selinho, dizendo que realmente, eu iria jogar. Então ela apenas revirou os olhos e foi para a biblioteca, e eu para o campo.
Quando cheguei lá, os Weasley e o Potter estavam treinando. Eu parei no meio do caminho, quase voltei mas eu queria poder ter alguma ligação com eles, eram a família de Hermione, e ela se esforçara tanto com a minha, eu precisava fazer o mesmo. Então subi na vassoura e fui até eles, com um sorriso forçado no rosto.

– Draco! — gritou Gina — E seus pais? E Hermione?

– Estão todos bem — sorri — foram inocentados, graças a vocês!

Ela e Potter sorriram, já o Weasley continuou sério, me fitando.

– Posso treinar com vocês?

Potter e Weasley ficaram calados, e ficou um silêncio constrangedor.

– Claro! — disse Gina quebrando o silêncio, e lançando um olhar reprovador para os dois.

Nós dividimos, eu era apanhador e Gina a artilheira, contra nós era o Potter de apanhador e o Weasley artilheiro.
Eu não estava competindo, nem desesperado para pegar o pomo, eu queria mesmo era me aproximar deles.
Enquanto eu ficava rondando pelo campo, por um tempo eu estava rindo forçado da briga entre os Weasley la embaixo, mas passou a ser uma risada verdadeira. Os dois eram até engraçados, principalmente Gina quando zombava do Weasley.

– Cara — gritou o Potter de longe -, acho que nunca te vi rir.

Quando ele disse isso, eu gargalhei e ele também logo depois. Então de repetente ele voou com a vassoura rápido, com a mão esticada, e eu o segui. Quando cheguei do seu lado, ele me deu uma trombada, e eu voltei uma bem mais forte, repetimos isso algumas vezes, mas sem parar de gargalhar um minuto.

– Hoje eu ganho cicatriz! — gritei para o Potter, com um sorriso no rosto.

– Acho que não doninha!

Nós fazíamos ziguezagues por todo o campo, nos preocupando mais em "prejudicar" o outro, do que pegar o pomo. Então uma hora em que sem perceber passamos perto de um dos aros, Potter desviou, se não bateria em um, e eu continuei atras do pomo, conseguindo pega-lo segundos depois. Então descemos para o campo, e Potter tinha um sorriso divertido no rosto.

– Não se ache — ele disse -, eu deixei você ganhar.

– Ah por favor — revirei os olhos -, até parece.

Os Weasley vieram logo depois, Gina estendeu a mão e bateu na minha sorrindo, e Rony se dirigiu ao Potter.

– Não acredito que perdeu pro Malfoy! — disse o Weasley ao Potter.

– Cala a boca Ron! — Potter riu.

– Andou treinando no ministério? — disse o Weasley pra mim.

– Não — olhei pra ele -, estava muito ocupado beijando a Hermione.

Quando eu disse isso Gina e Potter sorriram, já o Weasley fechou a cara na hora.

– Calma cara — sorri pra ele -, só queria retribuir o carinho.

Acabamos por treinar o dia todo juntos, graças a Merlin, sem brigas.

POV Hermione

Fiquei a tarde toda na biblioteca, lendo e relendo alguns livros, fazendo resumo deles e pesquisando mais sobre o nível um. Eu vira o dia pela janela da biblioteca se escurecer, e só quando fui dar o meu trigésimo bocejo que me levantei, sabendo que não conseguiria estudar mais que isso. Guardei os livros e saí da biblioteca vazia, indo para o jantar.
Quando cheguei, na mesa nem Harry, Gina ou Rony estavam, então eu comi sozinha recapitulando mentalmente cada coisa que eu li. Já no final do jantar, eu vira de longe Harry, Gina, Rony e Draco chegando juntos, todos com roupa de quadribol e sujos. Como tinha pouca gente no jantar, e os professores já tinhas se retirado da mesa principal, Draco veio sentar na mesa da grifinória, do meu lado. E eu preocupada me levantei rapidamente.

– Está tudo bem? — eu disse os olhando com os olhos arregalados.

Os quatro olharam confusos, e após alguns segundos começaram a gargalhar.

– O que foi?

– Está tudo bem Mione — disse Harry rindo -, não deixamos o Malfoy e o Rony se matarem — depois sussurrou — nem eu matar ele.

Eu sorri e o abracei em seguida, agradecendo imensamente por tudo o que ele fez, sem vontade de solta-lo. Depois abracei Gina e Rony, agradecendo também.

– Ficamos sabendo que eles foram inocentados — disse Gina -, graças a Merlin!

– Sim, graças a Merlin e a vocês!

Eles sentaram e comeram, pareciam mortos de fome, e eu fiquei ali sentada conversando.

– Passou o dia todo onde? — disse Gina

– Na biblioteca — disseram Draco, Rony e Harry em couro.

Após eu rir e depois os olhar brava, confirmei a Gina.

– Já decidiu o que vai fazer?

– Sim — sorri -, nível um do ministério.

– Tudo a ver com você Hermione! — Gina sorriu e os outros confirmaram.

– E vocês? — Olhei para os três

– Auror — disse Harry e Rony em couro.

– Algo relacionado a quadribol. — disse Gina.

– E você Draco? — disse Gina

Infelizmente, ela era a única que ainda se dirigia ou até puxava papo com Draco, queria que os meninos pudessem aceitar, ou até perdoa-lo, apesar de entender se não conseguirem.

– Ainda não sei, mas tenho pensado muito em auror.

Eu o olhei surpresa com a testa franzida, ele não havia falado nada disso comigo.

– Irônico, não? — disse Rony sorrindo sarcasticamente.

– Rony! — o repreendi num sussurro.

– É, eu sei — Draco riu sem graça -, mas é exatamente por isso que tenho pensado. Quero poder ajudar as pessoas, já que sei que fiz mal a muitas e participei de algo que quase destruiu o mundo bruxo, quero poder recompensar.

Eu o olhei orgulhosa, sorrindo sem me conter. Por baixo da mesa peguei a mão de Draco e entrelacei a minha, nunca havia ficado tão orgulhosa dele.

– Hoje temos monitoria — Draco se dirigiu a mim — pagar a que perdemos anteontem.

xx

– Então — o olhei -, vai me explicar agora sua nova ideia de ser auror? Ou só meus amigos podem saber?

Draco riu baixinho de mim. Nós andávamos de mãos dadas pelos corredores escuros de Hogwarts, senti falta deles, da tranquilidade e proteção do castelo.

– Eu pensava nisso apenas — ele falava olhando pra frente pensativo -, mas nunca levei muito a sério. Mas agora é a única coisa que consigo pensar em fazer ultimamente.

– Sei que quer fazer uma boa ação e tudo mais — o fitei -, mas você não tem a obrigação de seguir uma profissão para reverter o que já fez, tem que fazer algo que goste.

– Sei disso — ele me olhou -, mas eu gostaria de ajudar as pessoas.

– Nesse caso, fico feliz com a sua escolha. — sorri pra ele e beijei sua bochecha.

– Obrigado — ele sorriu baixinho, corando depois.

Ver Draco corar era algo muito raro, e eu fazia questão de apreciar isso toda vez que acontecia. Eu amava isso nele, ele ser tão durão e orgulhoso, pois isso fazia momentos como esse serem únicos.

– Vou enviar minha carta para a escola de aurores amanhã, junto com o Weasley e o Potter.

– Como sabe que eles vão enviar a carta amanhã?

– Por que eles me contaram, me convidando pra mandar junto a deles.

Eu fiz questão de não mostrar, mas dentro de mim algo pulava, rodopiava. Ver os três se dando bem era a melhor coisa que poderia acontecer comigo agora, estava tudo dando certo. Os pais de Draco seguros, meus pais sabendo quem sou eu, eu e Draco seguros e juntos no castelo e sem confusões entre as pessoas que eu amo.

POV Draco

Sinceramente? Até que não foi tão difícil passar o dia com os Weasley e o Potter, foi legal até. Mas só estou fazendo isso pela Hermione, eu nunca ficaria amigo deles.
Em relação a ser auror, eu não tinha certeza se era isso, mas como era a única coisa que eu tinha em mente, então eu iria correr atras antes que seja tarde demais.

– Ahá!- exclamou Hermione do nada.

Eu que estava em outro mundo, pensando em outras coisas me assustei e virei rapidamente para Hermione, que estava com os braços cruzados olhando pro corredor ao lado. Haviam dois alunos da lufa-lufa ali, o que estavam fazendo eu não sei, mas estavam fora da cama e desculpa nenhuma era o suficiente para a Hermione.

– Me acompanhem por favor, vamos até o Filth. — disse Hermione mudando o caminho.

Os dois alunos a seguiram, de cabeça baixa sem contestar, qualquer um nesse castelo conhecia Hermione e sabia que não é possível discutir.
As vezes eu pedia mentalmente pra Hermione deixar passar algumas vezes, pois eu tinha preguiça de ficar dando sermão, levando alunos até o Filth e decidindo castigos junto com ele. Mas ela nunca deixava passar, então acabamos por ficar o resto da monitoria na sala do Filth, junto com os alunos.
Quando eu a deixei no quadro da grifinória, ela antes de entrar me olhou e falou baixinho:

– Me desculpa ter ficado o dia todo na biblioteca — ela disse, mas sem parecer nem um pouco arrependida.

– Tudo bem — sorri e tirei uma mexa que estava no seu rosto, colocando atras de sua orelha.

– Boa noite. — ela me deu um selinho.

– Boa noite.

Ambos demos boa noite, mas continuávamos a nos olhar, eu acariciando seu rosto e ela segurando apertado minha outra mão.

– Senti sua falta o dia todo. — sussurrei

Ela foi falar alguma coisa mas eu a impedi, a beijando. Minha mão que estava em sua nuca, desceu até suas costas, e eu senti Hermione arrepiar, adorava fazer isso com ela. Então no mesmo segundo ela levou sua mão até meu cabelo, passando sua unha em minha cabeça e me arrepiando também, ela sabia exatamente como fazer. Senti uma enorme vontade de empurra-la para dentro do quadro e aproveitarmos aquele sofá, mas ela parou de me beijar, pois sabia que se continuássemos iria a diante.

– Agora sério — ela deu um risinho -, boa noite.

– Boa noite — eu a dei um beijo de despedida, de novo.

o beijo acabou por não ser de despedida, ele durou, e muito, só paramos quando faltou ar. Então quando paramos, ela quase correu pra longe de mim e ditou a senha do quadro, olhando pra mim e sorrindo torto.

– Boa noite — ela sussurrou.

Se ela tivesse ficado mais alguns segundos naquele quadro, eu teria ido até ela, mas ela sabia disso, por isso entrou correndo e eu segui meu caminho para meu dormitório.
As vezes quando eu parava para pensar, via como fora tudo tão sem nexo, juízo e espontâneo. Era como se eu e Hermione já sentíamos alguma coisa um por outro, desde sempre, e isso apenas desabrochou quando eu mudei e ela me perdoou, pois foi tudo muito rápido. Isso as vezes me deixava assustado, mas a maioria delas impressionado, eu sentia como se realmente ela fosse feita todinha pra mim. Então naquela noite e como sempre, fui dormir pensando nela.

Notas finais
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