Notas iniciais
Oi meus amores, aí está mais um capítulo pra vocês! Se tiver muita review eu posto hoje ainda o próximo capítulo ou amanhã. Boa leitura :D

Desde a briga com Rony eu não o via. Gina vinha direto na casa de Harry e ele ia até A Toca, mas eu me mantinha aqui, no quarto.

Às vezes Harry vinha me ver, perguntar se eu estava bem, conversava comigo e me abraçava, consolava. Teve um dia que ele até dormiu no quarto comigo, ficamos conversando até tarde até adormecermos. Harry era o melhor amigo que eu poderia ter. Às vezes Teddy Lupin vinha na casa de Harry, e adorava ficar comigo, Harry até se sentia enciumado, mas parecia feliz em me ver sorrindo. Eu não estava triste especificamente por causa de Rony, mas pelo fato de estar sozinha.

O dia de ir para Hogwarts chegou, eu e Harry arrumamos tudo e encontramos Gina e Rony na estação de trem. Sentamos eu, Harry, Gina e Rony em uma cabine, o que foi constrangedor, já que Harry e Gina ficavam se agarrando, e eu e Rony olhando a janela.

Graças a Merlin fui chamada para uma reunião de monitores, e ao chegar lá não reconheci ninguém, apenas Draco Malfoy. Fiquei impressionada ao vê-lo, achei que nunca mais o veria. Quando ele me viu, não me xingou, nem fez cara de nojo ou revirou os olhos, apenas abaixou a cabeça olhando para o chão.

Fiquei constrangida, acho que seria melhor se ele tivesse xingado, ou simplesmente feito algo desprezível. Mas ele não o fez, e isso me pegou de surpresa. Me sentei ao lado da monitora da corvinal e logo depois um homem chegou, entregando uma carta de McGonagall e logo saiu.

Quando ele saiu eu abri a carta, e a li em voz alta com todos os olhos penetrados em mim. A carta dizia;

01 de setembro

Caros monitores, infelizmente não pude ir para a reunião no trem, então deixarei nessa carta o que deverão fazer esse ano, e encontrarão seus horários em seus dormitórios.
Esse ano resolvi fazer algo diferente, não haverão duplas da mesma casa, mas sim de casas diferentes. Será Grifinória com Sonserina, e Lufa-Lufa com Corvinal com o intuito de unir as casas. Não só a monitoria mas outras atividades também terá junção das casas. Grata, diretora da escola de magia e bruxaria de Hogwarts, McGonagall.

Quando terminei de ler a carta Draco me olhou, aqueles olhos cinzas elétricos me penetravam de uma maneira assustadora, ele nunca havia olhado em meus olhos assim. Eu desviei o olhar e coloquei a carta na mesinha a frente, esperando que alguém falasse alguma coisa. Depois de um longo silêncio eu me manifestei.

— Bom, acho que a "reunião" acabou. Só vamos entender direito quando virmos os horários. — olhei para todos — Tchau.

Me levantei e fui em direção a cabine, até me lembrar que estava melhor o silêncio na reunião do que o silêncio na cabine, então parei e fiquei apenas ali, no corredor em pé apoiada na janela.

Fiquei um tempo apenas refletindo enquanto o vento batia em meu rosto, até que uma voz rouca se pronunciou atrás de mim, com um susto me virei.

— Desculpa, não queria te assustar — Draco Malfoy olhava para o fundo dos meus olhos, parecia que havia algo que precisava dizer desesperadamente.

— Tudo bem. O que quer? — eu disse rispidamente.

— Quero conversar com você.

— Não, obrigada — disse já me virando para a janela.

— Por favor, é rápido, só quero que ouça algumas coisas — ele olhava para o chão e para mim, repetidas vezes.

— Rápido.

Ele me guiou até uma cabine da Sonserina que estava vazia, me sentei em sua frente e ele apoiou os cotovelos na coxa, ainda olhando para o chão. Parecia pensar em o que falar.

— Hermione, — desde quando ele me chama de "Hermione" e não de "Granger"? — eu queria primeiramente pedir perdão por tudo o que eu te fiz, todos os insultos. — ele olhava para o chão

— Vai me pedir perdão olhando para o chão? — qualquer maneira que eu tivesse de discordar dele ou xingá-lo estava ótimo pra mim.

Ele me olhou e novamente aquela sensação desconfortável veio junto, quando ele me olhava eu sentia medo, mas também curiosidade. Em seus olhos, eu encontrava sentimentos que eu nunca soube que Draco sentia. Eu via dor, tristeza, decepção, mas também via arrependimento.

— Eu sei que errei, e sei que vai pensar que estou me desculpando agora porque Voldemort morreu, e é como se eu estivesse sem nada. — Sua voz rouca ecoava pela cabine. — Mas não é bem assim, na verdade é muita coisa. Mas como eu disse que seria rápido, queria só pedir perdão. Eu errei, sei que errei e se você permitir quero consertar.

— Consertar? — comecei a me interessar pela conversa.

— Sim, quero dar uma reviravolta pelas coisas. Da maneira como preferir, mesmo que seja só me mantendo longe de você. Porque sei que isso te conforta.

— Eu, eu não sei como poderia concertar.

— Eu entendo. Vou me manter longe de você, fique tranquila. Mas eu tinha que pedir perdão — ele voltou a olhar para o chão

— Não quero que fique longe. — Não sei porquê eu disse isso, apenas saiu.

Draco subiu a cabeça rapidamente, me olhou com curiosidade e esperou, parecia que um brilho apareceu em seus olhos. Nós estávamos nos encarando e eu não conseguia parar de olhar em seus olhos, eles haviam me prendido, me hipnotizado. O que era isso? O que estava acontecendo?

— Quero saber porquê mudou de ideia em relação a mim, e porquê está arrependido.

— É complicado...

— Sou uma "sabe-tudo nojenta" esqueceu? Acho que vou conseguir entender.

Ele corou, mas mantinha uma expressão fria, indecifrável.

Ele começou a falar, e eu prestei atenção em cada frase. Explicou sobre ter sido forçado a ser comensal, sobre ter visto tudo aquilo acontecer ao seu pai e ao alívio de Voldemort ter sido morto.

Me contou que, depois de tudo, ele começou a ver o verdadeiro valor das coisas, já que o valor que ele dava em "puro-sangue" era algo tão superficial e que não o salvou de tudo o que ele passou, pelo contrário, destruiu sua família. Disse que era como se uma cegueira tivesse sido curada dele, e que ele começou a rever todo o seu passado, percebendo que o verdadeiro valor não está em aquilo que ele acreditava, mas sim em outras coisas, coisas em que "vocês", foi como ele disse, acreditam. Como amizade, e citou eu, Harry e Rony, amor, proteção.

— Ainda não consigo ver como Draco Malfoy enxergou isso tudo.

— Talvez o sofrimento me despertou. Eu não sei, eu só enxerguei. E vi você Hermione, a menina que atormentei todos esses anos, o seu "defeito" de acordo com minha crença, que era ser "sangue-ruim" havia sumido, e eu não achava outro defeito para continuar meu ódio por você. Só vi qualidades.

— Obrigada, eu acho. — eu estava em choque.

— Talvez, pelo fato de ter que odiá-la obrigatoriamente, mas não encontrar motivos plausíveis para não gostar de você me fazia sentir ainda mais ódio. Você sempre foi admirável.

Será que no final dessa conversa ele vai soltar uma longa gargalhada e dizer que era tudo encenação?

— É um pouco mais complexo que isso, mas não há como te explicar, são coisas que nem eu consigo. Só está na minha mente, e eu não consigo me manter, eu mudei bruscamente, principalmente em relação a você — ele forçou um sorriso o que me fez amolecer, Draco tinha um sorriso lindo, brilhante e inexplicável, eu nunca havia visto seu sorriso, era algo totalmente novo pra mim — Não vou te prender aqui, sei que namora o Weasley e ele deve estar te procurando por ai.

— Não o namoro mais — Pela primeira vez eu vi a expressão de Draco mudar, ele se surpreendeu, de uma maneira boa. Mas tentou disfarçar — O que foi?

— Nada, eu só... Nada — ele tentou esconder um sorriso.

Decidi não insistir, mas eu queria poder arrumar um assunto para ficar ali, eu estava confortável e não queria voltar para a cabine de Rony.

— Draco, posso te pedir uma coisa? Não me importo se você falar não.

— Peça.

— Eu posso ficar o resto da viajem aqui? — Ele me olhou curioso, mas consentiu. — Obrigada — Sorri e me aconcheguei no banco.

O resto da viajem nós conversamos, constrangidos, mas conversamos. Eu me senti confortada ali com ele, sua presença me fez parar de sentir toda aquela solidão que eu estava sentindo a dias. O novo Draco era uma pessoa fácil de conversar, fácil de ficar perto, difícil era eu me conformar com ele.

Notas finais
C-O-M-E-N-T-E-M