My Neko

3 Gatinho Especial


Notas iniciais
Analisando as estatísticas: 87 acessos (cap.1: 16, cap.2: 11), 5 seguidores e 2 comentários (da mesma pessoa) nesses dois últimos capítulos. Que seca ç_ç Ok, vou evitar desanimar e continuar aqui! Capítulo 3 em 3... 2... 1...

Sayo

Já faz uns dias que Aoni está comigo. Ele tem se comportado bem, não tem saído de casa. Mesmo estando na forma humana ele tem sido uma boa companhia, sempre sorrindo, agindo daquele jeito doce e inocente dele... Eu nunca me senti bem perto de alguém, ainda mais um garoto. Mesmo assim... Algo me incomoda.

Não sei o que é, talvez seja um sentimento de culpa por não deixá-lo sair, ter brigado com ele naquele dia, simplesmente não sei. Acho que eu devia fazer algo para compensá-lo. O que poderia ser?

Saindo da universidade fiquei pensando nisso. Será que ele gostaria se eu comprasse alguma coisa pra ele? Eu tenho só o confinado a ficar vendo TV e a dormir no sofá, nem da minha cama eu deixo ele chegar perto. Bom, isso é é dureza de minha parte, pois ele nunca fez uma demostração de que queira fazer algo comigo... Falando nisso, ele quase sempre tem ficado como gente...

Decidi comprar umas coisas pra ele, mesmo, com certeza Aoni vai gostar. Chegando na porta da minha casa ouvi alguma coisa:

– Sim, sim, como você é fofo!

O quê?! tem alguém na minha casa?!

Eu entrei rapidamente pensando "Droga, alguém descobriu o segredo do Aoni!", mas quando vi o que estava ali... Era a namorada do meu irmão e também minha amiga, Kyoko. O Aoni estava na forma de gato e ela estava brincando com ele com um brinquedinho. Assim que me viu Aoni parou de brincar e se aproximou de mim para se roçar na minha perna.

– Oi Sayo!

– Kyoko? O que está fazendo aqui?

– Ah... Tava passando e o porteiro por acaso me falou que a uns dias você pegou um gato na rua, e como gosto de nekos decidi comprar um brinquedinho pra ele e dar pra você. Você não tava em casa, então decidi ficar por aqui.

– Como você tem a chave daqui de casa? (posso até adivinhar)

– Seu irmão tinha me dado as chaves daqui quando teve aquela briga com os pais de vocês e ficou um tempo morando aqui.

– (BINGO!) Aé... Olha, você me conhece e sabe que eu não gosto que as pessoas tenham a chave daqui de casa...

– Não, tudo bem, queria aproveitar e devolver mesmo.

Ela tirou a chave do bolso e me deu.

– E como tá o seu irmão?

– Você não é quem devia saber?

– A gente terminou faz umas semanas, estávamos com uns problemas faz tempo.

– Entendo... Não sei não, ele só me dá satisfações quando vem aqui procurar uma "fuga" de casa.

Peguei o Aoni e sentei com ele no sofá. Meu irmão não tem falado muito comigo ultimamente, acho que é por causa do ensino médio ou algo assim (ele tem 16 anos). Não parece por causa do fanatismo dele por animes, mas ele estuda muito quando quer ser o melhor em algo.

– Ah! Já ia me esquecendo! Qual é o nome desse gatinho?

– Aoni.

– Hum, legal, nome diferente. Olha, pode ficar com isso aqui (o brinquedo) e também uma coleirinha que comprei pra ele. Não sabia se seria macho ou fêmea então comprei logo uma cor neutra e simples.

Ela pegou uma sacola e tirou dela uma coleira preta, simples, mas bonita.

– Então, posso colocar?

– É... Se ele deixar, hi hi.

Aoni ficou quietinho quando Kyoko colocou a coleira nele, mas a pergunta que não quer calar é: Como ele fica quando voltar a ficar humano de novo?

– Own ele ficou fofo.

– É, ficou legal nele, nem tinha pensado em comprar uma coleira.

– É melhor caso ele se perda se sair de casa, hu hu, pode colocar seu telefone numa medalha e prendê-la na coleira depois. Bem que não tem como confundir esse gatinhos de dois rabos, se brincar ele parece um Nekomata, ha ha ha!

– É, um Nekomata, haha! (ainda bem que ela não tá falando sério, só tá brincando)

– Bem, eu vou ter que ir.

– Tá! Eu te acompanho até a porta.

Eu a levei até a porta, ela se despediu e depois saiu. Depois que fechei a porta olhei para Aoni com um olhar de alívio.

– Ainda bem que ela não te viu de outro jeito, não é? Hu hu!

Ele se sentou e miou.

– Hum, deixa eu te ajudar a tirar a coleira para você poder se transformar, quero te mostrar uma coisa.

Quando me agachei para tirar a coleira dele ele se afastou e miou de novo. O quê? Qual é o problema? Ele correu para trás do sofá, o que ele está pensando?

– O que foi Aoni?

– Eu disse que não precisava.

– An?

Ele se levantou, na forma humana e se apoiou nas costas do sofá. A coleira estava no pescoço dele, só que ela ficou maior, adaptado ao seu corpo.

– Tirar a coleira. Algumas coisas colocadas em mim na forma de gato se adaptam em mim quando mudo de forma.

– Você devia ter me dito isso antes, seu bobo!

– Hu hu! Vi como você ficou preocupada quando você entrou, achei engraçado, ha ha ha!

– Ha! Ha! E as roupas, ficam em você também?

– Não. Só fico com o que é colocado em mim como gato.

– Hum, entendi.

– O que você queria me mostrar?

– Coloque as roupas que eu te mostro. Pera, onde elas estão?

– Em baixo do sofá, aquela humana quase me pegou de surpresa.

– Ai, ai... Hu hu. Tá, coloque logo.

Peguei a sacola com as coisas que comprei e me sentei no carpete para esperar. Ele saiu do sofá vestido e todo ansioso. Puxa, espero que ele não se decepcione com o que eu vou dar...

– Bom... — peguei a sacola que eu trouxe — Espero que você goste.

Ele olhou e nela tinha uma caixinha de metal e uma outra menor. Ele abriu a grande e seus olhos brilharam na mesma hora.

– Isso é...!

– Comprei num restaurante aqui perto, como você é um gato achei que ia gostar.

– Divide comigo, Sayo, chan?!

– An? (isso eu não esperava)

– Por favor...

Na caixa tinha vários tipos de sushis, principalmente com salmão. Peguei um dos hashis que tinha na caixa e comi junto com ele. De repente Aoni parou por um segundo.

– Hum! Esqueci a outra caixa.

Ai... É agora, só falta esse... Ele pegou a caixinha e a abriu. Não sei descrever a reação dele, não dava para eu saber se ele gostou ou não.

– O que é isso?

– Uma corrente com pingente. Eu tava com receio de comprar uma coleira por que eu não sabia que ela podia se adaptar a você. Comprei algo especial que você podesse sempre usar pra... Hum... Não se sentir triste quando eu não tou em casa.

Ele olhou para mim e tentou colocá-la, mas pareci estar com um pouco de dificuldade então ajudei a colocar. Quando consegui prender ele botou suas mãos em meu rosto e olhou no fundo dos meus olhos.

– Eu não fico triste quando você sai de casa, por que eu sei que você vai voltar.

– Aoni...

Ele sorri e disse:

– Adorei o seu presente, Sayo-chan! Será algo tão importante pra mim quanto minha vida!

Não pude me conter em liberar um pequeno riso devido essa frase exagerada dele. Por que ele sempre diz coisas desse tipo? Eu não sou ninguém especial, não sou a pessoa mais importante do mundo. Apenas o dei esse presente para compensar a minha ausência por que eu sei que ele anda muito apegado a mim.

– Hum... Ah! Não estou pensando em dormir tão cedo, então, você que ver um DVD comigo?

– DVD?

– O aparelho está no meu quarto, pode entrar lá.

Seguimos pelo pequeno corredor até o meu quarto. Era pequeno e a organização não era a das melhores, mas dava para conviver com isso. Aoni entrou olhando tudo em volta com um olhar um pouco maravilhado.

– Sugoi! Tudo aqui tem o cheiro de Sayo-chan!

– Não fale assim tão alto. (assim você me deixa sem graça)

– Desculpa.

– Hum... Você pode sentar na minha cama, eu vou escolher uns filmes.

Olhei por uns segundos para a minha estante, pensando em quais filmes podíamos ver. Aoni ficou sentado na minha cama quietinho comendo o resto do sushi, enquanto eu pegava os DVDs que escolhi e colocava o primeiro no aparelho.

– Acho que você pode gostar desses filmes, considere que vamos assistir uma maratona.

– Hum, vai ser legal.

Apaguei as luzes e sentei na cama junto de Aoni. Ele ficou encostado em mim e vez ou outra roçava a cabeça na minha. Por que ele é tão manhoso comigo?

– Aoni...

– Hum?

– Não sei o que tem em mim pra você gostar tanto assim... Você sempre fica quietinho e comportado, mesmo assim tem vez que não te trato da maneira que devia.

– Como assim?

– Hum...

– Me diga alguma vez que você foi ruim comigo, tanto que eu deveria odiar você.

Fiquei sem palavras, eu não tinha argumento pra isso. Eu cuidava dele e essas coisas, mas mesmo assim sentia que faltava algo mais, que eu podia ser melhor. Mas eu não sei como dizer isso a ele...

– Sayo.

– An?

– Você é muito dura consigo mesma, não seja. Sayo-chan é uma pessoa boa, não pense que é ruim, o que você faz é bom.

– Sério?

– Sim.

Ninguém nunca disse algo do tipo assim pra mim. Aoni de certa forma, com essas palavras, me deixou feliz.

Encostei minha cabeça nele e fiquei quieta, em silêncio, e ele passou um pouco a mão na minha cabeça da mesma maneira que faço com ele. Nenhuma pessoa me faz me sentir confortável como o Aoni, ele me faz me sentir bem, não me sinto mal perto dele como fico com as outras pessoas.

Aoni é especial pra mim...

Notas finais
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