My Name is Annie.
4 Capítulo 3
Notas iniciais
– QUEM ELE PENSA QUE É?
Lucy gritava dentro do apartamento, o que fazia sua voz ecoar várias vezes.
Lucyana Jangles, minha melhor amiga há três anos. Conhecemos-nos no FBI.
Depois do “almoço” (aspas, porque eu não coloquei uma colher na boca), eu fui direto para a casa dela para descrevê-lo por completo.
– O vice-presidente da FBI?
Lucy parecia a ponto de pegar o carro e ir até lá espancar Luke. Acho que se ela quisesse ser atriz de um filme de terror, esse seria o momento perfeito para fazer o teste.
– O V-I-C-E. Não o presidente!
– Mas quando o presidente ta fora, o V-I-C-E que coordena.
Não adianta. Lucy sempre iria achar um argumento para culpar Luke.
– Sério, ele é muito idiota... E ele ainda te colocou com o Fill!
Isso era o que mais me “doía”. Eu teria que ir para Londres. Tudo bem. Competir um cargo de agente especial com um cara que eu nem conheço direito e já odeio. Maravilhoso. Mas agora, ficar praticamente um dia inteiro com Fill, já era abusar da minha paciência, se é que eu tenho.
– Tudo bem Lucy, sério. Eu já esqueci o Fill.
– Ata! Duvido...
Claro que eu o esqueci. Eu em
Lucy continuou:
–Qual é a cor preferida dele?
– Azul! Mas não os azuis normais, ele odeia azul bebê, mas ele gosta de azul claro com um toque leve de verde. Ah! Ele também gosta de verde... Mas ele prefere o azul. E ele fala que o azul perfeito é o dos meus olhos. E que essa é sua cor preferida.
Ok. Lucy estava certa. Eu ainda não esqueci Fill. Eu tava sorrindo que nem uma idiota...
– Ta vendo? Annie! Você tem que esquecer o Fill ta legal? Ele pode ser super gato, mas...
Interrompi Lucy no meio de seu sermão.
– Ele é mais do que gato.
E sim. Foi só para dizer isso. Fill é lindo! Ele pode ser modelo, sério. Ele tem um tamanho normal, provavelmente só uns três ou quatro centímetros mais alto do que eu. Ele é forte, mas não exagerado. Ele tem a pele clara, mas não praticamente transparente igual a minha. Seu cabelo é loiro e cacheado, com os cachos caindo na testa, mas o comprimento é só até as orelhas. E seus olhos são castanho escuro.
– Ta vendo? Você tem que tirar ele da sua cabeça! Você vai fingir que não o conhece nesses dias ok?
–Ok.
– E que horas você tem que ta lá amanha?
–08:30, porque?
Lucy sempre tinha um plano. Sempre.
– Caramba... Não podia ser mais cedo? – Ela vomitava sarcasmo, assim como eu – Eu vou dormir lá! Amanhã você vai ta tão linda, que o Fill vai se arrepender de ter te dispensado.
Ela não entende?
–Esse é o problema Lucy! Não foi ele quem terminou! Fui eu!
–Ta, mas não foi você que disse que ele não tinha o direito de dar opiniões na sua vida, foi?
–Não, não foi... Mas ele disse aquilo no momento de raiva!
–Annie acorda! Cadê a Annie que eu conheço?
Ela estalava os dedos em frente ao meu rosto. Ela ta certa... Há alguns minutos atrás eu estava dizendo que eu já o esqueci. Quer saber? Eu ainda não o esqueci, mas eu vou!
–Ta certo Lucyana! Eu AINDA não o esqueci, mas espera só! Ele vai se arrepender de ter dito aquilo para mim! Ai se vai!
–Essa é a Annie que eu conheço.
Ai ai Lucy...
–Você já vai lá para casa?
–Não sei... Tenho umas coisas pra fazer aqui, pode ir primeiro que depois eu vou.
Eu moro a mais ou menos 1 hora da casa de Lucy de metro e ônibus. Mas quando ela vai de carro, gasta só meia hora.
–Eu não! Você tem carro! E vai ficar muito tarde pra você ir depois... Vamos logo.
Eu disse isso a puxando em direção a porta.
O restaurante que fui hoje de manhã era um pouco mais longe da casa dela, o que quer dizer que demorei mais para chegar. Saí de lá umas duas e meia, depois passei no escritório para pegar meu carregador de celular que esqueci lá. E depois fui tomar um sorvete... Quanto mais doce se come quando se esta nervosa, mais você se acalma.
Então demorei umas três horas. Cheguei lá quando era 17:35...depois nós ficamos um tempão conversando, então agora é 18:55.
–Ta né...Só vou lá pegar minhas coisas.
Lucy saiu da sala e foi em direção ao quarto.
Fiquei pensando em muitas coisas.
Será que eu iria conseguir fazer essa missão? Ainda mais com Jack me perturbando! Será que eu vou conseguir ficar olhando para o Fill por uma semana sem sentir saudades de seus carinhos?
A imagem de Fill me beijando foi quebrada quando meu celular tocou.
Revirei a bolsa toda... Até que encontrei.
– Alô.
– Bom saber que você ainda ta me atendendo...
– Que? Com quem eu falo?
– Ai ai Jenny... Nunca achei que você poderia ser tão convincente.
Não acredito! Esse cara da Jenny de novo? Isso era uma piada? Será que eles estavam gravando a ligação pra depois poder postar no youtube?
– Ai meu Deus, você de novo?
– Sim, sou eu de novo! Não vou parar enquanto você não me explicar porque simplesmente acabou tudo.
– EU NÃO SOU NENHUMA JENNY!
–Ah... Você é aquela mulher que ela pagou para fazer isso né? Olha, eu já te disse que pago o dobro para passar para a Jen...
Interrompi sua frase com meu grito.
–ELA NÃO ME PAGOU NADA! EU...
–Você não cobrou nada? UAU
– NÃO... QUER DIZER, NÃO É ISSO! – Abaixei a voz e falei com muita paciência – Eu não sou e nem conheço nenhuma Jenny! Você provavelmente está ligando errado – Ou é muito bom com trotes – ok?
– UAU Jenny, to impressionad...
Desliguei na cara dele! Ah! Cara estranho! Eu tava cansada dessa Jenny já!
Desliguei o celular.
– Que gritos em...
Lucy retornou para a sala com uma bolsa nas mãos.
– Tem um cara me ligando pela segunda vez querendo falar com uma tal de Jenny...
–Cuidado em... Isso pode ser trote.
– Eu tenho quase certeza de que é.
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Fomos chegar em casa depois de uma hora! O trafico tava terrível!
– Você não podia morar um pouquinho mais perto não Annie?
Lucy não parava de reclamar desde que entramos em casa.
–Cala a boca Lucy! – Falei com um tom de piada na voz. Ela riu – Para de reclamar um pouco!
–Tá! Já parei! Tem alguma coisa para comer?
Como sempre ela foi em direção a geladeira.
– Não. Era para eu ir ao supermercado hoje, mas estava tão nervosa que resolvi não ir.
Lucy abriu os olhos e disse:
– Isso significa...
Eu sempre sabia o que “não ter comida em casa” significava.
– PIZZA!
Fui em direção ao telefone e pedi a maravilha em pedaços, que demorou meia hora pra chegar. Mas quando chegou, eu e Lucy a devoramos em cerca de 5 minutos... E depois fomos dormir.
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Celular tocando... Sempre o motivo que me acordava dos meus melhores sonhos.
–LUCY AOCRDA!
Dei um gritão.
–Ta, ta... Já to levantando..., que horas são?
– Sete e meia.
– A gente vai levar no mínimo meia hora pra se arrumar...
– Eu sei, é por isso que a minha melhor amiga vai me levar de carro!
Lucy resmungou e escondeu a cabeça embaixo do travesseiro.
–Eu vou tomar meu banho, e quando chegar eu quero te ver em pé!
Eu parecia àquelas mães de crianças que vão para escola de manhã.
Fui tomar meu banho. Eu estava bem mais desperta essa manhã... Acho que era porque eu ia ver Fill!
Não! Não era... Era porque, eu iria para Londres em menos de uma semana. Com Certeza!
Não lavei o cabelo, ele (sei lá porque) tinha acordado bonito hoje.
Coloquei uma calça jeans cinza e clara, com uma blusa branca afogada de manga curta e minha bota Dc. Martens preta.
Coloquei a jaqueta na bolsa... Não sabia como estaria o clima à noite.
Lucy já estava levantada.
– O que vamos fazer nesse cabelo?
–Nem encosta! Eu nunca uso ele diferente... Nunca.
Ela sabe disso! Sempre faço meu coque com minha franjinha solta.
–Ta bom...
Lucy fez meu coque, que com certeza ficou bem melhor dos do que eu normalmente faço sem nem olhar no espelho. Ela penteou minha franja e deixou dois fios soltos do lado (o que eu sempre faço). Colocou um brinco pequeno preto que eu tinha na minha orelha, e no segundo furo, ela pegou um dos dela (que sei lá como, ela tinha quatro): uma pedrinha brilhosa.
No fim das contas, eu não tava muito diferente... A não ser pelos brincos e uma levíssima camada de mascara no cílios, que deixava todo a parte de baixo dos meu olhos preta, de tanto eu esfregar devido ao sono.
Pegamos o carro e fomos.
Chagando lá, me despedi de Lucy e agradeci por ela ter acordado cedo por mim. Depois entrei no escritório com a cabeça erguida.
Raramente eu ia ao escritório sábado, pois era meu dia de folga, e até que ele estava bem cheio... Estava cheio de agentes em mesas discutindo coisas, e outros nos computadores.
Fui em direção ao elevador, e parei no quarto andar, onde era o escritório de Luke. Segui reto pelo corredor lotado de portas, e abri a porta de vidro exatamente ao lado da do escritório dele.
Dei de cara com Jake, que provavelmente estava a minha espera. Mas percebi que não, assim que segui seus olhos e me virei.
Dei de cara com Fill.
Ele não mudou muito em um mês. Mas no momento em que o olhei, soube que eu ainda o a amava... O que me deu muita raiva. Muita mesmo.
Como soube? Simples... Não sei como resistir a vontade de abraça-lo imediatamente. E agradecer por ele ter voltado da Líbia perfeitamente bem.
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