My Mission
3 The New Home
Notas iniciais
Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=kZ_kFQjyuw4&feature=youtu.be
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Eu jogava minhas coisas com brutalidade dentro da mala sobre o olhar crítico de Dona Hermione.
Logo depois de sair do escritório dos aurores fui direto para cada e a encontrei me esperando na porta, como se já soubesse que eu precisava de apoio. Entrar no meu apartamento não foi tão difícil quanto imaginei. Por todo lado havia coisas que pertenciam a Jon, mas ao invés de sentir tristeza eu sentia repulsa.
Mentira sempre foi uma das piores coisas para mim. Afinal a mentira originava ou estava implícita em todos os outros problemas... Portanto, a partir do momento que descobri a mentira de Jon algo se quebrou dentro de mim. Eu estava triste e desiludida, mas um sentimento de alívio também começava a aparecer.
_ Hugo está a caminho. — minha mãe diz enquanto ainda analisa meus movimentos. — Seu pai conseguiu que ele viesse. ..
_ Ótimo. — murmuro desgostosa.
_ O apartamento em New York é ótimo. Eu mesmo ajudei seu pai escolher enquanto você ainda descansava. — ela continua pegando um casaco na minha mala e o dobrando corretamente. — É bem simples, mas aconchegante. .. E fica bem perto do centro.
_ O único problema é que eu não queria ir para lá. — retruco — Não quero atravessar o oceano e ficar em um apartamento com um cara que eu nem tenho intimidade!- me largo na cama e respiro fundo olhando para o retrato no criado- mudo onde se via Jon e eu sorridentes. — Eu só quero um bom livro de suspense e um pote gigante de sorvete de chocolate.
_ Eu te entendo Rose, mas sabe como é seu pai. Rony não raciocina muito bem quando o assunto é as pessoas que ama... Ele só visa sua proteção, e pensando por esse lado, te mandar para os U.S.A foi uma excelente idéia.
_ Eu. .. eu sei mamãe. — digo relutante. — Mas aconteceu tudo tão rápido que eu preciso de um tempo para... respirar! Eu isso não será fácil convivendo em um apartamento com Scorpius!
_ E lá vem você com essa implicância, herdada do seu pai! — ela exclama revirando os olhos e sorrindo. — Scorpius é um bom menino, e um bom auror. ... E se eu me lembro bem a senhorita já teve um queda por ele... — ela completa sagaz.
_ Eu tinha 11 anos e estava deslumbrada com Romeu e Julieta. .. Papai falava tão mal dos Malfoy que eu considerei a idéia de Scorpius ser meu Romeu.... Idéia que se acabou depois do loiro se mostrar um imbecil. — digo rindo de minha própria tolice na infância. Quando eu imaginaria estar na situação de agora...
_ Atrapalho o papo das ladies? — nós nos viramos em conjunto ao ouvir a tão conhecida voz do meu irmão. Hugo estava encostado no batente da porta do seu jeito desengonçado de sempre. Eu ainda não entendia como alguém tão atrapalhado podia ser um astro revelação no Quadribol, mas Hugo sempre foi o exemplo vivo da contradição.
_ Claro que não querido. — minha mãe diz sorrindo e lhe dando um abraço carinhoso. — A propósito nós estamos quase atrasados. .. Eu vou fazer um lanche rápido para nós enquanto vocês conversam e depois é só esperar seu pai. — com isso ela saiu e eu respirei fundo desanimada.
_ Que bela encrenca você se meteu, hein maninha?? — Hugo diz arqueando as sobrancelhas e se aproximando para sentar ao meu lado na cama.
_ Confusões sempre acompanham nossa família. — digo apoiando minha cabeça em seu ombro.
_ Nunca fui com a cara do seu namorado. — ele comenta momentos depois.
_ Na verdade. .. — digo com uma voz risonha e amarga ao mesmo tempo. — ... Nós éramos noivos. — levanto minha mão onde o anel ainda estava.
_ Piorou... — Hugo murmura me fazendo rir. — Mas nada é tão ruim a ponto de desanimar Rose Weasley certo? Seu noivo se mostrou um mentiroso traidor? Sim... Ele agora é um procurado pela justiça? Sim... Sua vida corre perigo? Sim...
_ Isso é para me animar? — pergunto franzindo o nariz.
_ O fato é que temos que nos concentrar em coisas boas em momentos com este. Como pensar que tudo isso te impediu de se casar com um babaca, que agora você está de férias, que vai viajar... — Hugo explica.
_ Bela filosofia. — murmuro.
_ Eu sei. E foi você que me ensinou. — levanto meus olhos para encará-lo. — Você sempre me ajudou nos momentos difíceis com sua filosofia de que tudo tem um lado bom.
_ É meio complicado seguir os próprios conselhos. ...
_ É só se esforçar. — Hugo diz sorrindo. — E isso tudo é só até pegarem os babacas!
_ Sim... Será como férias fora de época! — digo mais relaxada.
_ Ouvi dizer que seu guarda- costas será o Scorpius. .. — percebo o tom de riso dele e reviro os olhos. — Merlin. .. Isso será divertido.
*
*
*
_ Nós poder ficar mantendo muito contato, mas saiba que estarei sempre pensando em você. – minha mãe disse me abraçando no aeroporto. Despedidas não eram algo estranho daquele local, onde trouxa passavam para lá e para cá. – E a propósito... Eu sei que está desencantada com sua poção, mas eu estou muito orgulhosa de você... Apesar da confusão foi um feito brilhante.
_ Obrigada mamãe. – digo sorrindo e lhe dou um último abraço apertado. Hugo, que já havia se despedido de mim, apenas me deu uma piscadela e abraçou minha mãe quando me soltei dela.
_ Se cuida maninha. – eu aceno com a cabeça em resposta e vou até meu pai que parecia ansioso.
_ Nós estamos com todas as equipes em alerta, vamos pegá-los o mais rápido possível, para que você possa voltar. – ele diz rapidamente e então me abraça tão forte quanto minha mãe. – Vou sentir saudades minha Rosinha...
_ Eu também vou. – meu pai se afasta para me encarar e solta um suspiro.
_ Nunca pensei que ia falar isso, mas obedeça Scorpius está bem? – faço uma careta e ele gesticula como que se me entendesse. – Eu sei... Mas ele, apesar de um Malfoy, é um auror, e vai estar lá unicamente para te proteger. Portanto, quando ele lhe mandar ficar dentro de casa, FIQUE dentro de casa. E quando tiver algum problema...
_ Pai, eu possa estar na mira de bandidos, mas ainda sou a mesma Rose. Eu sei me cuidar. – digo o cortando e lhe dou meu melhor sorriso tranquilizador. – Vou ficar bem.
_ Ótimo. – ele me dá um beijo na testa e começa a se afastar. – Ah, Rose... Mais uma coisa. – presto atenção já que ele ficou extremamente sério. – Quando eu disse que ele estará lá para sua proteção, eu falava bem sério! Nada de gracinhas! Vocês são jovens, e vão estar no mesmo teto...
_ Tem medo que eu volte casada com o Malfoy? – pergunto risonha e ele faz outra careta em resposta. – Isso não vai acontecer jamais papai!
_ Assim espero. – ele diz apontando o dedo para mim. – Agora acho melhor vocês irem.
Scorpius, que estava todo esse tempo encostado em uma pilastra nos dando privacidade para o momento familiar, se aproximou calmamente. O rapaz era uma figura interessante de se observar desde sempre, com seus cabelos minuciosamente penteados na infância, e seus ternos na adolescência. Agora Scorpius estava com um terno cinza, uma camisa branca e uma gravata preta meio frouxa, tudo isso embaixo de um sobretudo preto. Ele carregava uma mochila em um dos ombros de uma forma despreocupada e realmente parecia um simples viajante, e não um bruxo disfarçado.
_ Manteremos contato Senhor. – ele diz profissionalmente acenando para meu pai. Eu, diferentemente, mando um beijo para eles e vou com o loiro segurando minha bagagem de mão.
Não tivemos problemas com a Ala de embarque ou o detector de metais, apesar de Scorpius fazer uma careta engraçada quando o guarda passou aquilo nele afim de verificar se ele não possuía metais. Era estranho pensar que aquilo era inútil para pessoas como nós, pois nossa maior arma era feita de madeira.
Nossas passagens eram na primeira classe, onde as poltronas eram maiores. Três acentos de cada lado do corredor. Scorpius, que ia a frente, parou nos nossos bancos e guardou a mochila no bagageiro se sentando na poltrona ao lado da janela. Eu fiz o mesmo com minha bolsa e me sentei ao seu lado observando o lugar.
Nunca tinha realmente estado em um avião, mas sempre soube com era em teoria, principalmente pelos filmes que minha avó materna adorava assistir. Os passageiros iam entrando aos poucos e se acomodando. Tinha alguns casais, muitos homens de terno e até algumas crianças com os pais.
_ Ansioso? – pergunto para o loiro ao meu lado tentando quebrar o gelo. Scorpius olhava através de janela com as sobrancelhas arqueadas.
_ Ansioso para o que exatamente? – ele responde sempre frio, e eu suspiro. Esse sempre foi um dos motivos para eu não conseguir me aproximar dele na escola. Scorpius nunca conseguia ser simplesmente simpático e gentil, ele era cheio de “porque” e “pra que”...
_ A viagem. – digo dando de ombros. – Você nunca viajou de avião não é?
_ Não... você já? – ele perguntou curioso, se virando para mim. Sorri em resposta ao tom mais suave.
_ Não, mas já ouvi falar sobre muita coisa. – respondo animada. – Minha avó diz que no começo do voo acontece uma turbulência, o avião balança muito. E ele pode balançar de novo durante o voo.. Mas o resto é tranquilo.
_ Desde que esse treco não caia no meio do oceano. – Scorpius comenta bufando e eu abro um sorriso brincalhão.
_ Está com medo Malfoy? – Scorpius revira os olhos diante do meu tom desafiante.
_ Não estou com medo Weasley. – ele diz sorrindo sarcasticamente. – Só não confio em um negócio que pesa toneladas e voa sem nenhum tipo de magia.
_ Bom, ciência é um tipo de magia... De certa forma. – comento pensativa. – Ela possibilita muitas coisas.
_ Hm. – ele murmura voltando a olhar pela janela.
_ Meu pai me disse que te deu uma pasta com todo o caso. – digo tamborilando os dedos no meu colo.
_ Sim.
_ E vocÊ não acha necessário eu saber o que tem nela?
_ Não.
_ Agora você só fala por monossílabos? – indaga nervosa. – Isso teria sido tão útil enquanto estávamos em Hogwarts... Mas naquela época você era uma matraca.
Scorpius desviou seus olhos da janela e olhou para mim com a testa franzida.
_ Olha, eu sei que nunca nos demos muito bem, mas vamos passar muito tempo juntos. – digo tentando parecer diplomática, mas falhando já que um cara muito gordo passou ao meu lado no corredor esfregando sua bunda em mim. – Acho que temos que pelo menos nos entender.
_ Rose, isso aqui não é uma viagem de férias. – ele diz baixinho. Sua boca quase relava na minha orelha e me causou arrepios. – Estamos aqui porque o seu noivo está atrás de você, fazendo sua vida correr risco, e eu vou te proteger. – Scorpius se afasta um pouco para me encarar. – Estou em uma missão, e minha relação com você é restritamente profissional.
_ Isso não quer dizer que precisa ser grosso, ou antipático. – rebato sorrindo sem humor.
_ Não, mas isso quer dizer que nós não precisamos virar amiguinhos. – ele afirma sagaz e volta a se endireitar no banco. Eu bufo irritada e me distraio olhando ao redor, o avião já estava quase cheio.
_ Porque nós não aparatamos? – pergunto baixinho apenas pensando alto, mas é claro que o loiro tinha um ouvido biônico.
_ As aparatações são fácies de rastrear, se tiver os contatos certos. – ele responde. – E seu pai te quer irrastreável.
_ Como vamos manter contato?
_ Seu pai me deu um espelho de duas faces, com ele vamos poder conversar um com o outro... – Scorpius parece quase entediado respondendo minhas perguntas apesar de segurar firmemente a poltrona.
_ E qual será nossa história? – indago curiosa, e ele me encara confuso. – Vamos morar juntos em um apartamento, as pessoas vão nos perguntar o que somos um do outro, nossa história, nosso disfarce.
_ Depois pensamos nisso Weasley. – Scorpius diz respirando fundo e antes que eu possa dizer algo uma mulher de meia idade para ao meu lado segurando a mão de uma menininha loirinha, de uns seis anos.
_ É aqui querida – a mulher dizia tranquila e colocou a menina sentada na poltrona ao lado da minha, fechou o cinto e então sorriu para nós. – Olá, meu nome é Hope, esta aqui é a Alice, diga oi Alice.
_ Oi. – a menininha diz meio emburrada.
_ Olá. – respondo animada. – Meu nome é Rose, este é Scorpius. É um prazer. — Hope sorri em resposta enquanto o loiro ao meu lado apenas acena com a cabeça.
_ Eu estou viajando com meu marido e meus três filhos, mas cada um ficou em um banco. – Hope explica acariciando a cabeça da filha. – Estamos dois bancos a frente mas... Qualquer coisa que Alice precisar, vocês poderiam nos chamar?
_ Não se preocupe, eu cuido dela na viajem e te chamo se precisar. – digo e Hope agradece dando um beijo na filha e indo para a frente do avião.
_ Senhores passageiros, vamos decolar em poucos instantes, por favor desliguem qualquer aparelho eletrônico durante a decolagem para sua própria segurança, quando for permitido iremos avisar. Por favor, coloquem os cintos e não saem dos seus acentos até a hora permitida. Em caso de emergência mascaras de oxigênio iriam cair do compartimento acima de vocês, coloquem no nariz e prendam o elástico atrás da cabeça. Pedimos que crianças e idosos tenham prioridade. As saídas são a sua direita e na frente do avião, em caso de dúvidas podem perguntar as nossas comissárias. Desejamos uma ótima e tranquila viajem e obrigada por escolher nossa companhia.
_ Como uma coisa segura pode ter tantas recomendações? – Scorpius pergunta indignado olhando para a comissária que passava no corredor tirando dúvidas. Revirei os olhos e me certifiquei que estava com o cinto preso. – E se esse negócio cair de nada adianta as máscaras de oxigênio.
_ Se acalme Scorpius! – exclamo segurando sua mão em reflexo. – Vai dar tudo bem, você verá. Não precisa desse medo todo!
_ Sempre foi mania sua ser otimista... – ela resmunga. – E eu não estou com medo. Só não -confio nessa... coisa de metal!
_ Você está com medo. – me viro ao ouvir a vozinha de Alice. Ela segurava uma boneca loira como ela e ajeitava a roupinha. – Mas mamãe diz que é só fechar os olhos e cantar baixinho uma música que gosta muito... e então o medo passa.
_ Ótimo conselho Alice. – afirmo sorrindo amável, mas Scorpius simpático como sempre apenas bufa.
_ Não estou com medo.
O avião começou a balançar minutos depois andando pela pista, olhei para a direção da janela enquanto Scorpius apertava minha mão concentrado na decolagem, mas assim que o avião começou a subir ele fechou os olhos e prendeu a respiração. Apertei sua mão de volta enquanto via a paisagem da janela se transformar em nuvens, e então começou uma pequena turbulência, fazendo as luzes do avião piscarem levemente.
_ Merlin! – Scorpius exclamou baixinho e eu ri do seu medo. Não tardou em tudo se acalmar e o uso de aparelhos foi permitido, assim como a locomoção no avião. – Rose? – olho para o loiro. – Poderia soltar minha mão? – ele pergunta soltando um sorriso torto e presunçoso.
_ Como se não fosse você a quase quebrar minha mão. – murmuro me soltando dele e pego um exemplar dos Contos de Bedle, o Bardo. Abri a comecei a reler O Coração Peludo do Mago.
_ Os contos de Bid... Bedi... – Alice tentou ler a capa do meu livro. – Que livro é esse?
_ É um livro de contos infantis... da minha família. – respondo mostrando a capa.
_ Mas tem uma letra estranha. – ela comenta vendo as runas.
_ É... de um país diferente.
_ E tem a história da Bela Adormecida? – nego com a cabeça. – E a Bela e a Fera?
_ Não, são outras histórias. – digo.- Não tem príncipes e princesas.
_ Então deve ser chato. – ela diz franzindo o nariz e escuto a risada de Scorpius ao meu lado. Resolvi deixar para lá e deitei no banco fechando os olhos e tentando dormir, depois de tudo o que houve eu precisava de descanso.
Ainda não acreditava que Jon era aquilo, aquele canalha. Sempre o vi como um cara perfeito, ideal para ficar comigo o resto da minha vida. Pensava com eu, gostava das mesmas coisas... E agora ele tinha se mostrado um mentiroso traidor, e pior, estava ameaçando minha vida.
A anel de noivado ainda estava no meu dedo, não sei o porque, mas assim que olhava para ele me lembrava do quanto feliz fiquei ao recebê-lo, e como agora ele não valia nada.
Não sei quando foi que dormi, mas acordei com alguém me balançando. Abri os olhos e percebi que estava deitada no ombro de alguém, que era Scorpius.
_ Acorda, chegamos. – ele disse ainda me balançando.
_ Ook... – bocejo meio mole ainda e o loiro continua me balançando. – Ok. – ela ainda não para. – OKAY! JÁ ACORDEI!
_ Anda logo, eu quero sair daqui o mais rápido possível. – Scorpius resmunga passando por mim na poltrona e quase me esmagando com seu corpão musculoso. Arrumei meu cabelo e olhei pro lado encontrando o corpinho de Alice dormindo enroscado na poltrona, abraçada a sua boneca. Olhei ao redor e não encontrei sua mãe no avião.
_ Alice... Alice! – ela abriu primeiro o olhinho esquerdo e depois e direito e então bocejou. – Chegamos.
_ Cadê minha mãe? – ela pergunta enquanto eu me levanto e pego minha bolsa.
_ Ela deve ter descido, vamos encontrá-la lá fora. – respondo lhe puxando delicadamente enquanto me pergunto que mãe é aquela que deixa a filha sozinha dentro de um avião. Descemos as escadas sentindo um vento frio e logo encontro um Scorpius carrancudo me esperando.
_ Porque a demora? Temos que chegar no apartamento ainda hoje Rose! – ele exclama puxando meu braço e percebendo Alice ao meu lado. – Cadê a mãe dela?
_ Não sei, temos que achá-la. – respondo e ele me olha incrédulo.
_ Você... Nós não podemos ser babás de uma menina! – ele diz irritado.
_ Não disse isso, mas precisamos achar a mãe dela! – rebato categórica e ele aperta as mãos no ar se controlando para não explodir. Passei por ele puxando Alice atrás de mim e entrei no aeroporto olhando para todo lado atrás de Hope, a mãe desnaturada, mas nem sinal dela.
_ Deixe a menininha com os guardas daqui, eles cuidam dela. – Scorpius sugere apontando para uns caras fardados que estavam em um canto. – Vamos conhecer uns caras bem legais, vamos Alice? — ele diz se agachando na altura da menina. – Aqueles homens vão achar sua mãe.
_ Não! – Alice exclama agarrando minha mão. – Quero ficar com a Ariel.
_ Com quem? – ele indaga confuso e Alice aponta para mim.
_ Os cabelos dela parecem com o da Ariel. – ela explica.
_ E quem diabos é Ariel? – Scorpius pergunta sem entender nada e eu rio pelo nariz da sua cara de bobo, que era um tanto fofa.
_ Ok, vamos nos concentrar em achar a Hope. – digo dando uns tapinhas nas costas de Scorpius que respira fundo se levantando e me ajudando com má vontade. Naquele lugar tinha um monte de gente, de todos os tipos, e uma multidão maior que a do aeroporto de Londres, mas ninguém era a Hope.
_ Oh, mas que família mais linda. – encaro a velhinha a minha frente. Ela usava um vestido florido e segurava uma bolsa vermelha. Sorria docemente para nós três. – Logo vê que ela puxou os cabelos do pai... Tão jovens e já com uma família feita! Lindos!
_ O q..? Nós.. nós não somos uma família não minha senhora. – digo sorrindo sem jeito enquanto Scorpius olhava para a velha como se ela fosse louca. – Somos só...
_ Uma linda e unida família. – Scorpius diz lentamente abraçando meu ombro em seguida. – Obrigado, minha senhora.
A velha sorriu e foi saindo no meio da multidão. Encarei Scorpius e ele balançou a cabeça em negação olhando para trás de mim em seguida.
_ Não é aquela moça ali a mãe da menina? – ele pergunta e me viro vendo Hope ajeitar o casaco de um menininho de uns dois aninhos. Corri na sua direção puxando Alice pela mão e parei ofegante.
_ Hope? – a chamo e a mulher se vira de olhos arregalados.
_ Graças a Deus, Alice! – ela exclama abraçando a menininha loira. – Desculpa... Eu me enrolei tanto no avião, meu caçula passou mal e meu marido... Ele não ajuda em nada! Homens! Todos imprestáveis!
_ Entendo. – digo rindo do olhar de Scorpius para nós.
_ Bom, menina entregue, sã e salva, então já vamos. Tchau. – ele diz acenando e me puxando para longe dali. – Mulher desnaturada! Por que fez tanto filho se não pode cuidar deles?
_ Não seja tão estressado Scorpius! — exclamo revirando os olhos e me deixo levar até chegarmos a esteira das malas. Pegamos as nossas e fomos até a parte de fora do aeroporto, entramos em um táxi e Scorpius deu o endereço para o motorista.
_ Então... Primeira vez na Grande New York? – o motorista pergunta no primeiro sinal vermelho.
_ Sim, estamos de mudança... Sabe como é, recém-casados, procurando o cantinho próprio. – Scorpius responde sorrindo amigável e eu quase me belisco para ver se aquilo é real. Desde quando ele é simpático? E que história é aquela?
_ Ingleses, eu percebi. – o motorista comenta antes de acelerar novamente e Scorpius confirma. O taxista volta a dirigir naquele transito caótico e eu me inclino até ficar com a boca na orelha de Scorpius.
_ Que história é essa?
_ Você queria uma história, eu lhe apresento a história. – ele diz também sussurrando. – Se quer que isso dê certo Weasley, vai precisar aprender a arte do improviso. – Scorpius se afasta com um sorriso desdenhoso e eu reviro os olhos apreciando a vista. Era quase impossível captar tudo que o meu campo visual conseguia ver. Eram luzes, anúncios, pessoas, carros, motos, pontes, prédios e mais prédios... e pessoas.
Minha cabeça já doía pela viagem, o fuso horário e os acontecimentos. O táxi parou em frente a um prédio marrom e estreito, no meio de vários outros prédios marrons e estreitos. Scorpius desceu seguido por mim e pegou as malas enquanto eu pagava o motorista, não me atrapalhando com o dólar.
_ Boa lua-de-mel. – o motorista diz piscando para nós antes de ir embora e eu reviro os olhos passando na frente do loiro e entrando no prédio. A recepção era pequena, mas bem iluminada. De um lado tinha um monte de armários com os números dos apartamentos e do outro um balcão onde um homem estava sentado atrás, lendo um jornal.
_ Boa noite. – digo me apoiando no balcão e o homem abaixa o jornal. Ele não devia ter mais que cinquenta anos, possuía uma barriguinha saliente e um bigode espesso e preto, contrastando com a careca brilhante.
_ Boa noite... – ele diz lentamente me analisando da cabeça até o busto, que era o que aparecia sob o balcão. – Em que posso ajudar gatinha?
_ Hãm...
_ Em nada. – Scorpius diz brusco – Só queríamos avisar que o casal do 5B chegou, obrigado. – ele enlaça minha cintura e me leva até o elevador junto com todas as malas. Vejo o porteiro nos encarar antes das portas se fecharem e Scorpius me solta.
_ Você não pode confiar no primeiro que vê pela frente Rose. – ele comenta repreensivo. – Primeiro aquela mulher no aeroporto, agora esse cara aí..! Tem gente lá fora querendo te matar!
_ E eu tenho certeza que um deles não é o porteiro do prédio. – rebato sagaz e Scorpius apenas me encara pelo canto do olho com as sobrancelhas arqueadas. As portas do elevador se abrem e nós saímos para o corredor do último andar. Scorpius pegou a chave do 5B e abriu a porta quando a porta do 5ª se abriu revelando uma moça de cabelos pretos e franja. Seus olhos enormes e azuis nos encararam e ela logo abriu um sorriso.
_ Vocês devem ser meus novos colegas de andar! – ela exclama animada. – Que maravilha conhecê-los assim tão rápido, foi coincidência eu estar saindo assim, na mesma hora..! Devemos agradecer ao Sr. Fuffy, meu gato, que ficou sem comida... Meu nome é Serena Wither, prazer.
_ Prazer. – digo meio zonza com todo o seu discurso que foi feito muito rápido. – Meu nome é Rose...
_ Malfoy. – Scorpius acrescenta abraçando meus ombros. – E eu sou Scorpius Malfoy.
_ Oh, Sr. e Sra. Malfoy. – Serena diz batendo palminhas. – Lindo casal! Bom... Eu preciso comprar comida pro meu gato e vocês devem estar querendo estrear a casa então nos vemos por aí... Ah! – ela solta um exclamação e volta. – Se nossas correspondências forem trocadas não se preocupem, eu não leio! O Sr. Furggison não é muito dedicado com as cartas...
_ Sr. Furggison? – indago.
_ O porteiro! O cara careca e de bigode que fica lá embaixo. – ela responde apontando para o chão. – Ele é meio estranho...
_ Percebemos. – Scorpius diz acenando com a cabeça. – Mas porque ele teria nossas cartas? As corujas não entregam nos apartamentos?
Serena franziu a testa e abriu a boca algumas vezes antes de soltar a pergunta confusa:
– Corujas?
_ É piada. – exclama com a voz mais aguda que o normal e dou uma cotovelada nas costelas de Scorpius enquanto solto uma risada. – Corujas! É cada uma! Absurdo... Como se corujas entregassem cartas!
_ É! – Serena concorda rindo comigo. – Seu marido é engraçado... – ele diz dando um tapinha no peito de Scorpius que arqueia as sobrancelhas. – Se bem que não é má ideia... Corujas correio! Bom, eu já vou indo... Mesmo! Tchau! – ela desvia do elevador e pega as escadas. Scorpius entra no apartamento e eu entro em seguida fechando a porta.
O apartamento era uma sala pequena mais aconchegante, com um sofá, duas poltronas e uma estante com televisão. No canto direito tinha um balcão que separava a sala da cozinha, que tinha armário, fogão, geladeira e mesa. Um corredor levava para o resto do apartamento, mas Scorpius foi até as janelas da sala fechando-as com as cortinas.
_ Absurdo? – ele repete me encarando no escuro e eu acendo a luz do lugar.
_Se comparecesse na aula de Estudo dos Trouxas saberia que eles não usam corujas. – respondo sorrindo convencida e me sentando em uma das poltronas. – Na verdade é um conhecimento bem básico Scorpius...
_ Foi só um deslize. – ele diz passando por mim afrouxando a gravata e indo para a cozinha. Eu tiro meus sapatos e vou descalça até o balcão.
_ Sim, pelo visto você tem que se acostumar com os modos trouxas... E por hora, se quer que isso dê certo Malfoy, vai precisar aprender a arte do improviso. – pisco para ele e volta a me sentar na sala da minha nova casa.
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