My Madness
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Coragem, uma palavra com sete silabas, quatro consoantes e três vogais.
C-O-R-A-G-E-M.
Como uma palavra tão pequena pode ter um significado tão grande? Como uma única palavra consegue te diferenciar de várias pessoas? Essas perguntas sempre estiveram presentes em minha mente, talvez pelo fato que o sujeito dessas perguntas não existia em minha concepção, muito menos em meu dia a dia.
Vivo ao lado de pessoas desmotivadas, talvez por isso eu também seja assim, uma pessoa sem objetivo ou desejo de me tornar alguém na vida.
Ambição, essa é outra palavra que não existe em meu dicionário, porém sei separa-la tão bem quanto a outra. Sete silabas, quatro vogais e três consoantes. Praticamente o oposto da outra – se a observarmos dessa maneira é claro –, porém no cotidiano elas são extremamente dependentes uma da outra. Pois uma pessoa ambiciosa precisa arriscar, e para ter a capacidade de arriscar tem que se ter a bendita coragem, é ela que te impulsiona para a direção certa – nem sempre, é claro – e te faz ser alguém, te faz ou progredir ou regredir na vida.
Porém eu não preciso de nada disso, tenho uma boa vida. Não tenho desejo de progredir, pois sei que há mais chances de eu regredir, nunca fui igual aos meus avós – eles que colocaram nossa família no mapa, nos fizeram ricos e influentes – e tenho certeza de que nunca serei. Tentei durante toda minha vida ser igual a eles, e infelizmente ainda tento, vou a todas as reuniões de suas empresas e nos jantares caríssimos que proporcionam aos seus parceiros, porém nunca consegui me sentir a vontade nesses lugares. Acho que nunca me senti a vontade em toda a minha vida, ao menos eu não me lembro de ter me sentido bem em relação às pessoas que me cercam.
Antissocial, finalmente uma palavra conhecida por mim e meu dicionário. Onze silabas, seis consoantes e cinco vogais. Essa sim se faz presente em todos os dias de minha vida, desde que me lembro por gente, graças a ela deixei de fazer amizades e ter as outras duas palavras já mencionadas em meu dicionário interno. Odeio essa palavra com todas as minhas forças, odeio tanto quanto sorvete – o que é algo muito importante, já que odeio poucas coisas.
Existe outra palavra para me descrever: medrosa. Poderia classifica-la também, porém essa palavra – seu significado e tudo relacionado a ela – me da ânsia. Essa palavra é o oposto de coragem, mas que surpreendentemente possui a mesma classificação da mesma, esse é um dos motivos que eu adoro esse idioma.
Pessoas medrosas não são corajosas, assim como pessoas corajosas não são medrosas. Porém se observarmos existe casos e mais casos em que pessoas medrosas apresentam uma coragem mais forte do que aquelas que se intitulam corajosas. Exemplos? Bem, por fim na própria vida é um dos maiores possíveis. Pessoas sem alto estima, excluídas pela sociedade, ridicularizadas por todos, essas que sofrem em silencio e que em um momento tão difícil tomam a decisão mais complicada de todas: cometer ou não suicido. Existem aqueles que optam ou não por esse destino, e aqueles que optam acabam se provando de uma coragem inimaginável, sem mesmo se aperceberem desse fato.
Já eu me encaixo no grupo daqueles que optaram por esse feito, mas que não conseguiram o realizar pela falta de coragem. Quando era mais nova, me joguei na piscina da casa de meus avós durante uma das festas – ninguém nunca sentiria minha falta naquele lugar, era o local ideal – e tentei me afogar, segurei o ultimo degrau de uma das escadas com todas as minhas forças para assim não flutuar de volta para o topo da piscina. Mas assim que meus pulmões começaram a arder pela falta de ar, não pensei nem duas vezes antes de emergir e respirar novamente. Também tentei cortas meus pulsos com uma pequena lâmina, porém antes de passa-la em meu pulso, acabei fazendo um pequeno corte em meu dedo, e a dor que senti foi tão intensa que joguei a lamina na privada e dei descarga segundos depois. E o resumo da ópera é: que além de ser medrosa também não suportava sentir dor.
Não consigo fazer nada, e novamente, acho que nunca quero fazer algo. Estou acostumada com a vida monótona que levo nada além de estudar, aprender a tocar alguns instrumentos e depois ir a festas e encontros proporcionados por meus avós. Para muitos, esse ultimo fato é incrível, afinal, quem não gosta de ir a festas todos os dias? No caso, eu. Sem mencionar que em todas as festas meus avós tentam arranjar um noivo para mim, o que nunca vai deixar de ser desagradável ou desrespeitoso da parte deles – não que eles se importem com isso, é claro.
A minha sorte é que os meus pretendentes nunca gostam de mim, senão fosse por isso, seria muito provável que nesse exato momento eu estivesse casada e com filhos ao meu redor, o que seria horrível. Não pelo fato das crianças, e sim pelo fato do casamento em si. Todos os casais que conheço são infelizes, e em minha humilde opinião, de infelicidade já basta a minha, não preciso suportar a de outro ser humano.
Notas finais
Beijos e até o próximo c:
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