My Lover
29 Capítulo 29
Capítulo 29
Acordei com o meu pescoço dorido. Olhei para onde estava e Klaus olhou para mim. Estávamos num camião.
-Olá – disse ele.
-Onde estamos?
-Em Mystic Falls – ele respondeu e o seu rosto ficou tenso. – Vamos fazer uma surpresa à nossa doppelganger. Queres vir? Oh, espera, não tens qualquer poder de decisão agora. Vamos.
Ele saiu do camião e eu tive que sair atrás dele.
-Vais matá-la.
-Ela é a razão dos meus híbridos não darem certo. É óbvio que ela vai morrer!
Estávamos a entrar numa escola. A escola onde Elena e os seus amigos andavam.
-Klaus, há uma coisa que eu te quero dizer – disse e parei-o. Ele olhou-me impaciente. – Desculpa. Eu não te queria trair, mas… Elena acreditou em mim! Ela defendeu a minha confiança em ti quando todos os outros não acreditavam!
-Não me digas que vais morrer por ela, porque se te meteres á minha frente eu faço-o sem pensar duas vezes.
Engoli em seco.
-Ah, afinal tens auto preservação. Pena não confiar mais em ti.
Aquilo doeu. Doeu mais do que aquilo que esperava, do que aquilo que podia suportar. Estava a voltar tudo á estaca zero. E o pior de tudo era que tinha sido eu a estragar tudo desta vez.
-Então talvez devesses deixar-me ir. Para não atrapalhar os teus planos – disse eu com raiva por ele me ter magoado.
Ele pareceu pensar. Colocou as duas mãos no meu rosto e obrigou-me a olhá-lo nos olhos.
-Estás livre de mim. Agora vai para onde tu quiseres e não interfiras nos meus planos sobre a maldição.
Eu senti algo quebrar-se dentro de mim, a compulsão dele antes de partirmos de Mystic Falls.
-Foi bom rever-te, Samantha.
Os nossos lábios tocaram-se enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto. Ele estava a deixar-me. Outra vez. Deixei de sentir o seu toque e abri os olhos. Ele tinha ido e eu já não podia fazer nada.
Os meus joelhos cederam e eu caí com tudo no chão. Não, não podia ser. Klaus tinha acabado comigo. Outra vez. Um soluço escapou da minha garganta, e as lágrimas começaram a correr, mais fortes que nunca e eu não as conseguia parar. Eu não as queria parar, porque tudo dentro de mim estava despedaçado em mil cacos.
Ele tinha-me compelido a ficar com ele aquele tempo todo, mas o amor que sentia por ele era demasiado forte, era o amor e a paixão que eu tinha por ele durante estes mil anos. E apesar de tudo o que ele tinha feito, eu amava-o. Não se escolhe de quem se ama, isso é algo impossível, e eu fui logo apaixonar-me por um homem que agora vivia para uma obsessão que criar híbridos, mais da espécie dele, só para o protegerem.
-Sam.
Levantei a cabeça, assustada. Não havia ali ninguém quando ele me deixou, quem era aquela voz doce que me era tão familiar?
-Bridget – abri um sorriso e corri para os braços da minha amiga. A minha única amiga naquele momento. Até Rebekah me tinha abandonado, mas eu sabia que entre eu e Klaus, ela sempre iria escolher o seu irmão. E quem era eu para a julgar? Se eu também tivesse família neste século, não hesitaria entre a sua amizade e a minha família.
-Eu vi tudo, Sam – disse ela, e mais soluços vieram.
-Ele acabou comigo.
-Eu sei, linda, eu sei – ela suspirou. – Anda. Vamos beber algo bem quente para aquecer esse coração partido.
Desfizemos o abraço, mas mantivemos os nossos braços dados. Caminhámos por um pouco e ela fez-me entrar num carro preto e elegante. Bridget entrou do lado do condutor e guiou pelas ruas de Mystic Falls. Ela conhecia bastante bem a cidade para quem a tinha visto agora, totalmente renovada e com estradas alcatroadas.
-Há quanto tempo estás aqui?
-Deixei de ter notícias tuas e decidi vir. Klaus podia ter-te matado e eu estava disposta a matá-lo por isso, mas quando cheguei vi-a. É tão parecida com a Tatia – ela falou baixinho a última parte, mas de maneira a ouvi-la.
Tatia… era uma longa história. Ela era nossa amiga desde que tínhamos nascido, mas depois tinha-se envolvido com um desconhecido e isso afastou-nos; os nossos pais não queriam que nos déssemos com uma pessoa tão desrespeitosa. E isso realmente afastou-nos. Nós pensávamos que éramos realmente amigas, mas ela tinha-nos escondido essa verdade e eu jamais a tinha perdoado.
Então chegaram Mikael e Esther e o resto da sua família. Ela seduziu Klaus e Elijah por um tempo, antes de eles nos conhecerem. Tinha havido lutas entre os dois, mas eu nunca tive muitos detalhes quanto a isso porque naquela altura ainda não os conhecia a fundo e porque tanto Klaus como Elijah sempre tinham desviado o assunto. A verdade era que Tatia os tinha magoado com o seu egoísmo, mas a família para eles estava acima de tudo, e então os dois abdicaram dela. E depois conheceram-nos e o mundo adquiriu outra cor para os dois lados: tanto para eu e Bridget, como para Klaus e Elijah.
-Mas não é nada como ela.
-Será mesmo? – Bridget inquiriu retoricamente. – Ela anda atrás do seu amado, mas anda atrás dele acompanhada do seu cunhado que é apaixonado por ela.
Revirei os olhos.
-Sabes como os Salvatore são: irão sempre apaixonar-se pela mesma rapariga.
Bridget gargalhou.
-É mesmo!
O ambiente tinha ficado tão relaxado, mas eu não aguentei e tive que lhe contar:
-Ele empalou Elijah, sabias? – Bridget perdeu o seu sorriso e olhou para mim por uns breves segundos. – Eu vi tudo e não consegui fazer nada. Simplesmente… congelei.
-É, Klaus tem esse efeito em ti. Tudo de violento que ele faça, congela-te – ela disse, monocórdica.
-E Rebekah está de volta.
-Eu sei, eu vi-a.
-E falaste com ela? – arregalei os olhos.
-Não. Apenas vi-a à distância.
Parámos ao lado do Mystic Grill.
-E agora, nada melhor do que um chocolate quente para aquecer a alma e colocar a conversa em dia – ela disse, dando-me o seu melhor sorriso.
-Vamos a isso! – disse, sorrindo para ela. Se havia alguém que iria compreender o que eu estava a passar, esse alguém era Bridget. E o melhor de tudo: ela jamais me iria julgar.
©AnaTheresaC
Notas finais
Espero que tenham gostado! Capítulo triste, não foi?
Obrigada pelos comentários!
XOXO
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