My Love Is Criminal
4 All Over Again
Notas iniciais
Não acho que tenha colocado açúcar. Eu coloquei? Já estava mexendo esse brigadeiro faz tempo e não sentia cheiro de nada. Não sei nem se eu coloquei o leite condensado. Não, com certeza eu coloquei.
– Eu coloquei açúcar? — perguntei a Matt que estava lavando a louça do meu lado.
– Colocou — ele respondeu rindo.
– E quantas colheres de chocolate? — eu perguntei, fazendo com que ele jogue a louça na pia e desligue a torneira — o que foi?
– Savanna o que está acontecendo? — Matt perguntou sério.
– Como assim? — eu perguntei — Não está acontecendo nada ué.
– Sei... Não vou te encher porque eu sei que você vai brigar comigo, então, você colocou 4 colheres, colocou o leite condensado, e uma colher cheia de açúcar — ele disse parecendo meio confuso e continuou a lavar a louça.
Eu não vou mentir que ele estava errado. Porque ele estava certo. Eu ando muito distraída com a volta do Nash, nossa discussão, e não poder falar nada a ele do que eu senti. Ou sinto.
Pareceu que a semana demorou meses para passar. Mas finalmente o tão esperado final de semana tinha chegado. Não que eu iria para mil e uma festas e me embebedar, nem que eu ia ter super planos com o meu namorado. Eu iria ficar sentada vendo série e comendo brigadeiro. Coisa clássica de menina né. É.
Pelo menos eu iria poder ter paz, sossego, iria poder esquecer....
– Savanna? — Matt gritou da sala — Nash mandou uma mensagem dizendo que vai ao cinema agora, ele tá falando se a gente quer ir. Vamos? — Ah mais puta que me pariu.
– Ah Matt.... Sabe o que é? — eu perguntei manhosa — Não quero deixar meu brigadeiro aqui, sozinho... Sem ninguém para comer ele....
– Leva ele — ele disse rindo — Provavelmente ele não vai se importar, por mais que eu fique com ciúmes, eu vou tentar superar.
– Você — eu disse apontando para ele séria — é um carinha muito chato.
– É.... Eu sei — ele disse de cabeça baixa, porém logo a levantou — Mas você me ama e vai comigo.
Revirei os olhos e subi. Nunca passaria pela minha cabeça ir com o Matt e o Nash para o cinema. Sozinhos. Sem ninguém.
O cara que partiu o meu coração. E o cara que o está reconstruindo.
Coloquei uma roupa, já que não poderia ir de pijama, por mais que eu queira. Tirei o meu celular de carregar e desci as escadas. Pude ver Matt me observar.
– O que? — eu disse vermelha rindo.
– Você está deslumbrante senhorita — ele disse rindo e se curvando a mim. Quando finalmente cheguei ao piso de baixo.
– Bom cavalheiro — eu disse rindo — muito obrigada.
Ele me puxou pela cintura me fazendo arfar, pude perceber seu sorriso safado. Ele me beijou com uma fúria profunda enquanto eu massageava sua nuca. Ele revezava os lugares que sua mão passava. Hora na cintura a apertando, hora na minha bunda. Ele pegou minhas duas pernas e colocaram em volta de sua cintura. Ficamos alguns minutos assim, Porém logo desci dele. Ele me arrastou até a parede fazendo com que ele me pegasse pela cintura com um braço só e sua outra mão em minhas costas.
Alguém abriu a porta. E lá estava ele. Ele mesmo. Hamilton Nash Grier a seu dispor. Que droga. Nos separamos rapidamente e agimos como se nada tivesse acontecido.
– Hm.. — Nash murmurou em frente a porta com uma expressão engraçada no rosto — Er... Oi, vocês estão prontos?
– Ah — Matt disse meio vermelho — Estamos sim — ele terminou de falar e peguei meu celular em cima do sofá. Nash foi até seu carro. Matt olhou pra mim — Terminaremos isso depois.
Não acho que teria cabeça para terminar isso depois, mas tudo bem Matt vamos lá. Enquanto caminhava até o carro Nash me encarava com um olhar triste no rosto. Mas um pouco disso eu começaria a chorar, então desviei o rosto para parte de trás do carro. Onde havia uma menina. Sim. Uma menina. Não, uma puta.
Ela usava um short não tão curto. Seus cabelos eram quase brancos muito longos, ela usava um piercing no nariz e sua camiseta mostrava uma parte da sua barriga.
– Espero que não se importem mas trouxe uma acompanhante — Nash se pronunciou, provavelmente viu o jeito que eu olhava para ela — Seu nome é Águia.
– Como o pássaro — ela disse rindo.
– Como o pássaro... — murmurei bem baixinho que ninguém pode ouvir.
.....
Chegamos ao cinema e Nash fez questão de pagar os ingressos. Também, rouba tanto que poderia pagar o ingresso na sala vip de milhões de pessoas. Fiquei quieta, provavelmente sua puta não sabia de seus roubos. Ou arranjou ela lá. Nem pensei nisso.
Decidimos assistir ''Assalto ao banco central''. Nossa que inconveniente. Quem será que escolheu esse filme? Não tinha nem ideia. Entramos na sala de cinema A puta aka Águia sentou em uma das pontas, Nash ao seu lado, Matt ao lado dele e eu na outra ponta.
O filme começou e nisso eu estava já na metade da pipoca. Esses comerciais demoram décadas para passar. Porém passou uma cena que me chamou a atenção. O protagonista estava entrando em um restaurante, colocou sua arma no bolso e uma mulher muito bonita viu.
Por que me chamou a atenção? Porque foi exatamente assim que eu e Nash nos conhecemos. Ele fez isso de propósito. Escolheu esse filme para eu sentir o que ele supostamente está sentindo. Filho da puta. Vi que Nash me olhava. Não conseguiria ficar ali. Não mais.
– Dá licença eu vou no banheiro — disse a Matt, ele assentiu ainda entretido no filme.
Corri até a outra calçada do cinema. Fiquei sentada do lado do carro do Nash. Enterrei meu rosto em minhas mãos para me acalmar.
– Savanna — ouvi uma voz grossa. Inconfundível. Nash. Olhei pra cima e passei a mão nos meus cabelos tentando não pensar em uma possível consequência que isso traria. Ele sentou ao meu lado.
– O que você quer? — tentei soar o mais seca e desinteressada possível.
– Eu sei porque você saiu — ele disse olhando para mim — eu sai por isso também.
– Ah, você saiu porque estava com dor de cabeça? — eu perguntei mentindo — quer uma aspirina?
– Savanna, que merda, não faz isso — ele disse impaciente.
– Não faz isso o que Nash? — eu disse irônica para ele.
– Não haja como se tivesse me esquecido — ele disse.
– Que droga Nash, porque você acha que tudo gira em torno de você? — eu disse em um tom mais alto me levantando da calçada.
– PORQUE EU SEI QUE VOCÊ NÃO ME ESQUECEU CARALHO — ele gritou levantando da calçada. Minhas lágrimas ameaçavam sair — Não vou repetir o que eu disse na escola. Acho que você já entendeu.
– Não Nash — eu disse — Já estou farta de tudo isso. Você sabe como é me esconder de você para não me causar dor? Você sabe como é todos os dias acordar pensando que irei ter que te ver sem ao menos poder falar bom dia? VOCÊ SABE AO MENOS COMO É ESCONDER DO MATT TUDO ISSO?
– EU SEI MUITO BEM ANNA, MUITO MAIS QUE BEM — ele gritou — PORQUE EU TAMBÉM PASSO ISSO, OU VOCÊ ACHA QUE É SÓ VOCÊ?
– Então porque você me deixou Nash? — eu disse já chorando — Porque eu tive que te deixar? Porque você me tirou da sua vida?
– PORQUE EU NÃO QUERIA QUE VOCÊ SE MACHUCASSE. PORQUE EU TE AMO CARALHO — ele disse colocando as mãos na minha cintura e me beijando.
Ele me beijou. Como eu sentia falta daquele beijo.
Eu devia não corresponder.
Mas eu ainda amo ele.
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