My Lord
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ficou enorme (novidade, né), mas tem um pouco de tudo: mistério, romance, drama... um tiquinho bem modesto de ação :p
Esse é meu estilo e acho que não saberia fazer de outra forma então...
Espero que gostem :D
Obs: Juro que estava sóbria quando inventei essa história doida hahaha
My Lord
Tudo estava preparado para o maior evento da década... O casamento do jovem herdeiro do trono que seria seguido de sua coroação e posse do reino era o marco de uma nova era em Konoha.
Toda a nobreza fora convidada e agora ocupavam os lugares de vasta de poderosa igreja onde as cerimonias seriam realizadas. Cavaleiros faziam marchas protocolares, trombetas eram tocadas e cânticos líricos anunciavam a chegada do momento tão esperado.
O jovem príncipe, entretanto, não sabia como se portar em sua espera no altar. Queria disfarçar seu desanimo perante o regente, seu padrinho Jiraya, que esteve no comando do reino ate aquele momento, pois sabia que este seria um ato digno de um rei – sacrificar-se em pró de seu povo – e não queria desaponta-lo.
Ele estava pronto para esse sacrifício, pois estava ciente de que sua amada também estava, mas admitia que, casando-se, estaria dando adeus a sua plena felicidade ao lado da mulher que realmente amava.
Sua a noiva, com um digníssimo vestido branco, surgiu para a caminhada ate o altar, a marcha nupcial fora tocada por flautas, harpas e violinos e todos se puseram de pé para prestigia-la. O príncipe levou seu olhar ate sua noiva, a princesa Mei Terumii e forçou-se a sorrir, fez uma reverencia respeitosa ao pai dela, o Rei de Kiri, que a acompanhava e de braços dados ajoelharam-se perante o padre.
No decorrer da cerimonia, em meio ao extenso sermão sobre a responsabilidade do casamento e reinado perante as dificuldades. O príncipe só conseguia olhar para a coroa reluzente que descansava um pedestal e aguardava o momento de toma-la para si. Não pensava em nada além do que estava abrindo mão e não podia imaginar outra saída que não fosse aquela.
Mas em certo momento, numa parte em que o padre falava sobre amor e o que significava a união entre duas vidas, um pensamento diferente estalou em sua cabeça... Ele não prestara atenção nas palavras do padre, então não saberia dizer o contexto do que ele pregava, mas a palavra “amor” por si só já lhe despertou para a realidade a qual estava se condenando e, logo, arrependeu-se amargamente.
Seu consciente fora invadido por um desejo quase egoísta... Algo de que não poderia abrir mão...
— Não... – Ele sussurrou, falando mais para si do que para qualquer outro.
Voltou a olhar em volta, para o padre, para seu padrinho, para os convidados, os músicos e os cavaleiros... Olhou para a sua noiva e, por fim, para a coroa que ao final do dia deveria estar em sua cabeça.
Mas ele não queria nada daquilo...
— Não posso! – Falou alto agora, quase como um grito desesperado.
O padre se calou, enquanto alguns múrmuros eram ouvidos entre os convidados e as atenções voltaram-se para o rapaz que se sentia sufocado.
— Sinto muito. – Sussurrou agora para sua noiva, baixo o bastante para pensar que só ela ouviria, e, assim, levantou-se e partiu para fora da igreja.
Com um novo tipo de energia e animo, o príncipe mal conseguia se conter e andar normalmente, queria correr, queria pular, queria voar que fosse possível. Qualquer coisa para que chegasse o mais rápido possível a seu novo destino.
— Naruto! – Ouviu Jiraya lhe chamar e, ao virar-se para trás, viu que estava acompanhado de alguns de seus soldados leais.
— Sinto muito, padrinho. Não posso prosseguir com aquilo!
— Do que está falando?! Nosso reino está seco e infértil, Naruto! Precisamos dessa aliança com Kiri!
— Eu sei, mas deve haver uma outra saída.
— Não há! Esse casamento é a única forma de conseguirmos nos reerguer e alimentar nosso povo!
— Não posso! – Respondeu ao padrinho.
— Você parou de se portar como um rei já a muito tempo... O que anda escondendo de mim? – Jiraya perguntou e Naruto apenas desviou o olhar, não conseguindo revelar a verdade. Essa reação fora suficiente para a experiência de vida do regente sugerisse boas suposições sobre o caso. – Tem interesse em outra mulher?
— Não... Eu só...
— Sim, existe alguém. Você tem saído bastante nas ultimas semanas, agora tornou-se obvio o porque. Quem é ela? Alguma dama da cidade?
— Não, não é daqui...
— De uma outra cidade vizinha?
— Não...
— Não me diga que... Ela é uma camponesa? Tomou interesse por uma morta de fome das terras secas?!
— Não fale assim! Aquelas pessoas são nosso povo também! – O príncipe falou alto. – Alem disso ela não é nada que consiga imaginar.
— Você está apenas deslumbrado... – Jiraya bufou. – Conclua a cerimonia, Naruto. Consuma seu casamento com Mei. Está mulher não deveria ser um impedimento.
— Eu já tomei minha decisão.
— Poderá trazer a mulher de que gosta para o castelo. Lhe dará algum trabalho simples e poderá visita-la em seus aposentos em segredo de sua esposa. Assim as necessidades de todos seriam saciadas e ninguém precisará sofrer.
— O que disse?!
— Você não seria o primeiro, nem mesmo o ultimo a viver assim.
— O que o senhor pensa que ela é?! Nunca pediria para suportar tal humilhação!
— Humilhação?! Um rei não pode sacrificar o bem estar de seu povo por um motivo tão fútil quanto o orgulho de uma mulher!
— Ela é diferente! É magnifica! É um ser magic...
— Você se casará com Mei! – Jiraya o interrompeu furioso. – E se ama outra, só poderá tê-la se for como amante! Essa é a sua única saída se quiser viver esse seu “romance” barato, moleque!
— Não! Existe outra saída, sim, e eu vou busca-la agora!
O príncipe Naruto correu para os estábulos e selou seu cavalo as pressas e partiu para fora da cidade, tendo conhecimento de que teria que despistar o regente e seus soldados antes de seguir o longo caminho que teria pela frente. E enquanto a melodia do vento combinava-se ao som rítmico da marcha acelerada do cavalo... Pôs a lembrar-se de como tudo começou...
Como encontrou-se com Hinata pela primeira vez...
“...
Era uma tarde ensolarada daquele dia abafado e, através do galope pesado de seu cavalo, Naruto logo chegara a um lugar completamente descampado e de escassa vegetação rasteira típica de desertos que era sufocada entre as pedras. E percebendo que a raiva e impulsividade o fizera vir para bem perto dos limites de seu reino, decidiu que era hora de parar e pensar.
Era de seu costume sair para longas cavalgadas quando discutia com o regente e, quando a briga em questão era demasiadamente séria, passava dias acampando ao relento para que pudesse se acalmar, colocar a cabeça no lugar e pensar em novos argumentos para a próxima discussão. Dessa vez sentia que deveria morar no deserto por varias semanas, antes de voltar a falar com seu padrinho, o regente Jiraya, pois não sabia como escapar do casamento arranjado a que era pressionado a aceitar.
Avistou os restos de uma grande arvore sem vida no topo de um monte não muito distante e se encaminho para lá, decidindo que seria um bom lugar para formar abrigo para a noite.
Já do alto, amarrou seu cavalo a um dos galhos que julgou mais resistente, sentou-se entre algumas das raízes que ficavam para fora da terra para observar o contraste que era a paisagem de seu reino. A imagem das terras desnutridas e corroídas pela violenta seca que os assolava ladeando com a vasta floresta que crescia fora de suas divisas. A mata densa e forte que pertencia aos Elfos.
Já houve um tempo em que o Reino de Konoha e o Reino dos Elfos Hyuuga viviam em perfeita harmonia, trabalhando como aliados para proteger um ao outro e compartilhando de suas terras para promover uma vida prospera.
Entretanto, a mais de duas décadas atrás, um misterioso atentado ocorreu e algo foi roubado dos seres mágicos que habitavam a floresta. O líder élfico acusou o antigo Rei Namikaze, seu pai, de orquestrar esse roubo e as relações entre os povos se flagelou.
Desde então, sem a colaboração e ajuda dos elfos, seu reino mergulhou em uma profunda e rigorosa seca...
Que era agora a principal responsável por seus atuais problemas.
Logo o príncipe ouviu um som estranho as suas costas, quase como uma suave exclamação surpresa de uma voz feminina. Levantou-se, olhando ao redor, mas não viu nada incomum, embora ainda se sentisse observado.
Então a estranha presença passou a suas costas novamente e Naruto virou-se, seguindo seu movimento, mas novamente não havia nada.
Ouviu agora um tipo de risada divertida, a voz sendo inegavelmente de uma mulher e ele guiou seu corpo para sua direção, podendo ver uma espécie de vulto desaparecendo no instante seguinte.
Não estava apenas sendo observado, estava sendo vitimas de alguma brincadeira de alguém que ria as suas custas. Seria uma bruxa? Ou uma arpia? Talvez um monstro terrível que disfarçava-se de mulher?
Sacou sua espada, mantendo uma posição de combate e planejando sua estratégia.
A presença magica retornou e agora o príncipe se moveu de forma imprevisível, raspando a ponta de sua espada no chão e levantando uma massiva nuvem de poeira, terra e pedras.
Não demorou para avistar uma silhueta feminina, estava parada em meio a nuvem, como se coçasse os olhos. Logo pulou em sua direção, agarrando-a pelos pulsos para imobilizar seus movimentos, mas tropeçou por entre as raízes secas e os dois acabaram pendendo para o lado desequilibrados, escorando-se contra o tronco da arvore para não cair.
Naruto só teve tempo de ver a cor perolada dos olhos e o tom escuro do cabelo da tal mulher e então sua atenção foi tomada para o que acontecia ao seu redor: A arvore, antes morta, gradativamente voltara a sua cor saudável e suas folhas e flores brotavam de seus galhos agora revigorados em uma velocidade sobrenatural.
O príncipe ergueu seu olhar com espanto e largou-se da mulher, afastando-se vários passos para observar a imensidão do que estava diante de ti e, então, voltou-se novamente para aquela que acreditava ser a responsável por tal mudança. Analisando-a atenciosamente:
Era uma jovem garota de as feições suaves, seus olhos expressivos eram exageradamente claros e sua baixa estatura se cominava em um corpo bem modelado. Usava um tipo leve tecido branco para cobrir-se, talvez feito de seda, e que fazia contraste com seu longo e liso cabelo negro. Era linda em demasia...
Ao perceber que era observada – e admirada – a garota desaparecera diante de seus olhos, movendo-se por magia para se esconder atrás do tronco da arvore, de onde lhe deu uma olhadela receosa e amedrontada.
— Quem és tu? – Naruto perguntou abismado, porem ao não obter resposta, percebeu que não estava exercendo sua educação. – Perdão, deveria ser eu a me apresentar primeiro. Meu nome é Naruto Namikaze, sou o príncipe herdeiro de Konoha.
O rapaz rodeou a arvore tentando aproximar-se da garota, mas esta voltou a usar de magia para, assim como antes, mover-se e esconder-se no lado oposto do tronco.
— Pode, ao menos, apresentar-se, senhorita? – Naruto sorriu, se divertindo que aquelas reações, cheio de curiosidade para com aquela criatura magnifica. – Não tenho más intensões, quero apenas conversar. Sabe falar meu idioma?
— O que és isso que diz ser?! – Ouvi-a perguntar de repente. – O que é “príncipe”?
— Não sabe o que é?!
— Eu sei falar seu idioma, mas não conheço algumas palavras.
— Bem... “Príncipe” significa que sou filho do Rei...
— Oh... – Ela fez um silencio pensativo por um segundo. – E o que é “Rei”?!
— Ah, sim... – Naruto riu baixo. – O Rei é o líder do meu povo. Aquele que governa e toma decisões em pro do reino. Sendo assim, um príncipe herda o lugar do pai para se tornar Rei.
— E se torna aquele que liderará o povo.
— Exatamente. – Naruto sorriu.
— Então é quase como eu...
— És uma princesa Elfa então?
— “Elfa”?
— Desculpe, é assim que costumamos chamar, vocês, seres da floresta.
— Entendo...
O príncipe fora ensinado desde cedo a odiar os elfos, pois eles eram tidos como os responsáveis pela agravante seca em seu reino, porem, por uma sensação intima desconhecida, nunca foi capaz de sentir-se dessa maneira.
E agora com a apresentação de poder extraordinário demonstrando pela garota, teve certeza absoluta que seria incapaz de odiar a ela, ou qualquer outro de seu povo. Ele via claramente que, talvez, seja os próprios humanos a se condenarem ao quebrar a aliança com os elfos.
— Qual é o seu nome?! – Naruto perguntou.
— Nome?! O que é isso?!
— Nome é como as pessoas chamam você.
— Me chamam pra que?!
— Veja, eu sou Naruto. Quer dizer, meu nome é Naruto e é assim que as pessoas me chamam.
— Te chamam pra que?
— Ah, eu não sei como explicar... – Ele pensou. – Quando você precisa de alguém do seu povo, como você chamaria essa pessoa?!
— Se eu precisar de alguém, ele vem... Não é assim com os humanos?!
— Na verdade, não...
O príncipe bufou, desanimado por não conseguir se explicar e faze-la entender o que queria, mas logo ouviu-a rir e falar de repente:
— Hinata...
— O que?
— A palavra única designada para meu espirito... Hinata.
— Esse é um lindo nome. – Ele sorriu.
A partir de então, todos os dias Naruto passou a andar aqueles vários quilômetros ate a velha arvore da colina para encontrar a jovem garota elfa, chamada Hinata. Conversavam sobre suas culturas e a diferenças entre seus povos, aprendendo e compartilhando experiências e vivencias. Com o tempo, seus encontros se tornaram cada vez mais longos e seus sentimentos mais fortes.
...”
Quando Naruto percebeu que havia conseguido despistar Jiraya e seus soldados, exigiu a máxima velocidade de seu cavalo, fazendo-o galopar pelo caminho pedregoso ate a colina, esperançoso de que encontraria Hinata o esperando entre as raízes da velha arvore.
— Hinata! – Gritou ao chegar, esperando resposta.
Saiu de sua montaria e rodeou a velha arvore revitalizada buscando-a no topo dos galhos, desejando que aparecesse com sua magica, ansioso para ver a linda expressão de seu rosto ou ouvir sua doce risada.
— Venha, por favor! – Clamou. – Hinata!
Então a conhecida sensação de sua chegada soprou às suas costas e o príncipe virou-se imediatamente para recebê-la, porem foi surpreendido com um golpe contra o peito que o lançou contra o chão. Aquele que o atacara, parou a sua frente de maneira prepotente e Naruto reconheceu o elfo robusto e forte de nome Neji.
— Você de novo. – Sorriu ao se levantar.
— Sabia que apareceria cedo ou tarde, então fiquei a sua espera.
— Então você fala minha língua esse tempo todo? Nós poderíamos ter resolvido esse caso com uma conversa.
— Que conversa? Você descumpriu sua palavra vindo perturba-la novamente...
— Onde está Hinata?
— O que ela fez foi inaceitável... Tivemos que castiga-la...
— Castiga-la como?
— Ela não virá a seu encontro... Nunca mais...
O tom de voz provocativo do elfo fez o coração de Naruto acelerar e, com o olhar faiscando de fúria, não conseguiu impedir-se de ataca-lo, mesmo desarmado.
Bateram de frete um com o outro, trocaram socos, empurrões e xingamentos, porem o loiro se encontrava em completa desvantagem. O Hyuuga, usando das habilidades élficas, era rápido como o vento e o ar em volta de suas mãos as vezes se tornava tão espesso e afiado quanto uma faca invisível.
Naruto se defendeu com um pedaço de galho caído da arvore que rodeavam, usando-o com se fosse uma espada sem fio. Não era o bastante para igualar as coisas, mas lhe dera mais estabilidade e opções para sua esquiva e contra ataque.
Percebendo que não havia como derrotar seu inimigo em tal condição, o príncipe tentou dialogar com o elfo, mas isto só pareceu servir para enfurecê-lo cada vez mais. E em um curto momento de distração, quando seu pé escorregou em algumas pedras soltas, Neji aproveitou-se para deferir o golpe final diretamente no coração de Naruto.
O toque do ataque contra o corpo do loiro causou um barulho estranho e fagulhas de energia pareceram ser expulsas pelas suas costas com o impacto. Ambos ficaram estáticos sem entender bem o que tinha acontecido e logo o sangue vermelho dos humanos fora derramado em abundancia.
Naruto sentia o gosto do liquido vermelho em sua boca, provando os danos internos que lhe fora deferido. Neji se afastou alguns passos com uma expressão de profundo arrependimento, mas se deteve em falar ou fazer qualquer coisa, sabia que era tarde de mais.
O ferido caira de joelhos, levando a mão ao peito antes de tossi mais uma boa quantidade de sangue para fora, por fim, ergueu o olhar para fitar a grande arvore onde Hinata sempre o esperava...
Ainda havia tanto a se falar, assim como o tanto que queria ouvir dela. E agora que teriam a vida inteira pela frente para se descobrirem...
Tudo se perdia novamente... Como naquele dia de sua despedida...
“...
Era fim de tarde e eles estavam deitados a sombra da arvore, comendo dos frutos deliciosos que passaram a brotar com o tempo. Naruto trouxe outras golosemas, mas já sabia que seres como Hinata se alimentavam apenas do que a natureza disponha, mesmo a caça de animais era algo restrito para seu povo, sendo realizada apenas em ocasiões especiais.
O príncipe invejava a forma com que eles demonstrava esse completo respeito pelo ambiente em que viviam...
— Você está calado hoje. O que tem lá?
Hinata se deitara ao seu lado olhando para o topo da arvore onde o olhar dele estava fixado, tentando ver o que era tão interessante que atraia a atenção de Naruto, mas não havia nada estranho.
— Nada, estou apenas pensativo. – Ele respondeu.
— Então você está muito pensativo. – Hinata sorriu para ele, mostrando-se curiosa.
— É que tem muita coisa acontecendo ultimamente... Tenho que tomar algumas decisões importantes em breve... Quer dizer, terei que fazer algo que não quero.
— Se não quer, não deveria fazer. Por que os humanos teimam em fazer coisas que não querem?
— Por que não é tão simples assim. – Naruto sorriu, virando-se deitado para o lado dela. – Eu... Tenho que me casar.
— “Casar”? O que é isso?
— Casar é... Digo, quando as pessoas se casam, elas... Quer dizer... Nós, humanos, fazemos... Ah... – O príncipe riu baixo, sentindo-se constrangido de repente. – Ora, não faça perguntas desse tipo.
Ele foi obrigado a desviar o olhar, sem conseguir falar sobre aquele assunto enquanto era alvo do olhar curioso tão puro e inocente da Elfa, não saberia como explicar tal ato entre as pessoas de forma que entendesse.
— Por que? Não é educado perguntar?
— Hinata... Casamento é um trato feito entre os humanos. Um homem e uma mulher, que prometem perante Deus e a sociedade dividir suas vidas e seus sentimentos ate a morte. Quando, nós, humanos nos casamos, entregamos nossa vida à outra pessoa, assim como ela entrega a dela para nós e assim pertencemos um ao outro.
— Oh... Acho que entendo.
— Existe algo assim entre o seu povo?
— Claro! Encontrar seu parceiro de jornada, aquele que dividirá o sopro da vida com você. O único capaz de unir sua alma a dele e, a cada passo dali em diante, dividir experiências, desde magoas e dores ate as alegrias, vitalidade e destino... É algo magico que todos os elfos sonham alcançar um dia. Por que não quer isso?
— Por que... – Naruto olhou no fundo dos olhos da morena, procurando as palavras corretas. – A mulher com quem terei que me casar não é minha “parceira de jornada”, não é quem quero dividir minha vida...
— Então não entendo... Por que vai se casar com a pessoa errada?
— Por que é isso que um Rei digno deve fazer. – Naruto voltou seus olhos para a paisagem vista de cima da colina. – Veja bem... Meu reino está enfrentando uma seca histórica. Nossa agricultura e pecuária já não é suficiente para saciar o povo e o rendimento de nossos produtos está em declínio. Casar-me aliviará essa crise, duplicará nossas riquezas e facilitará a negociação com outros reinos vizinhos.
— Mas isso soa como se fosse errado. Como algum tipo de sacrifício...
— É verdade, mas... – O príncipe deu um sorriso simples e desaminado. – É pelo bem de todos e é assim que um Rei tem que pensar.
— E quando será isso?
— Daqui a poucos dias.
— Parece algo extremamente difícil de lidar, agora sei por que estava tão pensativo hoje...
Fizeram silencio por mais alguns segundos e Naruto suspirou de desanimo, voltando a deitar-se de barriga para cima e fitar as folhas no topo da grade e velha arvore que eram iluminadas pelo tom alaranjado do fim de tarde.
— Na verdade, eu não estava pensando apenas sobre isso. Existe outra coisa que não sai da minha cabeça também.
— E o que é?
— Hinata... Quando eu me casar serei coroado como Rei de Konoha. Eu estarei envolvido em muitas reuniões burocráticas, meu tempo livre será bem escasso e, provavelmente, não poderei mais fugir para te encontrar aqui...
— O que quer dizer?
— Quero dizer que... Talvez esse seja nosso ultimo encontro.
— Oh...
Hinata, ainda deitada, virou-se agora para ficar de costas para o loiro. As palavras que ouvira dele visivelmente lhe causaram um certo desconforto e ela tornou-se pensativa com uma expressão desanimada, ou mesmo triste.
— Entendo.
— Tudo bem? – Naruto perguntou.
— Na verdade, não. – Ela não se virou ao respondê-lo.
— Está zangada comigo?
— Não, estou... feliz por você. – Hinata o olhou agora, estavam deitados frente a frente. – Quero dizer, grata por ter conhecido você, mesmo sendo por pouco tempo.
— Então saber que não nos veremos mais não te aborrece? – O príncipe perguntou com um tom de voz estranho que a morena não entendia, parecia apreensivo de uma maneira ruim.
— É claro que isso me entristece, mas... O que há para se fazer a respeito?! Parece que as coisas são do jeito que tem que ser e devemos nos alegrar com as memorias agradáveis que plantamos um no outro... Esse é o certo.
— É acho que é...
Eles continuaram deitados ali do mesmo jeito, parados e olhando um para o outro em silencio contemplando seus rostos tristonhos e seu olhar expressivamente emotivos. Logo o sol se pôs, abrindo espaço para a luz do luar ilumina-los.
— Acho que chegou a hora de você ir, não é?!
— Sim. Chegou, mas... Eu não quero ir... – Naruto se sentou e desviou o olhar dela, suspirando. – As vezes me pergunto como seria se essa rixa entre os reinos humanos e as tribos élficas desaparecesse... Será que as coisas seriam diferentes agora?!
— Por que seriam? – Hinata se sentou ao seu lado, o olhando curiosa.
— Imagino que afastar os elfos provocou essa seca estranha que assola meu reino... Se tudo estivesse normal, não haveria motivo para apressar meu casamento, ou minha coroação, teríamos ainda vários anos juntos.
— Não entenda errado. Elfo algum pode controlar a natureza dessa forma. Somos apenas ferramentas para transmitir a energia já existente. Aqueles capazes de conduzi-la de um lugar a outro e redistribui-la pela natureza uniformemente... Mas se seu reino está seco e sem energia alguma, não acho que meu povo poderia fazer diferença.
— Mas eu vi o que você fez a essa arvore. Revitalizou-a com um simples toque e isso foi magnifico.
— Isso não foi obra minha. – Hinata olhou de relance para o topo da grande arvore e depois voltou a fitar o principe. – Eu nunca seria capaz de causar esse fenômeno. Algo diferente aconteceu naquele dia e, confesso, ate hoje me sinto intrigada.
— Mas se não foi você, o que mais seria?!
— Talvez você? – A morena sorriu. – Pode parecer loucura, mas às vezes sinto algo estranho em você.
— Como assim?!
— Eu não sei explicar, mas... É belíssimo. Um tipo puro de energia que flui em seu interior e faz meu coração ficar apertado quando estamos muito próximos. As vezes me deixa sem ar e confusa a respeito das minhas emoções e sentimentos, mas, ao mesmo tempo, me sinto segura em sua presença... E eu não consigo pensar em nada além do quão bom é estar ao seu lado...
Naruto não permitiu que a garota concluísse a frase, agarrou-a pelo rosto com as duas mãos e puxou-a para si, juntando seus lábios de forma urgente e desajeitada. O movimento inesperado a assustou em um primeiro momento e a morena se desesperou por não conseguir respirar livremente, mas, logo, deixou-se levar pela experiência do príncipe e passou a sentir a língua dele adornando e ganhando espaço em sua boca, suavizando o contato e fazendo-a estremecer com sensações nunca sentidas antes.
Entregou-se aquilo, sem saber ao certo como agir perante aquele ato estranho, deixando-o se satisfazer por completo. Logo, finalmente se separaram e passaram a trocar olhares embriagados, enquanto recuperavam suas respirações que se tornaram arfadas sem desfazer-se do abraço que formaram.
— Sinto muito, Hinata... Acho que me excedi com seu discurso. – Naruto pediu esquivando o olhar, estava visivelmente constrangido agora.
— O que foi “isso”?
— Oh, isso foi um beijo. É assim que os humanos demonstram que gostam de alguém de uma maneira “especial”.
— E você gosta de mim de forma especial?!
Pego pela surpresa, aquela pergunta deixou-o sem ação. Era fato de que gostava de Hinata e sua agradável companhia, mas nunca pesara a proporção disso. O beijo lhe provocara um sentimento novo e desconhecido, que fazia crescer uma forma única de ansiedade em seu interior. Não era apenas desejo carnal, mas também uma sede da essência que ela era como um todo.
Ele se perguntava a quanto tempo isso estivera oculto em si...
— Sim, gosto... – Ele respondeu, tanto para si mesmo quanto para a Hyuuga. – E isso já faz algum tempo.
— Hum... – Foi tudo o que pode dizer, a garota parecia ter perdido as palavras com a ultima declaração do príncipe, seu rosto rubro destacava o constrangimento.
— E você... – Ele se apressou em dizer a fim de quebrar a tensão do momento. – Como seu povo demonstra quando gosta de alguém?
— Quer que eu te mostre? – Sua face se tornara completamente vermelho ao perguntar.
— E você quer? Gosta de mim o bastante?
— Gosto...
Hinata aproximou-se mais e tocou nas mãos do príncipe, entrelaçando seus dedos firmemente e juntando seus rostos o suficiente para serem capazes de sentir a respiração um do outro sobre suas peles arrepiadas , suas testas se tocaram de forma singela enquanto os olhos fitavam-se cumplices daquele ato que fazia seus corações tamborilarem acelerados.
Naruto sentiu uma sensação estranha fluindo sobre seu corpo, enérgica e quente que parecia queima-lo de dentro para fora. Não era de forma alguma dolorosa, mas o assustara no inicio.
Logo, porem, um tipo de prazer e satisfação gradativamente passou a domina-lo, crescendo a seu redor de forma inesperada. Não saberia indicar quando começou, mas assim que se deu conta, pequenas fagulhas surgiam do toque de suas mãos. Era uma forma estranha de energia que parecia emanar de seus corpos e passaram a iluminar a sua volta com luzes com tons de amarelo e laranja.
— Era para acontecer assim? – Naruto perguntou em sussurro, olhando em volta.
— Eu não tenho certeza... – O rosto da morena voltou a corar. – Nunca fiz isso com mais ninguém.
— Talvez... – Naruto suspirou sorrindo, apreciando a agradável sensação daquela experiência. –Nós dois poderíamos fazer do meu jeito também... Quem sabe, tudo ao mesmo tempo?!
Hinata concordou com um tímido acenar de cabeça e permitiu que seus lábios pertencessem novamente a Naruto que agora tinha o paladar com o tom quente tomado pela nova energia que dividiam. Seus corações batiam sincronizados numa velocidade assustadora, alimentados por seus sentimentos e o desejo voraz e crescente que arrepiava sua pela e causavam os baixos gemidos que lhe escapavam.
Quando Naruto a abraçou, porem, as fagulhas que emanava deles se propagaram, cobrindo-o quase que por completo, como se fosse uma espécie de manto de energia que cintilava com uma forte luz, cujo brilho poderia ser visto a quilômetros de distancia.
Pularam surpresos com o susto dessa reação inusitada e se separaram, terminando o beijo de contra gosto. Se olharam tímidos por um segundo mais e logo abraçaram-se de novo, sentindo falta do contato de seus corpos quentes.
— Foi incrível. – Naruto sussurrou em um sorriso simples.
— Juro que não sei o que aconteceu.
— Mas você está bem? – Perguntou.
— Sim e você?
— Nunca me senti melhor...
— Eu também.
Lentamente suas testas voltaram a se tocar, seguido de seus narizes e, então, finalmente, seus próprios lábios. Era um beijo normal agora, apenas a demonstração humana de afeto que Hinata aprendia a apreciar.
Então Naruto foi arremessado para trás. Em um instante estava nos braços de Hinata e em outro voando para vários metros de distancia ate cair de cambalhota contra o chão seco e pedregoso.
O príncipe ergueu-se dolorido e se surpreendeu ao encontrar o homem que o atacara, um elfo poderoso que só não avançara nele novamente, pois Hinata se intrometera na frente, protegendo-o com o próprio corpo.
Os dois duelavam com palavras em uma linguagem que Naruto não conhecia. Entretanto, os gestos corporais que faziam enquanto falavam deixava claro que aquele ser magico não era inimigo de Hinata, parecia apenas alguém, de sua família talvez, que estava inconformado por presenciar a cena intima de vê-la junto de um humano.
— Peço desculpa, senhor. Hinata e eu... – Naruto tentou argumentar também, mas foi interrompido pelo elfo que ameaçou ataca-lo, novamente sendo impedido pela morena que continuava lhe falando em uma língua estranha.
O príncipe decidira permanecer em silencio e, tendo em vista que a garota tinha o controle da situação, deixou-a resolver aquela questão. Achava-se um inútil por ter que se esconder atrás de uma senhorita, mas agir assim era mais prudente do que argumentar com alguém que claramente não entenderia suas explicações.
A discussão furiosa entre os elfos logo se tornara uma conversa tensa, seguida de simples trocas de palavras estranhas cheias de tristeza e pesar. Então o elfo aproximou-se mais uma vez de Naruto e lhe falou algo em um tom de verdadeira ameaça, depois partiu, desaparecendo como o vento.
Hinata ainda mantinha uma expressão triste, parecendo poder chorar a qualquer momento e Naruto cercou-a com os braços para ampara-la em um abraço protetivo.
— Você se machucou? – Ela perguntou apertando-o forte.
— Não. E você? Está bem? – Naruto tocou-a no rosto. – Quem era ele?
— Neji, ele é meu... não sei a palavra em seu idioma... Protetor?! – Hinata suspirou. – Eu o vinha enganando para poder vir aqui me encontrar com você.
— E agora?
— Ele queria lavar minha honra com seu sangue... Mas eu o convenci de te deixar ir, sem danos.
— Ótimo. Então está tudo bem agora, certo? Você explicou tudo e não tem mais problema, não é?!
Hinata se desfez do abraço e desviou o olhar enquanto, fazia um sinal negativo com a cabeça.
— Eu apenas contei a verdade à ele...
— Que verdade, Hinata?
— Que você se tornará Rei. Que se casará com outra para o bem de seu reino. Que nunca mais virá me procurar... E que esse encontro era nossa despedida permanente.
— O que?
— Foi o que conversamos a pouco, certo?
— Eu sei, mas...
—Essa foi a condição para Neji permitir sua partida.
— Hinata, eu te amo! – Naruto falou com toda convicção. – Sabe o que isso significa?
— Talvez eu saiba mais do que você. – Ela sorriu por um instante.
Naruto tentou abraça-la novamente, buscando seus lábios para outro de seus beijos, mas a morena se esquivou alarmada e evidentemente preocupada.
— Neji ainda está aqui, aparecerá se tentar algo comigo. Ele só me deu tempo o bastante para lhe explicar e me despedir.
— Mas eu não quero me despedir... Não mais...
— Eu nunca deixaria que Neji fizesse algo contra você, mas... – Hinata parou, secando as poucas lagrimas que lhe escaparam.
— Mas ele te fez duvidar... O que Neji te disse Hinata?! Quais foram seus argumentos?!
– O que poderia acontecer se nos rebelarmos? Meu povo consideraria uma traição e retaliariam nosso ato. Você será rei e os humanos acabariam por lutar para defende-lo... Essa nunca seria uma batalha só nossa...
— Todos acabariam envolvidos eventualmente...
— Estou certa de que você não tem interesse em gerar uma guerra. Seria um preço alto para ficarmos juntos.
— Se é pelo bem de todos, um Rei tem que pensar assim e fazer sacrifícios. Certo?
— É, acho que sim...
— E nós?
— Nada muda. Sempre seria grata pelas lembranças que cultivamos aqui. Isso deveria bastar.
Naruto concordou naquele momento, mas não disse mais nada. Deixou-a ir, sem imaginar o quanto se arrependeria por não ter tentado lutar pelos seus sentimentos.
As lembranças que dividiam eram importantes, sim, mas nunca seriam suficientes para suprir a falta que sentiria dela.
...”
— Não!
Naruto logo ouviu a doce e delicada voz de Hinata e, quando suas forças falharam fazendo-o pender para o chão, sentiu-se sendo amparado por seu abraço carinhoso e protetor.
— É você mesmo? – O loiro perguntou, olhando-a, por um instante pensou estar sonhando com o reencontro tão desejado.
— Você me chamou e eu... vim... – Ela tinha a voz chorosa.
— Chamei... – O príncipe riu feliz, mas a dor crescente de seu corpo ferido o despertou para sua realidade caótica.
Hinata o abraçou, não permitindo que o loiro falasse mais, e tocou seu ferimento recente. Examinando-o, chegou a triste conclusão de que chegara tarde de mais para fazer qualquer coisa. Naruto ainda estava vivo, mas sofria com a dor infernal do ataque covarde, e sofreria mais ate seus últimos momentos.
– Tem ideia do que fez? – Perguntou a Neji, suplantando seu choro.
— Eu protegi você!
— Como, tira-lo de mim, me protege?! – Ela esbravejou.
Os dois Hyuugas começaram a discutir na língua estranha que Naruto não conhecia, mas não puderam se alongar muito, pois logo perceberam que algo mais se aproximara: Jiraya, junto de seu grupo de guardas leais, de alguma forma, chegou à colina. Encontrando a cena do príncipe caído e ensanguentado na companhia de dois elfos, os piores inimigos do reino;
A erronia interpretação da situação foi imediata, assim como a ordem para ataca-los.
Neji se pôs na linha de frente, defendendo-se dos soldados que tiniam suas espadas contra as laminas de ar em suas mãos. A cada homem arremessado para longe, gritava mais alto para que Hinata fugisse de volta a floresta, mas a morena não deu qualquer resposta, nem fez ação alguma para afastar-se de Naruto.
E o Hyuuga entendeu que ela não queria salvar-se sem o loiro.
Ele se arriscara para protegê-la e assim acabara encurralado por vários daqueles que deferiam seus golpes cortantes. Virou o corpo com velocidade, aumentando a densidade do ar a seu redor para criar um poderoso redemoinho em volta de si, que foi capaz de afastar vários dos inimigos ao mesmo tempo.
Usar esse recurso, porem, lhe custou boa parte de sua energia e Neji, cansado e ainda cercado pelos inimigos remanescente, se viu obrigado a chamar quem o auxiliasse contra os humanos insistentes.
Logo, mais e mais, elfos apareceram para defender os seus dos soldados de Konoha e o lugar se transformou em uma verdadeira arena de batalha.
— Naruto! – Jiraya chegou ate o afilhado, ajoelhando-se ao lado dele, tentando reanima-lo. – Fala comigo, moleque!
— Ei... – Ele sorriu por um segundo para ele e voltou a fitar garota que permanecia ao seu lado. – Essa é a Hinata... Ela é...
O príncipe não conseguiu concluir, tossia sangue e se sentia fraco. Jiraya tentou ver a gravidade dos ferimentos mais, não havia qualquer curandeiro próximo, ninguém que pudesse de fato ajuda-lo. O tempo parecia estar acabando.
— Você é a mulher que ele falara antes... Uma elfa... – O regente encarou a Hyuuga com raiva, cuspindo a ultima palavra como se fosse um insulto. – Você foi a responsável por tudo isso!
— Eu nunca quis que fosse assim... – Ela tentou falar mais Jiraya a atacou, empurrando-a para longe do afilhado.
— Capturem-na! – Gritou furioso. – Essa mulher matou o príncipe. Prendam-na agora!
A acusação foi tão repentina que a garota não conseguiu esboçar qualquer reação, três dos soldados mais próximos vieram obedecendo ao regente e agarram-na pelos pulsos, corpo e cabelo.
— Hinata... não... – Naruto tentara se levantar para protegê-la, mas, enfraquecido, só pode chama-la com sua voz falha.
A morena pensou em resistir a prisão com sua magica, mas, ao ser puxada, ficara de frente com a batalha que desencadeou de suas ações, elfos e humanos duelando ate a morte, então perdeu completamente sua forças... Pôs não desejava fazer parte daquilo...
— Hinata... – O loiro clamava por ela para seu padrinho, mas ele apenas o ignorava.
A Hyuuga chorava seu nome baixo também. Não se importava mais se morreria, ou viveria, se ficaria presa pela eternidade, ou fosse torturada... Apenas não desejava afastar-se de seu amado antes do fim. Queria zelar pelo seu sono eterno tal como a tradição de seu povo condizia, queria despedir-se dele uma vez mais.
— Naruto!
Antes de se entregar a morte, ouviu algo ao seu redor... Era o tinir das espadas e o som do solo sendo banhado pelo sangue... Ainda o soluço do choro da perda de um companheiro, o grito frenesi de um ataque brutal e a respiração pesada do cansaço de uma luta feroz... Também aos passos rítmicos da esgrima dos cavaleiros e a magica veloz e implacável dos seres da floresta... Era o som único da vida que era constantemente desperdiçada...
Então a voz dela o atingiu... Seu choro... Seu chamado...
E Naruto abriu os olhos.
Uma massa de energia de tom alaranjado brotou em seu interior de forma descontrolada, crescendo e se espalhando a sua volta como raios, chamas e rajadas de vento.
O fenômeno chamou a atenção de todos presentes e as lutas cessaram automaticamente, tamanho deslumbro pelo ocorrido. Nem elfo ou humano esboçava qualquer reação, petrificados, apenas observavam o príncipe morto que agora levantava-se com um gemido de dor aguda provocada pelo ferimento em seu peito.
O loiro rasgara suas vestes, expondo tórax para constatar o que já sentia no próprio corpo. O poder recém-desperto o estava gradativamente o curando.
A energia se acumulava ao seu redor solida e espessa, quase como se fosse palpável, como se criasse um tipo estranho de manto em volta de seu corpo e de suas roupas que logo ganharam um tom mais amarela alaranjado reluzente.
A transformação estava completa.
— Naruto, você... – Jiraya espantou-se com a nova forma do afilhado, mas a reconhecera de imediato e pela primeira vez parecia entender plenamente o que se passava ali.
Sussurros e cochichos passaram a ser ouvidos entre os Hyuugas e, cada um, sem exceção, prostrou-se de joelhos perante Naruto, fazendo reverencias honrosas enquanto pronunciavam uma palavra sem significado conhecido: “Bijuu”;
Os soldados, amedrontados e surpresos, afastavam-se alguns passos, incapazes de pensar em qualquer outro ato além de observar tudo que acontecia.
Hinata se viu livro pela distração dos humanos e foi a única que não hesitou em se aproximar e não temeu abraça-lo. Chorava inundada pela alegria de ver seu amado vivo, era tudo que importava.
— Hinata... – Naruto a abraçou encarando aqueles a sua volta que estavam com medo daquilo que se tornou.
— Você está bem? – Ela perguntou em sussurro.
— Sim, mas... – Naruto observou sua própria mão, constatando a transformação. – O que é isso, Hinata?
— Esse poder... Não há duvida de que é...
— A energia Bijuu que adormece dentro de você. – Jiraya falou se aproximando. – Nunca imaginei que a história de seu pai fosse verdade.
— Como assim, padrinho?! O que sabe sobre isso?
— A muito tempo atrás, seu pai era o Rei que organizava encontros diplomáticos entre humanos e elfos. Após dedicar-se por anos a essa função, ele acabara por se envolver romanticamente com uma líder elfa da tribo Uzumaki, Kushina... Sua mãe...
— O que?
— Eu não sei direito como tudo ocorreu, mas o relacionamento deles foi mal visto perante os lideres da aliança e uma crise assustadora abalou as estruturas da união entre os povos. – Jiraya suspirou, lembrando-se. – Um dia, Minato saíra em viagem para reestabelecer a paz, mas algo deu errado. Quando voltou, sua guarda real havia sido aniquilada e ele, quase morto, trazia um recém-nascido nos braços. Antes de morrer, explicou-me que a criança era seu filho com Kushina e contou uma história maluca sobre os Bijuus. Sempre acreditei que eram apenas delírios de um homem moribundo, mas agora...
— O que é isso de “Bijuu”?! – Naruto perguntou, estava confuso e irritadiço, queria uma resposta direta. – O que eu sou?!
— São os seres que devemos proteger. – Hinata respondeu. – Nós, elfos, somos os protetores dos nove Bijuus que controlam a natureza. Como tal, devemos zelar pelo equilíbrio e distribuir a energia igualmente perante os seres.
— Energia... Então você quer dizer...
Tudo tornou-se claro em sua mente agora. O ato impensado de seu pai para afastar a energia Bijuu da proteção dos elfos causara desequilíbrio na natureza que, no decorrer do tempo se refletiria como a terrível seca que assolava seu reino...
— Eu sou o responsável pelo sofrimento de todos?!
— Não, não pense assim. – Hinata tentou a consola-lo, mas ele acabou por se afastar.
— Menino, não carregue tudo em seus ombros. Existe mais sobre essa história que não sabemos. – Jiraya lhe falou também.
— Eu causei esse desastre! A pobreza de nossa terra! A fome e morte do nosso povo!
— Naruto, não...
Não houve tempo para que o regente falasse qualquer coisa, o príncipe logo desaparecera diante de seus olhos, utilizando da magia que antes era conhecida apenas pelos elfos e que agora ele, aparentemente, dominava.
Jiraya olhou em volta, vendo o desastre que fora parado pela revelação do verdadeiro ser que Naruto era. Seus soldados ainda estavam estáticos de espanto, incapazes de raciocinar sobre tudo aquilo e seguir suas ordens. Os Elfos, por outro lado, se dispersaram rapidamente, assim como haviam aparecido antes, mostrando-se alarmados e bem dispostos.
A Hyuuga morena a quem Naruto jurava amor, falava na lingua dos elfos com um outro de sua tribo. Um homem de cabelo igualmente longo e de feições frias que, agora parecia desesperado e desolado, como se tivesse cometido algum ato terrível.
— Vocês vão encontra-lo?! – Jiraya interrompeu a conversa, falando para a garota.
— É nosso dever. – Hinata respondeu. – Proteger Naruto e tudo que ele é...
— O equilíbrio da natureza depende disso. – O regente disse com algum nervosismo.
— Eu dependo disso. – Hinata respondeu.
Constatando-se como um tolo por não entender os sentimentos de seu afilhado mais cedo, o velho regente sorriu e acenou positivo com a cabeça em concordância. Permitiu que a garota partisse com sua magia, indo atrás de seu amado, e logo pôs seus soldados para iniciar a busca pelo príncipe fugitivo.
Sabia que, com a ajuda dos seres da floresta, mais cedo ou mais tarde alguém conseguiria encontra-lo.
***
Naruto chegara ao quarto em um piscar de olhos.
Simplesmente pensara o que queria fazer e seu novo “poder” se encarregou de tornar realidade... Ele sentia que poderia fazer qualquer coisa naquele estado, entretanto, tudo que queria era voltar a ser ele mesmo.
Andou apressado ate o banheiro onde havia um imenso espelho, apoiou as mãos energizadas sobre a pia e fitou seu reflexo transformado. Concentrou-se. Bufou com tensão e desespero, desejando e se esforçando para alcançar sua forma antiga.
E assim se fez...
O poder despertado logo foi contido em seu interior e seu corpo retornou ao que era antes. Naruto sorriu aliviado por um instante e jogou agua no rosto para limpar-se e recuperar a capacidade de raciocinar.
Precisou de dois segundos de silencio antes de começar a juntar suas roupas e outros itens básicos em sua bolsa de viagem.
— Onde vai? – Ouviu a doce e conhecida voz falar as suas costas.
— Hinata... – Naruto a olhou, sentindo-se mal de alguma forma. – Como me achou?
— Você me chamou aqui. É assim que funciona com meu povo, lembra? Se alguém precisa de nós, aparecemos.
— Eu chamei você? – Naruto se sentou na cama, desolado, sua cabeça fervilhava de duvidas e pesares.
— Foi da mesma forma de quando Neji lhe atacou... – Ela sentou-se ao seu lado. – Eu senti que precisava de mim.
— Eu preciso! – Naruto a abraçou. – Eu não sei o que fazer.
— Nada disso é culpa sua. – Ela o beijou, um simples selinho para tentar tranquiliza-lo. – Você não pode se responsabilizar por algo fora de seu controle...
— Eu destruí vidas...
— Nenhum dano é permanente. – Suas testas se tocaram e a morena tocou-lhe as mãos, consolando-o na maneira dos elfos. – A natureza se renova a cada dia...
— Eu incitei uma guerra, Hinata.
— Meu povo deve protegê-lo a todo custo, sacrificando a própria vida se for necessário. Por que lutaríamos contra seu reino que também quer defendê-lo?!
— Então não há guerra?!
— Não mais...
Naruto sorriu sentindo-se bem com as palavras de apoio que a Hyuuga lhe oferecia. Os fortes sentimentos que os conectavam era a única coisa que o mantinha lucido nesse momento tão confuso em que vivia.
— E quanto a nós? – Naruto perguntou. – Ser portador do Bijuu muda alguma coisa?
— Não... – Ela sorriu lindamente, ficando ligeiramente corada. – Te amar apenas aguça meu extinto de protegê-lo.
— Você me ama?
— Eu te amo... Ainda mais do que seria possível por em palavras.
Voltaram a se beijar, agora de forma apaixonada, e Naruto a apertou com um novo abraço e despejou ali todos os seus medos e angustias, entregando-se ao calor da ternura de Hinata que parecia ser capaz de afastar qualquer mal com sua presença.
— Hinata, eu... Preciso saber o que aconteceu entre meus pais... E o que houve com os Uzumakis...
— Eu não conheço muito sobre essa história, mas sei que os Uzumakis foram aniquilados em meio a batalha em que o Bijuu que protegiam fora “roubado”.
— E eu estou bem aqui para provar isso... – Ele suspirou. – Tenho que buscar respostas, Hinata...
— Então vamos... – Ela segurou sua mão. – Juntos.
FIM
Notas finais
Desculpe pelos meus (acumulativos) erros de português. Eu revisei, mas sei que muitos escaparam do meu olho e estão espalhados por aê :v
Obrigada a quem leu ate aqui.
Só tenho a agradecer pela paciência com minhas fantasias doidas :P
Bjs ^^
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