My Little Torao
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capitulo 1
Já faziam alguns dias que o Thousand Sunny navegava pelo Novo Mundo sem grandes problemas. Até o clima parecia estar cooperando.
Os Mugiwaras haviam se livrado de Caesar logo depois de deixarem Punk Hazard, e agora se dirigiam à uma ilha chamada Hera, para se encontrarem com a tripulação de Trafalgar Law, o Shichibukai, agora aliado do bando de Luffy.
O Shichibukai havia escolhido Hera como ponto de encontro porque a ilha não possuía proteção da Marinha, ou seja, não havia nenhuma base ou quartel por perto. Isso porque a ilha era protegida pelos guerreiros que viviam nela. Todos eram muito fortes e não queriam depender de marinheiros, criando assim sua própria base. Porém isso não significava que eles tinham o mesmo papel que a Marinha. Não. Muito pelo contrário. Eles não eram servos da justiça. Não seguiam a lei. Muito menos caçavam piratas!
Aquela ilha tinha portas abertas para qualquer pirata e fora da lei. E por causa disso que o Thousand Sunny seguia pra lá. O Cirurgião da Morte sabia que enquanto estivessem naquela ilha eles estariam seguros. Pelo menos mais seguros do que em qualquer outro lugar...
Todos estavam ansiosos para desembarcar e poder relaxar um pouco.
Law havia contado a todos sobre a ilha, entretanto ele cometeu o erro de também revelar que a ilha não só era famosa por ser uma ilha sem lei, mas também por ser lar de uma rica culinária, bebidas exóticas, pontos históricos, cassinos, artesões famosos, roupas belíssimas e principalmente um dos maiores parques de diversão de todo o Novo Mundo. Como resultado dessa revelação a euforia tomou conta da tripulação e agora todos aguardavam um tanto impacientes para avistarem a tão famosa ilha. Mas o mais impaciente era um certo usuário de akuma-no-mi...
– Nehhh... Torao... — Luffy começava manhoso enquanto cutucava o outro . — Ainda falta muito para chegarmos...?
O Cirurgião respirou fundo tentando, em vão, se acalmar.
Ele estava na biblioteca do navio, lendo, quando o capitão do navio aparecera. Luffy tinha sido o que ficara mais entusiasmado com as noticias, e também era o mais impaciente e entediado de todos.
Ultimamente ele tinha resolvido "fazer companhia" para o Shichibukai e o seguia para todos os lados.
Law, que se orgulhava de dizer que tinha uma grande paciência para tudo, agora já estava no seu limite. Nos últimos cinco dias ele vinha ouvindo essa pergunta sendo feita por todos, mas o mais insistente sem dúvidas era Luffy. Aquela devia ser a milésima vez no dia que ele perguntava.
O Cirurgião levou a mão até os olhos, massageando as têmporas.
– Mugiwara-ya... Eu já lhe disse... — Ele replicava como se estivesse falando com uma criancinha de cinco anos. — É provável que a ilha seja avistada esta noite, senão amanhã cedo...
– Ehhh? E não tem um jeito de chegarmos mais rápido?
– Receio que não... Pelo menos não na velocidade que estamos... — Law replicou frio, querendo que o menor saísse logo dali. — Agora se me dá licença, Mugiwara-ya, eu gostaria de ler esse livro...
– Hmmm... — Luffy se calou e apenas ficou balançando as pernas pra frente e pra trás, observando o aliado voltar sua atenção para as páginas do livro.
Luffy não queria incomodar o Cirurgião, mas estava morrendo de tédio e queria fazer alguma coisa para se distrair.
Então, quase involuntariamente, o menor pegou uma das mãos do Shichibukai e começou a contornar as tatuagens com o dedo.
Os olhos do Cirurgião de abriram mais que o normal e uma leve coloração vermelha tomou conta de seu rosto. Seu coração acelerou abruptamente e ele sentiu uma compressão no estômago.
– O que está fazendo...? — Ele perguntou com certa dificuldade, soltando sua mão das de Luffy.
– Eu estou brincando. — O menor respondeu sorrindo largo.
Law soltou um suspiro.
– Será que você não consegue ficar quieto nem por cinco minutos...? — Law redarguiu tentando demonstrar irritação.
– Mas eu estou entediado Torao... — Luffy respondeu inflando as bochechas e fazendo biquinho.
Ao ver essa cena o maior virou o rosto pro outro lado, a fim se esconder a coloração avermelhada que tomara conta de sua face.
– E-Então por que não vai brincar com o Guaxinim-ya e o Nariz-ya...? — Law sugeriu ainda sem olhá-lo.
– Hã? Ah! Você quer dizer o Chopper e o Ussop! — Luffy dá risada do jeito estranho do maior, porém o sorriso logo some e o menor fica sério. — Mas é que...
Curioso, Law se volto para o menor e percebe a expressão do mesmo, ficando ainda mais intrigado.
– É que...? — O Cirurgião incentiva o outro a continuar.
– É que eu queria ficar aqui com você... — Luffy ficou levemente vermelho o que, junto com essa declaração, surpreendeu ainda mais o outro. — O Ussop e o Chopper vão continuar viajando comigo até o fim... Mas você não... Então eu queria aproveitar enquanto você ainda está aqui...
Os olhos de Law se arregalaram ainda mais e novamente ele escondeu o rosto do menor. Ele não esperava por isso. Realmente... Ele nunca havia conhecido ninguém como aquele capitão idiota... Ele era imprevisível... E era o único que conseguia arrancar essas reações dele... Mas o Shichibukai não tinha tempo pra ficar pensando nisso agora... No momento ele precisava se livrar do pequeno problema que a presença de Luffy representava. O Cirurgião já tinha muitos problemas em que pensar, não queria ter que ficar resolvendo mais um.
– Não se preocupe Mugiwara-ya... Ainda tenho muitos planos para a nossa Aliança... — Law finalmente conseguiu responder, e um sorriso de lado se formou em seu rosto, dando um toque de ironia. — Você não vai se livrar de mim tão cedo... Agora vá logo... Estou cansado, acho que vou para o quarto ver se durmo um pouco...
– He... Tá bem! — Luffy dá um sorriso de orelha a orelha. — Mas não esquece que daqui a pouco o Sanji vai servir o almoço! Se demorar demais vou comer tudo!
– Não vou demorar... — Law se levanta e dá um aceno pra Luffy antes de sair da biblioteca em direção ao quarto dos homens.
O Cirurgião anda com passos rápidos e largos, querendo chegar logo no quarto pra poder pensar.
Ele mal entrou no cômodo, bateu a porta atrás de si. Soltou um longo suspiro e foi em direção à cama do canto, a sua cama enquanto ficasse no Sunny. Satisfeito ele se largou no colchão macio e começou a pôr os pensamentos em ordem. Ele tinha muito em que pensar. Muitos problemas pra resolver. E a maioria deles envolvia o capitão do navio onde se encontrava.
Não que ele não gostasse da companhia de Luffy, muito pelo contrário, ele adorava ficar perto dele, passar o tempo com ele, assim como adoraria tocá-lo... E essa era a questão. De uns tempos pra cá o Cirurgião descobrira que nutria um sentimento diferente pelo menor. Amor. Porém ele não conseguia ver o menor ao seu lado, não do modo como queria. Ao seu ver, eles nunca poderiam ficar juntos. Além do fato de eles serem dois homens, eles eram piratas. A única coisa que os mantinha unidos agora era a Aliança Pirata. Quando ela acabasse eles voltariam e ser inimigos. Rivais.
Por isso ele insistia em manter distancia. Ele não queria criar falsas esperanças. Não queria criar mais cicatrizes...
Mas não podia negar que estava perdidamente apaixonado por Luffy, nem queria negar. No fundo ele admitia. E se permitia sentir aquelas emoções. Porém não criava expectativas de que algum dia seria correspondido, e nem deixava que ninguém desconfiasse.
Assim ele ficava observando seu amado de longe. Adorava tudo nele. Sua voz. Seu sorriso. Seu jeito bobo. Os olhos. O corpo. Tudo, absolutamente tudo.
E como resultado de toda essa paixão, ele passou a criar fantasias com o menor. Ele sonhava em tocá-lo. Beijá-lo... Possuí-lo... Tê-lo só para si... Isso já estava o levando a loucura! Além de também causar um enorme cansaço, não fisicamente, mas mentalmente, afinal ele tinha que usar o máximo de seu autocontrole quando estava perto do menor. O mais difícil era esconder a presença de seu "amiguinho" em certas ocasiões...
"Por que não se declara logo?" Uma voz no fundo de sua mente sempre dizia. Exatamente... Por que? Law passou a se questionar, como fizera tantas vezes antes. Será por que somos homens...? Não... Piratas são livres pra fazer o que quiserem... Então será por que somos rivais...? Não... Se esse fosse o caso eu desistiria de tudo por ele... Então por que? Apesar do que dizia a si mesmo, Law queria se declarar e ficar junto com ele. Apesar de todas as suas "desculpas" ele sabia que nada o impediria. Bom, nada... Exceto uma coisa.
Trafalgar Law, O Cirurgião da Morte, que deu os corações de 100 piratas para se tornar Shichibukai, e que era conhecido por ser cruel e frio, estava com medo.
Medo da rejeição.
Medo de que ao se declarar, Luffy não o corresponde-se e passasse a odiá-lo. Law preferia ficar admirando-o de longe e ficar fantasiando, do que correr o risco de ser odiado pelo menor. Ele poderia aguentar a indiferença, mas não o ódio. Por isso ficaria nas sombras. Mas como era muito orgulhoso ele ficava inventando aquelas desculpas bobas que nada significavam pra ele. Somente por isso.
Law levantou o braço e tapou os olhos. Já estava cansado disso tudo. Era sempre assim. Ele ficava horas refletindo e não chegava a lugar nenhum. Como odiava se sentir impotente. Só queria uma folga... Será que era pedir demais... Para alguém problemático como ele... Provavelmente.
– ANDEM LOGO SEUS MOLENGAS!!!! O ALMOÇO ESTÁ PRONTO!!!!
Law ouviu o chamado de Sanji e soltando um longo suspiro pela décima vez naquela manhã, ele se levantou. Tinha que se apressar senão não teria o que comer.
**********
O dia seguinte teria amanhecido normalmente se não fosse por um certo Marimo gritando:
– ILHA A VISTA!!!!!
Todos os tripulantes se levantaram rapidamente e ainda vestindo os pijamas correram para o gramado do Sunny procurando a ilha no horizonte.
– OHHH!!!! SUGEEEEE!!!! — Chopper, Ussop e Luffy berraram ao avistar uma enorme montanha-russa que podia ser vista mesmo daquela distancia.
Nami observava o céu com atenção.
– É... Parece que por enquanto o clima vai ficar perfeito. — Ela deu um sorriso e se virou para Robin com os olhos em forma de berries. — Um dia perfeito pra fazer compras com o dinheiro que eu vou ganhar no cassino!
– Com certeza. — Robin deu um sorrisinho.
– Eu vou direto para o bar. — Zoro afirmou.
– E desde quando você acerta o caminho pra qualquer lugar, marimo de merda? — Sanji provocou, acendendo mais um cigarro.
– Como é que é, seu mulherengo de merda?! — Zoro já estava com as katanas em mão.
– Exatamente o que você ouviu seu baka marimo!
Logo os dois já travavam uma de suas batalhas diárias.
– Eu vou comprar mais SUPEEEER cola para o Sunny! — Franky exclamou fazendo sua famosa pose.
– E eu gostaria de ver sua calcinha Nami-san. — Brook comentou.
– Nem em sonho! — A ruiva mete um soco na cara do esqueleto.
– Então acho que eu vou me contentar em me divertir com o Luffy-san. Yohohoho!
– Isso aí! Eu também quero me divertir com o Luffy! — Chopper exclama animado.
– YOSH! VAMOS ENFRENTAR O PARQUE DE DIVERSÕES!! — Luffy anuncia erguendo os braços em sinal de animação.
– Conte comigo nessa! — Ussop o acompanhou entusiasmado.
– Então está decidido! Agora vamos nos arrumar. — Nami ordenou satisfeita.
– Hai! — Todos concordaram e se dispersaram.
Só então Luffy notou que o Cirurgião não havia se manifestado e o procurou ao redor. Law já estava perfeitamente vestido com um moletom azul escuro com o símbolo dos piratas do coração, uma calça jeans manchada, um sapato social preto e é claro, seu chapéu felpudo.
Ele estava escorado em uma parede no canto do deque, isolado dos outros. Luffy passou a se dirigir até ele.
– Torao! — Chamou o capitão do Sunny. — E você o que vai fazer? Vai vir conosco?
– Não. Vou andar pela cidade pra recolher informações... Eu encontrarei vocês mais tarde.
– Hah? Informações para que Torao? — Luffy indagou confuso.
– Nada com que você precise se preocupar, Mugiwara-ya.
– Hmm... Então venha nos encontrar no almoço Torao! Vamos estar no parque! — Luffy avisou e saiu correndo pra se arrumar.
Law somente o acompanhou com o olhar, admirando todos os detalhes daquele ser que ele tanto amava. Então bateu na própria testa. Precisava se concentrar no plano, haveria tempo para aquilo depois.
**********
Law caminhava calmamente pelas ruas de Hera. Ele não tinha nenhum lugar especial para ir. Mas tinha preferência em bares e botecos. Estava atrás de informações que pudessem auxiliar em seus planos futuros, mas até agora não dera sorte, ou não estava realmente interessado em procurar informações.
Por alguma razão, hoje em especial Luffy não deixava seus pensamentos. Tudo lembra ele, e isso já estava irritando o Shichibukai.
Logo seria hora do almoço e ele teria que ir se encontrar com Luffy para almoçar.
Por um breve momento ele teve esperanças de que almoçaria sozinho com o menor, mas logo descartou essa possibilidade. Provavelmente o jovem capitão chamaria toda sua tripulação pra almoçarem juntos.
Ele já começava a caminhar rumo ao Parque quando uma voz conhecida chamou sua atenção.
– Nossa... Se não é o Cirurgião da Morte... O que faz na ilha da diversão...? Por acaso está de férias...?
Uma risada debochada pôde ser ouvido e o Shichibukai se virou para a pessoa atrás de si.
O Cirurgião já sabia quem era só de ouvir seu tom de voz masculinizado. E agora que a encarava confirmava suas suspeitas.A silhueta perfeita de uma mulher no auge da juventude. Os cabelos lisos e extremamente rosados. O piercing abaixo do olho esquerdo e... Um pedaço de pizza sendo mastigado, fechavam os atributos que caracterizavam Jewelry Bonney.
Law a encarou indiferente, como se fosse normal vê-la na sua frente.
– Jewelry-ya... Há quanto tempo... O que faz aqui? — Ele indagou cínico
– Estou comendo, ou será que agora é cego? — Ela respondeu debochada
– É que é tão natural ver você sempre comendo que já considero a comida uma parte sua. — Ele redarguiu irônico.
Law e Bonney se conheciam há muito tempo. Em certa época Law admitira sentir uma certa atração pela rosada, já que ela era uma das únicas mulheres que conseguia resistir a si. Mas qualquer traço dessa atração havia sumido ao encontrar e se apaixonar por Luffy. Agora, para o Cirurgião, só havia sobrado o antigo companheirismo e amizade de muitos anos. E Bonney pareceu notar que algo estava errado.
– Você está... diferente... — Ela comentou examinando-o da cabeça aos pés.
– É mesmo? Em que sentido?
– Você parece perturbado... Aconteceu algo? — Ela sorriu matreira
– Nada que você deva saber... — Ele resmungou evasivo, não queria que justo a glutã descobrisse sobre seus sentimentos, mas ela não parecia disposta a desistir do assunto.
– Heh... Então realmente tem algo... Me conta, vai? — Ela foi se aproximando dele. Se ele realmente havia mudado, ela tiraria a prova agora. Ela conhecia de cor as reações que causava no Shichibukai.
Eles se encararam. Seus rostos estavam extremamente próximos. Bonney mantinha a cabeça elevada para poder encarar os orbes cinzentos. Já Law estava com a cabeça inclinada, devolvendo o olhar que os curiosos olhos lilás lhe lançavam. Então deu um sorrisinho de canto. Um sorrisinho sádico, mas que não deixava de ser sedutor.
– Caramba... É quase impossível ficar perto de você sem querer te agarrar... Como você consegue isso? — perguntou a rosada fazendo uma careta.
– Não sei... Talvez sendo eu mesmo...
– Talvez...
– Vai ficar me olhando até que horas? Tenho um compromisso. — O rosto de Law agora mostrava frieza.
– Que compromisso seria mais emocionante do que estar comigo?
– O meu compromisso. — Ele retrucou sem rodeios.
– Ora, Law... Não precisa fingir... Eu estou bem aqui... — Um sorriso malicioso pôde ser visto nos lábios dela. Ela sabia que mexia com ele.
– É. Você está. Mas isso agora não significa mais nada.
Bonney arregalou os olhos. Aquilo era sério?
– Ótima piada, Law... Morri de rir... — A rosada fez uma careta.
– Não é piada. — Ele deu um sorriso petulante.
– Você tem que estar blefando...
– Não estou.
– Qual é Law..? Não pode ser...
Law arqueou uma sobrancelha curioso. O que aquela louca estava pensando.
– Você foi fisgado, é isso?!
Todo o corpo do Cirurgião ficou tenso. Como poderia justo ela ter adivinhado? Vendo a reação por parte dele Bonney confirmou sua suposição e caiu na gargalhada. A ideia de ver o frio Cirurgião caído de amores era ridícula.
– HAHAHA! ESSA É MUITO BOA!!!! — Ela gritava escandalosamente. — Quem é o ser que fez esse milagre acontecer?
A rosada sabia que o Shichibukai havia se aliado aos Mugiwaras e supôs que ele devia ter se apaixonado depois de começar a viajar com eles, afinal pouco tempo antes eles tinham se encontrado e estava tudo normal.
– Deixe-me adivinhar! É pela tal de Nami não é? Senão só pode ser o outra! Aquela morena!
– Sinto dizer Jewelry-ya, mas você vai morrer tentando adivinhar... — Ele cruzou os braços apreciando a cena em que a glutã tentava pensar em alguma possibilidade.
–Hmmm... Mas não tem nenhuma outra garota... Tem que ser uma dessas duas... A não ser... — Ela parou e encarou Law com seriedade. — Que seja um menino...
Law não respondeu e nem a encarou de volta. E pela lógica... Quem cala, consente.
– É um garoto?!?! — Bonney agarrou o colarinho do moletom, no ímpeto de obrigá-lo a responder.
Ele fez uma careta de desgosto, enquanto se questionava se devia ou não dizer a verdade... Mas desistiu de tentar mentir. Do jeito que ela era ia descobrir de um jeito ou de outro...
– E se for...? — Ele replicou hesitante.
E como ele temia, ela teve a pior das reações.
Ela soltou o colarinho e piscou, tentando assimilar o que tinha ouvido, e então...
–AHAHAHAHAHAHA, não acredito!! Um homem sexy como você virando okama! — Bonney se jogou no chão, rolando de rir.
– Pare de fazer escândalo... — ele resmungou irritado, fechando a cara.
– Mas quem é? — pergunta ela finalmente se recompondo.
Agora que o estrago já estava feito não adiantava fugir do assunto, então resolveu ser franco.
– Monkey D. Luffy.
– Heh... Justo o capitão... Nunca imaginei algo assim — Bonney comentou tentando segurar o riso ao imaginar a cena dos dois juntos, mas não adiantou e ela caiu na gargalhada mais uma vez [Acho que ela tá querendo morrer Ò.Ó].
Law não respondeu apenas esperou que a pirata se recuperasse do ataque de risos.
– Mas me diga uma coisa... Você é correspondido?
O moreno arregalou os olhos levemente. Agora ela tocara num assunto delicado. Ele se limitou a desviar o olhar e continuar calado.
– Me deixe adivinhar!!! Você não é correspondido?! Isso é muito hilário! Além de se apaixonar por um outro pirata, ainda é um amor não correspondido! hahahaha!! — Mais uma vez ela caiu na risada, recebendo um olhar furioso do moreno.
– Você não existe... — Ele resmungou se afastando daquela maldita pirata. Porém antes de conseguir se afastar o suficiente ela chamou sua atenção mais uma vez.
– Espera aí! Por que não fazemos um teste? — Ela se levantou com dificuldade, com a mão na barriga que doía por causa das risadas.
– Teste? Mas que teste? — Por mais que achasse idiota, Law estava curioso para saber a sugestão da pirata.
– Se ele sentir algo por você... Então demonstrará isso quando tiver que lidar com seu mais recente problema...
– Mais recente problema...? — Ele repetiu desconfiado, mas...
Era tarde demais, pois... Em fração de segundos...
O cirurgião virou uma criança de cinco anos.
Tal fenômeno era inacreditável.
Tudo aconteceu tão rápido que nem mesmo Law entendeu o que de fato acontecera.
Bonney observou o garotinho afastar as roupas demasiadamente largas do seu corpinho. Era óbvio que ele estava perdido naquela situação. Sua memória se tornara vaga... Mas ele não havia se esquecido de tudo, porém agora o seu raciocínio não era mais o de um homem frio e calculista de vinte e seis anos. O mundo e o sentido de tudo tinha mudado para ele.
Depois de alguns segundos Bonney se agachou na frente do garotinho, fazendo o mesmo voltar sua atenção para si.
– Ele vai cuidar de você... Vai mostrar um carinho especial... E se ele for cuidadoso e zeloso, então vai significar... — A rosada deu uma longa pausa antes de dizer por fim... — Que ele te ama.
O menino apenas olhou confuso para ela. Seu olhar continuava frio como sempre, mas dessa vez suas expressões eram mais angelicais.
– Vou te deixar assim por quatro dias, se não funcionar até lá... É bom você arrumar um novo plano... Tá? — E então a rosada se levantou e fez uma careta horripilante, a fim de assustá-lo.
– Espere... — A voz de Law saiu mais aguda que o normal. Um tom típico de uma criancinha de cinco anos.
– Não se preocupe... Vai dar tudo certo... — Bonney deu então um sorriso matreiro e correu pra longe, deixando-o sozinho daquela maneira.
O garotinho olhou ao redor assustado. Embora tudo parecesse novo ele sabia que já tinha vivido daquele jeito, mas... Era como se todos os seus medos de infância, há muito superados, voltassem de uma vez só e ele não sabia o que fazer.
Caminhou sem rumo pelas ruas, sem saber o que fazer e nem quem procurar... Mas então surgiu uma imagem em sua mente. A imagem de uma pessoa que devia estar ocupando intensamente seus pensamentos antes de ficar daquele jeito.
Quando se recordava daquele ser, a primeira características marcante era seu chapéu de palha, sendo seguido de um largo sorriso que parecia lhe acalmar completamente. O dono daquilo que batia freneticamente em seu peito...
– Mugiwara-ya...
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