My Little Robot-o
2 2 - Desobediente
May pediu apenas que ele ficasse naquele mesmo lugar e esperasse quando ela o chamasse, o que poderia demorar um bom tempo. Voltou a seu apartamento e foi ao banheiro que tinha a janela de frente para a dele. Sorte que ele estava vestido, porque a garota não tinha como comprar roupas para ele e não estava nem um pouco disposta a futucar nas coisas de seu pai.
Deitou para dormir mais estava sem sono, até que seus pensamentos permitissem que ela descansasse. Acordou cedo e sonolenta. Logo após escovar os dentes sussurrou na janela do banheiro chamando Naito.
-Ohayo, May-Chan!
-Ohayo, Naito!-ela disse ainda com a voz molenga — Estou saindo daqui a pouco para a ir para a escola.
-Hai!-Foi tudo que ele respondeu.
-Nee, se precisar sair, não deixe que as câmeras te filmem saindo desse bloco, ta bom?Pode trazer problemas para nós dois. -ela disse sussurrando ainda mais baixo para que ninguém da casa a ouvisse falando “sozinha” no banheiro.
Ela sai do banheiro, pega sua marmita e coloca na mochila, pegando também as chaves e ligando seu iPod.
-Estou indo!-Despediu-se da casa silenciosa, onde apenas sua madrasta estava acordada.
Ela caminhava pelo estacionamento ouvindo suas músicas agitadas com a intenção de acordar. Percebeu, no meio do caminho até o ponto de ônibus que havia alguém logo atrás. “Ainda estou no horário”, pensou, ”geralmente o pessoal dos outros blocos saem pouco mais a minha frente”.
Estava na calçada a menos de três metros do ponto quando olhou para trás pra ver se o ônibus vinha e se deparou com Naito na calçada.
-Naito?!? O quê você está fazendo aqui?-a garota disse espantada.
-Estou indo te levar para a escola, já que a May-Chan não trabalha!
-Mas como você pretende pagar a condução do ônibus?
-Tinha algum dinheiro na caixa, eu o peguei. -Naito mostra o dinheiro em mãos.
-Na... Naito! Isso é em Ienes... Não serve no Brasil. — Ela suspirou fundo.
-Podemos ir juntos, andando. -Ele deu aquele largo sorriso, ela repara em seus perfeitos olhos atrás de seu cabelo que caia ao rosto como uma cascata.
Realmente não era má idéia. May sempre tivera a idéia de ir para a escola andando, mas nunca o fizera por que o caminho era um tanto perigoso, mas deveras poderia ser até um pouco mais rápido que o ônibus que tem que esperar pelos semáforos.
-Então vamos juntos. — Ela retribuiu o sorriso contente, sabendo que nada de mal lhe aconteceria com Naito por perto. Tomaram cuidado todo o caminho e andaram de braços dados, como amigos de infância ou de escola.
Eles subiam à passarela por cima da avenida principal que é em frente à escola, quando um homem encapuzado puxou violentamente a bolsa de May e saiu correndo por onde eles haviam acabado de subir. Naito correu exageradamente rápido para a capacidade do infeliz gatuno. Naito tomou a bolsa de May para si.
-Não é certo roubar as coisas das mulheres!- Ele disse, pela primeira vez, sério.
O homem apenas gritou e saiu correndo. Naito se encontrou com May na portaria da escola onde lhe entregou a bolsa.
-Arigato, Naito. Se você não estivesse comigo talvez eu não recuperasse minhas coisas.
-De nada, May-Chan.
-Te vejo no meu intervalo, tudo bem? Enquanto isso fique em algum lugar sem chamar atenção. Se puder, se tranque no banheiro ou então fique atrás dos blocos, mais vá para um lugar onde ninguém o veja, por favor.
-Hai!- ele segurou as mãos da garota. – Boa aula!
Ela subiu a ladeira esperando que ele ficasse bem e obedecesse a sua ordem. Acabou se concentrando mais na aula por que constantemente se cobrava para não desviar o pensamento para nada além da matéria.
Ela saiu para o intervalo, esgueirando-se pela parede do enorme bloco indo procurar por Naito.
-Naito... -Ela sussurrava para que ninguém além dele ouvisse — Naito!
-Hai!- Ele gritou aparecendo bem atrás dela lhe dando um susto.
-Aah, Naito, não faça mais desse jeito!- a garota repousava a mão sobre o busto que palpitava aceleradamente.
-Aah, Gomen yo!- ele desculpou-se de forma sincera.
-Você conseguiu se lembrar de algo sobre o que aconteceu?
-Não, não me lembro de nada.
-Naito, a Riiko só foi para Paris por que você havia sido desativado de forma que não houvesse conserto no mundo que pudesse arrumar esse problema. E seu chip principal havia queimado, mas como você está funcionando agora?
-Não me lembro perfeitamente, mas alguém da Khronos me consertou.
-O Gaku, sem dúvida. Ele sempre te amou como um pai ao seu filho.
-Não era o Gaku, mas não me recordo quem era.
O sinal de volta ao período letivo soou e fez com que a menina ficasse pensativa. Se não era Gaku, quem poderia ser? Seria então algo confiável? May passava a ficar receosa com isso.
Voltaram para casa naquele dia, e Naito a deixou no portão do prédio, acenando amigavelmente enquanto ela entrava estacionamento adentro. Ele entrou pelo depósito atrás do condomínio.
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