"Você nunca sairá daqui viva, princesa!"

"Onde estão seus amigos agora, garota?"

"Acha que pode salvá-los? Pense de novo. Todos vão morrer! Terminarei o que comecei aqui e agora."

"Você e eu somos parecidas, princesa. A escuridão está aí e você sabe disso."

As vozes a perseguiam por toda a parte enquanto ela corria perdida pelo labirinto. Estava ficando desesperada, precisava sair dali.

"Você abandonou a gente!" As vozes malignas mudaram para uma zangada e acusadora. "Prometeu que não ia se esquecer, mas você esqueceu!"

"Você é um monstro!" Uma voz gritou.

"Tentou nos destruir!"

"Você nem devia estar aqui!"

Ela se encolheu em um canto, apavorada.

"Vão embora!" Gritou desesperada.

"Eles nunca te quiseram." Uma voz sussurrou, bem próxima, mas ao olhar Blue não viu nada além de escuridão. "Sempre viram você como uma ameaça. E eles tem razão, você é perigosa, mas está sozinha. Liberte meu poder, juntas levaremos esse mundo a uma nova era das trevas onde nśo reinaremos supremas."

"Não! Me deixe em paz!" Blue gritou.

"Eu e você somos iguais. Criaturas da escuridão. Ninguém nunca nos quis por perto porque não porque não podiam nos controlar. Pode parecer que eles querem te ajudar, mas se elas descobrirem seu segredo, você vai se arrepender de não ter me escutado."

"Já mandei me deixar em paz!"

Mas então ela ouviu uma risada maligna e as sombras começaram a tomar forma de um dragão, que alcançava o teto do labirinto.

Então ela acordou. Demorou um pouco para se dar conta de onde estava, então soltou um suspiro aliviado. Só havia uma coisa estranha: O que exatamente acontecera com ela?

Em seguida começou a chorar. Aquele pesadelo... As vozes lhe soavam familiares e tão reais... Inimigos, como Frozen Shadow. Aquela que sussurrava era a pior. Era como uma terceira parte dela, uma parte maligna querendo tomar o controle. Ela não queria que isso acontecesse. Ela queria ir para casa, ou ao menos esquecer que aquilo um dia acontecera. Mas quem era ela e de onde ela viera? De quem eram aquelas vozes e por que alguém iria querer matá-la? Onde estavam seus pais que não tinham vindo procurar por ela ainda?

Num espécie de estado de transe, ela via um unicórnio ao seu lado, mas tirando pelos olhos azuis quase como os seus, ela não consegui focá-lo direito. Ele sorriu antes de desaparecer.

Apesar dele não ter lhe dito nada, as palavras lhe vieram à mente facilmente.

Tão pequena para tantos problemas, tanta coragem para uma só criança. Você é especial, pequena princesa, nunca deixe que ninguém lhe diga o contrário.

Princesa. Algumas vozes também a haviam chamado assim. Ela não era uma princesa. Não passava de uma pequena pônei perdida, sem nenhuma lembrança do passado e momentaneamente sem nenhum futuro. Ela já imaginava, se seus pais não pudessem ser encontrados ela provavelmente acabaria em um orfanato. Por algum motivo aquela ideia a assustava.

Ela focou sua mente de volta à vida real. Estava em uma enfermaria, o que a fez se perguntar quanto tempo tinha se passado naquele pesadelo. A última coisa de que se lembrava era de Frozen Shadow avançando contra ela... não se lembrava do que acontecera em seguida, nem mesmo via um motivo para ela ter apagado, mas realmente não se lembrava. Pelo que via a pônei devia ter sido derrotada ou fugido, mas por que?

Ela notou uma enfermeira ali perto, mas ela não parecia ter notado Blue acordada. Uma porta mais ao fundo estava entreaberta, o que fez a pequena sorrir. Por algum motivo ela não queria ficar ali. Tinha a sensação de algo ruim. Além do mais, havia aquele cheiro incomum... magia, mas não como a dos unicórnios, nem como a de Frozen, era algo diferente.

Espera... como ela podia sentir cheiro de magia? Magia não tinha cheiro! Mas ela já desistira de tentar entender, deixava-se apenas seguir seus instintos. No momento algo lhe dizia para sair dali antes que alguém a percebesse.

Não era uma tarefa difícil, como se não fosse a primeira vez que ela fazia aquilo. A única coisa ruim era que, naturalmente, haviam guardas para todos os lados. Antes do ataque aquilo lhe parecera desnecessário, mas ela entendia que era sempre melhor estarem prevenidos para qualquer ocasião. Exceto quando a ocasião era ela.

Como ela mesma pensara, era como se ela já tivesse feito isso antes. Escapar de algum lugar... Ou talvez invadi-lo... Com aquelas habilidades e as acusações de Frozen a dúvida ficava no ar. E se ela fosse mesmo perigosa?

Então ela se lembrou do pônei misterioso e as palavras que sua aparição deixara no ar. Ele parecia vê-la como alguém especial, não perigosa ou destrutiva.

Talvez ela devesse ser boazinha e voltar para a enfermaria. Mas agora ela estava curiosa sobre o cheiro que a atraíra até ali.

Finalmente localizara de onde ele vinha, mas imaginou que a porta estaria trancada, além de haver um guarda patrulhando.

Enquanto parte dela lhe dizia para esquecer aquilo, mas a parte que parecia estar no comando, aparentemente a parte malandra dela, não estava pronta para desistir ainda. Queria ter algo para causar uma distração, ou talvez poder ficar invisível, quem sabe um disfarce...

Mas não, ela teria que tentar do modo mais difícil. Quando o Guarda se afastou para o lado oposto de onde ela estava, ela o seguiu o mais silenciosamente que pode.

Então o guarda se virou, mas não pareceu se importar com a presença dela ali. Ela não sabia como aquilo era possível, mas não se importou. Assim que ele se afastou, ela tentou a porta, para sua surpresa estava aberta.

Sim, a sensação estranha vinha dali de dentro, mais especificamente do espelho no fundo da sala. Ela se aproximou, então notou a coisa mais estranha que já lhe acontecera, sua imagem no espelho não era mais a sua própria, mas a de um guarda real.

Então uma onda de faíscas a atingiu à partir de seu medalhão e ela voltou ao normal. Aquilo fora assustador.

"Tudo bem, tem algo estranho comigo." Blue suspirou. "Ou com essa coisa." Olhou suspeita para o medalhão. "Espelho, espelho meu, por que estamos aqui?" Ela brincou, rindo.

Então a ponta de seu chifre se acendeu, o espelho tremeluziu e através dele ela viu... Bem, ela não sabia que tipo de criatura a garota do outro ado era, mas lhe parecia familiar...

"Olá!" Chamou incerta.

Sunset Shimmer voltou-se surpresa. Uma voz vinda do portal atrás dela, como era possível?

Olhou de volta, ver se suas amigas ou alguém mais vinha vindo, mas não viu ninguém em volta, então voltou-se para o portal.

Ela nunca havia visto a unicórnio do outro lado, nem mesmo sua versão humana. O que lhe chamava atenção era a marca que ela tinha na pata. Sunset só havia visto aquela marca uma vez...

"Olá!" Ela respondeu, incerta.

Blue recuou. A criatura no espelho podia ouvi-la!

"O que é você?" Ela criou coragem para perguntar.

"Eu sou humana. Bem, na verdade eu sou uma pônei. Uma unicórnio, como você. Mas estou assim desde que atravessei. Como você pode me ver?" Ela tocou o portal, mas ele continuava fechado, como estava desde que Twilight tinha voltado para Equestria.

"Não sei. Acabei de encontrar esse espelho. Algo estranho me atraiu para cá. O que é isso? Um tipo de portal?"

"Sim, um portal para outro mundo, mas está fechado. Quem é você?"

"Me chamam de Blue, mas eu não sei meu nome. Qual é o seu?"

"Sunset Shimmer."

"Nome legal! Eu..." Blue parou, ouvindo vozes no corredor, havia alguém mais além do guarda do lado de fora. "Tenho que ir. Não posso ser pega aqui."

Ao se afastar do portal, a imagem se desfez e o espelho voltou ao normal.

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Sunset Shimmer ainda ficou encarando seu reflexo por um momento. Então ergueu parte da manga de sua jaqueta e examinou a marca em seu pulso que lembravam garras de dragão. Era apenas uma marca de nascença, mas algo ali a incomodava e em Equestria ela sempre usara mágica para escondê-la, ali ela normalmente ficava escondida por sua blusa, outras vezes ela usava um pouco de maquiagem para isso.

Ela sempre fora diferente deles, não entendia porque. Agora aquela estranha pônei... Como ela podia não saber o próprio nome? E ela lembrava tanto... Não. Ela jurara esquecer isso.

Além do mais, suas amigas estavam chegando e Blue havia ido embora. Não havia sentido ficar desenterrando coisas ruins. Ela tinha começado de novo.

–KK- -KK-

Blue espiou o corredor e não viu sinal de ninguém, então saiu e fechou a porta cuidadosamente. Se permitiu respirar aliviada por um momento, tempo de mais, ela logo ouviu o som de cascos e ńão teve tempo de fugir. Definitivamente estava encrencada.