My Little Dreams

10 Cap. X – Nascendo uma Boneca de Trapos. – Parte I


Sophie havia deitado-se um pouco, visto que não tinha mais condições de perambular pela casa nas atuais condições. Layla mantinha-se ao seu lado, fitando-a de maneira preocupada. A cabeça estava cabisbaixa, de maneira a qual os cabelos estavam um pouco à frente do rosto, caindo sobre as laterais.

- Sophie... Se eu pudesse lhe contar... Se eu pudesse ao menos tentar... Mas, se eu o fizer você não conseguirá se livrar deste tormento...

Sua voz baixa proferia as palavras mais para si do que para a própria menina que estava deitada na cama, dormindo como se nada pudesse lhe acordar. O quarto de Sophie parecia um pequeno refúgio, ou simplesmente uma casa de bonecas, com as mesmas espalhadas por todo o local. Havia pequenas, grandes, média e outras. Alguma de pano, alguma de porcelana, e outras simples feitas de bordados que pareciam pequenos remendos.

Layla se levantou a fim de explorar o quarto. Conhecia tudo aquilo, sim e como o conhecia. Sempre esteve ali, sempre esteve cuidando de Sophie de uma maneira ou de outra. Agora estava com aquela forma, uma forma que há tanto tempo esquecera em seu interior. Não se sentia confortável com sua aparência, isso porque não era mais a dela. Aos poucos, foi tocando as pequenas bonecas, aproximando-se de uma em especial. Esta, justamente de porcelana com longos cabelos loiros e olhos azuis.

- A pequena Mary... Ela a conservou por todo este tempo aqui... Que bom...

Aconchegou a pequena boneca em seus braços, e desta vez fitando o nada. Simplesmente estava perdida dentro dos seus pensamentos. Continuou caminhando mais um pouco, e continuou sem perceber que isso se tornaria algo enfadonho se estivesse lúcida da situação.

Aos poucos, a jovem deitada sobre a cama começou a despertar, de maneira que não enxergava com precisão ao seu redor. Fora capaz de chamar por Layla de maneira baixa, estava cansada, justamente pela perda do sangue.

- Layla... Você está aí?

- Estou aqui.

Aproximou-se, ainda mantendo a boneca sobre os braços. Esboçou um sorriso cálido no rosto, de forma a não transparecer o quão preocupada estava.

- Sinto muito... Eu...

- Psiu... – Balançou a cabeça negativamente – Não é hora pra ficar se desculpando ou deixando de se desculpar.

- Mas... O que eu fiz...

- Já está feito, não há como fingir que não ocorreu. Agora descanse, será melhor pra você.

- Está bem... – Virou-se de lado ficando de frente pra Layla, fechando novamente os olhos. – Fique comigo...

- Não se preocupe, eu ficarei.

Sophie lhe estendeu a mão, como uma criança pequena faria para como uma mãe ou um responsável. Layla a segurou, enquanto sentara-se na borda da cama, deitando a cabeça de Sophie em seu colo. A mesma aos poucos voltou a dormir. Sua expressão não aparentava mais nenhuma preocupação, mas ainda assim podia notar-se um pouco de tristeza, mesmo que esta estivesse dormindo.

No dia seguinte.

Acordara com os raios de sol penetrando pela janela. Abrindo com certa dificuldade os olhos, por conta da luz, levantou-se sem pressa. Começou a caminhar, abrindo a porta que lhe dava ao corredor, e logo alcançando as escadas. Apoiou-se no corrimão, por conta de estar ainda um pouco sonolenta. Sentiu um cheiro bom, e procurou segui-lo.

Layla estava na cozinha, sentada na mesa com uma xícara de café à frente. Vez ou outra tomava um pouco do líquido e o deixava novamente ali, parado por algum tempo, até que uma hora o mesmo esfriou. Mais uma vez a mente não estava acompanhando os atos, e assim como no dia antecessor, estava cálida, pensativa. Havia preparado um café da manhã mais cedo, o mesmo digno de um hotel cinco estrelas.

- Layla... ?

Sophie havia chego à cozinha, e mesmo chamando pela amiga esta pareceu não lhe escutar. Olhou-a de uma maneira um tanto quanto birrenta, e mais uma vez chamou por seu nome, dessa vez gritando.

- LAYLA!

Dessa vez havia escutado, voltando sua atenção para Sophie. Sorriu, de forma sem-graça e de maneira singela.

- Desculpe... Estava um pouco fora de mim...

- Eu percebi...

Aproximou-se, puxando uma das cadeiras e sentando-se. A camisola que vestia feita de algodão e cor branca era confortável, por isso tornava-se mais fácil se sentar. Oestômago porém roncou justamente no momento em que se acomodara, arrancando um sorriso maroto da face de Layla. Sophie enrubesceu, mas sorriu da mesma maneira.

- Hora do café.

Enquanto as duas se serviam, Sophie continuou calada, porém, de fato queria perguntar algo a Layla que estava lhe incomodando desde cedo. A amiga notou logo, mas como não fazia questão de perguntar-lhe tão diretamente, apenas iniciou um assunto comum, visto que não tinham pressa, pois naquela manhã justamente seria o dia de reunião escolar, portanto não teria aula.

- Dormiu bem?

- Dormi...

- Como estão os seus braços? – Levou a borda da xícara aos lábios, bebericando um pouco do café, e ao mesmo tempo fitando a amiga.

Sophie desviou o olhar quando os notou, respondendo rapidamente para que não viesse mais nenhuma questão sobre o assunto.

- Estão ótimos.

- Mesmo? Então, vamos ver... Tire as faixas.

- P-pra quê?

- Se eles estão bons, não é necessário as faixas que são justamente pra que aja com eficiência junto ao remédio...

Cabisbaixa, rendeu-se a pergunta feita.

- Ainda doem...

Pousando a xícara sobre a mesa, levantou-se indo de encontro à menina. Agachou-se, de modo que pudesse ver melhor as faixas brancas postas em ambos os braços.

- Vamos trocar estas, e colocar novas, assim seu machucado irá se fechar com mais rapidez.

- Certo... – Olhou-a de maneira birrenta, retrucando em silêncio. –

- Não me olhe assim, afinal, temos que cuidar disso.

- Layla...

A mesma estava retirando com calma as faixas, enquanto ouviu seu nome, respondendo comumente como de costume.

- Diga.

- Você... Me acha estranha?

Retirou uma das faixas do braço esquerdo, notando que as feridas ainda estavam bem ensangüentadas. Levantou-se, pegando um pequeno estojo de medicamentos, voltando para perto da menina, agachando-se novamente. Molhou um pouco de algodão com água oxigenada, limpando as feridas. Não respondera a Sophie, o que a fez ficar receosa e virar o rosto de lado, tanto pelo silêncio, quanto pelo ardor que sentia. Mas, não ousou retirar o braço dali, agüentando mesmo que à contra gosto.

- Não acho você estranha e tão pouco algo do gênero. E, se está me perguntando isso por causa do que ocorreu ontem, digamos apenas que me senti assustada... – Interrompeu-se um pouco, pegando outro algodão e fazendo o mesmo processo de antes, retomando assim o que dizia. – Mas, sentir-me assustada não quer dizer que lhe achei estranha.

Não disseram mais nada, até os curativos serem refeitos. Enquanto Layla guardava o pequeno estojo, Sophie saiu da cozinha, dirigindo-se ao corredor e logo a seguir subindo as escadas. Notara a ausência da mesma, seguindo-a com calma. Quando chegou no quarto, Sophie estava no chão com uma das bonecas, chorando abraçada a mesma boneca que Layla no dia anterior.

- Sophie...

A menina não respondeu, continuou chorando. Layla se aproximou, sentando-se ao lado desta e pegando outra boneca. Era uma daquelas pequenas bonecas de porcelana francesa, com rendas, babados, vestido azul estilo Alice e cabelos loiros e lisos.

- Essas bonecas às vezes chegam a parecer reais...

A frase não tinha sentido, ao menos pra Sophie no momento. Não lhe deu atenção, e nem mesmo respondeu.

- Gostaria de pensar que eu também sou real... Mas, não sou... – Sorriu de maneira tristonha, fitando a boneca. – Chega a ser estranho...

Sophie desta vez pareceu prestar atenção. Como assim não era real? Mesmo entre soluços baixos, tentou perguntar o que aquela frase significava sentido que realmente havia algum significado.

- O-o que quer dizer com isso? Se não é real, como está aqui?

- Porque você me prendeu dentro do seu sonho... Antes de morrer...

Sophie arregalou os olhos. Aquilo não lhe fez sentido algum, muito pelo contrário, apenas lhe deixara ainda mais indignada. Largou a boneca no mesmo instante, jogando-a em algum canto que não soubera onde. Segurou Layla pelos ombros, e mesmo com pouca força estes doeram um pouco. Ainda assim, sua concentração estava nas palavras da amiga.

- Layla... Pare de brincadeiras... Se você estivesse morta, eu não poderia lhe ver...

Voltou seu olhar pra Sophie, deixando com que uma lágrima escorre-se pela face. As palavras que dissera saíram roucas, baixas e tristonhas.

- Não fui eu quem morreu Sophie... Mas, sim você!

Demorei pra postar, mas finalmente o cap. X de minha fic saiu. Peço desculpas pela demora e pra quem lê espero que gostem do que fiz. Daqui por diante, finalmente espero poder colocar o que já vinha pensando a muito tempo. Sei que a princípio o cap. vai parecer estranho ou meio massante, mas logo coisas novas surgirão! Deixem reviews! <3

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.