My Little Dreams

6 Cap. VI – Entre a dor e o coração


“Dizem que às vezes nós somos seres muito tolos, nos arriscando por pessoas das quais em certos momentos nem mesmo conhecemos, e quando conseguimos sentimos alegria, satisfação, como se tudo o que tivéssemos feito de ruim ou bom se intensificasse mais e mais. Realmente, quando penso nisso, começo a entender o verdadeiro significado de amar.”

Layla não sabia ao certo se deveria ir de encontro com Sophie. Não achava certo invadir o momento de suas recordações apenas para tentar ajudá-la, porém pairava em sua mente uma dúvida impossível de ser respondida. Todavia, não esperou mais, apareceu de repente caminhando em direção a jovem a fim de poder conversar direito com ela, afinal da última vez que a ajudara, pouco conseguira conversar com a mesma.

Sophie notou a aproximação da garota, porém não fizera nenhum movimento que pudesse ser recepcionista. Ainda estava mergulhada nos acontecimentos passados de sua vida, e mesmo que alguém compreendesse o que estava passando, não poderia jamais mudar ou reescrever o que aconteceu.

Layla, porém pareceu não se importar com a suposta “frieza” da jovem, apenas ficando de pé ao seu lado, enquanto fitava juntamente com ela o túmulo de Madellaine. Aos poucos começara a ventar, um sopro gélido que aos poucos trazia ainda mais as lembranças ocultas, lembranças que não podiam ser dissipadas de maneira alguma, pois cravavam no peito uma ferida mortal.

- Nos sentimos pequenos às vezes, quando notamos o que perdemos. – Dizia Layla, com o tom de voz mais baixo, quase um sussurro. –

- Não temos direito de revogar o que nos é sentenciado... Afinal, somos apenas humanos.

- Não somos tão impotentes assim. – Retrucou-a, voltando o olhar para a mesma. – Somos nós que escrevemos o nosso destino.

Sophie não respondeu. Continuou observando o túmulo da mãe. Aos poucos, começara a chover pequenas gotículas geladas finas, se prolongando mais e mais. Enquanto aos poucos o céu estava tingindo-se de negro e cinza, lançando raios e trovoadas sobre a terra.

- Acho que seria melhor voltar para casa. – Voltou a dizer Layla, — Pode pegar um resfriado se continuar aqui.

- Não deveria se preocupar mais com você, do que comigo? Tem tanta chance quanto eu de se resfriar.

- Não precisa fazer-se de difícil, sei que não é assim.

- O que você sabe sobre isso, a não ser que sou uma garota problemática a qual todos adoram zombar na escola? – Sua voz tornou alta de repente, estava começando a irritar-se. –

Layla a tomou pelo braço, segurando com força. Encarou-a, enquanto Sophie estava um tanto quanto espantada. Não esperava ser puxada daquela maneira. Porém, logo se desvencilhou, dando dois passos para trás.

- Quem pensa que é? O que quer comigo? É mais uma maneira de fazer piadas, joguinhos e outras coisas? Não precisa rodear-se dessa maneira. – Gritou, enquanto o olhar de raiva era lançado ferozmente para a jovem. –

Layla abaixou a cabeça. De certa forma tomou a expressão de uma criança no rosto, após ser advertida pelos pais por alguma travessura. Logo, a mão direita tocou no braço esquerdo, com o olhar direcionado para o chão.

- Apenas achei... Que precisava de uma amiga. – Respondeu, com a voz quase rouca e baixa. – Apenas isso.

Sophie estacou por um instante. Teria ouvido certo ou até mesmo isso estava começando a falhar? “Apenas achei... Que precisava de uma amiga.” A frase rodou por sua mente por alguns instantes, enquanto o olhar de raiva aos poucos ia se tornando terno e gentil. Enrubesceu aos poucos, afinal fora desnecessária a maneira como a tratou. Sendo assim, dera os mesmo dois passos dos quais recuara antes, ficando à frente da garota.

- Desculpe... Apenas não sei como tratar alguém. Há muito tempo esqueci o que é ter amigos.

- Então volte a ter ao menos uma. – A resposta fora imediata, enquanto os olhos aos poucos se voltavam para Sophie. – Eu posso ser?

- Se conseguir esquecer o que se passou e suportar o meu jeito de ser, acho que sim.

Os olhos de Layla juntos aos de Sophie se encontraram, era estranho como as duas conseguiam conversar apesar das personalidades extremamente opostas. A chuva ainda caia forte, enquanto aos poucos as duas começaram a correr, deixando para trás uma triste lembrança, unidas pelo ideal de serem amigas. Corriam na chuva, corriam contra o vento, corriam contra tudo o que estava entre elas.

Por algum motivo, as duas estavam unidas apesar de pouco se conhecerem. Talvez fosse isso o que as pessoas chamavam como “Verdadeira amizade”.