My Little Cat

16 16. O passado de Black! O pior aniversário de todos!!


Notas iniciais
3 caps num dia porque sim u-ú

Dois meses. Dois sofridos, lentos, tortuosos e deprimentes meses.

Para terem noção, sim, estou arrasado. Perdi tudo, praticamente. Apenas saiu umas… Duas vezes? Do quarto por semana. E dessas duas vezes, adivinhem quem eu vejo juntinhos, rindo e felizes?

Pois…. Não é, de forma, agradável. Imaginem ver a garota que vocês tipo, amam mais no mundo; A única mesmo do mundo que é da sua “família”, com o vosso inimigo.

Mais uma vez, a imagem daqueles dois. Daquele beijo que N deu à White. Aquele.. Maldito beijo, doeu- me. Muito. Durante 2 meses, aquela imagem assombrou- se.

Estava um autêntico lixo, agora. Queria enterrar- me vivo, torturar- me a mim próprio… Qualquer coisa menos isso. Por favor…

Olhei para a minha mesa ao lado da cama. Encarei o meu Xtransceiver. Não sabia as horas, nem data nem sequer o mês. Tudo o que sabia, é que tinha perdido tudo.

Ergui a minha mão para o mesmo, observando que tinha apenas 2% de bateria. Mil e uma chamadas perdidas dos meus amigos. Olhei o dia e fiquei surpreso comigo mesmo.

“23-03” ...O meu aniversário.

Respirei fundo, colocando- o novamente no local que estava. Olhei para o teto, numa profunda dor.

–White…–Murmurei a mesma palavra, sem eu mesmo ordenar, com um suspiro. Era ela que eu queria como presente de aniversário. Apenas ela...

[...]

Já era… 5h 30 m por aí, da tarde. Estava arrasado. Não consegui atender uma única chamada. Todos sabiam que estava desesperado.

–Só quero… Você de volta.–Pode parecer exagero, mas vou explicar.

Pensem. Hoje, era o dia que achava que ia, finalmente, passar com alguém que amava. Pensei que nunca mais ficaria sozinho de novo, pois agora tinha alguém que podia confiar a 100%. Tinha alguém que eu amava verdadeiramente, em todos os sentidos. Além disso, faz… Mais um ano da morte dos meus pais.

Querem a explicação? Então terão.

[FlashBack on]

–Oee papai, onde a gente vai!? -Perguntei inocentemente. Era o dia que tinha 13 anos, e estava completamente feliz. Significava que iria finalmente poder estudar. Esse era o meu sonho: Estudar para poder ser um grande treinador!

–Vamos a Nimbasa City. E vamos na roda gigante que você sempre quis ir!! -Respondeu o mesmo com um sorriso doce nos lábios.

Estava no banco de trás do nosso carro. A minha mãe estava ao lado do meu pai, que o mesmo conduzia. Olhava o caminho todo pela janela, observando a linda vista do local. Mesmo muito longe, dava já para ver a roda gigante, o que me animou.

A minha mãe era uma senhora bem formal e simpática. Um anjo de pessoa. Sempre muito amável com tudo e todos; Jamais me quis fazer triste, embora de vez em quanto tivesse de… Pronto, se zangar, como todas as mães. São mães poxa!

O meu pai era um homem de negócios, mas nunca, nunca se esquecia da sua família. Ele dava tudo por nós dois. Na verdade, somos ricos. Ou éramos... Até aquilo acontecer. Depois do incidente, mal tinha dinheiro para dormir debaixo de um teto.

–Black- Kuuun!! -Murmurou uma voz fofa, ao meu lado. Desviei o olhar e sorri- A gente pode ir juntos?! Por favor!!

–Claro que podemos!! -Afirmei com um sorriso para a minha irmã mais nova. Automaticamente, ela me abraçou com força, fazendo- me corar um pouco.

–Arigato Oni- Chan!!

O nome dela era Charlotte. Sempre foi uma grande importância na minha vida, desde que nasceu. Eu cuido dela desde que a minah mãe ficou grávida de uma irmã, como sempre pedi. Porém, acho que a gravidez conteve grandes riscos, então ajudei em tudo o que pode. Sempre gostei de imaginar que eu fora quem salvou a minha irmã.

Ela tinha longos cabelos loiros, com jeitos e cacheados. Tinha um sorriso brilhante, uma cara redonda e lindos olhos castanhos claros. Era mais baixa que eu, de facto, por ser mais nova.

Mas... O mais estranho, é que ela me lembra a White. A forma de falar, o jeito fofo, aquele "kun" no nome... Derretia- me por dentro.

Uns longos minutos depois, chegamos ao local. Era uma linda cidade. A minha favorita em toda a Unova.

Luzes para todos os lados; Festivais, efeitos e até pavilhões recheados de novidades e de atores famosos. Público por todos os lados… Era um paraíso para qualquer pessoa que se adora divertir.

–VAMOS À RODA GIGANTE!! -Berrou Charlotte. Sorri para a garota, que me puxava com ela. Os nossos pais seguiram- nos, e chega- mos à roda gigante.

Mal encarei a grande roda bem na minha frente, sorri de orelha a orelha. Finalmente iria, pela primeira vez, para onde mais queria ir, com a minha irmãzinha.

Quando a gente pagou os bilhetes, a minha mãe segurou nas mãos de nós dois com força. Lentamente, vi vários homens rodearem nós os quatro. Não entendi, mas ela apenas se baixou até à minha orelha, e disse:

–”Corra. Agora. Leve a Charlotte, e não ouse olhar para trás. Se olhar, fica de castigo”.

Estranhei, mas assustado com a cara séria dela, peguei na mão de Charlotte e arrastei- a dali. Não queria ficar de castigo no meu aniversário, de jeito nenhum.

–O- Oni- Chaan, onde vamos?! -Berrou confusa. Nem eu mesmo sabia, mas tinha medo de ficar de castigo na hora.

–Não sei… Mas temos de i- Antes de terminar, apenas ouvi o tiro de uma pistola. Paralisei, olhando para a Charlotte, que ficou em lágrimas a ver a cena.

–MAMÃ!!–Ela berrou tão alto, correndo para a mesma.

Quando me virei, não quis acreditar.

Um homem, que aparentava ter a idade dos meus pais, ou um pouco mais velho, havia acabado de matar a minha mãe. O meu pai paralisou, em desespero.

Eu não estava a entender o que estava a acontecer. Mas aquele som perturbou- me até ao fim da minha vida. O som daquela bala assombra- me até hoje. Tinha acabado de perder um terço de mim.

...Mal eu sabia que ia ficar pior.

–ACORDE!! ACORDE MARY POR FAVOR!! -Ele estava em lágrimas. Corri até à Charlotte, segurando- a. Não podia permitir que ela se aproxima- se. Tinha de a proteger, mesmo doendo por dentro.

–ME LARGUE BLACK!! TENHO DE AJUDAR A MAMÃ!!

–CHARLOTTE, TEMOS DE CHAMAR AJUDA!!

Nesse momento, o homem que apontava uma pistola para o meu pai, desviou o olhar para nós dois. Ele sorriu de lado, estalando os dedos.

Automaticamente, agarraram em mim e na Charlotte, como se fosse já planeado.

–NÃO!! -O meu pai olhou para o homem- E- EU DOU TUDO O QUE TENHO!! NÃO LHES FAÇA NADA, EU IMPLORO!! E SALVE A MINHA MULHER!!

O homem riu alto, cuspindo na cara do meu pai. Nesse momento, apontou a pistola para a cabeça dele, falando calmamente:

–Morra.

E novamente, o som que perturbou a minha mente, ecoo pelo local. Eu e Charlotte tentáva- mos. Pontapés, socos, murros, gritos e um choro alto de nós dois.

Ambos ficámos com o olhar desfeito num vazio sem fim. Eu gritava com todas as minhas forças, berrando por ajuda. Porém, ninguém se atrevia a aproximar, se não, automaticamente, iria morrer, como é lógico. Mas... Ver os meus pais mortos ali, no chão em sangue, era horrível. Quanto mais para uma criança de 13, muito menos de 8.

–POR FAVOR PARE!! -Charlotte berrou bem alto. Ela estava aos berros, assim como eu. As lágrimas escorriam- me do rosto numa velocidade que eu mesmo desconhecia. Eu só queria que tudo volta- se ao normal, nada mais.

–ALGUÉM AJUDE!! IMPLORO!! -Charlotte mordeu a mão do homem que a segurava, conseguindo- se soltar.

Ela correu em direção aos pais, pisando o próprio sangue deles, no chão. Ela chorava com toda a velocidade, implorando para eles acordarem, gritando e chorando com tudo o que tinha.

Nesse momento, fiquei maluco. O homem apontou a arma para ela, que automaticamente paralizou.

–É filha deles? Que bom saber… -Nesse momento, desviou o olhar para mim, sorrindo maliciosamente. Parecia que me queria ver sofrer.

Nunca me irei esquecer daquele olhar. Aquele olhar que me assombra até hoje. Aqueles olhos vermelhos, cor de sangue e assustadores, transmitiram- me tudo o que ele havia pensado.

Agora, só restava um terço de mim. Se ele me tira- se esse terço... Eu morria por dentro.

–Não… NÃO, POR FAVOR, NÃO!! EU IMPLORO, ME MATE A MIM MAS NÃO A EL-

E a última bala foi disparada.

Lembro- me tão bem da dor que senti; Das lágrimas que deitei. Lembro- me tão bem daquele homem; Saberia perfeitamente se ele aparece- se na minha frente agora.

Jamais esquecer aquele rosto; Aquele olhar; Aquele nome. Jamais esquecei o único homem, que jurei vingança; O único homem que irei matar, dolorosamente. O homem que farei sofrer assim como ele me fez.

Aqueles olhos vermelhos… Aquele cabelo verde…

Ghetsis.

A partir desse dia, nunca mais quis ver a roda gigante.

[FlashBack off]

Eu fui o culpado. Fui eu que qui ir naquele local, naquela hora. A culpa foi toda minha.

Lembro- me perfeitamente que a agente Jenny chegou na hora que ele matou a minha irmã. Ele havia escapado sem rasto.

Quando me soltaram, lembro- me dos berros que dei; Lembro- me das milhares de lágrimas que deixei cair dos meus olhos. Lembro- me melhor que ninguém da dor de perder a rasão do seu viver.

Estava afundado nas próprias memórias, no meu sofrimento e na dor. Estava numa autêntica depressão, naquele dia.

Mas, nunca fora assim. Lembro- me que o 1º ano, foi o pior. Depois, aos poucos, melhorei. Mas este, sem dúvida, é o 2º pior aniversário de todos. O 1º foi na morte dos mesmo, como é óbvio.

E fui interrompido da minha breve depressão, por um som. Estranhei.

Novamente, alguém bateu à porta. Surpreso, levantei- me lentamente, com um peso em cima de mim.

Mesmo antes de abrir, olhei- me ao espelho. Estava com um aspeto nojento.

Olheiras, olhos inchados e vermelhos, branco e todo molhado na cara, das minhas próprias lágrimas.

Até perdi a conta de quantos dias seguidos fiquei ali.

Finalmente, abri a porta. Achei que era a professora Juniper me pedir algum favor, pois sempre teve pena de mim por ficar sozinho nas férias.

Mas.. Fui totalmente surpreendido.

–W…. Whi… Te…?

Notas finais
E SÓ AGORA REPAREI!! 100 COMENTÁRIOS E 2 RECOMENDAÇÕES