My Life is one Sadness
18 My snowflack ...
Notas iniciais
"Sim..." ele deixou a resposta no ar, seu tom melancólico me deixou preocupada e um segundo depois perdi a consciência de novo.
* * *
Uma nevasca impiedosa batia contra a janela do quarto da pequenina princesa de Arendelle. A rainha embalava gentilmente sua pequena filha que chorava inconsolávelmente, a menina debatia-se dentro do cobertor quente no qual estava enrolada. O choro da princesinha parecia piorar a tempestade do lado externo do castelo, o fogo queima a lenha da lareira tornando o quarto mais quente, porem o frio rigoroso do inverno de Arendelle não permitia o quarto ficar em uma temperatura realmente agradável. Um vento furioso bate contra a janela quando a menina grita e a rainha procura desesperadamente acalmar sua filha de pouquíssimos dias de vida. O rei abre a porta devagar e encontra a esposa sentada em uma cadeira de balanço em frente à lareira embalando o bebê. A rainha dirige os olhos por um instante até a porta e enxerga o marido que sorri, ela retribui com sorriso caloroso e o homem anda até ela se ajoelhando, mirando a pequenina com os olhos brilhando.
– Qual o problema floco de neve?
A princesinha para de chora por um instante, a tempestade para também, e mira o pai com os olhinhos úmidos, ela se debate mais um pouco dentro do cobertor tentando se livrar de seu carcereiro e começa a chorar novamente trazendo consigo mais tempestade. O rei entende o que a filha tenta expressar e delicadamente desenrola a pequena, deixando-a livre. Um pequeno sorriso se abre nos lábios da princesa, e a tempestade para completamente, a rainha suspira aliviada e abraça levemente a filha depositando em sua testa um beijo suave, como só uma mãe consegue dar. O rei, então, senta-se no chão e canta os primeiros versos de uma musica de ninar enquanto a rainha embala novamente a pequena, só que dessa vez sem o cobertor, acompanhando o marido nos versos em um tom mais baixo. Os olhos da pequena começavam a ameaçar a fechar e ambos pararam de cantar, despertando novamente a menina que continua sonolenta. Ambos estavam cansados, mas poderiam jurar que viram a menina, com suas pequenas mãozinhas, formar um floco de neve.
* * *
Abri os olhos.
Minha visão está um pouco embaçada, mas em poucos segundos passo a ver nitidamente, a direita da cama está o homem loiro, que sorri ao olhar para mim, Annie e Finnick estavam abraçados e próximos à janela, quanto a Pitch, este estava sentado no canto mais escuro da sala.
– Elsa, pode me ouvir? — perguntou o homem loiro. Observei-o e ao brilho do sol sua pele parecia ainda mais clara do que na visão que tive, ou pensei ter tido, dele a noite. — Elsa, pode me ouvir? — repetiu ele, agora sério. Assenti e ele volta a sorrir. — Que bom. Consegue falar? — pergunta ele. Eu abro a minha boca.
– Sim — falo, meu tom saiu meio estranho, um misto de curiosidade, alegria e medo.
– Muito bom... — fala o homem loiro, que agora vejo estar usando um jaleco de médico. Ele pega um objeto metálico com partes de borracha que estava em seu pescoço e coloca na cama, ao lado do meu braço. — Elsa, você quer tentar sentar? — fala ele com um olhar cuidadoso. Eu assinto rapidamente, queria sair correndo e encontrar o Jack. Ele está em perigo e eu aqui deitada sem fazer nada. Ele põe uma mão nas minhas costas e com a outra ele segura minha mão, me dando apoio.
– Muito bem Elsa! — aplaudem Annie e Finnick, que haviam se aproximado da cama a ponto de tocarem meus pés quando me sento. Movo os olhos até Pitch, mas ele mantém os olhos fixos no chão na mesma pose em que ele estava minutos antes.
Durante toda uma hora o homem loiro fez alguns testes comigo, para saber se estava tudo bem. Annie e Finnick se mantinham próximos a nós, conversando entre si e dizendo mensagens de incentivo. Quando ele termina, eu já estou de pé, vestida com trajes estranhos (para ela, mas normais para a época).
– Quase ia me esquecendo! — diz Annie que me puxa pela mão. Passamos por uma porta, outra e outra, então ela solta a minha mão e entra em outra porta. Segundos depois ela volta, dá três passos estala os dedos e escancara a porta. — Vem... — chama ela e eu, é claro, vou. Passo pela porta e vejo um ambiente muito parecido com um porão, só que bem menor, ali só havia um enorme caldeirão e sobre ele flutuava a imagem de Anna. — Tem uma menina chamada Anna que quer falar com você. — Ando até a borda do caldeirão e passo a mão na imagem de minha irmã.
– Anna? — arrisco perguntar e imediatamente a imagem antes parada começa a se mover. Vejo Anna, Kristoff, Olaf, uma mulher velha, Rosalie e uma rena, através da tal "fumaça".
– Elsa, a Elsa, graças aos céus! — exclama Anna, suspiro, aliviada de que ela esteja bem.
– Funcionou — escutei uma voz atrás de mim falar e virei o rosto. Era Breu em toda a sua magnificência (isso existe?), abrindo caminho entre Finnick e Annie, vindo até mim.
– Claro que funcionou! — diz a velha senhora aparecendo ao lado de Anna. — Vocês tem pouco tempo antes de Morrigan chegar ai então recomendo que a senhora majestade se despeça de sua irmã, pois este caminho pode não ter volta. — fico horrorizada com tais palavras da velha, mas sei que ela tem a razão e por isso sinto um terrível nó na garganta.
– Ótimas palavras de incentivo Buu. — Diz Pitch do meu lado, mas eu o ignoro e me concentro em Anna.
– Anna tem tantas coisas que eu gostaria de dizer para você, tantas aventuras que eu adoraria viver com você... Mas tudo o que posso dizer é: vocês podem aceitar a bênção de uma rainha louca do gelo? — pergunto encarando ela e ao mesmo tempo Kristoff.
– Claro! — pula Anna estourando de alegria — Mas... Como você sabia? — pergunta ela confusa olhando zangada para Pitch.
– Não sabia! Foi pura intuição feminina. — digo rindo Anna fica um pouco vermelha e ri também. — Felicidades e eu queria dizer também... Eu te amo minha irmã.
– Eu também te amo Irmã! — estávamos em um momento muito lindo, quando fui puxada brutalmente pelo braço. A imagem de Anna se tornava mais uma fina névoa e vejo Finnick e Annie se preparando para trancar o local.
– Diga para Rose e Olaf que também os amo! — grito com a esperança de que ela ainda possa ter ouvido. Ainda estou sendo puxada e quando me dou por mim estamos do lado de fora da casa de Annie e Finnick.
+ + +
– Vamos! — diz Pitch me puxando pela mão por entre as arvores da floresta. Os troncos robustos e as copas cheias nos encobriam totalmente, galhos mais finos estavam espalhados por todo o chão, juntamente com diversas folhas, marrons e amareladas.
Apresei o passo para não ser mais arrastada enquanto tentava acompanha-lo, a lua já se encontrava alta no céu quando chegamos ao final da mata. Eu deveria estar arfando, pois nunca andara uma distância tão grande assim, mas Pitch me explicou que se eu quisesse poderia prender a respiração pro resto da vida e já não precisava mais de ar para viver.
– Só uma perguntinha... — sussurrei para ele puxando a manga de seu casaco negro. Ele me olhou carinhosamente e de seu bolso retirou uma flor, uma rosa, mais especificamente azul. — oh — digo surpresa. Estico minha mão em direção à flor tocando-a suavemente, suas delicadas pétalas azuladas guardavam consigo certo mistério, um adorável mistério.
– Faça... — disse ele desviando a face, estreitando os olhos, a procura de algo dentro da escuridão. Segurei então a rosa com as duas mãos, uma nas pétalas e a outra no caule.
– Por que uma rosa azul? — perguntei. Claramente não era essa minha ideia inicial, mas fiquei tomada pela curiosidade. Ele solta a respiração como em um suspiro e sorri para mim voltando seu rosto para a flor em minhas mãos.
– Sabe... Hum... Elsa... — falou ele enrolado. Lembrava-me tanto Jack, ou melhor, Daniel. — A flor azul é conhecida por ser uma flor que representa o infinito e o inalcançável, onde sentimentos como gratidão, respeito, admiração e amor fazem parte do seu objeto. São os motivos pelos quais as pessoas oferecem flores na cor azul. — despejou ele, eu fiquei um pouco atordoada com tal descoberta, pois ele disse "inalcançável" e "amor" em meio ao conhecimento. Ele logo fechou o rosto e o desviou de minha vista novamente, murmurando — Eu nem sei por que ainda faço esse tipo de coisa... Ela o ama... E... Eu deveria querer que eles... Ficassem juntos... Ele... É meu filho... — então era isso? Ele me amava? Por isso, toda aquela coisa de... — Morrigan, não ia deixar Jack sozinho, só se... — disse ele interrompendo meu pensamento.
– Só se o que? — perguntei curiosa, ele abaixa o rosto e em seguida o ergue novamente, olhando para mim. Sinto que ele está me escondendo algo, mas não tenho coragem de perguntar a ele.
– Elsa, seja sincera comigo... — diz ele segurando minha mão — você ainda tem medo de Ca choros? — a palavra me fez engolir a seco. Não sei o que as pessoas vêm de bom em animais como aqueles!
– Sim... — falei erguendo a mão ao rosto, retirando um a mecha platinada que caiu sobre meus olhos. — Por quê? — perguntei nervosa, ele passa a mão nos cabelos, novamente me lembrando da manias de Jack. Sinto o coração cada vez mais apertado por causa dos meus confusos sentimentos por ele.
– Bom... Morrigan não poderia carregar Jack por todos os lugares que ela nos seguiu... — disse ele pausadamente — então, talvez... Ela tenha o transformado em algo que você teme muito... como cachorros — esclarecer ele.
– Espera ai... então aquela criatura nefasta pode ter transformado Jack em um... — falei espantada — cão, imundo e sarnento? — despejei desacreditando no que estava ouvindo.
– sim... ela... é muito mais poderosa que você imagina...
Fale com o autor