My Life Strange
1 Prólogo
Notas iniciais
Acordei com o sol batendo na minha cara, acho que minha mãe passou por aqui e abriu a janela. Ela sabe muito bem que eu acordo com a claridade. Uh, é mesmo, esqueci de me apresentar. Bom, meu nome é Gabriela, moro no Rio de Janeiro e tenho 16 anos, tenho duas amigas chamadas Camilla e Daniella, um namorado e dois melhores amigos. Camilla tem 16 anos, igual a mim, porém ela mora em São Paulo, que saudades daquela baixinha... Daniela é mais velha, tem 17 anos, mora no Rio de Janeiro também e ultimamente está estranha comigo. Meu namorado se chama Peter, tem 17 anos, mora no Rio de Janeiro e esta estranho comigo ultimamente também, o que será que está havendo? E tem o Andrew e Thiago, meus melhores amigos, ambos tem 16 anos e moram no Rio também. Ih, fiquei aqui falando deles e esqueci-me de tomar banho e café.
– Vamos Gabriela! Vai se atrasar pra escola garota! — Era minha mãe berrando do outro lado da porta do banheiro.
– Já vou mãe! — Mulher apressada hein, nem deu tempo de cantar no banho.
Depois de sair correndo do banho (culpa sua mãe!), coloquei uma roupa e fui pra cozinha. Meu Deus! O cheiro era ótimo, o que significa que minha mãe caprichou hoje na comida. Sentei-me na cadeira e ataquei a comida.
– Huuuuum mãe, que delicia! Por que hoje decidiu mudar de idéia no café? — Ela nunca preparou essa divina refeição! Ai tem coisa.
– Ué filha, não posso mais fazer surpresas? — Disse minha mãe, se fingindo de ofendida.
– Mãe, eu te conheço muito bem e... — Fui cortada por ela.
– Filha, deixa esse papo pra depois, você vai se atrasar. — disse ela, tentando mudar de assunto, óbvio.
– Ok, essa conversa ainda não terminou, hein? — Disse interpretando um interrogador.
Subi correndo as escadas e ai começou a confusão, minha mochila SUMIU! Vasculhei meu quarto até começar a entrar em pânico, sentei em minha cama e comecei a re-ver meus passos até que vi a mochila. Meu Deus! Sou mesmo distraída hein, ela tava perto da porta e eu sai que nem uma doida pela casa procurando essa danada.
Desci as escadas, minha mãe estava a minha espera no carro, como sempre. Liguei o som e começou a tocar "I Want", uma das minhas músicas favoritas. Claro que comecei a cantar que nem uma retardada até chegar à escola. A música acabou e finalmente chegamos à escola.
Na porta avisto Dani e Peter me esperando, como sempre. Despedi-me de minha mãe e fui ao encontro deles.
– Oi Gata. — Disse Dani sorrindo e mastigando chiclete de boca aberta. Eu deveria falar algo né? Pois é, como sou uma menina educada, deixei essa passar.
– Oi Danni. — Disse olhando pra ela e depois passei o olhar para Peter. — Oi Peter.
– ér, hum, Oi Gabs. — Disse ele, em um tom estranho, ai tem coisa.
– Ta né. — Murmurei comigo mesma, quase como um sussurro. — Então, vamos? — disse inclinando a cabeça para a entrada da escola.
– Vamos. — Disse Peter e Dani juntos, e fomos para dentro.
O dia passou correndo, graças a Deus. Finalmente vou poder saber o que minha mãe está escondendo! Aquela mulher não esconde muito bem as coisas viu, espero que seja uma surpresa boa. Quando fui guardar minhas coisas, havia um bilhete entre meu caderno, peguei-o no mesmo segundo e li.
"Vá para o estacionamento, há uma coisa que pode lhe interessar."
Eu hein, fiquei curiosa depois dessa. Terminei de arrumar minhas coisas, coloquei-as em minha mochila e fui para o estacionamento. Quando cheguei lá, a imagem não foi das melhores e pra piorar, começou a chover! Cheguei perto dos dois, se beijando e comecei o interrogatório. Pigarreei e cruzei os braços, tentando conter as lágrimas. Fiz meu melhor sorriso irônico.
– Desculpe interrompe-los, mas — Falei e os dois viraram-se para me ver, de olhos arregalados. — Isto aqui é uma escola pública. Vão para um Motel para se agarrar. — Sorri ainda mais e dei-lhes o dedo do meio. Que droga de dia!
– GABRIELA! — Gritou Peter, quando eu sai dali. Eu estava ficando encharcada! Parei e chorei ali mesmo. Afinal, estava chovendo, nem ia fazer diferença. Virei-me para o idiota que antes chamava de namorado, e simplesmente dei-lhe um sorriso. — Eu... Não... Quer...
– O que? Vai me dizer que não queria? — Eu gargalhei. Eu devia estar ficando louca! — Por favor né Peter, não me encha de suas mentiras novamente. Sinceramente? Seja feliz com Daniela, e sim, claro. Avise-a que vá tomar no seu orifício anal, por gentileza. — Sorri ainda mais. Nem sei porque diabos estava sendo educada, mas tudo bem.
– Mas...
– Mas o que? Conseguiu o que queria, Peter. Ah não, espere. Irá esfregar na minha cara a quanto tempo estão juntos? — Ri de novo. — Ah meu querido... Poupe-nos o nosso tempo e vá ficar com Daniela. — E dei-lhe as costas. Pelo visto ele prestou atenção e não veio atrás de mim. Corri para o carro de minha mãe e entrei no mesmo.
– Gabriela? O que houve filha? — Minha mãe disse, olhando para meu rosto cheio de lágrimas.
– Nada mãe, foi apenas a chuva. E eu tava coçando o olho, mania inútil. — Disse e suspirei. Sorri para tranquiliza-la. Acho que despistei essa.
– Tudo bem... Bom, lembra daquilo que estava te falando hoje de manhã? Então, lembra da Camilla? — No momento em que a minha mãe disse o nome dela, um raio de emoções me atingiu.
– O QUE TEM ELA? ELA VAI VIR PRO RIO DE JANEIRO? AI MEU DEUS, FALA MÃE! — Disse, gritando, já esquecendo do pequeno incidente.
– Bom, quando chegarmos a casa te conto. — Prometeu ela.
– Poxa mãe! — Disse fazendo um biquinho.
– Fica quieta Gabriela, estamos chegando. — Argh! Odiava quando ela fazia isso comigo, suspense não é meu forte!
Enquanto eu tentava convencer minha mãe para falar o que era, meu amigo, Andrew (ou como gosto de chamar, Andy), estava ligando.
– Ligação ON -
– Oi Andy, o que foi? — disse animada, amava conversar com meu melhor amigo.
– Gabs? Por que toda essa animação garota? — Falou rindo, com uma voz rouca. Literalmente amava aquela voz.
– É que a Milla pode estar vindo pro Rio! Pode imaginar a minha felicidade e a do Thiago? — Thiago e Camilla têm uma amizade colorida, que até hoje não sei o que aquela garota viu nele. Ah, ambos gostam um do outro, porém o outro não sabe.
– Sério? Nossa, que saudade daquela baixinha! — disse ele animado.
– É! Eu também estou com saudades dela. Vai vir pra cá Andy? — Falei animada.
– Claro, era isso que ia lhe pedir. Aliás, posso dormir ai? Aqui em casa a situação não é das melhores, se é que me entende. — Ri. Ele usou o tom malicioso que só nós usamos.
– Sim, entendo, pode vir! — ele riu junto.
– Bom, te vejo daqui a pouco baixinha. — Ele começou a rir, nós dois sabemos que eu odeio ser chamada de baixinha.
–Ta, gigante. — Ri junto.
– Ligação OFF -
– Mãe, o Andy vai dormir lá em casa hoje, ta? — Disse.
– O.k — Disse ela.
Chegamos a casa e eu sai correndo para a porta, só não abri porque não tinha a chave comigo. Minha mãe saiu do carro como uma lesma e abriu a porta. No mesmo segundo entrei correndo e fui procurar a minha baixinha. Não achei. Fiquei triste e ai lembrei que minha mãe iria falar o que era.
– MÃÃÃE!! — Gritei do alto da escada.
– O QUE? — Gritou ela da cozinha, acho que deve estar fazendo meu "suborno" igual o café da manhã.
– Me fala o que você ia falar da Camilla! — Eu meio que exigi isso dela.
– Ah sim, claro, tinha me esquecido. — Disse ela pegando um envelope.
– O que é isso? — Disse.
– Carta de Camilla ué. — Falou como se fosse óbvio e me entregou.
–Ah ta, vou ler no meu quarto, se Andy chegar o mande subir, ok? — Disse abrindo a carta.
– O.k — Disse ela voltando para meu suposto "suborno".
Subi correndo para meu quarto, ansiosa, claro. Chegando lá me atirei na cama e comecei a ler.
"Oi Gabriela, se estiver lendo isso, obviamente sua mãe deve ter feito surpresa. Pelo visto deve ter me procurado pela casa, não é vaca louca? Bom, lembra do emprego do meu pai? Que ele foi transferido pra São Paulo e tal? Então, ele foi transferido de novo pro RIO DE JANEIRO! Acredita? Eu também não. Bem, hoje fiz essa carta (e fiquei com calo na mão, quero recompensa depois disso!) e to fazendo a minha mala, ou melhor, já terminei. Enfim, daqui alguns dias (ou semanas) te aviso por mensagem quando estarei indo, ok? Ok. Ah, queria falar também que estou com saudades de você Miella. Haha, lembra do nosso ship? Claro que lembra, pelo amor né! Até diria que também to com saudade da Dani e do Peter, porém vai ser mentira e você sabe o porque. E falar que estou com saudade do Thiago e do Andy! Cara, to com saudade das idiotices desses dois, sem contar as suas, que foram as melhores. Bom, tenho que ir, vou ajudar a minha mãe com as malas. Manda um beijo pra tia Laura e pro tio Bob, saudades deles também. Beijos para você, vaca, e para os garotos! Até em breve minha gigante. Camilla xX"
Simplesmente chorei ao ler essa carta, que saudades daquela baixinha meu Deus. Já ia começar a me levantar quando a peste que chamo de Andy me abraçou por trás.
– Que susto Andy! — Disse com a mão no coração.
– Eu sei que sou feio, mas não exagera né. — Disse ele fingindo estar triste.
– Me assustei porque você me pegou desprevenida, besta. E você é lindo, já lhe disse isso mil vezes. — E era verdade, aquele garoto era lindo.
– Eu sei disso baixinha. — Ele riu.
– Se gabe menos Gigante. — Ri junto.
– Hey Gabs, por que ta chorando? Foi aquele idiota do Peter de novo? — No momento em que ele disse o nome de Peter, passou a lembrança do estacionamento, que me fez chorar mais.
– Não... Andy... É que... — Não agüentei e fui para os braços dele. Sentia-me segura com Andy, sorte por ter ele.
– Calma Gabs, calma... Eu entendi. Fica calma, ta? Ta tudo bem agora. Conte-me quando achar que consegue falar, ta? — Ele disse, fiz que sim com a cabeça e voltei a chorar nos braços deles.
Chorei tanto que acabei dormindo nos braços de Andy. Só ele pra me acalmar e me fazer dormir. Acabei tento um sonho com Camilla.
– No Sonho -
Camilla e eu estávamos andando pela praia, junto com Andy e Thiago. Estava tudo normal até que a cena do estacionamento volta a acontecer. Daniella e Peter estavam perto de nossas coisas, se engolindo. Eu literalmente sai correndo dali, Andy apenas me seguiu, Camilla e Thiago tentaram expulsar eles dali. Quando os dois já estão longe de vista, me viro para Andy que estava gritando meu nome.
– Finalmente parou hein Gabs. — Disse ele, sem fôlego.
– Desculpa, só quis fugir daquela cena. — Disse limpando as lágrimas.
– Ei pequena, não chora por ele, às vezes a pessoa que realmente te ama pode estar ao seu lado e você não percebeu. — No mesmo segundo em que ele me disse isso, ele segurou levemente minha cabeça e me beijou. O beijo de Andy era suave, porém apaixonado, era gostoso beijar Andy.
– Andy... — Finalmente consegui dizer algo, ainda estava meio tonta depois daquele beijo incrivelmente bom.
– Pequena, eu te amo desde o dia em que você tropeçou em minha mochila, ralou os joelhos e começou a chorar. Você lembra? — rimos, claro que me lembrava, era a melhor lembrança de todo o mundo. Assenti e esperei ele continuar. — Bom, naquele dia eu acabei gostando de você. Continuamos juntos até hoje, ainda não lhe perdôo por ter escolhido aquele idiota — Me lembrei de Peter na hora, claro que ele não iria falar o nome dele. Continuou — mas foi sua escolha, eu entendo. Agora que isso aconteceu, posso estar parecendo meio 'ligeiro' de minha parte, mas gostaria de saber, você gostaria de namorar comigo Gabriela?
– Fim do Sonho -
No momento em que ele pediu isso, o sonho acabou me fazendo acordar.
Fale com o autor