My Life, My Mistakes, My Consequences.
1 Capítulo 1
30/12/2012. Aconteceu de novo, o dia estava até bom, acordei de 10 am, fui diretamente para o computador, nada de novo. Vi algumas episódios de Dexter e fui almoçar, tudo dentro da normalidade. No fim da tarde algumas primas minhas vieram, fazia tempo que eu as havia visto, elas eram o tipo de prima que conversam com a sua avó ou a sua mãe, quase a mesma faixa etária, mas não chegam a ser chatas. Uma delas eu cheguei a admirar, Beta é o seu nome, tem 58 anos, era médica e agora leciona para futuros médicos como ela foi, espera ansiosamente a aposentadoria. Uma mulher inteligente, interessada por antropologia, prometeu até mesmo me mandar alguns matérias pelo email. No inicio me sentir relutante em falar o que eu realmente quero como profissão, a antropologia faz parte de mim, mas com a minha mãe praticamente me obrigando a isso tive que contar, e ela entendeu, disse que era uma área muito interessante e que está sendo muito reconhecida, assim em constante expansão. Me cativou, é claro. Ela é exatamente o tipo de pessoa que eu pretendo ser, ao menos é o que eu notei nessa curta conversa na qual permaneci durante praticamente todo o tempo na função de observadora. Observar é bom, é fácil, não tem riscos e é produtivo. Quando elas foram embora, voltei para o computador. Meus amigos hoje iriam para a sorveteria, mais um passeio onde não fui convidada. Eu sou tão desagradável assim ? por que ninguém nunca me chama para nada ? provavelmente deve ser porque as pessoas não me notam. Da ultima vez que saimos, eu passei toda a tarde em silencio, ninguém conversava comigo, nem Vitoria, minha melhor amiga, aparentemente eles são melhores e mais legais que eu, são fodas, como ela diz. A única pessoa que falou comigo foi Arthur, um zero a esquerda, metido a rockeiro que ouvia forró até 1 ano atrás, sem personalidade, que endeusa o Cláudio, basicamente gay e acéfalo. Mas hoje em dia é isso né ? tudo puta e viado. Sem preconceitos contra os homossexuais, não tenho nada contra, em alguns pontos da minha vida cheguei até a pensar que eu era lésbica, os resultados foram inconclusivos, mas teriam que ser, nunca senti atração por ninguém, nem homem nem mulher, ninguém. Talvez eu seja vazia, excerto por algo chamado raiva, tristeza e carência. Isso eu realmente sinto e não acho que sejam impulsos. Felicidade eu sinto também, porém, está se tornando um pouco raro. Eu nunca cheguei a ser tímida, com vergonha de falar, mas parece que as coisas estão mudando, eu nunca consegui falar diretamente com as pessoas, principalmente se eu considerar uma importância futura nela, eu simplesmente travo, isso não deve acontecer, nunca aconteceu. Mas o que eu to falando ? isso é totalmente fora do contexto que eu segui. Hoje aconteceu de novo, só pra variar. Houveram mais gritos, mais discussões, nem parecia aquele cara gentil da tarde. As pessoas desaprenderam como é conversar civilizadamente, é impressionante isso. Aconteceram mais coisas hoje, eu pensei que havia superado, mas aparentemente não muito, as imagens voltaram, por que eu continuo imaginando a minha própria morte ? eu fico imaginando como as pessoas reagiriam, quem sentiria falta, o que alteraria no modo de vida das pessoas que me cercam, que diferença faria se eu morresse, imagino a casa sem as minhas coisas, a vida da minha família sem mim, o quão melhor seria se eu não tivesse existido, as coisas que melhoraram quando eu nasci, as poucas coisas. Isso pode ser saudável, um comportamento perfeitamente normal certo ? errado.
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