My Last Piece
9 Your hand fits in mine
Rose POV:
Ok, o que estava acontecendo? Era incrível como alguns minutos com Scorpius faziam com que eu me esquecesse de tudo, toda a história do trem, tudo que eu chorei, me sentia idiota agora, por ter reagido daquela forma, sempre me sentia idiota perto dele de alguma forma, mesmo que eu não quisesse que fosse assim. De repente, tudo aconteceu, os braços dele me envolvendo na escada, seus muitos sorrisos durante a nossa, seus olhos me encarando tão profundamente que me deixaram perdida, sua mão em meu rosto, nossos lábios quase colados mais uma vez. Pela primeira vez, agradeci por ter ficado naquela aula maldita por todos esses anos, e também, por nenhuma amiga minha ter aguentado.
– Vou precisar de um novo parceiro mesmo, já que Albus aparentemente me abandonou sem nem mesmo me avisar. – querendo ou não, ele era a única pessoa que eu conhecia o suficiente para sentar junto naquela aula. As aulas de adivinhação nem ao menos tinham começado, mas o fato de ele escrever uma carta, mesmo que visivelmente terrível por fora, me surpreendera, não era a cara de Albus, eu podia imagina-lo simplesmente fugindo da aula, mas não escrevendo uma carta de despedida para a professora Trelawney, que a propósito agora começava a acender vários incensos pela sala.
– Desculpa por te ter feito ficar, agora você esta nessa situação e sei que provavelmente odeia adivinhação. – acabei tossindo no final da frase por culpa do incenso.
– Não precisa se desculpar, eu quis ficar. – ele disse erguendo os lábios em forma de sorriso, um sorriso que indicava que estava tudo bem. – Essa aula é bem legal, é bem... Exótica. – nós dois rimos. Eu era obrigada a admitir que estava mais do que feliz em ter Scorpius ali comigo, era bom não ter que inalar incenso sozinha. Pessoas começaram a chegar para a aula.
– Temos que ir para uma das mesas com bola de cristal, Trelawney não vai nos deixar ficar aqui e se não irmos agora, depois a sala vai encher. – eu disse levantando. Scorpius pegou a garrafa de suco pela metade e a guardou em sua mochila, depois disso fomos para uma das mesas mais ao fundo. Essa era ainda mais pequena, era redonda e tinha apenas espaço para uma bola de cristal, Scorpius e eu ficamos praticamente grudados lado a lado com o espaço que tínhamos ali, pra ser mais específica, nossas cadeiras estavam encostadas uma na outra.
Scorpius POV:
Aquela era uma situação bem estranha, no bom sentido eu acho. Rose e eu espremidos em uma mesa enquanto uma quantidade exagerada de incenso se espalhava pela sala que aos poucos se enchia de alunos. O fato de nossa mesa ser no canto e no fundo, não dava a professora uma ótima visão de nós dois, assim podíamos não prestar atenção na aula e até conversar sem que ela percebesse, com cautela é claro. O que mais me surpreendeu foi ver aquela sala lotada de gente para uma aula tão sem sentido, fazia mais de dois anos que eu não assistia a uma aula de adivinhação e quando aquela aula começou, tinha certeza de que havia feito a escolha certa em deixar aquela matéria para trás. Trelawney nos orientou que deveríamos começar a aula tentando realizar uma previsão dupla, ou seja, colocar cada um uma mão na bola de cristal e depois de alguma forma adivinhar o futuro. Rose colocou a mão esquerda e eu a mão direita, ficamos um minuto em silêncio daquele jeito, nada aconteceu.
– Me sinto uma idiota fazendo isso. – Rose disse.
– Somos dois. – concordei rindo. Olhei para o lado e percebi que agora Trelawney estava passando nas mesas para verificar os resultados de cada dupla, já estava na mesa ao lado, quase na nossa.
– E aqui, o que temos para o futuro? – ela perguntou enquanto parava em frente a nossa mesa. Eu e o Rose nos entreolhamos.
– Vejo muita loucura. – respondi a primeira coisa que consegui inventar.
– Loucura? – a professora questionou.
– Isso mesmo. – confirmei. Ela se aproximou do meu rosto e pude sentir um leve bafo de álcool vindo de sua boca, aquele talvez fosse o momento mais desagradável de todos e só piorou quando ela voltou a falar, quase cuspindo palavras em minha cara.
– Essa é uma previsão muito vaga, garoto. – ela disse finalmente afastando a cara. – Se aproximem mais da bola, vamos vocês dois. – Rose e eu inclinamos nossas caras devagar para mais perto da bola de cristal. – Agora coloquem as mãos. – colocamos as mesmas mãos de antes, Rose a esquerda, eu a direita, porém quando eu me mexi para posicionar minha mão direita no cristal, minha outra mão, a que permanecia do outro lado da mesa, fora da visão de Trelawney e ao lado da mão direita de Rose acabou encostando-se à dela que ali também estava. Não quis afastar, gostava de sentir que ela estava ali comigo, mas Rose foi ainda mais fundo do que eu, senti seus dedos se entrelaçando aos meus e de repente estávamos de mãos dadas, ela me encarou e sorriu, fiz o mesmo, e enquanto Trelawney falava sem parar.
– ...E isso faz com que possamos concluir que o futuro próximo trará coisas boas, não só para um de vocês, mas para os dois, por enquanto é tudo o que eu vejo, não cruzem a linha longe de mais se não as coisas boas poderão ir embora. – ergui as sobrancelhas sem dizer nada, Rose estava novamente segurando a risada.
O resto da aula não foi muito diferente, Trelawney passou exercícios cada vez mais esquisitos e nós fomos não adivinhando nada todas as vezes, a parte boa é que permanecemos com os dedos entrelaçados durante toda a aula.
Quando acabou, esperamos todos saírem da sala, a professora ficou lá, mas ela parecia estar viajando por algum lugar fora do mundo então nos arriscamos a sair de mãos dadas, mesmo com sua presença, e como esperado, ela não notou nada.
Fomos caminhando assim, em silêncio, acho que nenhum de nós dois queria estragar aquilo de alguma forma, o problema é que depois de descermos as escadas e chegarmos até os corredores normais da escola, sabíamos que tínhamos que seguir caminhos diferentes.
– Tenho transfiguração agora. – falei indicando que teríamos que nos separar, por mais que eu não quisesse. Transfiguração era aula obrigatória e essas aulas eram sempre dividas entre duas casas, as únicas em que eu poderia ver Rose seriam Defesa contra as artes das trevas, Poções e Feitiços, que eram as aulas dividas entre Grifinória e Sonserina. Nas aulas opcionais eu sabia que tínhamos algumas em comum, já que nós dois fazíamos a maioria das opções.
– E eu tenho herbologia. – ela comunicou. O corredor estava quase vazio, isso significava que nós dois estávamos provavelmente atrasados para nossas aulas. Rose apertou minha mão, e eu correspondi o aperto, indicando que eu não queria solta-la e ela parecia querer dizer a mesma coisa com o gesto. Não sabia o que fazer agora, mas sem querer nós dois fomos soltando as mãos juntos, ficando apenas de frente um para o outro, eu era um pouco mais alto do que Rose, seu queixo batia um pouco abaixo do meu ombro. Aproximei-me dela e dei um lento beijo em seu rosto.
– Até depois, Rose. – disse sorrindo e começando a dar passos de costas para trás, para não perder a visão dela. Ela riu e depois se virou para ir em direção a sua aula, fiz o mesmo para a direção contrária, quando estava no fim do corredor, me virei novamente e gritei. –Ei, Weasley! – no lado oposto do corredor ela se virou e pude enxergar sua expressão me encarando, esperando que eu falasse o que eu tinha para falar. – Vai naquela festa sábado? – perguntei.
– Com certeza. – ela respondeu no mesmo tom, depois se virou e seguiu seu caminho, virando a curva no final do corredor. Sorri e também segui caminhando.
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