Scorpius POV:

Acordar cedo em uma segunda-feira depois de um final de domingo horrível talvez fosse uma das piores sensações que eu havia sentido na vida. Albus estava no seu bom humor habitual quando me acordou.

– Acorda logo Scorpius, deu alguma merda com nosso despertador, vamos chegar atrasados, mas quanto menos atrasados melhor. – ele disse apressado. Abri meus olhos e comecei a esfrega-los, antes mesmo de eu poder raciocinar o que estava acontecendo senti um travesseiro bater em minha cara. – Rápido!

Rose POV:

Quando acordei na manhã seguinte ao desastre, somente Scarlett estava no quarto outra vez, sabia que aquilo tudo estava sendo meio que planejado por ela e Roxe, queriam que eu e Domi esfriássemos a cabeça antes de nos encontrarmos novamente. Para começar bem aquela segunda teríamos duas aulas de defesa contra as artes das trevas, estava nervosa porque essa era uma das aulas que tínhamos junto com os alunos da Sonserina. Arrumei-me no mesmo estilo de sempre e coloquei as vestes da Grifinória por cima de minha roupa.

– Scar você não vai se importar em ter que ser minha dupla hoje, vai? – perguntei me sentando na cama a espera dela. Defesa contra as artes das trevas era uma das aulas em que tínhamos que sentar em duplas nas mesas, Domi sempre fora minha dupla, e Scarlett a de Roxe, precisava ter certeza de que ela não se sentia incomodada com tudo aquilo.

– Rose, você sabe que você é uma das minhas melhores amigas, Roxe e eu entendemos toda essa situação, vocês fariam o mesmo por nós. – e era verdade, precisava admitir que nós formávamos um ótimo quarteto.

– Estou pronta! Vamos? – Scar disse indo em direção a porta, eu a segui.

Scorpius POV:

Joguei tudo por cima de mim o mais rápido que consegui: calça, camisa, gravata, suéter e vestes da Sonserina por cima. Esperava-se que Albus já estivesse pronto por conta de sua pressa, mas ele ainda estava no momento vaidade arrumando seu cabelo em frente ao espelho do quarto.

– Não temos tempo para se importar com o seu cabelo Albus. – tinha moral para falar isso, pois o meu estava extremamente bagunçado e era assim que iria ficar naquela manhã.

– Scorpius você já escovou os dentes? – Albus perguntou.

– Já, não precisa tentar ser a minha mãe.

– Só conferindo, mais tarde se tudo der certo pro seu lado talvez você não me acuse tanto por checar isso. – ele disse se virando do espelho para mim e sorrindo. – Anda logo Malfoy, temos uma aula para não faltar. – saímos correndo então do dormitório, em direção à sala de defesa contra as artes das trevas.

Rose POV:

Ao chegarmos à sala, pude enxergar Domi e Roxe sentadas na segunda mesa da fileira da esquerda, Roy estava sentado sozinho na última mesa da fileira da direita e também parecia observa-las. Fomos obrigados a passar por ele e acabamos nos sentando no meio da fileira da direita, umas cinco mesas à frente de Roy, a sala já estava quase cheia, havíamos pegado uma das ultimas mesas livres, olhei ao redor procurando Scorpius, mas novamente não o encontrei.

– Ele não está aqui... – disse sem saber o que sentir, não tinha nenhuma certeza de nada, odiava ficar confusa daquele jeito, meus olhos seguravam as lágrimas mais uma vez.

– Calma, não há necessidade de chorar em uma segunda de manhã. – Scar disse segurando meu pulso, não tão forte. – Tudo vai ficar bem, quanto menos você chorar melhor.

– Bom dia turma! – nosso professor de defesa contra as artes das trevas, Dean Cranston, nos cumprimentou enquanto entrava na sala e fechava as portas.

Scorpius POV:

Corremos o mais rápido que pudemos, mas já estávamos provavelmente uns 20 minutos atrasados para a aula. Quando chegamos até a sala Albus abriu a porta com tanta força que imediatamente todos olharam para nós.

– Algo a declarar? – o professor Cranston perguntou.

– Estamos atrasados. – Albus falou.

– Obrigado pela informação. – disse Cranston olhando ao redor da sala. – Parece que não temos mesas disponíveis para os dois então Potter pode se sentar com Flint na fileira da esquerda e Malfoy pode se juntar ao Finnigan na ultima mesa da fileira da direita. – eu meio que congelei ao ouvir aquelas palavras, tudo que eu menos queria era sentar com o cara que havia gerado a confusão da noite passada.

– Posso sentar com ele se você quiser. – Albus cochichou como se ninguém estivesse observando.

– Está tudo bem. – respondi rapidamente e me dirigi até a mesa de Roy. Ele estava sentado na cadeira do corredor então tive que dar a volta para poder me sentar.

– Sem mais interrupções, eu espero, acho que podemos continuar a aula. – Cranston falou e voltou a falar sobre o que quer que estivesse falando antes. Cranston era um professor legal, nos dava aula desde sempre e diziam que havia chegado em Hogwarts logo depois da guerra, vindo dos Estados Unidos.

– Incrível como essas coisas acontecem. – Roy disse e eu tentei agir como se não tivesse levado um susto.

– Essas coisas o que? – perguntei.

– Coincidências. – ele respondeu. – E já que isso aconteceu, vou aproveitar para conversar com você.

– Acho que não temos muito para conversar.

– Ah nós temos sim. – Roy disse. – E futuramente você provavelmente vai me agradecer por essa conversa.

– Incrível como algumas pessoas conseguem ter tanta autoestima. – falei.

– Muito engraçado Malfoy, mas vamos direto ao assunto. – ele falou. – Sei que você é apaixonado pela Rose e tudo mais, só quero deixar bem claro que não tenho nenhum interesse por ela, nós nos beijamos sim, se ela não te contou isso não é mais da minha conta, mas só nos beijamos porque ela estava um tanto quanto devastada por sua culpa, tenho certeza que não significou nada para ela. – Roy contou, eu permaneci calado. – Não quero me meter na vida de ninguém sem ser chamado, mas se você pretende ignorar ela deveria mudar de ideia e parar de fazer coisas por conta dessas fofocas e birrinhas.

– Tudo bem cara, não precisa falar tudo isso dessa forma agressiva. – eu interrompi, pois parecia que Roy estava ficando cada vez mais furioso enquanto falava, como se algo estivesse o incomodando muito, não havia motivo para falar daquele jeito.

– Você a ama? – ele perguntou. – Rose, eu quero dizer.

– Já faz algum tempo. – contei, estava começando a não gostar do rumo que aquela conversa estava levando.

– Como tem tanta certeza disso?

– Não sei, são varias coisas eu acho. – respondi. – De alguma forma eu sei que amo, ou talvez seja porque eu penso nela todos os dias, pelo uma vez por dia, geralmente mais do que uma, mas acho que quando a pessoa está na sua cabeça todos os dias é porque você ama ou odeia muito ela, e não tem como odiá-la então sei que é o oposto disso. – eu falei. Roy não disse nada, inclusive, permaneceu em silêncio pelo resto das duas aulas.