My Last Piece

18 If I could turn back in time


Notas iniciais
Capítulo com POV só da Rose

Rose POV:

– Acho que você não é a melhor pessoa para me falar sobre respeito. – Dominique disse. Eu quase já não prestava mais atenção, estava olhando fixamente para onde Scorpius antes se encontrava, apenas Albus estava lá, ele me encarava com a mesma expressão de desentendimento, provavelmente também não sabia para onde Scorpius fora. – O gato comeu sua língua? Ou finalmente você entendeu que a culpada aqui é você? – ela continuou, eu estava pronta para revidar quando senti dois braços me puxarem para trás, infelizmente não eram os braços que eu queria.

– Já chega! – a voz da nossa professora de Transfiguração invadiu o recinto, silenciando qualquer cochicho ao nosso redor e me impedindo de continuar aquela discussão. – Todos, por favor, voltem a fazer o que estavam fazendo. – ela ordenou e aos poucos as pessoas foram se virando de volta as suas mesas. – E vocês duas, por favor, me sigam. – sem olhar para a cara de Domi comecei a andar atrás da professora, só desejando que aquilo tudo acabasse logo. Andamos até chegarmos a um corredor vazio, ali mesmo no primeiro andar. – Quero me escutem com atenção. – ela pediu, não dissemos nada. – Não sei o que aconteceu entre vocês duas, mas isso é assunto de vocês e de mais ninguém, então por gentileza não causem outro alvoroço como esse.

– Professora, permita-me dizer que quem começou com tudo isso foi ela e não eu. – Domi interveio.

– Não me interessa como isso começou. – a professora logo respondeu. Eu olhei com certa cara de raiva para Dominique, ela havia com certeza ido além dos limites. – Estão liberadas. – ao ouvir isso, apressei meu passo para ir o mais longe possível daquela sala. Não queria voltar ao Salão Principal, estava com fome, mas isso não importava agora, Scorpius provavelmente deveria ter voltado para o dormitório, a verdade é que eu não fazia ideia, estava com um pouco de medo do fato de ele ter sumido tão repentinamente. Nem sabia para onde estava andando, talvez eu continuasse andando até esbarrar em uma parede, para meu azar, ou minha sorte, esbarrei em alguém primeiro.

– Rose! – o sujeito disse antes mesmo que eu pudesse me desculpar, mais uma vez não era quem eu realmente esperava.

– Albus. – falei, me segurando nele para não cair. Ele me ajudou a ficar de pé. – Onde está Scorpius? – perguntei.

– Ele foi para o Salão Comunal no meio de... hã... Tudo aquilo que aconteceu. – Albus falou.

– Você falou com ele? Ele disse alguma coisa? – perguntei preocupada.

– Acabei de falar com ele, não estava muito no clima de conversar, voltei para pegar um pouco de comida para ele já que ele ainda não tinha comido muito, comer sempre ajuda. – disse Albus. Obviamente Scorpius estava me odiando agora, não sabia o que fazer, queria me sentir culpada, mas a raiva que eu sentia por Dominique não me fazia sentir como se aquilo tudo fosse culpa minha, ainda não conseguia acreditar que ela havia feito, eu tomei a atitude de me levantar, pois sabia que ela era impulsiva, mas não ao ponto de humilhar sua melhor amiga em público. Sem saber o que fazer agora, me encostei-me à parede e fui me arrastando para baixo até sentar no chão.

– Rose você está bem? – Albus perguntou se agachando em minha frente e me encarando.

– Estou ótima. – menti.

– Não faz bem mentir para quem é da família. – ele disse se sentando ao meu lado.

– Da última vez que eu alguém sentou do meu lado e tentou me consolar, acabei beijando a pessoa e depois sendo humilhada em público. – falei com um tom de ironia.

– Quem disse que estou tentando te consolar? E garanto que não quero beijar você. – Albus disse.

– O que está fazendo aqui então? – perguntei.

– Verificando o estado emocional da minha prima, posso não estar te consolando, mas como um ótimo primo e amigo não iria deixar você chorando por ai nos corredores. – Albus disse virando o rosto para me encarar.

– Não estou chorando. – disse também me virando para ele.

– Ainda. – ele abriu um sorriso, e por alguma razão senti uma lágrima cair de meus olhos. – Como ainda sou uma ótima pessoa vou te oferecer um abraço, não precisa levar para o lado da consolação. – ele disse abrindo os braços. Da última vez que eu havia aceitado um abraço desses, meu mundo basicamente desmoronou depois, mas Albus, apesar de tudo, era uma das pessoas em que eu mais confiava no mundo. Sem hesitar, me deixei cair em seus braços e as lágrimas começaram a cair. – Está tudo bem Rose, conheço Scorpius há sete anos e se eu tenho certeza de uma coisa, é que ele é louco por você, nunca esteve tão determinado a te conquistar como nesse ano. – não disse nada, Albus me apertou com um pouco mais de força, essa era sua tentativa de me transmitir segurança. – Você não foi a única humilhada hoje, Scorpius também está se sentindo mal com tudo isso, ele provavelmente achava que era totalmente único para você, eu sei que ele é e que o que quer que tenha acontecido com esse tal de Roy não passou de um simples acontecido, tudo vai se resolver é só ter calma. – por incrível que pareça, Albus era uma pessoa extremamente inteligente.

– Albus? – o chamei, ainda com a cara cheia de lágrimas escondida em seu ombro.

– Eu?

– Talvez você seja uma ótima pessoa. – falei.

– Talvez. – ele disse. – Mas agora o tempo de choro acabou. – dizendo isso ele me deu um beijo na testa e soltou nosso abraço, logo se afastando, levantando e estendendo a mão para que eu levantasse também. – Você não aparenta bem com lágrimas no rosto, e sinto muito, mas terei que exigir que você vá até a cozinha comigo, porque sua expressão pálida indica fome profunda. – segurei a mão dele e ele fez um pouco de força com o braço para me levantar.

– Meu jantar foi meio que interrompido.

– Isso é um problema, se existe uma coisa que eu levo a serio, essa coisa é comida, não aceitaria de jeito nenhum ter uma refeição interrompida. – Albus disse me fazendo soltar uma leve risada enquanto começávamos a caminhar em direção a cozinha de Hogwarts.

Albus foi o caminho todo tentando me alegrar, mesmo que não admitisse, ele contava desde piadas até histórias engraçadas, curtas histórias que conseguiam colocar meu humor incrivelmente para cima. Ao chegarmos em frente ao quando de acesso a cozinha, estendi a mão para fazer cócegas no pêssego abria a passagem, mas Albus me impediu, afirmando que aquele era seu hobbie favorito, e então fazendo cócegas no pêssego. Entramos e logo um elfo se dirigiu até nós.

– Como posso ajuda-los? – ele perguntou.

– Vamos querer dois pratos Albus para viagem. – Albus pediu e o elfo se retirou como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

– Pratos Albus? – perguntei erguendo as sobrancelhas e encarando Albus.

– Eu que inventei, contém o básico de comida, não tem como não matar a fome. – ele contou, e eu preferi nem questionar aquilo. Alguns minutos depois dois elfos surgiram em nossa frente, um trazendo dois recipientes descartáveis fechados e outro duas garrafas de suco de abóbora gelado. Albus pegou um recipiente e um suco e eu peguei os outros dois. – Muito obrigado. – ele agradeceu, os elfos assentiram com a cabeça e se retiraram, nós fizemos o mesmo.

Seguimos conversando pelos corredores até chegarmos a um ponto onde éramos obrigados a seguir caminhos diferentes.

– Acho que é aqui que nos despedimos, Weasley. – Albus disse parando de andar.

– Vejo você por ai então, Potter. – falei.

– Tudo vai ficar bem, não se preocupa. – dizendo isso Albus se virou repentinamente e seguiu o caminho até seu Salão Comunal. Eu confiava nele, só não sabia como podia ter tanta certeza, naquele estado eu não conseguia ver nada dando certo em minha mente.