My Last November
2 Fireproof
Notas iniciais
Mavie Pov's
Só quem já perdeu alguém muito próximo sabe do que estou falando, ou simplesmente o que estou sentindo. De primeiro momento me perguntei se era algum tipo de piada de mal gosto. Me neguei a acreditar que era real. Então uma súbita raiva me invadiu. Não conseguia compreender o por quê daquilo. Por que comigo, por que a minha mãe, por que...
E aí veio o desespero. Percebi que estaria sozinha a partir dali, que não teria mais minha mãe me guiando. Nem sequer tive a oportunidade de dizer a ela tudo o que gostaria, que sentia. Logo, o ar faltou em meus pulmões. De repente me senti vazia. Tão vazia quanto um balão. Lágrimas já encharcavam meus olhos.
Então eu corri. Corri para o meu refúgio. Aquele lugar em que eu me sentia mais feliz. A biblioteca.
[...]
Encolhi-me num canto. Meu mundo havia se despedaçado numa questão de uma fração de segundos. Afundei meu rosto entre as minhas pernas afogando-me em minhas lágrimas.
– Ei, o que aconteceu? — Perguntou uma voz distante.
– Vá embora! — Disse entre soluços. — Você não tem ideia do.. — Não consegui terminar o que estava dizendo. Tudo em volta girava, estava ficando sem ar, a visão turva. Sentia-me como se estivesse me afogando, a água apenas esperando eu parar de desistir para invadir meus pulmões e levar-me.
– Meu Deus! — Gritou o rapaz. — Você está tendo um ataque de pânico!
– Me ajude, por favor! — Disse com certo esforço.
Fechei os olhos com força. E então tudo se acalmou. A respiração voltou ao normal, meus sentidos se normalizaram, mas o coração ainda batia acelerado.
Foi ele. Ele parou o ataque de pânico. Ele me beijou.
Abri os olhos lentamente com certo medo. Ele estava ajoelhado em frente a mim, assustado. Pude analisá-lo. Olhos e cabelo castanho escuro. Nariz perfeitinho, boca pequena, mãos grandes. Usava camisa xadrez, calça jeans e all-star. O cabelo era bagunçado, mas uma graça.
– Eu.. Li uma vez que quando prendemos a respiração, paramos o ataque de pânico...
– Menino esperto... — Ri. Ele retribuiu um sorriso.
Mas então acabou. Tudo desmoronou novamente quando me lembrei do acidente que minha mãe sofreu.
– Eu preciso ir mesmo... Sério, me desculpe. — Já ia saindo quando parei na porta. — ... E obrigada. — O rapaz apenas acenou. Meu pai. Precisava ver meu pai.
[...]
O encontrei na sala. Estava sentado no sofá. Cabeça baixa. Seu rosto estava avermelhado, provavelmente havia chorado muito. Me senti péssima por ele e por tudo aquilo. Novamente instalavam-se em minha mente zilhões de "por quês". Sentei-me ao seu lado.
– Vai ficar tudo bem, vamos superar isso... — Disse ele com esforço. Sua voz transpassava uma calma forçada. Uma calma para me acalmar.
– Pai, não precisa se fazer de durão... Sei que está sofrendo tanto quanto eu... — Afaguei seu rosto. Uma lágrima escorreu. Abracei-o forte.
– Ah, minha pequena... Sempre sendo a âncora da família... — Me olhou com compaixão, os olhos contendo as lágrimas. — Você será uma mulher incrível, assim como a sua mãe... Sei que fará a diferença onde for, e será uma pequena luz para esse mundo. — Acabei me emocionando e deixei rolar uma lágrima.
– Por favor me prometa que eu não vou te perder também... — Soltei, e desabei entre lágrimas o abraçando cada vez mais forte.
– Eu te prometo filha, eu nunca te abandonarei.
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