My Last Memory!NewYork
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O teatro ficou em silêncio por alguns instantes. Guii pegou seu casaco – que por sinal, ainda estava sujo de comida – e, sem dizer uma palavra, foi embora. Pegou outro táxi e voltou para o apartamento, onde Toneide dormia no sofá.
— A Toneide ainda tem essa mania de dormir em qualquer lugar que estiver?
— É. Se ela estiver em um esgoto e sentir sono, vai dormir lá. – Meiko zombou. Ela estava escrevendo a melodia de sua próxima música em um caderno pautado, no chão. A metade de uma folha já estava preenchida com várias colcheias, fusas, semibreves e mínimas.
— Cadê a Sophie, Gegaito, Lucky e Gee? – O moreno perguntou. – Você está sozinha?
— Claro que não estou sozinha. O Gasparzinho está aqui me fazendo companhia. – Meiko revirou os olhos. O Gegaito foi levar a Sophie no Maid Café da Lola no novo carro dele. Hunf, aquele garoto faz de tudo para aparecer.
— Ele comprou um carro? – Guii sentou-se no outro sofá preguiçosamente.
— Comprou. Não sei com que dinheiro, mas comprou. – Ela disse. – O Lucky e o Gee foram em um sebo comprar quadrinhos. Fala sério, que infantilidade.
— Pensei que eles se odiavam.
— Eu também, mas parece que eles têm bastantes coisas em comum. Tirando o fato de me amar, é claro. – A morena disse, rindo. Guii revirou os olhos com o comentário final. – Então, foi lá no teatro?
— Fui, e errei na parte final da minha audição. – O garoto disse com um tom de irritação. – Eu devia treinar mais em vez de confiar demais no meu talento.
Meiko riu ao ouvir a palavra “talento”, mas Guii preferiu ignorar. Saiu do sofá e deitou-se no chão ao lado da morena.
— Você vai cantar essa música no parque?
— Talvez. Não sei se devo ficar cantando nos mesmos lugares. – Ela disse. – Aliás, nem sei se devo cantar em lugares públicos.
— Pode sim, ué. Se for pra ganhar dinheiro, não importa a maneira. – O menor respondeu. Fluffy despertou de seu sono e, miando, pulou na barriga do garoto.
— Cara, que frase de prostituta. – Os dois riram.
O clima estava tenso na sala de Annie. Louis estava em pé na frente da mesa da mulher, que analisava silenciosamente as fotos do teste de Toneide. Os olhos azuis que se escondiam atrás dos óculos escuros de Annie se moviam rapidamente, observando cada detalhe minuciosamente. Louis ocultava suas mãos trêmulas atrás de seu corpo, preocupado se receberia alguma crítica sobre seu modo de supervisionar as novatas nos testes. Nenhum barulho conseguia atrapalhar a análise. Nem o vento batendo nas grandes janelas de vidro que estavam atrás de Annie, e nem os pássaros que insistiam em cantar naquele dia morno.
Annie finalizou sua análise estendendo as fotos sobre sua mesa e fitou Louis com o semblante sério.
— Fico feliz por não ter me desapontado. – A voz rígida de Annie soou como música aos ouvidos de Louis, fazendo suas mãos cessarem o tremor. – Diga à Antonieta que ela foi aceita.
— Obrigado, Senhora Annie. – Louis disse. – Me deixa muito aliviado saber que não a desapontei.
Após isso, Louis saiu da sala de Annie fechando a porta dupla de madeira nobre que se estendia até o teto. Toneide, Patch, e Ângela esperavam ansiosos pela notícia, do lado de fora.
— E então? – Toneide perguntou aflita. Louis sorriu docemente.
— Você foi aceita.
— AH, SABIA QUE VOCÊ CONSEGUIRIA, TONEIDE! – Ângela abraçou a garota com força. – Vamos ser ótimas amigas de trabalho!
— Parabéns. – Patch disse, puxando Toneide para um abraço apertado. Havia uma pequena mancha vermelha no bracelete de espinhos do garoto-punk.
— Obrigado, gente. – A ruiva disse, com um sorriso esboçado na boca. – Que tal irmos até a lanchonete pra comemorar?
— Bom, já fiz todo meu trabalho de hoje. Acho que posso ir. – Louis disse.
— Eu também, todas as informações necessárias para o dia de hoje estão no mural. – Ângela disse, fazendo Toneide questionar a existência de um mural onde ficavam as informações.
— Também posso, meu único trabalho de hoje era tirar as fotos pro teste. – Patch disse, segurando sua câmera Polaroid que estava pendurada em seu pescoço.
— E o Luka? – Toneide perguntou. – Onde ele está, mesmo?
— Ele foi pra casa. Sempre que ele termina o trabalho, já vai embora sem falar nada. – Louis cruzou os braços e revirou os olhos.
— Ah... Então só vamos nós, mesmo. – A ruiva disse, pendurando sua bolsa no ombro.
Gegaito destravou as portas do carro. O silêncio que preenchia o automóvel perturbava o loiro e Sophie, que passaram a viagem intera sem dizer uma palavra. Eles não tinham nenhum assunto. Sophie nem sabia se devia confiar demais em um garoto que conheceu tentando matá-la. Ela queria acreditar que ele tinha mudado, e, de alguma forma, Gegaito conseguia demonstrar exatamente isso.
— Obrigada. – Sophie disse, abrindo a porta.
— De nada. – O loiro respondeu. – Quer que eu vá com você?
— Não precisa. Voltarei com a Lola, de táxi. – Ela disse, fechando a porta e debruçando-se sobre a janela aberta. – Se quiser vir, não tem nenhum problema.
— Bom, não estou fazendo nada mesmo. – Gegaito abriu a porta de seu carro e foi até o lado de Sophie. Encarou primeiramente a grande placa verde onde estava escrito “Eat Me” com letras brancas e um gato em cima da letra M, que ficava no topo das portas de vidro. Os dois entraram, e Sophie já podia observar Lola atendendo um cliente.
— Em que posso ajudar? – Helena aproximou-se dos dois, aparentemente surpresa por uma garota ser tão parecida consigo. Uma mancha vermelha estava bem aparente no seu vestido azul.
— Ah, olá! – Sophie puxou uma cadeira delicadamente e depois se sentou. – Eu vim falar com a Lola, mas já que ela está ocupada... Será que você poderia me trazer uma porção de pão de queijo e uma xícara de chá indiano?
— Sim senhora. – Helena anotou em sua caderneta em formato de coração e voltou sua atenção à Gegaito, que olhava maliciosamente para o uniforme da maid. – E o senhor, o que vai querer?
— Torradas e um pouco de café. – O loiro respondeu, corrigindo sua postura na cadeira. Sophie apenas esperava Lola terminar de atender o cliente para poder conversar com a mesma, mas parecia que isso ainda iria demorar. Gegaito tocou sorrateiramente na mão da morena, que estava por cima da mesa. Ao sentir o toque, Sophie virou o rosto para o loiro que andava com um estranho sorriso no rosto.
— O que foi? – Sophie perguntou, recolhendo sua mão de volta antes que o mesmo a tocasse novamente.
— Faz um tempo que nós não conversamos. – Ele disse, fitando o rosto delicado de Sophie – que, por sinal, parecia expressar um pouco de irritação – Acho que esta é a hora perfeita pra colocarmos a conversa em dia.
— Gegaito, não temos nada para conversar. Você apenas me ofereceu uma carona e eu aceitei. – A morena pigarreou. – E nem venha com esse sorriso safado na cara.
— Para uma dama, você está bastante chata. – Ele suspirou, apoiando sua bochecha em seu punho fechado. Os dois nunca conversavam, apenas preferiam ignorar a presença um do outro quando estavam por perto.
— Não estou chata, só prefiro não conversar com você. Não temos assuntos. – Ela deu de ombros.
— Como sabe que não temos assuntos se não sabemos nada um do outro? – O loiro sorriu novamente, dessa vez um sorriso debochado. Helena interrompeu os dois quando pousou a bandeja com os pedidos na mesa, e retirou-os um por um.
— Algo mais?
— Não, só isso. Muito obrigada. – Sophie pegou um pão de queijo e mordeu-o. Helena virou-se para Arya, que tentava limpar uma mancha vermelha de sua luva branca.
— Eu gosto de chá. – Gegaito começou.
— Eu também. Gosto de ler.
— É, eu também. Gosto de irritar a Meiko. – O sorriso de Gegaito tornou-se mais safado, como se estivesse imaginando coisas pervertidas.
— Não gosto de irritar ela. Irritar as pessoas é falta de educação. – Sophie segurou a xícara de chá e levou-a até a boca. Terminou o primeiro gole e percebeu que Lola ia animada ao encontro da mesma. – LOLA-CHAN!
— SOPHIE-CHAN! – Lola abraçou-a fortemente, com um sorriso alegre no rosto. No mesmo instante, o sorriso de Gegaito sumiu. Aproveitando a distração, o loiro retirou um pequeno pacote de papel do bolso de sua jaqueta e, abrindo-o, despejou uma espécie de pó esverdeado no chá da morena que estava dentro do pequeno envelope. Na camiseta branca de Gegaito, podia-se ver uma mancha vermelha que se estendia à baixo, como se fosse uma gota d’água escorrendo.
Meiko estava no Central Park com sua guitarra. Ela não sabia o porquê, mas gostava de cantar em público. Parecia o único meio de acalmar seus neurônios estressados. Sentou-se no banco em que estava acostumada à cantar e pousou a guitarra em seu colo.
Na escuridão de um coração,
Onde tudo o que há é só ilusão,
acabo caindo e acordando no frio
Sozinha e ainda presa apenas por um fio.
-
Buracos sem final espalhados pelo chão
Promessas vazias que se ocultam na escuridão
Pássaros negros que voam pelo céu
Corações rasgados feitos de papel
-
Fuja da escuridão, fuja da escuridão
Antes que as trevas peguem seu coração!
Corra, corra o máximo que você puder,
antes que o Cupido te acerte com quantas flechadas...
Quiser!
-
Corra na direção da luz...
Antes que o Cupido te acerte!
-
Na escuridão de um coração,
Onde tudo o que há é só ilusão,
acabo caindo e acordando no frio
Sozinha e ainda presa apenas por um fio.
-
Buracos sem final espalhados pelo chão
Promessas vazias que se ocultam na escuridão
Pássaros negros que voam pelo céu
Corações rasgados feitos de papel
-
Corra na direção da luz...
Antes que o Cupido te acerte!
-
Corra na direção da luz...
Antes que o Cupido te acerte!
E quando Meiko ia cantar o refrão mais uma vez, Gee e Lucky surgem (cada um com uma guitarra), e cantam no ritmo.
Fuja da escuridão, fuja da escuridão
Antes que as trevas peguem seu coração!
Corra, corra o máximo que você puder,
antes que o Cupido te acerte com quantas flechadas...
Quiser!
-
Corra na direção da luz...
Antes que o Cupido te acerte!
Meiko parou de cantar e percebeu que a case de sua guitarra estava cheia de dinheiro novamente. Fitou Gee e Lucky que sorriam felizes.
— Como sabiam a letra? – Meiko perguntou, surpresa.
— O Guii entregou pra gente um caderno onde tem várias músicas escritas. Aí decoramos algumas e viemos aqui cantar contigo. – Lucky passou seu braço por cima do ombro de Meiko, com um sorriso típico de um adolescente galanteador.
— Ah, tinha que ser ele. – Meiko revirou os olhos.
— E aí, garota. – O mesmo cara que estava encapuzado na primeira vez que Meiko cantou no Central Park aproximou-se, retirando o capuz e revelando sua face. Ele tinha cabelos negros e olhos verdes, que encantaram Meiko logo na primeira vez. O homem era bastante alto, e tinha uma pequena cicatriz abaixo de seu olho direito, que – na opinião de Meiko – apenas reforçava ainda mais a virilidade do mesmo. Ele tinha o porte musculoso.
— Ah, quem é você? – Meiko perguntou de início. Dar liberdade a pessoas que mal acabou de conhecer era uma das coisas que Meiko prezava em não cometer. Pendurou a case de sua guitarra no ombro, aguardando a resposta do homem. Uma coisa que chamou a atenção de Meiko era uma mancha vermelha por cima de um pássaro branco que estava desenhado na jaqueta de couro do homem.
— Paul. Paul Snow. – Ele deu um meio sorriso, fazendo algumas garotas que passavam por ali pararem um pouco para admirá-lo.
— Sou Meiko. – A morena disse, retirando uma mecha de cabelo que impedia sua visão na frente do seu rosto. – Maneira sua cicatriz.
— Tenho outras. – Ele riu. – Mas não posso mostrar as outras em público, se é que me entende.
— É... Desculpe interromper a conversa de vocês... – Um homem aproximou-se. – Você gostaria de assinar um contrato com uma gravadora?
— Não sei se tenho talento pra isso. – Meiko revirou os olhos, detestado o fato de ter sido interrompida em uma das conversas que poderia render um pouco mais de assunto.
— Com certeza você tem. – Paul disse. Meiko deu um meio sorriso como agradecimento. Gee e Lucky aproximaram-se novamente. Gee passou o braço por cima do ombro da morena, enquanto Lucky puxou-a para perto pela cintura.
— Aceitamos. – Eles disseram. Meiko fitou-os com cara de “o-que-vocês-acham-que-estão-fazendo?”.
— Ótimo, me acompanhem. – O homem disse. – Ah, vocês têm um nome para a banda?
Os três se fitaram por algum momento, como se estivessem conversando telepaticamente. Meiko voltou a fitar o homem e disse:
— Blood Demon.
Guii e Mel estavam na casa de Nicholas. Eles combinaram em fazer o trabalho de história juntos, mesmo sabendo que ficariam apenas 5 minutos fazendo o trabalho e o resto do tempo fazendo alguma besteira ou brincadeira.
A casa de Nicholas era muito grande. Ela se localizava em um dos condomínios mais ricos de Manhattan, em uma rua fechada com diversas mansões por toda sua extensão. Se Sophie não continuasse com a ideia de conseguir tudo com seu próprio esforço, era lá que morariam.
A casa tinha dois andares, e grandes janelas de vidro se espalhavam por toda a casa. Um pequeno jardim a rodeava, com grandes palmeiras que davam mais harmonia ao lugar. Ela era decorada com tons amarelados, com as paredes pintadas de um bege desbotado (que não parecia tão autêntico).
— Que bom que vocês vieram. – Nicholas disse. – Fazer trabalhos sozinho é realmente chato.
— Ah, fica frio. – Mel disse. – Eu adoro vir na sua casa, as comidas daqui não parecem que saíram de latas.
— Que casa grande. – Guii disse, espantado. – Quase me fizeram esquecer do mico que paguei na minha audição.
— Que audição? – Mel perguntou, sentando na frente do balcão da cozinha, enquanto comia desesperadamente um sorvete napolitano.
— Um colega que mora comigo ia fazer uma peça da Broadway e não me contou. Eu fui lá fazer a audição, mas errei na última parte.
— Broadway? Minha avó adora ir lá quando está com insônia. – Mel disse, sarcástica.
— Vamos fazer o quê primeiro? – Nicholas perguntou, puxando uma cadeira e sentando de costas à ela (de modo em que o apoio das costas ficasse em sua barriga).
— Não sei... O trabalho? – Guii revirou os olhos.
— Claro que não. O trabalho fica pros 5 minutos finais. – Mel lambeu a colher e lançou-a até a pia. – Que tal jogarmos Guitar Hero?
— É, vamos. – Nicholas se levantou da cadeira e foi até a sala. – Você sabe jogar, né?
— Claro que não. – Guii sentou-se no sofá enquanto Mel plugava os fios à TV e ao videogame. – Vou só assistir vocês jogando.
— VOU COLOCAR UMA DO NIRVANA. – Mel disse, selecionando a música por meio do console. Guii pode notar, claramente, uma mancha vermelha na ponta da manga da jaqueta jeans de Mel. O garoto sentou-se corretamente no sofá quando Joe entrou na casa. Ele carregava algumas sacolas nos braços.
— O que os pirralhos estão fazendo? – Ele provocou.
— Caso sua babaquice esteja impedindo você de ver, estamos jogando. – Mel pigarreou.
— Melody, Melody... Sempre com uma resposta na ponta da língua. – Joe colocou as sacolas em cima do balcão da cozinha, e logo após subiu as escadas. Guii olhou para as sacolas, onde notou outra mancha vermelha na alça de uma das mesmas.
Um tempo depois, jogando, os três estavam deitados no chão da sala bebendo refrigerante enquanto liam quadrinhos.
— Esses quadrinhos da Marvel são uma raridade. – Guii comentou.
— Eram do meu pai, mas ele deu pra mim já que o Joe não queria ser zoado como “nerd”. – Nicholas revirou os olhos. Nesse instante, Toneide entrou na casa.
— O que está fazendo aqui? – Guii perguntou, sentando-se no chão.
— Eu esqueci minha chave no apartamento, aí fui ver no GPS e percebi que você estava perto da lanchonete que eu estava comemorando MINHA ENTRADA OFICIAL NA VOGUE! – Toneide gritou histérica.
— VOCÊ CONSEGUIU? QUE MÁXIMO! PARABÉNS. – Guii abraçou-a fortemente. Joe descia as escadas com uma roupa diferente, mas parou quando fitou Toneide. Ele olhava fixamente nos seios da ruiva, e só parou quando percebeu que a mesma o fitava com irritação.
— Belos seios, hein. – O loiro comentou, antes de sair pela porta. Guii entregou a chave para Toneide, que agradeceu e saiu. Joe a esperava do lado de fora.
— Ei, espera aí! – O cara disse. Aproximou-se da garota, que já estava impaciente. – Posso me apresentar?
— Se eu deixar, posso ir embora?
— Pode, e pode muitas outras coisas a mais... – Ele aproximou-se do rosto da garota. – Meu nome é Joe.
— Ah, interessante. – Toneide empurrou-o. – Foi mal, não fico com pirralhos do colegial.
E então o portão deslizou para o lado, possibilitando a passagem de Toneide.
— Eu ainda vou pegar essa gatinha...
À noite, todos estavam reunidos no apartamento. Guii relia seu raio de trabalho enquanto acariciava Fluffy. Não era possível fazer um trabalho tão bem feito em apenas 5 minutos. Isso era mais uma coisa para a lista de “coisas que devo me orgulhar” do garoto. Sophie estava com uma dor de cabeça forte, que começou desde que terminou de tomar o chá. Gegaito sabia muito bem a razão da dor de cabeça, que fez a morena ir dormir mais cedo. Meiko escrevia novas músicas, enquanto Gee tentava ajudá-la – ou, no caso, atrapalhá-la. Lucky assistia TV. Pierre fazia adaptações no roteiro, e tentava evitar o assunto perto de Guii. Toneide lia e relia toda a sua agenda para decorar e se tornar mais responsável (pois, caso perca a agenda, ela se lembrará o que terá de fazer – mas, obviamente, isso lhe custaria o emprego). Lola dormia, pois estava cansada. Gegaito lia um livro de suspense na poltrona enquanto observava Meiko escrever as letras.
— Vocês souberam? – Lucky perguntou. – Uma mulher foi assassinada perto do Central Park. Dizem que ela foi cortada com um canivete e depois o corpo foi jogado em um beco.
— Que horror. – Guii disse. – Que bom que as duas frescurentas já estão dormindo para não chorar de dó.
— Hã? Mas você não está acordado? – Meiko disse, sarcástica. – Hoje conheci um cara... Interessante no Central Park.
— Não estou gostando dessa conversa, Senhorita Meiko. – Lucky sussurrou, expondo seus ciúmes.
— Você não precisa gostar. – Ela disse.
— O nome da vítima é Megan Scott, acho. – Lucky disse, ainda fitando o telejornal e ignorando toda a conversa de Meiko.
— Scott? A Sophie tinha um primo chamado Brandon Scott, talvez ele e essa tal de Megan fossem parentes. – Pierre disse.
— Ou talvez não, já que ter os mesmos sobrenomes não quer dizer que sejam da mesma família. – Meiko disse.
— Isso foi só uma hipótese. – Pierre resmungou. – Eles já sabem quem são os suspeitos?
— Não. – Lucky suspirou. – Mas temos que tomar cuidado. O Central Park é muito perto do Maid Café da Lola e do prédio da Vogue. O suspeito deve viver naquela área.
— Ou não. É muito fácil pegar um metrô pra passear por aí. – Meiko revirou os olhos, novamente acabando com mais uma hipótese.
— Então, vou dormir. Amanhã tenho aula e quero me preparar pra apresentar meu trabalho. – Guii disse, levantando-se do sofá e indo até seu quarto.
— Será que a Sophie está melhor? – Meiko levantou-se do sofá preocupada. Entrou no quarto da garota, onde só a mesma dormia no momento. Ela estava deitada na sua cama de solteiro, coberta por um edredom azul claro com rendas rosas. Na cabeceira da cama estavam alguns livros e uma caixinha de joias, onde a chave era um anel que estava no dedo anular da morena.
O rosto pálido de Sophie adquiriu uma cor. Ele estava mais avermelhado, e gotas de suor escorriam da testa da menor. Sua pele estava quente e ela agonizava em silêncio.
— Ela está com febre. – Meiko concluiu, ao colocar as costas de sua mão na testa de Sophie delicadamente e sentir o calor.
— Pelo visto não são todas as pessoas que reagem bem a calmantes. – Gegaito disse, recostado à porta.
— Você drogou ela? – Meiko virou-se para o loiro com o semblante furioso. – Você está pedindo pra morrer.
— Eu não a droguei, sua surtada. – Ele disse. – Eu só coloquei um calmante no chá dela. Mas parece que o calmante se misturou com a folha indiana do chá e isso deve ter virado um sonífero muito forte.
— E por que você colocou um calmante no chá dela? – Meiko perguntou, irritada.
— Prefiro não falar isso agora. – O loiro se levantou da cama de Pierre e saiu do quarto. Meiko virou-se para Sophie. “Espero que você melhore”.
Notas finais
As pessoas se inscrevem por se inscrever. A maioria nem lê de verdade, só manda a ficha e esquece da fanfic. Vamos parar disso, ok?
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Nesse capítulo começa um mistério. Como vocês viram, diversos personagens estavam com a tal "mancha vermelha". Estes personagens podem ser suspeitos OU NÃO do assassinato. Façam suas apostas.
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