My Inner Self

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Agradeço a quem se prontificou a ler. Boa leitura! "Os espelhos são como a consciência. Nós nos vemos como somos e como não somos, pois quem se enxerga na profundidade do espelho tenta dissimular seus defeitos e consertá-los para parecerem melhores.” (Miguel Ángel Asturiaa)

Sentada à mesa de um bar, cercada por copos de drinques vazios e cheios, fico me perguntando: quem eu sou de verdade? As risadas e vozes ao redor parecem distantes, abafadas pela tempestade dentro de mim.

As horas passam. O álcool traz lágrimas, mas nenhuma resposta. Decido ir ao banheiro para me recompor, talvez lavar o rosto me ajude. Ao chegar lá, a porta está trancada. Resmungo irritada, mas antes que eu possa bater ou desistir, o garçom que vinha me servindo se aproxima.

— Aqui, venha comigo — ele diz, apontando para uma porta atrás do balcão.

Algo no tom calmo e seguro dele me convence a segui-lo. Atravessamos um corredor estreito e escuro, onde cada passo ecoa. No fim, ele abre uma porta com uma chave que parece antiga.

— É por aqui — diz, antes de se afastar.

Entro hesitante. O ambiente é simples, um banheiro pequeno com um espelho grande. Só isso? penso. Me aproximo do espelho e, ao levantar o olhar, sinto um frio na espinha. A imagem refletida não é minha.

Meu rosto foi substituído por algo… alguém. Um rosto envelhecido, cansado, triste. Me aproximo mais, tentando entender. E então percebo: aquela sou eu. Não por fora, mas por dentro. Um reflexo de como me sinto, de tudo que deixei acumular.

De repente, as lágrimas que segurei por tanto tempo começam a escorrer. Quantas vezes fingi ser algo que não sou? Quantas vezes fiz o que os outros queriam só para agradá-los, enquanto me perdia mais e mais?

Fico ali, encarando minha própria essência, uma versão de mim que nunca tive coragem de enfrentar. Se eu continuar assim, quem serei daqui a cinco, dez anos? Apenas uma sombra do que poderia ser.

O silêncio do banheiro me envolve, mas é diferente. É acolhedor. Pela primeira vez, permito que meu verdadeiro "eu" tenha voz. A mulher no espelho não é um monstro; ela é um aviso. Um pedido para que eu me reconecte comigo mesma.

Saio dali com uma decisão: não vou mais esconder quem sou. Vou mostrar ao mundo minha essência, minha vulnerabilidade e minha força. Só assim poderei descobrir, finalmente, quem sou de verdade.

Notas finais
Obrigada a quem leu até o fim. Espero que tenham gostado da mensagem que quis passar. Comentários são sempre bem-vindos e alegram o coração do autor. Beijão e até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!