Notas iniciais
Vocês não estão comentando, mas pelo menos vejo que há gente acompanhando. Mesmo chateado com isso, terei consideração por vocês e vou postar o resto dos capítulos. Boa leitura.

Aquele era o meu primeiro dia em Hogwarts. Estava ansioso demais por aquele dia, porque esperava aprender a controlar meu poder e entrar na casa a que todos os meus parentes pertenceram: a Sonserina. Era demais imaginar todos temendo meu poder quando eu o tivesse sob meu controle. Havia também outra coisa que me deixava um pouco mais instigado naquele dia. Existiam muitos boatos de que o menino que havia sobrevivido também estaria lá no seu primeiro dia. Era quase como se um personagem de um conto de fadas saísse do livro e fosse até minha escola. Ninguém soube do paradeiro dele durante anos, ninguém o havia visto uma vez sequer.

Meu ego ficaria mais inchado caso ele fosse meu amigo. Imagine só: um Malfoy e o menino que sobreviveu andando juntos. Não haveria espaço para ninguém naquela escola.

Fui à escola e, minutos antes de entrarmos no grande salão para sermos selecionados para nossas respectivas casas, ele estava lá. Sim, com a marca na testa e tudo. Ah, não mencionei a cicatriz, não é mesmo? Pois bem, lembra de quando te falei que ele fora atacado e o feitiço ricocheteou?! Então, por algum motivo que não se sabe, uma cicatriz no formato de um raio apareceu em sua testa. Retomando: ele realmente estava lá. Mal pude acreditar quando o vi com meus próprios olhos. Naquele instante, tive instintivamente o desejo de me aproximar e tentar fazer amizade ali mesmo. E foi o que eu fiz.

– Harry Potter?! – disse, aproximando-me dele e parando em sua frente.

Ele primeiramente me olhou de cima a baixo, como se me analisasse.

– Cai fora, Malfoy – disse o garoto ao lado dele.

– E você, quem é? – olhei-o com desprezo.

– Ronald Weasley – ele parecia me afrontar com seu cenho franzido.

– Hm – murmurei – deveria ter imaginado pelas roupas de segunda mão e o cabelo laranja.

Ele fechou mais o seu semblante e puxou a mão de Harry levemente.

– Draco Malfoy – continuei, estendendo a mão – você vai gostar de ser meu amigo. Você precisa saber com que tipo de gente você não deve andar – me dirigi indiretamente ao Weasley.

– Pode deixar que isso eu consigo saber sozinho – ele respondeu, ignorando minha mão estendida.

Logo após isso, Minerva McGonagall, a professora de Transfiguração e diretora da Grifinória – a casa rival da que mencionei anteriormente – apareceu e interrompeu nosso momento de apresentações.

Acho que desse dia não há mais nenhum detalhe importante, apenas mencionarei o fato de que fiquei muito satisfeito porque consegui entrar na Sonserina.

De qualquer forma, acho que nossa guerra estava declarada ali. Depois eu entendi o porque do nosso primeiro conflito naquele momento. Acontece que, ele entrou para a Grifinória. Como uma lei da física, é completamente normal um sonserino e um grifinório não se darem bem e baterem de frente o tempo todo. Sempre assim. Fora isso, as pessoas pertencentes à Grifinória costumam não priorizar reputação, dinheiro ou influência. Isso é algo que, de primeira, me incomodava bastante. Afinal de contas, fui criado vendo o mundo como algo que só valoriza essas coisas. Eu só aprendi que essas coisas não são – tão – importantes um bom tempo depois.

E justamente com grifinórios.

Dai em diante, briguinhas e provocações pelos corredores se tornaram algo comum em nossas rotinas. Eu realmente não gostava dele. Ou pelo menos pensava que não. Eu tinha vontade de ficar o tempo todo fazendo mil e uma provocações apenas para ter a atenção dele. Eu achava que gostava de vê-lo irritado porque simplesmente não gostava dele. Com o tempo eu entendi que o fazia apenas por vingança. Vingança por ele não ter sido meu amigo desde o começo. E porque, querendo ou não, eu gostava dele como pessoa e o admirava, mas também não tinha consciência disso. Como eu lhe disse no começo, eu era muito novo e não entendia muitas das coisas que aconteciam comigo.

E a vida seguiu assim por aproximadamente quatro anos. No nosso quarto ano em Hogwarts que as coisas começaram a mudar, pelo menos pra mim.

Aquele ano era um ano me movimentado na escola. Era o ano do torneio Tribruxo e o castelo estava abarrotado de gente. Isso aconteceu porque fora os alunos de Hogwarts, os alunos de Beauxbatons e Durmstrang também estavam hospedados lá para o torneio.

No torneio, existem três provas para testar seus participantes, que no caso, são um de cada escola, mas aquele ano foi diferente. Fleur Delacour representou Beauxbatons, Vitor Krum representou Durmstrang, Cedrico Diggory representou Hogwarts e Harry Potter também representou Hogwarts. Sim, dois participantes representando a mesma escola. Não era uma coisa normal, pelo contrário, em milhares de anos, foi a primeira vez que isso aconteceu. Todos ficaram abismados quando o cálice anunciou que Harry seria um participante e queriam saber como ele havia feito, ainda que ele alegasse que não havia feito absolutamente nada pra isso. Realmente, algum tempo depois, descobrimos que um seguidor de Voldemort havia se infiltrado na escola e posto o nome dele lá.

De propósito ou não, como mandam as regras do jogo, se o cálice de fogo escolhe alguém, essa pessoa não pode recusar e tem que participar de todas as tarefas, mesmo que isso possa lhe custar sua vida. Eu tinha ali uma chance perfeita para azucrinar Potter da maneira que eu queria. Fiz vários broches anti-Potter e a favor de Diggory. Mais que isso, ajudei a fazer com que toda a escola ficasse com raiva dele, porque todos pensavam que ele havia trapaceado para participar do torneio.

Eu senti as coisas começarem a mudar na primeira prova. Ele teve que enfrentar um dragão rabo-córneo húngaro e pegar um ovo que estava em seu ninho. Foi estranho, mas eu senti que temia pela vida dele. O dragão estava muito irritado e quase o matou dezenas de vezes. Fui tomado por uma sensação de medo muito estranha. Uma sensação de perda. Em seguida, me vi torcendo para ele na segunda prova, em que era preciso buscar alguém importante que estava preso no fundo do lago negro. Ele enfrentou sereianos e ainda salvou a irmã de Fleur, que não pode salva-la.

Comemorei em segredo.

A última prova, que teoricamente seria a mais simples – pelo menos ao meu ver – foi a mais perigosa de todas. O comensal da morte que havia colocado o nome de Harry no cálice de fogo, fez do troféu uma chave de portal que o transportou para um cemitério, onde Voldemort renasceu e quase o matou. Quando Harry voltou, Diggory estava morto em seus braços e os olhos de Harry estavam completamente tomados pelas lágrimas. Ninguém acreditou que Voldemort havia feito aquilo, mas de qualquer forma, foi muito sério um menino morrer por qualquer coisa que tenha sido. Mais uma vez, precisei conter meu instinto de oferecer-lhe um abraço e um ombro amigo naquele momento tão difícil, mas eu acreditava que minha reputação era muito mais importante que o desejo inescrupuloso de estar na companhia dele.

Notas finais
Ainda tenho a esperança de você comentar na minha fic. :c Obrigado por ter lido.