My Immortal 2
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Fiquei pensando naquilo por um tempo. Mais uma vez ela tinha razão. Eu sempre funcionei assim, como se estivesse no "automático". Uma vida normal, sem muitos acontecimentos que pudessem fazer alguma diferença em minha pessoa. Tirando o fato do meu caso com Pierre, o que me fez aprender que amores não valem a pena, eu não tinha feito mais nada. Aquilo me deixou pensativa.
– É. — foi só o que eu disse.
– Preciso da sua ajuda novamente.
– Ah não, eu sabia. Você não voltaria por acaso. Seja o que for, não te ajudarei.
– Nossa, que agressividade. Está de TPM ?
– Não estou de brincadeiras, Lilitih ! — respondi começando a me irritar.
– Então porque se recusa a me ajudar ? Afinal, isso pode te ajudar. Você vai poder se ocupar com alguma coisa. E eu prometo que não obrigarei você matar mais ninguém. — ela deu um risinho.
– Ja disse que não. E por favor, volte para o inferno de onde você veio. — liguei a TV e fingi assistir alguma coisa.
– Ok, — ela se levantou. — eu vou embora. Mas quero que pense no que te disse. Em tudo...
– Não quero pensar. — falei antes que ela pudesse terminar, sem tirar os olhos da TV.
– Mas eu sei que vai. E quando decidir me ajudar, eu estarei aqui. É só me chamar.
Não disse mais nada. E quando me virei para observá-la ela ja não estava mais ali.
Aquilo me assustou um pouco, e é estranho explicar. Fiquei com medo de ficar sózinha, e preferia ficar com uma morta me fazendo companhia ? Aquilo tudo estava me deixando louca.
Durante o dia, fiquei navegando na Internet, procurando alguma coisa para me distrair. Mas não encontrei nada, além de alguns emails de pessoas a procura dos meus serviços.
Não respondi a nenhum deles. Não sabia o que dizer.
E percebi que aquela filha da puta tinha razão. Antes mesmo que eu pudesse afastar estes pensamentos, eles vieram.
Começei a pensar em tudo o que ela disse. E me lembrei do que ela disse sobre o seu pai. Eu não conseguia entender o que ela queria que eu fizesse para ela, que tivesse a ver com o pai dela.
Tentei pensar por mais algum tempo. Nada.
E depois começei a pensar para que ela precisava da minha ajuda. Ela ja havia perdido a vida, não precisava de mais nada deste mundo. E os seus pais... bom, eles ja estavam mortos. E se ela havia dito a verdade... eu não precisaria matar ninguém.
Pensei em tudo isso por pelo menos uma hora.
Andei pela casa, tentando pensar em alguma coisa que pudesse ser contra tudo aquilo.
Mas não encontrei nada. Afinal de contas, o que eu perderia ? Estava na hora de se jogar na vida, de arriscar mais, de viver mais.
E se tudo aquilo fosse bom para mim ? Aquilo poderia me servir como uma terapia.
Pensei por mais alguns longos minutos, e então sem muita vontade, e sabendo que aquilo aumentaria o ego dela, falei:
– Lilitih ?
– Olá. — a desgraçada apareceu atrás de mim me dando um susto imenso. Pulei assustada.
– Puta que pariu, porque você faz isso, menina ?
– Eca, quee feio, você é muito boca suja.
Revirei os olhos e começei a andar em direção ao sofá.
– E então, penso em tudo que lhe disse ? — ela me acompanhou até o sofá e nos sentamos.
– Você sabe muito bem que sim.
– E...
Respirei fundo e revisei todos os meus pensamentos anteriores.
– Ok, eu aceito. Farei mais este favor a você. — vi quando um sorriso começava a nascer em seu rosto. — Mas que fique bem claro que só aceitei porque não tenho nada a perder, e quando eu quiser parar, vou poder sem que você fique me forçando a nada.
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