Tentei manter a expressão calma , não demonstrar nenhum tipo de medo ou fraqueza. Fiz isso analisando cada detalhe do seu rosto. Aparentava ter uns 24 anos , era alto , forte , o cabelo era negro e estava penteado num moicano perfeito. A pele era pálida , muito pálida , os olhos eram de um verde escuro muito intenso , como se fossem esmeraldas...

Usava uma jaqueta preta de couro com uma camisa azul marinho por baixo. Era estiloso.

– Prazer , Trevor. — ele disse de um jeito sexy me dando um selinho demorado logo em seguida.

Fiquei paralisada mas o medo se afastava aos poucos. Talvez fosse só um humano... diferente. Na situação em que estava eu acreditava que qualquer coisa que me aparecesse.

– Lilitih. — disse deslizando as unhas levemente sobre o seu estômago.

Ele sorriu e logo em seguida foi me puxando para fora da boate. Sem nenhum esforço para impedi-lo eu o segui.

Saímos para fora e pude sentir a brisa leve que estava , o calor finalmente estava chegando ao fim.

Ele caminhou por um tempo em silêncio e as vezes dava uma olhadela rápida para mim do canto do olho. Eu sorria e continuei seguindo-o. Paramos em frente de um pequeno bar ... A musica era boa , tocava Angel do Aerosmith . Entramos e ele pediu dois drinques.

– Sabe quem sou , Lilitih ? — ele perguntou pondo uma das mãos em minha coxa.

– Um gato ? — respondi e sorri .

– Não exatamente ... — ele também sorriu.

– Então me diga , quem você é , Trevor ? — falei seu nome lentamente.

– Sou um demônio.

Pânico. Tentei disfarçar mais meus olhos se arregalaram e eu senti minhas pernas começarem a tremer. Olhei para a saída do bar . Eu não conseguiria ir muito longe se tentasse correr , demônios em sua maioria tinham uma rapidez e força sobrenatural, eu apesar de estar morta , era só uma humana como outra qualquer. Respirei fundo algumas vezes , ele me encarava esperando que eu dissesse alguma coisa. Como não disse nada , ele prosseguiu.

– Mas , não precisa se preocupar , não estou aqui a serviço ... Não vim para te matar . — ele riu um pouco , parecendo se divertir com a minha posição imóvel.

Respirei fundo mais algumas vezes , precisava me manter calma , eu estava viva e isso era bom.

– Então ... — comecei — Por que esta aqui ?

– Gosto de diversão tanto quanto você . — sua mão ainda estava na minha coxa e ele me olhou por inteira, cada parte do meu corpo.

Não consegui dizer nada , o máximo que saiu foi um sorriso extremamente falso e nervoso.

– De verdade , não precisa ter medo — sua voz era mais doce agora , e não com uma pitada de sarcasmo como das outras vezes .

Eu sei que devia me aproveitar da situação , mas o medo era maior do que qualquer coisa.

Fiquei de pé .

– Acho que é melhor eu ir embora ... — eu sabia o risco que estava correndo.

– Se quer assim ... — ele se levantou e colocou um dos braços em minha cintura — Onde mora ?

Eu não ia dizer ! Não mesmo ! Até parece que daria meu endereço a um DEMÔNIO !

– Posso ir sozinha . — respondi tentando não ser tão mal educada.

– Faço questão — ele insistiu.

O que eu poderia fazer ?

– Vamos andando então ... — eu não queria que ele me colocasse num carro e num piscar de olhos eu estivesse no inferno.

- Como quiser. — saímos do bar.