My Home is Neverland
4 Capitão Gancho
Notas iniciais
Abro meus olhos e então percebo que aquilo não era um sonho, era bem real. Me recordo de exatamente tudo, e, por incrível que pareça, eu gosto.
Eu vim para Nerveland, como não posso estar feliz? Um mundo que antes eu sequer pensava existir realmente existe.Posso até estar num sonho e esse mundo pode até não existir, mas se estou dormindo, eu desejo nunca acordar.A magia é maravilhosa. Todos nesse mundo–ou em qualquer outro–deviam senti-la, presenciá-la.
Depois de me aprofundar,sem qualquer interrupção,em meus pensamentos, eu decidi que posso ficar aqui para sempre. Seria maravilhoso! Viver no navio do Gancho e explorar novas terras, todas lotadas de magia!
Mas é aí que minha esperança murcha como um balão furado ao pensar nos meus pais, no meu irmão e na minha vida.
E, se vou mesmo voltar para casa, eu preciso procurar me aventurar nesse mundo, no mundo de Peter Pan.
Quando saio da cabine do Capitão Gancho, todos me aguardam com os olhares cerrados e curiosos. Gancho estava conversando com Smee e, quando me viu, abriu um sorriso.
–E então? – ele perguntou curioso.
Eu assenti para ele.
–Vou para casa assim que tiver minha oportunidade – digo e todos voltam a trabalhar no navio como se aquilo não fosse o que esperavam. Alguns até sorriram para mim, mas outros…
–Não esquente com eles, vamos, preciso conversar a sós com você – Gancho me disse abrindo a porta de sua cabine para que eu entrasse.
Assim que entro ele tranca a porta e me empurra bruscamente para cima de sua mesa. Fiquei deitada sobre papéis e mapas enquanto ele me imobilizava por cima.
–Me solta! – brando irritada tentando me soltar. Ele mostrou um pequeno sorriso.Então era ele quem iria abusar de mim?
–Você é bem fortinha – ele sussurrou.
–O que você quer? – eu pergunto ofegante.
– Eu não acredito em você – ele respondeu sério.
Franzi a testa e tentei me soltar novamente.
–Me solta! – pedi mais uma vez. Ele não soltou e me fuzilou com seus olhos esverdeados – Quer que eu conte minha história?
–É um bom jeito de começar – ele disse, mas não me soltou e esperou que eu começasse a falar. Eu olhei indignada para ele e Gancho ficando pouco vermelho saindo rapidamente de cima de mim.
–Tudo bem, eu vim de Nova York – disse. Ele arregala os olhos um pouco e assente para si mesmo – E a sombra de Pan me trouxe, isso você já sabe. Hum... Eu tinha acabado de me mudar para Londres, tenho um irmão, o Rafael, que é viciado em contos de fadas junto comigo e...
–Sério? Contos de fadas? – ele riu, tirando minha concentração – O que é isso, exatamente?
–Como não sabe? Faz parte deles – ele arregalou os olhos e mostrou sua espada.
–Não concordei com nenhuma aliança com as fadas, detesto elas. – ele comentou bufando.
Eu ri e ele cerrou os olhos para mim.
–Não é isso, é outra coisa, mas não é importante – menti. Se tem algo que posso detestar é ter que contar uma longa história.
–Então é só isso? – ele perguntou abalado. Assenti e ele riu sozinho.
Eu nunca vou entender suas risadas sem causa.
–Você começa amanhã–ele diz – Agora saia dos meus aposentos.
–O quê? O que diabos eu começo amanhã? – perguntei abismada.
–Se quer sair desse lugar, a primeira coisa que precisa fazer é aprender a sobreviver.
Antes que ele passasse por mim, deu uma leve risada. Nunca vou entendê-lo.
(x)
Como o amanhã ainda não chegaria, pensei em conhecer um pouco com quem estaria convivendo de agora em diante. Em uma caminhada pelo navio contei que eram exatamente 14 piratas contando com Gancho e Smih. Sinceramente, eles não pareciam tão maus assim, isto é, até que converse com eles. Já que minhas três tentativas de diálogos bons não funcionaram, decidir ir até Smih e perguntar qual era o problema.
– Ah senhorita, eles podem parecer frios, mas eles por dentro sentem pena – Ele comentou depois de ouvir minha pergunta.
– Pena? – Perguntei franzindo a testa.
– Sim senhorita, pena do que Pan pode fazer com você – Smih respondeu engolindo não-seco.
– Eu não sabia que Peter …
Não consegui terminar a frase por ouvir uma porta bater forte e dá cabine sair Gancho com duas espadas. Eu arregalei os olhos para ele e o mesmo me jogou uma delas. Peguei-a como vertigem de não me machucar com a lâmina afiada. Depois disso, os piratas fizeram uma roda entre nós para apreciar um “futuro” duelo.
– Você disse que o treinamento começaria amanhã – Comentei com o coração batendo fortemente.
– Bem, eu preciso saber o quão perdida você está – Ele diz e os Piratas riem. Bufei e então lembrei que a poucos anos eu fazia curso de esgrima. Sorri convencida e Gancho fez uma cara confusa.
– Então vamos lá! – Eu respondi e comecei a ataca-lo.
Está bem, eu fui uma completa idiota quando achei que poderia vence-lo.
Gancho começou a me atacar enquanto de alguma forma eu conseguia desviar. Ele recuou suado e começou a tirar a parte de cima de sua roupa. Eu o vi sem camisa…E posso dizer que é um corpo…muito…musculoso. Perdi completamente os sentidos, até porque, ele estava sem camisa! Todos riram de mim, e pude perceber que meu corpo queimava de vergonha.
– Nunca viu um homem sem camisa? – Gancho perguntou maliciosamente.
Não um que fosse tão bonito, quis dizer mas só oque saiu foi uma risada nervosa.
Ele atacou rapidamente quando eu menos esperava. Tentei defender, mas só fez com que ele conseguisse derrubar minha espada e dirigir a lamina de sua espada até meu pescoço.
– Tem muito oque aprender – Gancho comenta e os Piratas riem novamente. – Enquanto isso…
– Capitão! Os meninos chegarão! – Um dos piratas gritou fazendo com que todos tremulassem e pegassem suas espadas. Gancho pegou a minha que estava jogada no chão e a deu para mim. Olhei para ele com medo e ele correspondeu com um olhar protetor.
Bem, pelo que sei, Peter Pan é um garoto do mal, então oque não diz que os Garotos Perdidos também não fossem?
Eu ouvi a movimentação dos garotos que subiam o navio pirata. Eu vi os Piratas mostrarem defesa. E minha respiração falhou quando eu conheci o garoto que chegou. Meu irmão.
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