My Heart is Yours - Scorpius & Rose
2 Banquete e sonhos
Notas iniciais
POV Scorpius
Eu simplesmente não entendo a Weasley. Eu a ajudo com aquele feijãozinho entalado, aquela miséria, e ela fica irritada porque rio da situação. Se só eu tivesse achado graça, ou se tivesse dito algo ofensivo, não teria problema. Mas não, sua amiga Alice, seu primos e seu irmão riram também. “Você nem é da família!” ela disse. Ah, por Merlin!
Quando ela foi embora, fico um pouco magoado, embora a culpa não tenha sido minha. Albus diz:
– Ah, Scorpius, não liga não. Rose é assim mesmo, esquentadinha desde criança. Mas não sei por que ela se irritou agora.
Lily e Alice se entreolham e dizem juntas:
– Ah, nós sabemos muito bem o motivo da mudança de humor dela. – elas dão risinhos, como se compartilhassem algo que nós não sabemos. Fico curioso e um pouco irritado, mas não pergunto nada, assim como Albus e Hugo.
– Bem, onde será que ela foi então? Não que eu vá procurá-la. – eu disse, impaciente.
– Provavelmente ela está com a Brown e as primas Patil, ou até mesmo com James. – Lily disse, indiferente.
Não sei o porquê, mas quando penso que Rose está com James me dá um aperto no coração. Ignoro isso e pego um sapo de chocolate, voltando a conversar com Albus.
– Então, o que você achou do último jogo de quadribol? Este ano vamos ganhar novamente a Taça das Casas não é? Ano passado perdemos para a Grifinória, não podemos deixar isso acontecer novamente.
Alice se intromete e diz:
– Vai sonhando, vai Scorpius. Nós nunca perderemos para vocês enquanto a maior parte dos Weasley e os Potter estiverem na nossa casa.
– Com certeza Alice, mas eu sou um Potter e o Scorp aqui é um Malfoy, a Taça está conosco. – retrucou Albus.
– Mas você se esqueceu de uma coisa, irmãozinho – disse Lily, que era mais nova que o irmão. – Eu, James, Dominique, Roxanne, Louis, Fred, Molly, Lucy, Alice, Hugo e Rose estamos na Grifinória, vocês não tem chance contra nós.
Albus, infantil como sempre, mostra a língua para a irmã, que mostra a dela para ele também. Rimos da situação e voltamos a comer.
Olho pela janela e vejo que o sol está quase se pondo. Digo para eles que já está na hora de se trocar, por o uniforme. Como as meninas ficam envergonhadas de se trocar na nossa frente, pego uma capa comprida que estava jogada ali quando entramos e a suspendo no ar. De um lado, elas, e do outro, nós.
Quando termino de dar um nó frouxo na minha gravata verde e prata e por meu distintivo de monitor (sim, fui escolhido, algum problema?), sento no banco, esperando os outros terminarem também. Quando estou prestes a me levantar e dar uma espiada nas meninas (eu não sou nem um pouco safado, imagina!), elas dizem que terminaram. Dou um suspiro de frustração e deixo a capa suspensa cair. Neste momento o trem para, pois chegamos a Hogwarts.
Ouço os alunos do primeiro ano saírem afobados do trem, desesperados para ver Hogwarts. Eu, como sou monitor, deveria sair por primeiro para segurar as portas para os outros alunos passarem, mas não o faço. É muito esforço, e, além disso, tem muitos monitores que podem fazer isso. Ninguém sentirá minha falta.
Conversando e terminando de comer uns últimos feijõezinhos, saio da cabine. Quando passo por uma das portas do trem, vejo que quem a segura é justamente Rose. Ela olha para mim com um olhar fulminante, que diz que eu deveria estar fazendo a mesma coisa.
Vou em direção às carruagens puxadas pelos testrálios, que eu consigo ver graças a um acontecimento bem estranho. Eu estava andando por uma rua trouxa junto com meu amigo, Luke Zabini, e entramos em uma cafeteria. Fomos para uma mesa afastada, ao lado de uma janela, esperando a garçonete aparecer para fazermos nosso pedido. Olhei para o lado e vi que as casas pareciam estar desertas, abandonadas, e apenas um idoso andava na calçada. Enquanto o observava, ele olhou para cima, gritou “Finalmente!”, caiu de joelhos, se contorceu e cessou os movimentos. Tivemos vontade de rir, embora fosse trágico.
Sento na carruagem junto com o Luke, Albus, Rose e Lílian. As duas meninas, ao me ver, se viraram e começaram a conversar, nos ignorando. Fiz a mesma coisa e fiquei rindo com meus dois amigos. Após um tempo, deu para ter a visão perfeita de nosso colégio. Nunca canso de vê-lo, pois sua beleza é surpreendente e incrivelmente especial. Lá eu sei quem eu sou, tirando a máscara “Malfoy” que carrego quando estou presente da minha família.
A carruagem para e com o canto do olho observo Rose. Surpreendo-me quando vejo que ela estava me olhando. Lanço um sorrisinho para ela, que suspira e vira para o outro lado. Por um momento me sinto mal por ter dito à ruiva que ela é feia, reta, chata e irritante, não falei com sinceridade, só estava com raiva. Mas a verdade é que todo mundo sabe que ela nunca beijou ninguém, diferentemente de mim, que já fiquei com pelo menos 80% das meninas de Hogwarts, número que só cresce.
Caminhamos até a entrada e sentamos nas respectivas mesas, esperando a Seleção começar. Converso com Luke e Albus e quando estávamos lembrando de um acontecimento engraçado que aconteceu conosco em Hogsmeade, os novatos entram, exclamando um “Uau!” bem audível. Eles se aglomeram perto da mesa dos professores, onde, na frente, está o chapéu mais famoso de todos: o Chapéu Seletor. A nossa diretora, a Professora McGonagall, segurava uma lista e dizia:
–Wood, Jessica!
Uma menina morena subiu os degraus e sentou-se no banquinho de três pernas. A professora pôs o chapéu em sua cabeça, e após alguns segundos ele falou que ela era Corvinal.
Assim foi por uma meia hora, e meu estômago já estava roncando, embora não tivesse passado muito tempo desde que comi aqueles doces no trem, quando Minerva levou embora o chapéu e disse:
– O banquete está servido!
Imediatamente um monte de delícias, como batatas assadas, frangos inteiros e balas de hortelã, apareceram em nossas mesas e começamos a comer.
Pego uma coxa de frango e várias batatas e como com entusiasmo. Todos estão com aquela aura feliz, por voltarmos ao nosso lar. A comida some e aparece em seu lugar a sobremesa, como pudim, bolo de caldeirão e outros.
Eu estava conversando com Albus sobre nossos objetivos para o quadribol sonserino desse ano quando o Barão Sangrento, nosso fantasma, aparece na minha frente. Apenas para eu ouvir, ele diz que como monitor, devo saber a senha da sala comunal, que é Sangue Puro, como sempre.
Sinto uma pontada de sono e vejo que todos estão levantando para ir aos dormitórios, já que a comida já sumiu novamente. Tomo frente nos alunos da Sonserina junto com a monitora, Wanessa Parkinson, que, cá entre nós, é muito linda, diferente da mãe, e vamos dizendo:
– Alunos do primeiro ano! Aqui!
Levo todo mundo até as masmorras, digo a senha e sento em uma poltrona prata perto de uma mesa da sala comunal. Digo para os novatos onde é o dormitório masculino e feminino e espero Albus e Luke. Eles sentam em um sofá na minha frente e conversamos até meia noite, quando o sono e a voz da consciência, que dizia que temos aula amanhã cedo, nos vencem e subimos as escadas que levam às nossas camas.
Me troco rapidamente e caio no colchão macio, dormindo imediatamente. Sonhos estranhos com uma ruiva irritante surgem, me deixando intrigado, mas estranhamente feliz.
Pov Rose
O banquete foi fantástico, amo ficar com meus primos, sempre é muito divertido. James faz suas piadas, Dominique e Roxanne suspiram por ele, Hugo paga alguns micos, Molly e Lucy contam histórias engraçadas, Lily conta das gafes de seu pai e de Albus e Fred fala de algumas aventuras românticas que não acabaram muito bem. Pena que acaba tudo tão rápido e já temos que dormir. Eu e John Thomas, o outro monitor, levamos os alunos do primeiro ano à sala comunal, dizemos à todos a senha (que é Godric’s Hollow) e mostramos os dormitórios. Lily, Alice e eu vamos ao corredor dos quartos femininos. Minha prima é um ano mais nova que eu, mas fizemos uma troca com uma quintanista, que queria ficar com a irmã mais nova, e a Potter ficou com a cama ao lado da minha.
Deito na cama e fico pensando em tudo que aconteceu hoje, como minha discussão com um certo loiro. Eu não o odiava totalmente, isso tudo era coisa implantada na minha cabeça pelo meu pai. Na verdade, eu até achava que gostava um pouquinho dele, mas nunca admitiria isso para alguma outra pessoa, apenas para Lily e Alice.
Durmo sem perceber e tenho sonhos com Malfoy, que mostram o que eu desejava no fundo do meu coração, mas que provavelmente nunca aconteceriam na vida real.
Fale com o autor