My Heart Will Go On

1 You'll still here in my Heart


Notas iniciais
Hei! Essa é a primeira história que posto aqui no Nyah, bobinha, mas espero que agrade alguém. Foi inspirada pela música: "My heart will go On" da Celine Dion, então se quiser escutá-la enquanto estiver lendo, aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=kGTm8UfWHAM mas se preferir, fique a vontade para ouvir qualquer música que te transmita emoção. :)

Mais um dia havia passado. Olhei no rádio relógio ao lado de minha cama e já eram quase duas da manhã. Eu tinha que trabalhar no dia seguinte, mas não sentia sono. Tentava forçar-me de que estava tudo bem, procurando ocupar a minha mente tão cansada naqueles últimos dias, mas ler um romance não foi uma de minhas melhores ideias. O coloquei no criado-mudo e apaguei a luz, para tentar dormir. Eu tinha que ser vencida pelo cansaço.

Era o casamento da irmã dela. Estavam todos no salão, aproveitando a festa, quando ele, ainda sorrindo, se levantou diante da mesa, dizendo apenas um: "Já volto". Os demais assentiram e ela o sorriu de volta, apesar de que, de alguma maneira, percebeu que sua atitude havia sido estranhamente repentina. Pensou em questioná-lo se estaria tudo bem, mas não houve tempo. Todos exclamaram assustados e se colocaram de pé, diante do homem recém-desmaiado.

Era a primeira vez de muitas.

De algum lugar, você pode me ouvir? Tento me convencer que sim, me sinto tão sozinha nessa casa. Onde está você para me aquecer nas noites frias? Onde está você para me abraçar no escuro? Para onde você foi, com todo aquele amor? Sonhar todas as noites com você, tornou-se uma afronta aos meus sentimentos, mas de que outra maneira eu poderia senti-lo? Olhar em seus olhos, tocar em seu rosto, experienciar o seu cheiro mais uma vez. Fomos só nós dois, por tanto tempo. Como eu sinto a sua falta.

Ela estava naquele centro de oncologia, como em tantos outros dias. A notícia recebida fez seu corpo fraquejar e não teve medo de expor a sua dor, deslizando seu corpo recostado àquela parede branca. O desespero havia tomado conta de si, os soluços eram constantes e o único que queria que a amparasse naquele momento, era o motivo de sua tristeza.

Eram quase três da manhã e eu ainda não havia conseguido dormir. Meus pensamentos eram tomados por você e as lágrimas substituíam o meu sono. O que você estaria pensando, se estivesse me vendo? Tentei enxugar o meu rosto apenas com a palma das mãos e funguei, voltando o meu corpo para cima, na cama. Se eu queria que você seguisse em frente comigo, eu precisaria enfrentar o meu passado. O nosso passado.

Seus olhos e lábios estavam inchados e vermelhos. No banheiro diante do espelho, retocava a maquiagem para não demonstrar o quanto estava emocionalmente exausta, mas seus esforços estavam se esgotando. Ficou por um breve momento, avaliando a própria imagem refletida e forçou um sorriso, tentando ser convincente. Aquilo era o melhor que podia fazer.

O corredor estava quase sempre silencioso, então o toque de seus sapatos ecoava alto conforme seguia por aquele caminho decorado. Já diante da porta, abriu sem delongas e o observou naquela cama de hospital, por alguns instantes. Sempre se julgou uma mulher forte, mas não o suficiente para não chorar diante do que via.

— Anjo?

Seu rosto se exprimiu em tristeza e as lágrimas se tornaram incessantes. Não queria que ele a visse daquela maneira, então tentou controlar-se, respirando fundo. Mantendo-se firme por ele, naquele instante, aproximou-se até poder tocá-lo. Sua pele, antes tão quente, estava fria. Tão corada, estava pálida. Tão saudável, estava cadavérica. Era doloroso demais ter consciência de que o tempo não significava mais nada.

— Arthur...

Tive um sonho em especial, com você. Era em um campo verde, extenso, de um céu vivo, cheio de nuvens gigantescas. Você estava sentado debaixo da sombra de uma árvore e eu deitada entre suas pernas, sendo abraçada enquanto apreciava o quanto tudo era bonito em nossa volta. Estranhamente, nada dizíamos e, mesmo assim, o tempo parecia não existir. O calor do seu corpo estava de volta e seus toques eram tão reais, que acreditei por alguns instantes que tudo o que havia presenciado era verdade.

E se realmente fosse?

A enfermeira havia chegado com um pouco de água com açúcar, e ela desejou imensamente que, de alguma maneira milagrosa, aquilo pudesse acalmá-la um pouco. Eles ficaram a sós de novo e, assim que ela retornou a ele na cama, recebeu um sorriso sincero.

Mesmo tão fraco, era ele quem estava sendo tão forte.

— Eu espero que algo que eu tenha dito, não tenha te feito mal. – Desabafou, com a voz rouca e fraca, mas bastante tranquilo. — Não. – Ela apressou-se em respondê-lo, acariciando-lhe o rosto. – A única coisa que você vem fazendo é apenas ser maravilhoso.

Ele sorriu mais uma vez e olhou para baixo, suspirando com dificuldade.

— Meu amor – Começou, segurando-lhe uma das mãos, acariciando-a com o polegar. Lágrimas começaram a rolar novamente pelo rosto dela. – Eu não quero te ver chorando. Quero ir embora com a certeza de que está bem. Você é uma mulher linda e inteligente, pensa no seu futuro. Tenho certeza que irá construir tudo o que sempre quis, de repente com alguém melhor do que eu, aparecendo em sua vida. Pense em como você seria uma ótima mãe, tenha filhos. Viaje, conheça pessoas e faça novas amizades. Tudo o que quero é, te deixar ao menos com a certeza de que estará sendo feliz. – Ele parou, observando a reação da esposa. Ela nada disse, mantinha os olhos fechados, ainda chorando. – Se eu fosse egoísta morreria sem aviso prévio. Assim não te veria sofrendo. — Arthur. – Advertiu ela, porém não havia sido convincente. – Cale a boca, não seja um idiota justamente agora.

Ele soltou um único riso fraco, levantando a mão até o rosto da mulher que amava, interrompendo algumas lágrimas.

— Eu só estou brincando. – Ela sorriu, mesmo que tristemente, recolhendo a mão dele dentre as suas. – Mas vamos pensar positivo. Eu não estou careca! Eu não poderia partir sem os meus cabelos onde estão.

Foi a vez de ela rir fraco, acariciando-lhe dentre os cabelos, desta vez.

— Arth... Como consegue agir dessa maneira? Como se tudo isso fosse apenas uma... Brincadeira de mau gosto. — Querida... Eu não posso chorar nos meus últimos dias de vida.

Não havia dormido bem, mas despertei disposta a sair da cama. Preparei um café forte, do jeito que você gosta e, mesmo não sendo o meu preferido, estava satisfeita. Aquele dia começava diferente, e eu entendia por quê. Eu finalmente havia compreendido que vivendo, você continuava comigo. Você, Arthur, é cada batida do meu coração.

Todos aplaudiam de pé ao discurso da viúva. Ela se sentia agradecida, mas não por si e sim por Arthur. Tudo o que havia dito eram apenas todas as coisas boas
que ele a proporcionou enquanto estiveram juntos e, a partir daquele momento, a digna lembrança do homem que amava não estava somente em si, mas também em todos os presentes.

Eu fui tocada pelo o amor verdadeiro há anos atrás e, mesmo após a sua ida deste mundo, você continua em mim. Não estou presa ao seu corpo, mas sim ao seu sentimento, à sua alma e, você sabe que quando isso acontece, é para durar por todo o sempre.

Ele não respondia mais, mas ela estava com ele todos os dias, sentada na beira da cama, lhe fazendo carinho. Em uma dessas visitas, sentiu seus dedos contraírem contra sua mão e seus olhos se abriram logo em seguida, revelando pupilas dilatadas. Por meros segundos, ela ficou feliz por vê-lo acordar do coma, a olhando novamente. Tocou-lhe afetuosamente o rosto fragilizado, com lágrimas ofuscando sua visão e, em mesmo instante, teve a certeza de ouvi-lo dizer que a amava, fracamente. Ainda chorosa, ia declarar-se de volta, mas o apitar persistente do computador, acusando que o coração de Arthur havia parado a interrompeu. Os segundos de emoção se tornaram desespero. Não queria acreditar, não podia acreditar.

Médicos e enfermeiros entraram na sala, separando-a fisicamente do homem que amava. Podia estar desesperada, gritando para que ele voltasse a ficar presente, mas porque ainda não entendia.

Naquele momento, ele estava se eternizando nela.

“Near, far, wherever you are, I believe that the heart does go on. Once more, you open the door, and you're here in my heart and my heart will go on and on.”

Notas finais
Por qualquer erro em relação a doença e seu processo em casos terminais, peço perdão. Obrigada aos que leram essa coisa melosa. *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!