My Heart In Your Eyes

18 É porque eu te amo


Notas iniciais
Heeey! Voltei^^ E com novidades! Hoje att For You e agora MHYE. Mais tarde tem mais um cap de For You pra vcs *-* E não sei se repararam, MHYE está de capa nova

Uma semana longa arrastando-se para o futuro e deixando os rastros de lágrima pelo caminho. Era assim a primeira semana de Junsu no seu antigo apartamento. Aquele de quando morava tão perto de seu melhor amigo. Aquele onde aprendeu a se virar sozinho e onde em muitas noites chorou por sentir falta de sua família. Aquele onde pela primeira vez tomou capuccino com aquela pessoa e onde experimentou a sensação nova de estar perdidamente apaixonado.

Não adiantava fugir. Ali também tinha lembranças de Yoochun. O problema não eram os lugares e sim o fato de Yoochun estar cravado dentro de si. Em cada detalhe, em cada hábito adquirido depois de conviver com o outro, em cada página de livro que tentava ler. Até mesmo assim, lendo. Isso era realmente desgastante. Não conseguia nem ao menos pegar um livro sem lembrar das muitas noites em que o maior lia para ele antes de adormecerem. Então a solução seria enfrentar com coragem a dor que habitava seu coração. Nada de fugir, pois nada disso estava surtindo algum efeito.

Depois de um longo banho e de algumas lágrimas fujonas, Junsu se vestiu e resolveu ir até a livraria. O trabalho lhe ocuparia a mente por um tempo. Algum dia aquilo passaria, tinha certeza. Não é possível que a vida fosse tão injusta e tão cruel de não deixá-lo mais ser feliz. Até lá, ocuparia a mente de todas as formas possíveis, até mesmo inevitavelmente pensando nele.

= = = = = = = = = = = = =

– Appa, o tio Su já tá chegando? Eu quero logo ir no parque, quero brincar! – Junho reclamava fazendo um biquinho fofo enquanto Jaejoong calçava as meias nos pequenos pezinhos do filho.

– Claro meu anjo, o tio já está chegando. Agora escute o appa Jae... O tio Su não está muito bem esses dias, então seja bonzinho e obedeça, e também o encha de beijinhos e abraços de urso pra ele ficar bem feliz, combinado?

– Combinado appa. E o tio Yoo???

– Bem... Vamos combinar assim, não pergunte nada do tio Yoo para o tio Su, está bem? O tio Yoo foi viajar e o tio Su ficou muito triste porque ficou sozinho, então não vamos fazê-lo lembrar disso, certo? Agora vamos, seu tio tá chegando.

Um dia de descanso era tudo o que Jae mais queria. Precisava se deitar e não pensar em mais nada. As últimas semanas foram muito tensas e desgastantes, precisava de um tempo. Junsu pediu para passear com Junho, queria se divertir e esfriar a cabeça, nada melhor do que levar seu pequeno preferido para se divertir. E assim, logo Jae estava sozinho em casa. Yunho estava no trabalho e voltaria mais tarde. Resolveu deitar-se no quarto para assisti um filme qualquer até pegar no sono.

Mal seus olhos se fecharam e sentiu uma mão quente muito conhecida lhe acariciar a face.

– Yun? – chamou ainda de olhos fechados.

– Oi meu amor... – o marido acariciava os fios macios do cabelo de Jae. Este abriu os olhos preguiçosamente encarando Yunho.

– Você não devia estar trabalhando?

–Sim, mas eu resolvi fugir para ficar com você. Estava com saudades de te ter só pra mim. – Yunho disse beijando a mão do marido que estava entrelaçada na sua.

– Hum... Eu também estava com muita saudade meu amor. Vem – Jae pediu puxando o maior para si — deita aqui comigo só um pouquinho.

Yunho jamais recusaria. Estava feliz por ter conseguido arrumar um tempinho a sós para os dois. Combinou com Junsu, que logo depois do passeio no parque, o tio levaria Junho para jantar em sua casa, para que pudesse esticar um pouco seu tempo a sós com o marido.

– Jae... – Yunho chamou baixinho, depois que o marido se aconchegou em seus braços.

– Oi...

– Eu te amo.

– Eu também te amo. Muito.

– Sabe, eu fiquei pensando tanto em você nesses últimos dias. Em nós dois na verdade. Não sei se foi por ver Yoochun e Junsu se separando, mas eu fiquei com medo. Medo de que algum dia isso aconteça com a gente. Acho que eu não suportaria te perder.

Jae encarou o marido por um instante e viu sua expressão preocupada.

– Nunca. – Jae disse e voltou a sua posição anterior, apertando mais os braços na cintura de Yunho. – Nunca vamos nos separar. E você sabe por quê? Porque eu te amo mais que tudo nessa vida e sei que você também me ama. Nós já passamos por momentos difíceis para estarmos aqui hoje, e eu te garanto que o único objetivo que eu tenho na minha vida é fazer você e nosso filho felizes.

Yunho suspirou profundamente e apertou o marido em seus braços. Ele sabia que as palavras de Jae eram sinceras e sentiu seu coração palpitar mais forte com o calor que aquela declaração emanava em si.

– Que bom que você sabe que eu te amo. Mas isso eu nunca vou deixar você esquecer. Nunca vou cansar de dizer. Eu te amo! – e puxou o menor para alcançar seus lábios.

Aquele toque quente, macio e verdadeiro, que sempre o fazia esquecer de todo e qualquer problema que viessem a ter, que o fazia querer continuar dia após dia e o dominava por inteiro. A falta de ar os fez se afastarem,e Yunho aproveitou para contar sobre seus planos para os dois naquele dia. Planos que já estavam mudando.

– Sabe... Eu planejei um dia especial para nós dois. Eu combinei com o Su de ele jantar com o Junho e comprei um monte de coisas que você gosta para comermos juntos. Eu pensei em te levar pra passear e te fazer uma surpresa. Mas depois de estar aqui com você assim em meus braços, eu acho que o passeio vai ficar pra depois. – sorriu de forma maliciosa par o marido.

– Ah, então o senhor tinha planos é? – Jae mudou sua posição rapidamente e sentou-se na cintura do marido. – Eu acho que eu também prefiro ficar aqui, nesse quarto, na nossa cama, pelo resto do dia. – disse beijando suavemente o pescoço do moreno. – E sabe fazendo o que?

– O que? – Yunho arfou com os toques do marido.

– Te amando. – disse contra a pele do marido, passando seus beijos para o maxilar do mesmo e depois para os lábios. – Te amando loucamente, como há muito tempo não fazemos. Hum? O que você acha?

– Era exatamente nisso que eu estava pensando. – Yunho agarrou a cintura do marido e o puxou para a cama, rolando e ficando sobre o menor. – Está vendo? Nós realmente somos almas gêmeas, até pensamos as mesmas coisas!

– Ah seu safado! Como se fosse possível eu não pensar nisso com você aqui tão perto. – Jae disse acariciando o rosto sorridentes do marido. Esqueceu seu cansaço, esqueceu os problemas e preocupações com Junsu e por um instante, pensou que seu filho estava bem nas mãos de seu mehor amigo, então aproveitaria ao máximo aquele momento, que eram raros devido às últimas circunstâncias.

– Que saudade que eu estava de você. – o maior sussurrava enquanto distribuía beijos pelo pescoço mais lindo e perfeito que já havia experimentado em toda a sua vida. – Do seu cheiro, da sua pele quente...

– Tava é? – Jae já estava perdendo o fio de seus pensamentos. Podia sentir sua bermuda ficando apertada cada vez que Yunho sussurrava e aquela respiração quente tocava sua pele. – Yun...

– Uhum... Eu tava com saudade de ouvir sua voz me chamando assim. Quando eu te toco e te dou prazer.

Seus lábio se tocaram provando daquele sabor já esquecido. Não era o caso de nunca se beijarem, mas os beijos daqueles momentos tão íntimos e tão cheios de calor e prazer, sempre tinham um sabor diferente. Era mais doce e mais viciante, tão mais necessário para ambos a ponto receberem aquilo como a dádiva de respirar.

Não tinham pressa. Passaram-se vários minutos até mudarem de posição. Queriam ir devagar, aproveitar cada segundo, e ter mais aquele momento entre as lembranças maravilhosas que colecionavam.

Jaejoong escorregou suas mãos para debaixo da camisa que o marido usava, experimentando tocar aquela pele quente pela qual tanto ansiava. E assim lentamente, peça por peça foi ao chão do quarto. Nenhum percebeu as horas correrem, se perderam em seus momentos, se amaram o quanto podiam, até não ter mais forças. Quando o fim da tarde chegou, estavam caídos na cama, suados, descabelados e ofegantes.

– Estou morto. – Yunho comentou encarando o teto enquanto sua mão esquerda segurava a do marido.

– Eu também. Nossa, não sei se estamos ficando velhos, ou se fomos com sede demais ao pote e tentamos tirar todo o atraso de semanas. – Jaejoong disse rindo enquanto se abraçava ao marido.

– Estou com fome. Que tal comermos o que eu trouxe para nossa tarde? Recarregar as baterias? Depois se der tempo nós voltamos pra cama.

– Que insaciável você hein. – Jaejoong riu enquanto levantava para procurar seu roupão e o do marido. – Mas eu aprecio a idéia. – vestiu seu roupão preto felpudo e pegou um branco para Yunho. – Aqui. Vista e vamos lá comer que agora me deu uma fome de leão.

Ambos seguiram de mãos dadas até a cozinha e preparam uma mesa farta para se alimentarem. Yunho tinha pedido algumas coisas no mercado e pedido para entregarem em seu trabalho. Vinho, castanhas, queijos, pãezinhos e os chocolates preferidos de Jaejoong. Este é claro, adorou tudo, fazendo questão de elogiar Yunho sobre como ele sabia sobre como o conhecia tão bem.

– Meu amor, você quer me engordar. Só pode. Sabe como eu amo esses chocolates?

– É claro que eu sei, por isso eu os trouxe. Você merece, esteve tão atarefado e preocupado esses dias, precisava de um mimo. – Yunho disse sorrindo.

Jae já estava tão acostumado a ter seus momentos com o marido, que a falta de visão do outro já não interferia de forma alguma na relação. Mesmo que nos últimos tempos Yunho às vezes tivesse alguns momentos melancólicos, principalmente depois daquela carta, quase sempre ele estava bem e a família estava feliz.

Assim que terminaram a refeição, voltaram ao quarto decididos a aproveitar mais um pouquinho das horas que ainda tinham a sós. Ambos tinham em mente que precisavam de mais momentos como aquele. E perceberam como sentiram falta um do outro naqueles dias atribulados.

= = = = = = = = = = = = =

Junsu olhava atentamente para todos os cantos do seu apartamento. Estava a quase vinte minutos procurando pelo sobrinho que o convenceu a brincarem de esconde esconde. Tinha que admitir, o sobrinho era muito bom em se esconder.

Estava quase desistindo quando notou um pedacinho de cadarço embaixo da cortina do seu quarto. Sorriu em expectativa e seu aproximou bem devagar. Puxou a cortina de uma vez.

– Aha! – disse vendo Junho de jogar nos seus braços.

– Você me achou! – Junho dizia sorrindo enquanto recebia cócegas de Junsu.

– Você é muito espertinho mocinho. Demorei um tempão pra te achar.

– Eu sei. – disse cruzando os bracinhos e estufando o peito.

– E muito humilde também. Está com fome? O que vai querer para o jantar?

– Oba! Posso escolher? Estou morrendo de fome.

– Claro que pode.

– Eu quero pizza. Uma bem grandona assim – e abriu os bracinhos sorrindo — de queijo, igual aquela que a gente comeu com o tio Yo... – Yunho de repente se calou e olhou com os olhinhos arregalados para o tio.

Junsu percebeu, é claro, de quem o sobrinho estava falando. Assim como percebeu ele também evitou falar o nome de Yoochun. Ambos ficaram alguns segundos em silêncio até Junsu acabar com o mal estar.

–Sim, eu me lembro daquele dia. – disse com um tom de tristeza. – Vou pedir com bastante queijo especialmente para você. Vai lá na sala que eu vou ligar na pizzaria e já vou lá para escolhermos um desenho bem legal.

Junho apenas concordou balançando a cabeça e saiu quietinho para a sala. Junsu sentou-se na cama e respirou fundo. Aquela dorzinha incômoda no peito deu sinal. Junsu tinha certeza que Jaejoong tinha dito ao filho para não falar sobre Yoochun. Mas Junho era só uma criança, nem sempre conseguiria evitar dizer o que lhe viesse a cabeça. Ele não tinha culpa. Respirou fundo e pegou o telefone para pedir a pizza. Depois de feito, foi para a sala.

– E então, já escolheu o desenho que vamos ver? – disse tentando parecer animado.

– Ainda não. – respondeu sem graça. Junho estava triste por não ter cumprido o que prometeu ao pai, e achava que tinha deixado seu tio triste.

– Ei, que desanimo é esse? Não quer jantar comigo? Pedi uma pizza especial pra você. Com muito queijo.

– Desculpa. – Junho disse olhando o chão.

– Desculpa pelo o que?

– Eu falei do tio Yoochun, te deixei triste. Eu prometi que não falaria dele para o appa, mas eu esqueci.

– Não precisa ficar triste. Eu sei que você gosta muito do tio Yoochun. Não se preocupe comigo, não fiquei triste. Vamos aproveitar a pizza e ver um desenho bem legal, está bem?

– Tudo bem. – Junho disse sorrindo. Estava mais aliviado com as palavras do tio.

E assim, quando a pizza chegou, Junho escolheu para assistir o DVD deAlvim e os Esquilos 3. Junsu tinha uma pequena coleção de filmes e animações infantis desde que Jae adotou Junho. Queria sempre que Junho se sentisse bem em sua casa, por isso comprava várias coisas para recebê-lo ali.

Depois que o filme acabou, Junsu resolveu levar o sobrinho para casa, pois já era quase hora de dormir. O caminho foi rápido, naquele horário o trânsito era bem tranquilo.

– Appa! – Junho entrou em casa gritando e pulando.

– Oi meu filho — Jaejoong apareceu na sala vestindo uma calça de moletom e uma regata – Como foi o dia? Se divertiu bastante?

– Sim appa, nos passeamos no parque, o tio Su comprou sorvete, algodão doce e eu ainda ganhei um carrinho novo, olha! – Junho falava tudo com rapidez, fazendo os dois amigos rirem da empolgação dele. – E nós comemos pizza no jantar, uma bem grande com muito queijo.

– Pizza é? – Jae deu uma olhada para o amigo que logo levantou as mãos em sinal de rendição e se defendeu.

– Eu sou o tio. Meu papel é providenciar a diversão. Você fica com a parte chata de fazê-lo comer legumes.

– Vamos ter uma conversinha sobre papéis depois senhor Junsu – disse Jae com um olhar ameaçador.

– Cadê o papai? – Junho pulou do colo de Jae e saiu correndo pelo corredor até entrar no quarto dos pais.

– E você Su? Como está? Ele deu muito trabalho? – Jae fez sinal para o amigo sentar no sofá com ele.

– Foi tranquilo, nos divertimos bastante. Acho que podemos repetir isso mais vezes. Fiquei muito feliz.

– Que bom. Junho te adora, então quando quiser vê-lo ou passear nem precisa pedir, ok? – Jae passou o braço em torno do amigo – E sem falar que eu tive um dia maravilhoso com o Yunho.

– Seu safado, por isso está com essa cara toda satisfeita – Junsu deu um tapa na perna de Jae – Devem ter passado o dia na cama, do jeito que são tarados.

– Credo Su, quem ouve acha que somos dois ninfomaníacos.

– Quase isso. – Junsu disse e levantou rápido para sair do alcance do amigo, se não levaria uns cascudos.

– Seu... – Jae jogou uma almofada na cara do amigo.

– Eu já vou Jae, antes que eu seja agredido seriamente aqui.

– Até amanhã Su. E obrigado por ter cuidado do Junho. Amanhã eu vou lá na livraria te fazer companhia.

– Até amanhã Jae.

= = = = = = = = = = = = = = = = = =

Jae entrou no seu quarto achando que teria que travar uma batalha para colocar Junho na cama, pois ele devia estar fazendo bagunça junto com Yunho. Mas para sua surpresa, encontrou Junho dormindo em cima do pai, que também havia adormecido. Jae sentiu uma alegria imensa ao ver aquela cena. Como não ser feliz quando as pessoas que você mais ama estão bem e felizes? A livraria ía bem, Junsu estava se reerguendo aos poucos, Changmin estava se mostrando um excelente gerente, Junho estava crescendo feliz e Yunho e ele se amavam cada dia mais. O que mais poderia querer?

Jaejoong voltou a sala e verificou se tudo estava trancado, as luzes apagadas e logo foi se deitar. Não levou Junho para seu quarto, não resistiu se juntar aos dois amores de sua vida.

= = = = = = = = = = = = = = = = = =

Não muito distante dali Junsu chegava em casa. Estava um pouco cansado, seu sobrinho tinha muita energia. Mas no fim o dia havia sido maravilhoso. E o que mais Junsu desejava é que ele não terminasse, pois sabia que chegaria a hora de voltar pra casa e estar sozinho de novo.

E era exatamente assim que estava naquele momento. Sozinho, numa cama enorme, fria e com o coração sangrando. Yoochun povoava seus pensamentos toda a vez que se achava sozinho. E durante a noite, nas raras vezes que conseguia dormir, tinha pesadelos onde se via novamente naquele dia terrível, mas diferente do que houve, via Yoochun partir d mãos dadas com uma estranha, ambos sorrindo e acenando para Junsu.

Acordava sempre chorando e muitas vezes teve a impressão de estar gritando enquanto dormia, pois sua garganta ardia. E a única coisa que lhe restava era sempre se levantar, vestir um roupão, fazer uma xícara de cappuccino e sentar-se perto da janela da sala observando a noite virar dia enquanto pensava e tentava entender em que ponto sua vida tão perfeita e feliz tinha virado aquele pesadelo. Não conseguia entender como Yoochun poderia fazer-lhe tantas promessas numa noite e no dia seguinte se casar com outra pessoa. Quanto mais tempo pensava, mais a idéia de que o pai de Yoochun tinha algo a ver com tudo aquilo se fixava em sua mente. Mas mesmo assim, mesmo que o pai houvesse interferido na vida deles, Yoochun poderia ter lutado, poderia ter contado pra ele e juntos encontrariam uma saída. Mas o outro apenas o abandonou. E agora Junsu não tinha mais nada.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = =

No dia seguinte, quando Kyuhyun acordou, demorou algum tempo para entender onde estava. Observou o quarto em tons escuros, e se deparou com Changmin deitado ao seu lado. De repente todas as lembranças voltaram, e Kyuhyun sentiu-se mal, lembrando que aquele homem havia o tocado tantas vezes. Levantou-se apressado, tropeçando nos próprios pés começou a procurar o banheiro desesperadamente. Achou a porta ao lado do quarto e entrou correndo e se ajoelhando diante do vaso colocou tudo o que não havia em seu estômago pra fora.

Chagmin acordou com o barulho que Kyuhyun fez ao levantar-se e foi atrás do menor. Encontrou-o vomitando no banheiro e se aproximou para ajuda-lo. Mas Kyuhyun apenas o empurrou, enquanto tentava controlar a ânsia.

– Eu não vou sair Kyuhyun, nem adianta reclamar.

– Sai... Por favor. Eu sou... Estou tão... – e novamente o vômito veio.

Kyuhyun era um misto de suor e lágrimas. Seus machucados eram visíveis, e assim parecia ainda mais frágil.

Depois de alguns minutos a ânsia passou, mas as lágrimas não. Changmin não saiu de perto dele um minuto. E quando o menor deixou-se cair no chão do banheiro encostando as costas do azulejo frio, Changmin apenas o amparou e ficou ali o ouvindo chorar, segurando uma de suas mãos tentando passar-lhe segurança.

– Eu... Eu quero tomar um banho. Eu preciso... – Kyu pediu ao mais velho.

– Ok, tire suas roupas e entre no chuveiro. Vou procurar uma toalha limpa. – Changmin o ajudou a levantar-se e saiu do banheiro logo em seguida.

Demorou um tempinho pra achar a toalha, pois seu quarto não era muito organizado, mas assim que encontrou voltou ao banheiro. Ao entrar notou que Kyuhyun já estava no chuveiro. O box era de vidro, e estava embaçado pela água quente. Já iria avisar ao outro que a toalha estava em cima da pia, mas notou que a parte de baixo do box, onde era mais frio e menos embaçado, os pés de Kyuhyun estavam envoltos numa possa de água e sangue. O maior de assustou e abriu o box sem cerimônia para ver o que estava acontecendo.

– Kyu você está sangrando! – Changmin então notou que o mais novo estava esfregando a pele com força, abrindo os ferimentos que já haviam fechado, e deixando a pele machucada. — O que você está fazendo? Pare com isso!

– Não! Eu preciso... Eu estou sujo, tira isso de mim... – Kyuhyun chorava enquanto continuava esfregando, evitando as tentativas de Changmin de fazê-lo parar.

O mais velho agarrou-se a Kyuhyun, abraçando-o. Apertou- o em seus braços contendo seus movimentos para que ele não se ferisse ainda mais.

– Por favor, pare. Você está sangrando. Você não é sujo.

– Eu sou sim, aquele cara me sujou. Ele me... Ele me...

Changmin o apertou mais ainda nos braços, não se importando em estar todo molhado.

– Kyuhyun?Aquele cara... Te tocou assim? – o maior quase cuspiu cada palavra. Finalmente estava entendendo tudo o que havia acontecido, não imaginava que havia chegado tão longe. E estava com tanto ódio que se visse o cara na sua frente o mataria sem pensar duas vezes. – Ele abusou de você? Eu preciso saber.

Kyuhyun não disse nada, apenas afirmou com a cabeça depois de longos minutos. Changmin fechou os olhos tentando segurar as lágrimas. Estava tão perdido e ao mesmo tempo tão raivoso, que temia dizer as palavras erradas e fazer Kyuhyun sofrer ainda mais.

– Quantas vezes? – perguntou baixinho. Sabia que era sofrido para o menor dizer aquilo, mas precisava saber.

O silêncio imperou no banheiro. Kyu não disse mais nada. Changmin o ajudou a se secar e se vestir. Também trocou ua roupa por uma seca e deixou o menor sentado na cama enquanto foi preparar algo para comerem. Fez um chá com algumas torradas e frutas e levou para o quarto. Colocou tudo na mesinha ao lado da cama e sentou-se do lado oposto de Kyu.

– Coma, você precisa se alimentar para tomar o remédio.

Kyuhyun pegou a xícara de chá com as duas mãos e tomou um gole. Changmin estava sentado de costas pra ele, olhando a parede do quarto e pensando em mil maneiras de fazer aquele cara pagar pelo que tinha feito.

– Cinco vezes. – Kyuhyun disse baixinho.

Changmin ouviu as palavras do menor, mas nada disse. Esperou o menor terminar de comer, deu o remédio a ele e depois o fez deitar-se novamente. Pegou limpou os ferimentos que haviam aberto. Logo depois Kyuhyun adormeceu.

Changmin saiu do quarto e foi até a cozinha. Pegou seu celular e ligou novamente para Jaejoong. Precisava tomar providências rapidamente. Pediu a Jae que viesse ao seu apartamento assim que possível, pois a história de Kyuhyun era bem mais complicada do que tinham imaginado. Jaejoong se dispôs a vê-lo no dia seguinte pela manhã, então desligou o celular e voltou ao quarto para vigiar o sono do mais novo.

Ele tinha que se acalmar, pois estava a ponto de cometer uma loucura, ou melhor, um assassinato. E mais que nunca Kyuhyun precisava dele, não poderá agir e cabeça quente. Agora que tinha o menor ali, não o deixaria ir nunca mais.

Continua....

Notas finais
E então? Espero que tenham gostado. Não me batam, sei que tem gente sofrendo com alguns personagens, mas nada na vida é fácil, certo? Ansiosa para postar o próximo. A previsão é que na próxima semana eu já poste. kissus
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.