My Heart In Your Eyes
10 Para sempre você, para sempre seu
Notas iniciais
Logo que amanheceu Junsu e Yoochun foram para casa tomar banho e se alimentarem. Também passaram pelo apartamento dos amigos e pegaram trocas de roupa tanto para Jaejoong como para Yunho.
No hospital, Yunho se retirou do quarto onde o namorado estava para que o médico o examinasse e o medicasse. Disse ao médico que a demora de Jae para acordar o estava deixando preocupado, mas o profissional o tranqüilizou, explicando que isso era comum em casos como o de Jae, por causa da pancada na cabeça.
Enquanto Jae era examinado, Yunho ficou no corredor ao lado de fora do quarto. Ouvia os passos apressados à sua volta, indicando o movimento dos funcionários daquele lugar. Então uma conversa baixa chamou a atenção de Yunho, pareciam duas mulheres falando.
– É mesmo? Ai que pena, tão pequeno.
– É, também achei. Como uma pessoa tem coragem de abandonar uma criança assim?
– Mas não tem nenhum parente? Ninguém que possa pelo menos ajudar até resolverem a situação da criança?
– Parece que não. Ele está sozinho nesse mundo.
Yunho ficou escutando a conversa, tentando captar todos os detalhes. Quando percebeu que a conversa seria encerrada, resolveu se aproximar.
– Com licença? – Yunho se dirigiu ao lugar de onde as vozes vinham.
– Posso ajudá-lo? – uma das mulheres respondeu.
– Me desculpem, mas ouvi a conversa de vocês sem querer. A criança que citaram foi a do acidente de ontem?
– Sim. Estávamos falando que não encontraram a família dele. Parece que foi abandonado.
– E o que vai acontecer com ele? – Yunho sentiu-se angustiado pela criança.
– Bem, acho que quando tiver alta, vão levá-lo para um orfanato. — Yunho percebeu a tristeza presente na voz da outra mulher. – É uma pena mesmo, um garotinho tão lindo!
– Posso pedir um favor? Gostaria de falar com o garoto. É que foi meu namorado quem o salvou no acidente. Eu queria muito saber como ele está.
Ouve um minuto de silêncio, mas Yunho percebeu o desconforto das duas mulheres quando ele disse que Jae era seu namorado.
– Ah! Claro. Você é o namorado daquele rapaz bonito que salvou o garotinho? Te levo sim, venha. – A mulher tentou disfarçar o espanto e pegou a mão de Yunho para levá-lo até o quarto onde a criaça estava internada.
– Pronto, chegamos. – A mulher levou Yunho até o lado da cama onde o menino com um carrinho. – Junho! Tudo bem? Eu trouxe uma pessoa para te ver.
O menino encarou Yunho e olhou de volta para a enfermeira, esperando por mais alguma palavra.
– Esse moço é amigo daquele homem que te ajudou, lembra?
– Sim, você é amigo do moço bonzinho?
– Sim, eu sou. E você está bem?
– Eu estou. Eu queria ir para casa, mas ninguém deixa eu sair – o garoto fez um biquinho fazendo a enfermeira rir.
– Como ele é? – Yunho perguntou baixinho para a enfermeira, sem que o garoto escutasse.
– Ele é lindo. Seus cabelos são bem escuros, assim como seus olhos. Sua pele é branquinha e ele lembra um anjinho. Muito fofo.
– Quem é fofo? – o menino perguntou encarando os adultos que estavam o observando.
– Você meu anjo. Agora descanse porque já vou trazer seu lanche.
A enfermeira guiou Yunho de volta para o quarto de Jae. Yunho não conseguia esconder a tristeza por saber da situação daquele garotinho. Ele sabia muito bem como era ser sozinho, pois há anos sua vida seguia assim, até Jae aparecer.
Yunho sentou-se de volta na cadeira ao lado da cama de Jae e procurou pela mão deste, a segurando firme e voltou seus pensamentos para aquele garotinho. Passou um bom tempo até Yunho sentir seus dedos da mão serem levemente pressionados.
– Yun... – a voz de Jae pegou Yunho de surpresa. Era uma voz bem fraca, mas o maior reconheceu imediatamente.
– Meu amor? Você acordou? Graças aos céus, eu estava com tanto medo! – Yunho sentiu a mão fria de Jae em seu rosto. Seu coração se aqueceu rapidamente. Estava esperando ansiosamente pelo momento em que ouviria a voz de seu anjo novamente.
– Yun... A criança...
– Shiiii, não se esforce meu anjo. A criança está bem, acabei de falar com ele. Mas e você? Como se sente?
– Cansado. — Jae falava baixo, ainda sentia muitas dores pelo corpo. – Me desculpe.
– Desculpar o que amor? – uma lágria riscou o rosto de Yunho.
– Eu te deixei preocupado, não foi?
– Tudo bem meu anjo, o susto já passou. Você precisa descansar. Eu estou aqui, bem ao seu lado.
– Yun... Eu te amo...
– Eu também te amo meu anjo.
Jae fechou os olhos e adormeceu novamente, mas Yun ficou mais calmo. Ouvir a voz de Jae o tranqüilizou bastante. Mais uma vez recostou-se na cadeira ainda segurando a mão do namorado. Ficou a pensar no pânico que sentiu quando alguém ao telefone lhe falou que Jae tinha sofrido um acidente. Foi a pior sensação que Yunho sentiu em toda a sua vida. Não podia se comparar nem a sensação de quando descobriu que ficaria cego.
Naquele momento Yunho se deu conta da grandiosidade de seu amor por Jae, não que antes achasse que era pouco, mas agora era mais definido do que nunca, viu que jamais viveria sem o outro. Era a Jae o que Yunho precisava para o resto da vida, seu sorriso o fazia feliz, suas palavras o confortavam, seu respirar fazia a vida de Yunho se mover e ter sentido. Definitivamente Jae era seu ar, era ele a quem Yunho devia todo o seu amor e dedicação e à ele somente desejaria para o resto de seus dias. Com esses pensamentos Yunho tomou a decisão para ir em direção ao que ainda faltava na vida de ambos.
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Era o décimo dia de internação de Jae e seu último, finalmente poderia ir para casa. Depois do terceiro dia, Jae ficou mais tempo acordado, fazendo Yunho e os amigos ficarem mais tranqüilos. Não podia se mexer muito por causa das fraturas, por isso ficou um pouco manhoso e rabugento, mas o namorado o agradava de todas as formas, o enchendo de mimos e fazendo todos os seus desejos.
O garotinho que Jae salvou foi visitá-lo em seu quarto. Yunho acabou contando para Jae a situação do garoto abandonado. O namorado ficou inconformado, dizendo que não podia deixar aquele garotinho sozinho e sem ajuda nenhuma. Yunho prometeu que dariam um jeito de ajudar, mas fez Jae esquecer assunto o distraindo com suas doces carícias, já que Jae estava mais carente que nunca. Resolveriam esse assunto mais tarde.
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– Finalmente em casa! – Jae disse quando Yoochun e Junsu o colocaram na cama. – Não agüentava mais aquele lugar, hospitais cheiram tristeza. Que horror!
– É, tenho que concordar que não um lugar tão agradável.- Junsu concordou com o amigo.
– Yoochun, pode vir aqui me dar uma mãozinha? – Yunho gritou da sala. Yoochun se retirou do quarto, deixando Junsu e Jae conversando.
– Yoo, preciso muito da sua ajuda. E do Junsu também, mas é segredo e o Jae não pode nem sonhar com isso.- Yunho explicou para o amigo, falando bem baixinho para Jae não escutar.
– Entendi Yun, vou falar com o Su. Pode contar com a gente.
– Valeu mesmo, eu nem sei o que faria sem vocês. – Yun deu uma tapinha nas costas de Yoochun.
Depois de uma hora, Junsu e Yoochun foram embora, deixando Jaejoong aos cuidados de Yunho.
– Amor, fica aqui comigo. – Jae fazia biquinho toda vez que Yunho se levantava da cama e saía do quarto.
– Meu anjo, eu vou buscar um lanche para você. Não pode ficar sem comer, está em recuperação, esqueceu?
– Hum... Eu sei. Mas não quero ficar sozinho.
– Só vai levar um minuto, já volto.
Os dias que se seguiram foram quase todos assim. Yunho descobriu como seu namorado podia ser manhoso quando estava de cama. Mas não reclamava e fazia todas as vontades do menor.
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Depois de dois meses Jae já estava bem melhor. Sua perna não estava mais engessada e ele já andava sozinho pela casa. As cicatrizes dos braços já estavam sumindo e do rosto já estavam quase extintas. O único incômodo eram as tonturas que iam e vinham sem avisar, mas depois de uma visita ao hospotal e mais alguns exames, o médico disse que era normal e que logo passaria.
Todos voltaram aos seus afazeres normalmente, Yunho ia trabalhar todos os dias, deixando Jae em casa. Yoochun fazia questão de passar na casa dos amigos todos os dias para ir com Yunho até o trabalho. Este não sabia, mas Jae foi quem pediu o favor ao amigo. Nunca gostou de deixar Yunho sair sozinho, mesmo este insistindo que podia se virar.
O Outono chegou sem grandes novidades e numa tarde fria Jae se encontrava em casa lendo um novo livro de receitas que havia comprado. Estava esperando pelo namorado que estava demorando um pouco mais que o normal para chegar. Já haviam passado mais de duas horas de espera . Nos últimos dias, Yunho estava chegando sempre atrasado em casa, o que deixava Jae furioso, por nunca saber onde o maior estava. Jae ligou várias vezes no celular do outro, mas ninguém atendeu.
– Céus, ele vai me enlouquecer assim! – Jae resmungava para si mesmo.
A porta se abriu e Jae saiu correndo do quarto para encontrar a pessoa tão esperada.
– Yun, pode saber onde... – Jae parou de falar quando viu que era Junsu que estava entrando.
– Oi Su, é você? Achei que fosse o Yun... – Jae não conseguiu esconder a decepção.
– Credo Jae, vou embora então, que cara é essa? Vim super feliz te convidar para sair comigo e você me vem com essa cara?
– Ai desculpa Su, é que o Yun ta demorando. Esses últimos dias ele tem estado estranho, chegando mais tarde todos os dias.
– Ah, não fique assim. Ele está trabalhando muito. Vim te fazer um convite. Eu e o Yoo estamos querendo ir na ilha Jeju. Sabe... Dar um passeio por lá, que tal? Você e o Yun podiam vir também.
– Hum, não sei se Yun vai querer.
– Vai sim, o Yoo falou com ele hoje no telefone e ele disse que por ele tudo bem, e que ia ver com você. Mas você sabe que eu não agüento esperar né, por isso vim te perguntar. – Junsu deu um sorriso fofo para o amigo.
– Ai Su, não te agüento, você é demais. Vamos então né. Quando?
– Amanhã.
– Mas já? Tenho que preparar as coisas para levar e...
– Pode parar. Não precisa de nada disso. Leve apenas umas duas trocas de roupa para você e o Yun, o resto a gente arranja. Só relaxe, ok? – Junsu explicou sem deixar Jae abrir a boca para protestar.
– Tá bom, não entendi nada, mas tudo bem. – Jae disse se virando para ir para o quarto escolher as roupas para levar.
Na manhã seguinte quando Jae acordou havia um bilhete de Yunho na mesinha ao lado da cama.
Bom dia meu anjo!
Tive um problema no trabalho e não vou poder ir com você para a ilha. Mas eu vou mais tarde. Pode ir com o Yoochun e o Junsu, de tarde estarei lá com você. Não se preocupe comigo. Sim, eu sei que você está preocupado achando que eu não me viro sozinho. Mas não se preocupe, estarei lá para você antes que sinta minha falta.
Eu te amo
Seu Yun
Jae não pode deixar de sentir seu coração aquecer quando leu o final do bilhete.
– Meu Yun... – repetiu o que leu e deu um beijinho no bilhete.
Yoochun e Junsu passaram na casa de Jae para apanhá-lo e depois seguiram para a tal ilha.
– Jae, se anima vai. O Yun não vai demorar. – Junsu tentava animar o amigo que estava com um imenso bico por estar sozinho.
Ao chegaram na ilha, os três amigos foram almoçar. Jae comeu pouco, pois a falta de Yunho tirava até seu apetite. Logo depois foram passear e claro que Jae continuou emburrado. A tarde passou com uma lesma para Jae, nunca pensou que Yunho lhe fazia tanta falta ao ponto de não conseguir nem olhar a bela paisagem à sua volta.
Já era final de tarde e nada de Yunho chegar. Jae estava começando a ficar nervoso com aquela situação. Afinal, Yun prometeu não demorar e não era do feitio do namorado na cumprir promessas.
– Jae, o Yoo acabou de falar com o Yun. – Junsu entrou no quarto de hotel em que Jae e Yun ficariam hospedados naquela noite.
– Como assim? Por que ele não me ligou? – Jae começou a ficar com raiva.
– Foi o Yoo que ligou Jae, nós estávamos preocupados com a demora. – Junsu tentou disfarçar. – Ele disse que está a caminho e vamos nos encontrar lá na praia para vermos o pôr do sol. Anda, levanta daí e vai se arrumar. Eu até trouxe uma roupa nova para você. – Junsu entregou a sacola que segurava ao amigo.
– Roupa nova para mim? Para que? – Jae pegou a sacola desanimado.
– Deixe de ser chato, é só que eu imaginei que você não traria roupas para um por do sol na praia. Fui comprar uma para mim na loja do hotel e aproveitei e comprei para você também.
– Hum... Obrigado então. – Jae disse sem graça. Sabia que o amigo estava tentando ao máximo anima-lo, mas não estava ajudando muito. – Vou tomar banho e me vestir.
Depois do banho Jae foi vestir a tal roupa e até achou bonita. Uma regata branca, uma camisa aberta por cima, também na cor branca e uma calça na cor bege, bem clara, quase branca. E para completar, um par de sandálias brancas, afinal, estaria na praia, então, nada de sapatos.
Depois de pronto, foi se encontrar com os amigos no hall do hotel.
– Nossa Jae, as roupas ficaram ótimas em você. – Junsu comentou olhando o amigo com satisfação.
– Valeu. Vocês estão ótimos também. – Junsu estava de calça branca e uma camisa cinza claro e sandálias. Yoochun estava de bermuda branca, camisa de mangas longas na cor bege e chinelos.
Os três seguiram para a praia caminhando. Durante o caminho Jae não disse uma palavra, só pensava no que estava acontecendo nos últimos dias. Yunho estava sempre atrasado, sempre trabalhando demais e isso não estava bom. Não percebeu quando se afastou dos outros dois. Parou por um instante e ficou observando o mar. Já estava quase na hora do por do sol e Yunho ainda não havia chegado.
Fechou os olhos e se concentrou na brisa que vinha do mar e acariciava seu rosto. Era uma sensação muito boa, trazia um sentimento de paz e tranqüilidade para o coração de Jae.
– Senti sua falta... – Jae foi tirado de seus pensamentos por mãos que envolveram sua cintura por trás e pela doce voz de seu amado sussurrando em seu ouvido.
– Yun... – Jae se virou e encontrou os olhos do maior o encarando. Seus olhos estavam tão brilhantes, tão lindos, que Jae se esqueceu de todas as palavras duras que queria falar para ele até há alguns segundos atrás e lhe beijou os lábios macios e quentes. Um beijo doce e gentil, que demonstrava todo o amor que sentiam um pelo outro.
– Você demorou. – foi tudo o que conseguiu dizer ao deixar os lábios do namorado.
– Me perdoe. Tinha que acertar umas coisas de última hora.
– Que coisas?
–Você vai ver. Venha, vamos dar uma volta.
Caminharam de mãos dadas pela praia de mãos dadas. Yunho vestia uma calça branca e uma branca de mangas longas. Estava muito bonito e Jae na deixou de reparar nesses detlhes. Depois de um tempo de caminhada, a tarde caía e o por do sol se aproximava. Jae viu que se aproximavam de um local muito bem arrumado. Parecia uma festa no meio da areia da praia. Haviam várias lanternas em forma de bola na cor branca cercando o que parecia ser um arco, um altar de casamento, todo adornado de flores brancas. Cadeiras de madeira também pintadas de branco formavam fileiras perfeitas para os convidados assistirem ao evento. Bem ao lado do altar um grande piano branco se destacava na imensidão que era o azul do mar que se estendia logo atrás.
Logo acima daquele altar, haviam pequenas mesas armadas sobre grandes tapetes. Sobre cada uma delas havia uma lanterna, e ao invés de cadeiras, grandes almofadas de cor clara foram dispostas para os convidades sentarem-se, com algumas pequenas almofadas coloridas se destacando entre elas. Na areia mais lanternas iguais as das mesas foram espalhadas, assim como uma pequena fogueira foi montada próximo ao local. Bandeiras brancas cercavam o pequeno espaço que foi armado para a festa. E pelo caminho muitas velas brancas já se destacavam acesas na areia.
– Parece que terá uma festa aqui hoje. – Jae comentou com o namorado quando estavam bem perto do lugar decorado.
– Sério? Por que?
– Ali à sua diretia, tem um monte de cadeiras, flores e tem até um piano.
– Mesmo? Um piano na praia? Que legal.
– É, parece ser um casamento e se for, será lindo. Está tudo muito bonito.
Yunho parou de andar e se virou de frente para o namorado. Não podia vê-lo, mas sentia sua respiração bem próxima de seu rosto.
– Jae, posso te perguntar uma coisa? – Yun fez uma cara séria e preocupada.
– Claro meu amor.
– Você não tem vontade de se casar um dia, de ter filhos e formar uma família?
– Claro que eu tenho. – Jae se surpreendeu com a pergunta, mas respondeu rápido e bem claro. – Por que?
– É que eu fiquei pensando nisso essa semana. Eu nunca poderei te dar tudo isso, uma família assim.
– Ah meu amor, não diga isso. Claro que você pode. Nós já somos uma família, eu e você. Se um dia decidirmos querer um filho, nós podemos adotar.
– Mesmo? Eu não pensei que você quisesse uma família assim.
– Assim como? Para mim, isso é uma família normal. Nós somos um casal e podemos adotar uma criança, seremos uma família como todas as outras.
Yunho sentiu seu peito explodir em alegria com as palavras do namorado. Aquilo era tudo o que precisava ouvir para ir até o fim com seus planos.
– Jura? Se eu te pedir em casamento um dia então, você vai aceitar?
– Claro, eu te amo e quero ficar com você para sempre. – Jae acariciou o rosto de Yun e depois o abraçou, aconchegando a cabeça em seu peito.
– Então... – Yunho afastou Jae de seu peito – Venha comigo, quero te mostrar uma coisa.
De repente uma música chamou a atenção de Jae. Alguém estava tocando o piano e Yunho estava o puxando em direção à música.
– Onde vamos? -Jae não entendia nada. Quando estavam bem em frente ao altar, no meio daquela estrutura de flores e lanternas, Yunho parou e se virou para Jae. O sol começou a descer e se esconder atrás da imensidão do mar, dando ao céu uma coloração indescritível, uma mescla de cores que pintor nenhum conseguiria reproduzir numa tela. Pessoas se aproximaram e tomaram os seus lugares das cadeiras ali dispostas. Mas nenhum dos dois protagonistas da cena notou as pessoas que ali assistiam a cena emocionados.
– Jae... – Yunho segurou a mão esquerda do outro e levantou seus olhos como se encarasse o namorado. – Você sabe o quanto eu te amo, o quanto você completa minha vida. No dia daquele acidente eu pensei que te perderia. Nunca me senti tão perdido, nunca senti tanta dor e jamais imaginei que pensaria em tirar a minha própria vida algum dia. Mas naquele dia eu pensei isso. Se eu te perdesse, não teria mais sentido continuar vivendo. – Jae estava imóvel ouvindo aquelas palavras, seu coração doeu ao ouvir que o outro pensou em tirar a própria vida. – Por isso eu decidi que de agora em diante seria diferente. Eu quero construir uma família com você, quero que seja meu para sempre e quero ser seu da mesma forma, para o resto de minha vida. Aceita se casar comigo?
Jae não sabia o que dizer. Uma lágrima riscou seu rosto e ele apertou a mão de Yunho que ainda segurava a sua. Não esperava por aquilo, o namorado realmente o surpreendeu.
– Eu... Eu aceito. – Jae disse apenas isso e sentiu imediatamente um metal gelado ser colocado em seu dedo anelar da mão esquerda. Olhou para a própria mão e viu o brilho dourado de uma aliança em seu dedo.
Yun pegou o outro anel e entregou ao namorado. Jae pegou a aliança, mas antes de colocá-la no dedo de Yunho, parou por um instante tentando conter as lágrimas, precisava falar uma coisa e não queria chorar naquele momento.
– Eu nem preciso dizer o quanto eu te amo, mas eu acho que você precisa ouvir. Eu agradeço todos os dias por ter passado naquela praça durante aquele tempo. Eu agradeço por aquela chuva que me fez te levar para minha casa. Eu agradeço por ter você em minha vida, que seria totalmente sem sentido sem você. Eu quero sim, estar ao seu lado para o resto de minha vida e construir uma família junto com você. Eu te amo. – Jae disse as últimas palavras enquanto colocava a aliança nos dedos do namorado.
Yunho o puxou para um beijo e depois se abraçaram. Yoochun e Junsu estavam ao piano tocando e assistindo aquela cena linda de demonstração de amor. E os outros convidados, amigos e conhecidos do trabalho de ambos os noivos que ali testemunhavam a união, aplaudiram o casal.
– Eu sei que ainda não posso me casar com você perante a lei. – Yunho disse ainda abraçado ao seu agora esposo. – Mas até lá, você sempre será meu companheiro. O que importa são nossos sentimentos. E a partir de hoje somos casados e construiremos uma família juntos.
Jae não agüentou mais segurar e começou a chorar. Estava tão feliz e se sentiu tão amado naquele momento que só queria ficar ali abraçado ao seu amor e deixar seus sentimentos transbordarem de seu coração. Mas foi interrompido pelos gritos e palmas dos amigos.
O casal se separou e foi abraçado por Yoochun, Junsu, Changmim, os funcionários da livraria e alguns colegas de trabalho de Yun. Só então Jae percebeu que aquela festa toda era para ele e que Yunho tinha planejado tudo sem que ele percebesse.
– Vocês hein... Sabiam de tudo e me esconderam direitinho. – Jae disse abraçando Junsu.
– Claro, o Yun pediu segredo absoluto. Desde o dia que você saiu do hospital nós estamos planejando tudo para que hoje fosse tudo perfeito.
– Ai, eu adoro vocês! – Jae agora estava em um abraço em três, pois Yoochun se juntou à eles.
– Parabéns Jae, espero realmente que seja muito feliz! – Changmim, o gerente da livraria de Junsu e Jae o cumprimentou com um abraço caloroso.
– Obrigado Chang, que bom que você está aqui.
Jae não deixou de notar que Changmin estava um pouco abatido, mas não quis estragar o momento, depois teria tempo para conversar com ele. Mesmo que não fossem amigos íntimos, eles tinham uma relação muito boa no trabalho há muito tempo.
A noite chegou e todos se divertiam na pequena festa realizada por Yunho. Muita bebida, muita comida, música e risos. Mesmo sendo poucas pessoas, a festa estava muito animada. Jae não conseguia parar de olhar para Yunho, vendo que o esposo estava tão feliz, sorrindo o tempo todo, nem parecia aquele Yunho rabugento com quem começou a namorar no ano anterior. Com esse pensamento Jae se assustou. Já faziam quase dois anos que se conheceram. Não parecia que tanto tempo havia passado.
Depois de algumas horas, os convidados começaram a se retirar. Yunho pegou a mão de Jae e saiu o puxando pela praia. Sentaram-se na areia, já bem afastados do local da festa. Jae deitou a cabeça no peito do namorado e este o apertou em seus braços. Ficaram assim por alguns minutos. Não havia ninguém daquele lado da praia, o único som era o farfalhar das ondas do mar.
– Yun...
– Hum...
– Obrigado.
– Pelo o que?
– Por tudo. Por hoje, pela festa, por estar comigo e principalmente por me amar.
– Eu é que tenho que agradecer meu anjo, por ter você em minha vida.
O silêncio reinou mais uma vez.
– Jae...
– Hum...
– Preciso te perguntar uma coisa.
– O que foi?
– Quando você falou em adotar uma criança, você falou sério? Tem mesmo vontade de ser pai?
– Claro que falei sério. Eu quero muito ser pai, adoro crianças e acho que seria maravilhoso. Por que está perguntado?
–É que... Eu fiz uma coisa essa semana, mas não sei como te dizer.
Jae se levantou e sentou de frente para Yunho.
– O que? – Jae sentiu um friozinho na barriga.
– Eu... Eu, sabe... Aiiishsh, não sei como te dizer.
– Ai Yun, você está me deixando preocupado.
– Me desculpe, é que não sei como você vai reagir ao saber. Mas vou te contar. – respirou fundo.- Sabe aquele garotinho que você salvou no acidente?
– Sei... – Jae começou a perceber o que estaria por vir e seu coração disparou.
– Lembra que nós combinamos no hospital que faríamos algo à respeito para ajuda-lo?
– Sim meu amor, eu lembro.
– Eu... Eu entrei com os papéis essa semana para adotá-lo. – Yun falou de uma vez e fechou os olhos esperando a reação de Jae.
– Você o que? – Jae arregalou os olhos ao ouvir tais palavras.
– Eu quero adotá-lo. Ele foi abandonado, está em um orfanato provisoriamente. Eu conversei com ele lá no hospital e gostei tanto dele. E eu quero tanto ter uma família de verdade com você, eu não sei se...
As palavras de Yunho foram interrompidas quando este sentiu o corpo de Jae sobre o seu, o que fez com que caísse de costas na areia.
– Jura meu amor? Eu te amo tanto... Eu queria muito fazer isso, mas fiquei com medo de que você não quisesse ter uma criança em casa, por isso não falei nada. Eu também amei aquele garotinho, é tão fofinho, me lembra tanto você... – Jae falava as palavras apressadamente entre os beijos que distribuía no rosto de Yun.
– Mesmo? Você não ficou chateado? Eu sei que devia ter falado com você antes, mas eu queria fazer uma surpresa, assim como o casamento.
– Eu amei meu amor. Estou tão feliz. – Jae se apossou dos lábios de Yun sem avisar. Yun passou as mão pela cintura do outro o trazendo para mais perto. O beijo esquentou os corpos de ambos rapidemente. Estavam loucos de desejo, desde o acidente de Jae eles não transaram, pois os ferimentos de Jae foram profundos, impedindo que ele se esforçasse fisicamente.
Yunho passou a mão pelas costas do menor e subindo a mão por dentro da camisa deste.
– Yun... Aqui não... E se alguém nos ver?
– Ninguém vai ver meu amor, não há ninguém aqui a essa hora.
– Mas Yun... – Jae foi interrompido pelos lábios do namorado novamente. Yunho girou e se colocou em cima do corpo de Jae. Tirou a camisa e a regata do menor, o deixando apenas de calça. Distribuiu beijos por todo o pescoço, peitoral e abdômen de Jae, fazendo com que este soltasse gemidos involuntários cada vez que os lábios de Yun tocavam sua pele.
Não demorou muito e ambos estavam completamente nus, deitados sobre as roupas na areia da praia e se amando sob a luz do luar. Yunho penetrava fundo o corpo de seu amado, fazendo Jae gemer seu nome alto e cravar as unhas em suas costas. Movimentavam-se freneticamente, o suor do corpo de ambos fazia com que a pele deles brilhasse sob a luz fraca.
Acabaram rolando pela areia e Jaejoong sentou sobre o membro do marido tornando tudo mais profundo e intenso. Sussurros, gemidos, declarações de amor afogadas por beijos intensos e carícias. Chegaram ao ápice juntos e Jae caiu sobre o corpo do outro ainda trêmulo pelos espasmos de prazer. Ficaram parados por alguns instantes esperando a respiração voltar ao normal.
– Eu te amo. – Jae sussurrou no ouvido de Yunho
– Eu também te amo meu anjo.
Jae rolou para o lado e deitou-se de costas na areia. Entrelaçou sua mão direita com a do agora marido e estendeu sua outra mão para cima e ficou olhando sua aliança contra a luz da lua.
– Yun...
– Oi meu anjo.
– Quando ele vem?
– Quem?
– Nosso filho, quando ele virá para nossa casa?
– Vai demorar um pouquinho. Eu dei entrada nos papéis necessários. Agora é esperar, a assistente social vai nos visitar, fazer algumas perguntas e ver se temos condições financeiras e um lar estável para criar uma criança. Se tudo for aprovado ele virá passar um tempo de experiência conosco e aí sim teremos a guarda definitiva dele.
– Yun... – Jae cahmou de novo depois de algunas minutos de silêncio.
– Oi...
–Nós vamos ser pais. – Jae não pode conter aqueles pensamentos de felicidade.
– Sim, meu amor, seremos pais. Nossa família estará completa. – Yun sentiu o peso daquelas palavras, mas seu coração estava em festa. Finalmente teria uma família junto com o amor de sua vida.
Depois de um tempo, os dois levantaram-se, vestiram suas roupas e se deitaram na areia novamente. Não tinham pressa de sair dali, permaneceram abraçados por um longo tempo. Jae estava deitado com a cabeça no peito de Yunho, sentindo o coração de ambos palpitarem. O menor acabou adormecendo e Yun o deixou ficar assim. Não dormiu, mas permaneceu deitado para que Jae descansasse em seus braços. Parou por um instante para sentir o aroma que emanava do corpo de seu anjo, tão doce, tão viciante e quase divino, seu respirar era leve e suave. Ficou imaginano como seria o rosto daquele ser que agora repousava em seu peito. Yunho pensou por um instante que ele poderia realmente ser um anjo, que veio para salvar sua vida e lhe tirar da escuridão para onde estava indo. Era indecifrável a forma como Jae transformara sua vida. Niguém mais poderia ter feito isso.
Depois um algum tempo sentiu um calor agradável em sua pele. Imaginou que o sol já estava nascendo e resolveu acordar Jae.
– Meu anjo, acorde... – disse passando os dedos suavemente pelo rosto do outro.
– Hum... Yun... – Jae disse e abriu os olhos lentamente surpreendendo-se ao ver que dormiram na praia.
– Bom dia meu amor! Veja, o sol está nascendo. – Yun disse baixinho no ouvido do outro. – Queri aque você visse isso. É uma das cenas mais lindas que já presenciei em toda a minha vida, quando eu ainda enxergava. O nascer do sol na praia. É perfeito, não é?
Jae sentou e observou a paisagem à sua frente. Realmente era perfeito. O sol se erguia atrás da imensidão azul, dando bom dia aos amantes sentados na areia na praia.
– É lindo meu amor. Perfeito! – Jae disse e se aconchegou novamente nos braços de Yunho.
– Yun... Eu quero que prometa uma coisa para mim.
– O que meu anjo?
– Nós voltaremos aqui. Eu, você e nosso filho. Juntos veremos ao pôr do sol e até lá, tenho certeza que você poderá assistir tudo isso junto com a gente. Prometa-me que não vai desistir. Tenho certeza que você conseguirá um doador e um dia virá aqui e poderá ver o pôr do sol comigo. Não desista, me prometa, por favor.
– Sim meu amor, eu prometo. – Yun não falou da boca para fora. Agora tinha motivos para lutar e ir até o fim. Tinha um companheiro e em breve um filho. Uma família completa, e por ela iria até o fim. Suas esperanças de voltar a enxergar se ergueram novamente.
Quando o sol finalmente despontou completamente no céu, o casal se retirou de volta para o hotel. Ainda tinham dois dias para aproveitar na ilha. Depois que voltassem para casa, teriam que se organizar para a chegada de um novo membro na família.
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