My Heart In Your Eyes
6 Lição: Nunca diga para eu partir!
Notas iniciais
Depois daquele dia na varanda, Jae andava com a câmera para todos os lados. Tirou fotos de Yunho e dele próprio de todas as maneiras possíveis. Andando na praça, tomando sorvete, juntos com Yoochun e Junsu que vez ou outra apareciam por lá e até de seus pratos que preparava com tanto carinho para os jantares dos dois. Yunho às vezes se mostrava irritado com aquela situação, mas Jae acabava conseguindo fazê-lo sorrir rapidamente com suas palavras doces e amáveis. Sua coleção de fotos estava enorme e todas elas tinham um destino certo que Jae fez questão de manter em segredo. Yun já não tinha mais o gesso em seu braço, que estava completamente curado.
Em uma das muitas tardes chuvosas daquela semana, Yun e Jae estavam em casa abraçados e deitados no sofá, conversando sobre alguns acontecimentos de trabalho. Jae de repente levantou-se e foi até a varanda, abriu um pouco a porta e sentiu o ar úmido e frio tocar seu rosto. Yun se levantou e foi até o namorado o abraçando por trás e apoiando o queixo do ombro do mesmo.
– O que foi meu anjo?
– Nada, é que eu gosto desse cheiro de terra molhada. Dá um sensação boa. – Jae explicou, mas Yunho percebeu o tom triste em suas poucas palavras.
– É uma sensação boa sim, também gosto. Mas não era isso que essa cabecinha estava pensando. Por que está triste?
– Não é nada demais. É só que... Seu braço já está bom, acho que é hora de eu voltar para casa. Eu prometi que ficaria até seu braço ficar bom, não quero ficar te incomodando com minha presença, agora acho que você consegue se virar sem mim. – Jae disse baixinho não conseguindo esconder a angústia em sua voz.
– Mas você não me incomoda meu anjo. Quem te disse isso?
– É que... Sei lá. Parece que você se irrita com tudo o que eu faço. Eu tento fazer o melhor para não interferir no seu dia a dia, deixar você se virar sozinho, mas no final você sempre acaba irritado com alguma coisa.
– Não é irritação com você, meu amor. – Yunho disse se afastando do namorado e caminhando pela sala. – Você não entende.
– Então explica, porque eu não consigo entender. Você não gosta de depender de ninguém e de ser ajudado o tempo todo e eu respeito isso. Mas parece que o fato de eu gostar de arrumar a casa te irrita, tirar fotos nossas te irrita, eu querer preparar coisas gostosas para você todos os dias te irrita. – Jae já tinha o tom de voz alterado. – Eu não entendo. Parece que eu realmente não sei te fazer feliz.
– Jae, por favor... Pare com isso. – Yunho esfregou as mãos no rosto demonstrando se nervosismo. Não queria brigar com Jae, estava se controlando ao máximo. – Eu já te expliquei mil vezes. Não é fácil para mim ter alguém cuidando de mim o tempo todo. Eu sempre fui sozinho e nunca quis ninguém com pena de mim tentando fazer tudo por mim.
– MAS QUE DROGA YUNHO! – Jae explodiu de uma vez e as lágrimas começaram a molhar seu rosto. – Eu já te disse que eu não tenho pena. Se você enxergasse normalmente eu iria fazer tudo igual. Eu iria querer cozinhar para você todos os dias, eu iria querer passar mais tempo com você, tirar fotos nossas e ajudá-lo a arrumar a casa. Tudo exatamente como eu faço. Qual é o problema nisso? Pare de ficar achando que tudo e todos à sua volta giram em torno de sua deficiência! Nada que eu faço te agrada. Não dá para saber mais o que pode ou não perto de você.
– Está vendo? É disso que estou falando! Eu te falei antes que não queria alguém por perto por causa disso. Mais cedo ou mais tarde você iria se cansar de mim e isso aconteceria. Por isso eu tentei me afastar tantas vezes!
Os dois já estavam frente a frente, como que se estivessem batalhando para ver quem tinha razão. Exatamente como um casal que estivesse junto há vinte anos. E só estavam juntos há dois meses.
– E QUEM DISSE QUE EU ME CANSEI DE VOCÊ? VOCÊ É SURDO OU O QUE? Meu Deus me dá paciência agora! Yunho, eu estou dizendo que VOCÊ está infeliz e não eu. Eu já estou mais que acostumado a ter você reclamando de tudo o que eu faço. Só que não sei mais se eu estou fazendo certo. Tenho medo o tempo todo de fazer algo errado e te irritar. Isso não pode ser assim. Eu quero te fazer feliz e você não deixa.
– DROGA JAE! — Yunho disse se virando de costas e colocando as mãos na cintura. – Eu acho que isso não vai dar certo. Você não entende. É tão... Tão frustrante tudo isso, você não tem idéia. Não tem mesmo. Não é você que não vê a quem ama, não é você que não consegue arrumar a casa sem quebrar alguma coisa e NÃO É VOCÊ QUE TEVE DE ABANDONAR TODOS OS SEUS SONHOS POR CAUSA DESSA MALDITA DOENÇA! – Yunho gritava tão alto que era possível ouvi-lo em outros andares do edifício. – Você nunca vai entender. Se não está feliz, vá. Era só ter me dito. Não precisava arrumar uma briga para falar que você quer ir embora.
Jae não agüentou e começou a chorar, colocando as mãos no próprio rosto. Como Yunho podia ser tão cruel daquela forma o mandando embora sem pensar duas vezes? Sentiu seu coração doer e se encolheu numa tentativa de fazer a dor passar.
– Yun, você é que não entende nada aqui. Eu nunca quis ir embora. Para mim, você é que não suporta conviver com outra pessoa. – Jae dizia entre os soluços. – O único que não estava feliz aqui é você.
Jae disse a última palavra caminhando rapidamente em direção à saída. Calçou o seu tênis e abriu a porta para sair dali. Yun se virou ao ouvir o clique da porta se abrindo.
– Jae espera...
Tarde demais. Jae correu para longe dali o mais rápido que pôde. Não se importou quando a chuva o atingiu ao sair do prédio. Correu muito, sem saber para onde, até suas pernas não agüentarem mais o esforço.
Quando viu que Jae não estava mais ali, Yunho caiu ajoelhado no chão e deixou o choro vir. Pensou em como havia sido um idiota naquela hora, não podia ter gritado com Jae daquele jeito. O amava tanto e o estava fazendo sofrer, isso não podia ser assim. Pensou na forte chuva que estava caindo lá fora e se desesperou quando pensou que Jae saiu correndo e sem nem um casaco. Pelo que se lembrava quando estavam no sofá, o namorado usava apenas uma calça de moletom e uma camiseta.
– O que foi que eu fiz? E agora, onde você está Jae?
Yunho tentou ligar no celular de Jae, mas logo viu que este não havia levado o aparelho, que soava alto lá do quarto. Resolveu então pedir ajuda, só uma pessoa conhecia Jae tão bem para lhe ajudar.
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Yoochun e Junsu estavam na casa do segundo, assistindo filme e comendo pipoca. Estava frio naquele dia, então resolveram ficar em casa, abraçadinhos e aquecidos. Yoochun estava deitado com a cabeça sobre as pernas de Junsu, que acariciava os cabelos do namorado com uma mão e mantinha a outra entrelaçada à mão do outro.
– Su?
– Oi meu amor.
– Sabia que eu te amo?
– Ah, você é um fofo sabia? Eu também te amo, muito. – Junsu disse acariciando o rosto de Yoochun.
O celular de Junsu vibrou, assustando os dois que estavam no mais absoluto silêncio. Junsu estendeu a mão e pegou o telefone que estava na mesinha ao lado do sofá. Reconheceu o número imediatamente. Era o celular de Jae.
– Oi Jae! Ah! Me desculpe Yunho, cadê o Jae?
Yoochun observou a expressão do namorado se transformar rapidamente ao ouvir o que falavam do outro lado a linha e se levantou dando espaço para Junsu se levantar. Este começou a andar de um lado para outro passando as mãos pelos cabelos, em um sinal evidente de desespero.
– Não Yunho, não sei. Eu vou lá no apartamento dele agora para ver, eu tenho a chave. Te ligo daqui à pouco. – desligou o telefone e correu até a porta, pegando o molho de chaves que estava sobre a mesa.
– Vem Yoo! – foi tudo o que disse para o namorado que o seguiu imediatamente.
– O que houve? — Yoochun perguntou enquanto desciam as escadas rapidamente.
– O Jae sumiu. – Jusnu foi direto ao ponto.
– Como assim sumiu?
– Yunho me disse que eles brigaram e Jae saiu correndo na chuva, sem nem ao menos levar um casaco. E também não levou o celular. Vou ver se ele veio para casa, mas pelo que conheço do Jae, ele não vai estar aqui. Nem ele mesmo deve saber onde foi.
Junsu abriu a porta do apartamento do amigo e entrou o chamando em voz alta. Verificou todos os cômodos e nada.
– Yoochun temos que achá-lo. Jae é terrível quando está magoado, fica totalmente desnorteado. Nem olha para onde está indo.
– Vamos claro, vamos lá na sua casa pegar as chaves do meu carro e os casacos. Está frio.
– É, já pegamos um para o Jae também.
Enquanto entravam no carro, Junsu ligou para Yunho dizendo que não haviam encontrado o amigo e que estava saindo para procurá-lo. Yunho pediu para ir junto e Junsu concordou, passando na casa dele para apanhá-lo.
Enquanto andavam pela cidade passando pelos lugares que pensavam em que Jae poderia estar, Junsu quis saber os motivos da briga. Não se importou em perguntar, Jae era seu melhor amigo e queria saber a gravidade da situação.
– Eu fui um idiota Su. Ele disse que estava chateado porque eu sempre estou irritado com tudo, como se ele não me fizesse feliz. Não sei como, mas começamos a gritar um com o outro e eu disse que se ele quisesse podia ir embora. E ele foi, saiu correndo e eu não pude detê-lo.
– Ah, mas vamos combinar né Yun! Tem dia que você parece um velho rabugento.
– Junsu! – Yoochun olhou para o namorado reprovando o comentário.
– Mas é verdade. Olha Yunho, o Jae conversa muito comigo. E só eu sei como ele te ama. E ele faz realmente de tudo para te agradar, mas não é por pena. Você tem essa mania de achar que tudo o que alguém faz para você é porque você é cego.
– Junsu, meu amor! – Yoochun continuava olhando de cara feia para o namorado para ver se ele parava de falar aquelas coisas.
– Eu vou falar mesmo Yoo. O Yunho tem que parar com isso. O Jae faz tudo o que faz porque te ama Yun. Eu o conheço há muitos anos e conheço muito bem o meu amigo. Se você estivesse enxergando ele faria tudo da mesma forma.
– Ele me disse isso mesmo.
– Então? Qual é o problema? Você tem que confiar nele e parar de achar que nunca fará alguém feliz.
– Eu sei Junsu, eu sei que eu fui um idiota. Agora nem ao menos sei onde ele está. Precisamos encontrá-lo Su. Por favor, tente pensar em um lugar para onde ele possa ter ido.
– Estou pensando Yun. É exatamente essa minha preocupação. É difícil achar o Jae nessas situações. Ele fica desnorteado quando está magoado desse jeito. Uma vez nós brigamos, coisa de adolescente sabe, nós ainda morávamos no interior. Aí ele saiu correndo. Fui encontrá-lo do outro lado da cidade. Isso porque chamei meus pais e nós fomos rodar a cidade para encontrá-lo. E ele só viu onde estava quando nós o achamos. Ele não olha para onde vai, só quer ir para o mais longe possível da do que lhe causa dor.
Yun sentiu se peito doer com as últimas palavras de Junsu. Sabia que ele próprio era o motivo da dor de Jae e isso o matava por dentro.
– Só espero que ele não esteja bebendo. – Junsu falou baixinho
– O que? – Yun e Yoochun falaram ao mesmo tempo.
– Bebendo? O Jae bebe? – Yun perguntou preocupado.
– Não exatamente. Só em momentos extremamente tensos. Quando ele era mais jovem bebia muito, mas parou depois de uma vez que ele bebeu demais e acordou na cama de uma mulher super estranha. Esse dia foi até engraçado. – Junsu contou sorrindo ao se lembrar da cara que Jae estava quando chegou em casa e contou da tal mulher. – Depois disso percebi que ele bebia só quando algo ruim estava acontecendo, mas há muito tempo que ele não bebe. A última vez foi há dois anos quando nós discutimos por problemas lá na livra... – Junsu parou de repente se lembrando de tudo.
– O que Su?
– Já sei onde o Jae está. Dê a volta Yoo. Sabe aquele bar que te mostrei no dia que fomos ao shopping?
– Sei, um super estranho, que só entra gente rica?
– Esse mesmo. Foi lá que o Jae foi para beber da última vez. Vamos, rápido, ele deve estar lá.
– Como assim bar estranho? – Yun perguntou, sentindo se coração palpitar mais rápido quando souber que podia encontrar Jae logo.
– É que lá é um bar meio que privado sabe, só entra pessoas autorizadas e tal, quase todos os clientes são magnatas e famosos. Mas o Jae conhece o dono, ele é cliente da livraria, uma pessoa muito boa. Aí o Jae tem tipo uma entrada vip sabe, pode ir quando quiser lá. E da última vez foi lá que eu o encontrei, estava tão bêbado que eu tive que carregá-lo para casa.
– Mas como vamos entrar? Não é extremamente restrito?
– Não vamos.
– Como assim?- Yunho começou a preocupar-se com os comentários de Junsu.
– Eu vou. Eu também tenho entrada livre lá. Vou entrar e olhar,se ele estiver eu o tiro ele de lá.
Chegaram ao bar em dez minutos. Junsu desceu do carro segurando um casaco caso Jae precisasse de um. Pediu para os outros dois esperarem. Yunho, que estava no banco de trás, suspirou pesadamente e colocou a mão sobre os olhos. Yoochun viu aquilo e ficou triste por ver o amigo daquele jeito. Tinha certeza que ele estava se culpando. Sabia que Yunho estava muito rabugento, mas também sabia que ele amava Jae de verdade.
Junsu entrou no bar e cumprimentou a moça da recepção, que já o conhecia.
– Sabia que logo você chegaria. Faz tempo que vocês não aparecem. – Ela disse apontando para o outro lado do bar. E lá estava ele. Todo molhado e com um copo na mão. Era visível sua embriagues. No chão, já havia uma possa de água que estava se formando conforme a água escorria de seu corpo. Junsu suspirou ao ver a cena, o amigo que ele jurou cuidar, estava ali naquele lugar mais uma vez.
– Obrigado. – Junsu agradeceu a moça e foi ao encontro de Jae. Não disse nada, apenas sentou-se ao lado dele e pediu uma bebida.
– E aí? Já bebeu tudo o tinha no estoque?
– Susu! — Jae resmungou ao levantar a cabeça e encontrar seu melhor amigo o olhando com uma expressão séria.
– Jae, você me prometeu que não faria isso mais.
– Eu sei Su, mas ele... Ele não sabe de nada. – Junsu percebeu que o amigo falava de Yunho, apesar das palavras desconexas. – Ele não sabe Su, porque ele faz isso? Ele não sabe que eu o amo. Pena? Que coisa ridícula. E ainda me mandou embora.
Junsu terminou sua bebida e puxou o amigo para tirá-lo dali.
– Vamos, você já bebeu o bastante.
Jae não se opôs. Junsu jogou o casaco sobre os ombros gelados do amigo e o guiou até a saída. Jae estava pálido e tremulo, sentiu que suas pernas não suportariam por muito tempo. O ar frio atingiu seu rosto, indicando que estava do lado de fora do bar. Seu estômago embrulhou e o fez sentir pior. Não sabia distinguir o que era pior, seu estado físico ou a dor que sentia no peito. Não estava mais agüentando.
– Yun... – Essa foi a última palavra que Jae disse antes de desabar. Junsu o segurou com força e gritou por Yoochun.
Yoochun vendo que Jae estava apagado, saiu do carro rapidamente e foi ajudar o namorado. Yunho que não via nada percebeu que algo estava errado, mas antes que tentasse sair do carro ouviu Junsu chamá-lo.
– Yun, estou colocando o Jae em seu colo. Ele acabou desmaiando. O segure até chegarmos em casa, ok?
Yunho abriu os braços para acomodar a pessoa mais valiosa de sua vida. Sentiu as roupas frias e molhadas que Jae vestia e se sentiu um idiota por fazê-lo ficar naquele estado. Levou a mão ao rosto de Jae e percebeu que ele estava muito quente.
– Junsu, o Jae está com febre. E parece estar muito alta.
– Vamos chegar logo em casa e cuidaremos disso. Deve ter sido por causa da chuva que ele tomou.
– Se importa de nos levar para minha casa? Eu quero cuidar dele.
– Não sei Yun, não seria melhor dar um tempo e deixá-lo se recuperar?
– Por favor, eu estou me sentindo a pior pessoa do mundo. Fiz com que a pessoa que mais amo ficasse nesse estado. Eu quero cuidar dele, preciso fazer isso. Não se preocupe, eu sei como lidar com as coisas quando estou em minha casa, consigo encontrar tudo o que preciso.
Yoochun olhou para o namorado e balançou a cabeça de forma positiva, apoiando a idéia de deixar Yunho cuidar de Jae.
– Tudo bem. – Junsu suspirou. – Mas quero que me ligue se acontecer qualquer coisa. Estarei à um quarteirão de distância. E assim que ele acordar me ligue, ok?
– Combinado. – Yun disse apertando Jae em seus braços.
Chegando na casa de Yun, Yoochun e Junsu carregaram Jae para o apartamento, o colocando na cama de Yun e depois saíram.
Yun pegou uma troca de roupas limpas e bem quentes. Foi até sua cama e passou a mão sobre o corpo do namorado, começando a se desfazer das peças molhadas. Não deixou de notar que Jae tinha curvas muito bem definidas em todo o corpo. Mas naquele momento só queria ter seu anjo aquecido e saudável em seus braços. Depois que Jae estava vestido com as roupas limpas, Yunho o cobriu com o edredom e foi buscar algumas coisas. Na cozinha pegou uma bacia e encheu de água e voltou para o quarto. Com uma pequena toalha, começou a fazer compressas frias e colocar na testa de Jae, que gemia devido à febre alta. Deixou Jae com o pano sobre a testa, foi até a cozinha e procurou por uma panela e alguns ingredientes. Ainda se lembrava de como usar sua cozinha, apesar de Jae não deixa-lo fazer nada por ali nos últimos dois meses. Demorou mais que uma pessoa que enxerga, mas deixou alguns legumes cozinhando para fazer uma sopa e voltou ao quarto. Ficou ali fazendo as compressas até ter certeza que a febre tinha passado, só saiu para desligar a panela da sopa. A madrugada passou lentamente, praticamente se arrastando. Yunho não dormiu e ficou sentado ao lado da cama à noite toda, esperando Jae acordar.
Já era de manhã quando Jae se mexeu sob o edredom. Abriu os olhos devagar, sentindo sua cabeça explodir em dor. Olhou para os lados para ver onde estava e reconheceu o quarto onde dormira nos últimos dois meses. Olhou para o outro lado e viu Yunho sentado olhando fixamente para o chão.
– Como se sente? – Yunho perguntou ao ouvir o farfalhar do edredom.
– O que estou fazendo aqui? – Jae disse baixinho.
– Você encheu a cara ontem depois de tomar toda aquela chuva. Logicamente adoeceu. Junsu me ajudou a te encontrar e o trouxemos para cá.
– Por que me trouxe aqui, eu tenho casa.- Jae disse com um tom magoado.
– Depois falaremos disso. Primeiro você precisa de cuidados. Sua cabeça deve estar doendo. Ao seu lado, na mesinha, há um comprimido e um copo com água. Beba que vai se sentir melhor.
– O que é isso?
– É um remédio Jae. Pode tomar, eu sei diferenciar meus medicamentos, ok? Cada um tem uma marca diferente em alto relevo, por isso não os confundo. Mas se quiser conferir, a caixinha está na gaveta, pode olhar.
– Não. – Jae disse pegando o remédio. – Não precisa. eu confio em você. – Yunho sentiu uma leve ironia nas palavras de Jae.
– Vamos, tem uma sopa lá na cozinha. Você precisa se alimentar. – Yunho se levantou e saiu do quarto. Jae não disse nada, precisava comer alguma coisa, então simplesmente seguiu o outro.
– Você quem fez? – Jae perguntou ao tomar a primeira colher.
– Sim, está muito ruim?
– Não, está muito boa.
Yun sorriu ao ouvir aquele comentário. Ficou esperando Jae terminar e depois o mandou de volta ao quarto, queria que ele deitasse e descansasse. Sentou-se na poltrona ao lado da cama e ficou ali aguardando. Jae, que já estava deitado, ficou olhando o namorado por longos minutos. Não se mexeu, seu corpo doía tanto que quis apenas deixar seu corpo se render à cama até aquilo tudo passar. Yunho ficou pensando em como se sentia cuidando de Jae. Era bom ter aquela sensação de estar protegendo alguém que ama. Será que Jae se sentia assim quando cuidava dele?
– A dor de cabeça passou? – Yunho quebrou o silêncio depois de muito tempo.
– Sim, meu corpo ainda dói, mas estou melhor. Acho que vou para casa, agora posso me cuidar. Obrigado por cuidar de mim. – Jae se movimentou lentamente para sair da cama, mas Yun se levantou, foi até a cama e o empurrou de volta.
– Não, você vai ficar aqui.
– Eu tenho casa, posso ir embora agora. Eu estou bem, você está bem, então não precisamos disso ok?
– Eu preciso. – Yun disse abruptamente.
Jae deixou-se ser empurrado novamente quando ouviu aquelas palavras. Yun o cobriu e sentou na beirada da cama.
– Jae... Eu... Me perdoa? Eu sei que fui um idiota. Aliás, eu sei que tenho sido um idiota há muito tempo.
– Que bom que sabe disso. – Jae disse cruzando os braços sobre o peito.
– Eu só pensei em mim, fui tão egoísta o tempo todo. Eu sei que você sempre faz o melhor para mim e eu só fico reclamando. Mas é que até antes de você chegar em minha vida eu sempre fui assim. Não estou sabendo lidar com essa situação, ter alguém sempre por perto, me dando atenção, cuidando de mim. Eu fui grosso com você. Me desculpe por ter gritado daquele jeito.
– Claro, eu te perdôo. Mas ainda assim, acho melhor eu ir embora.
– Não Jae, não vá. Eu disse aquilo da boca para fora. Eu estava nervoso. Eu não quero que você vá, eu quero você aqui. Não vou suportar viver sem você. Fique aqui, eu quero que venha morar comigo. Que fique para sempre.
Jae ficou em choque ao ouvir a declaração do outro. Seu coração acelerou e sua respiração se alterou. Seria possível aquilo? Yunho o queria ali para sempre?
– Yun...
– Por favor Jae, eu prometo que vou deixar de ser tão idiota assim. Vou me esforçar para fazê-lo feliz e não vou ficar reclamando. Venha, por favor. Eu nunca mais quero me separar de você.
Jae sentou-se na cama rapidamente e alcançou o pescoço de Yun, o abraçando forte e deixando suas lágrimas caírem.
– Eu te amo tanto! – Jae disse entre os soluços. – Me prometa que nunca mais vai me mandar embora? Não vou suportar. Eu nunca senti tanta dor em toda a minha vida. Prefiro morrer a ouvir você me pedir para partir de novo.
– Jae... – Yunho apertou o namorado em seus braços. – Eu também te amo meu anjo. Eu juro que nunca mais eu vou te dizer aquelas coisas horríveis. Você é a razão da minha vida, não posso nada sem você. Quero você aqui ao meu lado para sempre.
– Eu vou estar sempre aqui. Nunca se esqueça disso Yun. Eu vou sempre estar aqui ao seu lado, não importa o que aconteça.
Os dois permaneceram ali por um longo tempo. Até Yunho perceber que as mãos do namorado já não o apertavam e a respiração do mesmo estava estável e tranqüila. Jae adormeceu. Yunho o deitou na cama novamente e o cobriu. Deu a volta na cama, deitou-se e ajeitou seu amado em seus braços. Pegou o celular em seu bolso e ligou para Junsu.
– Sim Su, ele está bem. Ele dormiu de novo, mas a febre já passou e ele até tomou uma sopa. Sim, nós conversamos. Se quiser passe aqui mais tarde para vê-lo. Até mais.
Desligou o telefone e ficou ali pensando em como algumas palavras fizeram com que seu anjo sofresse tanto. Era doloroso ver Jae naquele estado. Prometeu a si mesmo que nunca mais, nem mesmo se estivesse no máximo de sua raiva, não voltaria a falar para Jae ir embora. Nunca mais. Não suportaria sentir novamente seu anjo chorar e se embebedar daquela forma. Algum tempo depois adormeceu, havia passado a noite em claro vigiando a febre de Jae, e agora seu corpo gritava por repouso.
Continua...
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