My Happy Ending
31 Capítulo 32
Notas iniciais
Pov Leo
– O que achou da minha performance de pretora responsável? – Reyna pergunta dando uma lambida na massa da sua casquinha de chocolate.
Encarei a pracinha de Nova Roma pensativo, fazendo com que ela se irritasse com minha demora.
– Vamos garoto dos reparos! – Ele disse alto.
Sorri e beijei seus lábios, fazendo com que o sabor do chocolate se misturasse com a baunilha do meu, formando um novo sabor, delicioso. Reyna me encarou divertida e deu uma lambida no meu sorvete, pra logo depois lamber o seu. Ela olhou pensativamente pra mim enquanto degustava a sobremesa gelada.
– É uma boa combinação! – Um sorriso lindo se formou em seus lábios, fazendo com que uma incrível sensação de alegria invadisse meu peito.
– Sabe o que também é uma ótima combinação? – Perguntei maliciosamente, enquanto afastava os sorvetes da frente.
– Não. – Ela disse confusa e curiosa ao mesmo tempo. – O que?
– Seus lábios nos meus! – Juntei nossos lábios e beijei-a o mais calmo possível.
Ela se assustou no começo, mas cedeu passagem quando pedi. Uma das suas mãos segurava o sorvete e a outra puxava e enrolava meus cabelos em seus dedos, me fazendo gemer baixinho. Uma das minhas mãos segurava o sorvete e, com a outra, segurei o quadril de Reyna, puxando-a pra perto de mim.
Nós nos separamos ofegantes e um sorriso bobo se formou em meu rosto, enquanto minha pretora mantinha os olhos fechados e as mãos em volta do meu pescoço. Juntei nossas testas e rocei nossos narizes. Ela sorriu e abriu os olhos.
– Eu te amo! – ela disse sorrindo mais ainda.
– Também te amo, my queen! – Falei e lhe dei um selinho.
Ela se afastou e voltou a tomar seu sorvete. Ficamos assim até que ele acabasse, depois voltamos para o acampamento. Reyna se despediu de mim e disse que iria arrumar uma mochila para nossa missão.
Caminhei sorridente até meu quarto. Chegando lá eu me deparo com a loira sentada na minha cama. Ela usava uma calça jeans colada, uma blusa rosa simples, com uma jaqueta de couro por cima, os cabelos loiros e lisos soltos, caindo sobre seus ombros. Ela usava também uma bota preta de salto.
– JESSIE?
– Pessoalmente! Viu como você é especial? Derek queria apenas que eu invadisse sua mente.
– Como? – Perguntei atônito com a presença dela.
– É simples, meu moreno! – Ela disse se aproximando de mim. – Vou te mostrar algumas coisinhas! Depois tire suas próprias conclusões sobre sua namorada!
– Do que está falan... – Ela não me deixou terminar.
Quando senti seus lábios em contato com os meus eu perdi a consciência. Não exatamente isso, eu tinha consciência de onde e como estava, mas era como se eu estivesse em um sonho que não conseguia acordar.
Eu estava em uma casa de madeira. Simples. A varanda era de vigas de carvalho, havia duas janelas, uma mesa de madeira com dois bancos, uma rede e uma espécie de Totem. A porta de orvalho branco estava entre aberta e uma luz amarelada vinha do interior da casa.
O primeiro cômodo era a sala de estar. Dois sofás marrons ocupavam os cantos da sala. Uma mesa grande de madeira sustentava uma televisão de 32 polegadas. Alguns quadros enfeitavam as paredes. Vários porta retratos estavam postos na sala. Comecei a ouvir vozes vindas mais do interior da casa. Fui andando cautelosamente, mesmo sabendo que os outros não poderiam me ver.
– Reyna, você gostou da nossa casa? – Perguntou uma voz feminina, de criança. Reyna? Reyna estava lá. E onde era lá?
– Eu adorei, Mel. – A voz de Reyna era doce, agradável. – É muito linda!
Ouvi uma risadinha e fui seguindo o som das vozes. Até que cheguei em uma espécie de sala de jantar. Uma grande mesa de madeira amarelada, com duas cadeiras na cabeceira e uma do lado esquerdo. Uma garotinha de mais ou menos 11 anos estava sentada em uma das pontas, ela balançava os pés feliz da vida, enquanto saboreava um prato de macarrão. Do lado esquerdo da mesa, Reyna estava sentada, não como antes de fugir, mas como agora, ela já estava... crescida! Se é que entendem! Ela também comia um prato de macarrão. Sua expressão era de felicidade, ela não tinha a frieza e a seriedade de pretor.
Depois de alguns segundos analisando Reyna, ouvi um barulho na cozinha. Um garoto alto, de cabelos loiros, olhos verdes vivos e com uma jarra de suco nos braços se juntou as duas na mesa.
– Fiz suco, pra ajuda-la a engolir a comida. – Era a voz de Derek, mas sem a malicia ou a maldade.
– Obrigado. – Diz Reyna puxando a jarra pra perto de seu copo.
Eles comeram silenciosamente por alguns minutos, até a garotinha, Melanie, olhar pra Reyna e perguntar:
– Reyna, você não vai abandonar a gente, vai? – A voz daquela garotinha saiu cheia de súplica e tristeza, como se soubesse como era ser abandonada.
Reyna trocou olhares cumplices com Derek, que tinha uma expressão triste.
– Não, Mel. Não vou.
– Você promete?
Reyna hesitou por alguns segundos, mas depois cedeu.
– Prometo!
A garotinha sorriu e voltou a comer.
A imagem mudou.
Agora eu estava em um quarto, uma cama de casal, com colchas brancas e fronhas enfeitavam a cama. Um armário bege, simples, estava na parede e uma mesinha estava de frente pra cama. A porta se abriu e Reyna entrou, seguida de Derek.
– Você pode usar esse quarto, se quiser. – Ele disse estendendo as mãos pra mostrar o espaço.
– Está ótimo, obrigada. – Reyna respondeu, um pouco acanhada.
– Fique a vontade. – O loiro passou pela porta, mas parou no batente. – Se precisar de alguma coisa, eu estou na terceira porta a esquerda.
– Terceira à esquerda! – Ela disse sorrindo. – Entendi!
Derek sorriu e se aproximou dela. A cena fez com que meu coração se partisse em sei lá quantos pedaços. Os dois se beijaram por alguns segundos. Derek murmurou um boa noite e saiu do quarto.
Novamente a cena mudou.
Uma floresta escura, com pinheiros altos. A brisa estava fria e eu podia ouvir os passos de duas pessoas.
– Chega, Derek! – Era Reyna. – Aquela foi á gota d’água. As ninfas não chegaram nem perto da gente!
– Elas provocaram, Reyna. – Derek falava com um tom feroz. – Eu tive que me defender!
– Tirando a vida delas? Isso não é defesa, é crueldade!
– Não me venha com lição de moral agora! – O loiro parou bem de frente para Reyna. Ele era mais alto que ela, bem mais alto e mais forte, mas Reyna não se abalou e nem recuou. Ela manteu a pose e o desafiou. – Por que você tinha que pedir alguma informação?
– Por que nós não sabemos como voltar! Você resolveu sair do nada, deixando a Melanie sozinha. Eu não podia simplesmente te deixar ir. E se você morre? Como ela fica?
Derek hesitou por um segundo, mas logo depois voltou à pose de machão.
– Não vamos discutir isso agora! – Ela se afastou e começar a caminhar em passadas rápidas.
– Derek, você tem que manter a calma! – Ela dizia, tentando se manter ao seu lado. – Primeiro o Drakon, depois os Ciclopes e agora as ninfas, isso está errado!
Ele ignorou-a e acelerou o passo.
– Espera! – Pediu Reyna, correndo pra poder acompanha-lo.
Um pouco mais a frente, um brilho alaranjado chamou atenção dos dois. Uma sombra estava voltada de costas para ambos. Eles se aproximaram cautelosamente e espiaram por de trás de uma árvore.
Um garoto alto e forte, cabelos castanhos. Ele usava uma blusa roxa, do acampamento, uma calça jeans escura. Um cinto em volta de sua cintura sustentava uma bainha com uma espada de ouro imperial. Ao seu lado, no chão, uma mochila estava jogada e um cantil sai de dentro dela.
– Dakota? – Reyna sussurrou apenas para Derek, com certa animação.
– Pensei que eles haviam desistido. – Disse Derek não muito contente com a presença do romano.
– Eu também! – Ela disse sorridente e saiu de trás da árvore.
– Reyna, espera. – Derek chamou, mas ela não deu ouvidos.
Reyna se aproximou por trás de Dakota e chamou-o. Ele tomou um susto, mas quando a viu, se levantou e abraçou-a. Derek, que estava furioso, mas triste, ao mesmo tempo, só olhava. Reyna o chamou, e apresentou os dois. Dakota estendeu a mão, e Derek rejeitou, virando as costas e saindo.
Mais uma vez a cena mudou.
Eu estava no meu quarto, no acampamento Júpiter. Reyna também estava comigo. Ela estava usando minha blusa, e minhas mãos envolviam sua cintura.
– Ok. – O meu eu, do sonho, falou, dando vários selinhos em Reyna. – Eu já volto!
Meu eu saiu do quarto e Reyna começou a arrumar as coisas. Ela juntou suas roupas do chão, e vestiu as roupas íntimas. Ela arrumou toda a cama e juntou os travesseiros do chão. Quando terminou, sentou-se na beirada da minha cama, e analisou todo o quarto, focando o olhar no mural.
Não, não, não, isso já tinha acontecido, ela já fez isso. Provavelmente ela já viu!
Reyna olhou algumas das fotos, uma minha com Jason e Piper nos campos de morango, no acampamento meio-sangue, outra do Argo II, e atrás de todas, a que eu nunca joguei fora.
Castiguei-me mentalmente por não ter me lembrado desse desenho e jogado ele fora. O desenho mostrava Calipso, em sua ilha, Ogígia. No canto da folha, eu havia escrito “Calipso”. A intenção era dar o desenho a ela, quando libertasse de sua maldição.
No momento que Reyna tirou a foto do mural, meu eu entrou.
– Eu não sabia o que você queria, então peguei... – Meu eu olhou pra ela, e Reyna escondeu o desenho nas costas. – Tudo bem? Você parece meio abalada.
– Tudo, eu só... Eu estou com um pouco de fome, só isso.
– Ok, se vista e ai a gente vai tomar café.
– Ok, posso usar seu banheiro?
– Claro, mas...
– Obrigado. – Ela tomou as roupas da mão do meu eu e foi para o banheiro.
O sonho acabou e eu acordei. Jessie ainda estava no meu quarto. Ela agora me olhava com um sorriso, tão cínico quanto o de Derek.
– Tire suas próprias conclusões! – Ela disse. – E a propósito, vou ficar com o desenho!
Ela tirou o papel dobrado do bolso e balançou ele na minha frente.
– NÃO! – Gritei, tentando toma-lo de suas mãos.
– Tarde demais! – Ela disse. – Sua amada pretora vai adorar saber sobre seu tempo em Ogígia. Imagine o quão ela vai ficar triste, o quanto vai se sentir sozinha, sabendo que o garoto dos reparos só ficou com ela pra poder leva-la pra cama!
– FIQUE LONGE DELA! – Rosnei/Gritei.
– Infelizmente, isso não vai ser possível! – Alguém atrás de mim falou. – Esse episódio precisa acontecer!
– Você! – Falei olhando incrédulo. – Era pra vocês dois estarem no Acampamento Meio-Sangue! Com a Emma!
– Nós temos ajudantes! – Ele disse, tirando um objeto do bolso. Era uma pedra verde redonda, envolta em um arco de ouro. – Acha que ficaríamos em desvantagem? Você gregos, são tão fáceis quanto os romanos.
Encarei os dois com ódio. Sentia a raiva e a ira tomando conta de todo o meu corpo. E quando percebi. Meu quarto estava destruído, e chamuscado em alguns pontos. Derek e Jessie estavam em pé, no mesmo lugar. Os dois sorriram e o objeto brilhou, pra depois os dois sumirem.
Ouvi a porta sendo arrombada e Percy, Piper e Annabeth entram. Eu ignoro os três e corro pra casa dos pretores atrás de Reyna. Torcendo pra ser mais rápido que Derek.
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