My Happy Ending
7 Capítulo 7 - Dividida
POV Thalia
Assim que eu terminei, foram dezenas de palmas que fizeram meu ouvido ecoar. Eu sorri, sem graça, e encarei o grupo de pessoas sentadas à mesa que me fitavam de boca aberta. Tudo aconteceu muito rápido. Silena soluçava, tentando secar as lágrimas que desciam. Então, ela se levantou e subiu no palco.
— Que você está fazendo aqui em cima? — perguntei baixinho.
Ela me abraçou.
— Eu sinto muito por ter ido embora.
— Silena, eu... — parei. E aí retribuí seu abraço. Talvez aquela música não fizesse o menor sentido, talvez fosse só mais um conjunto de notas. Mas sentira muita falta de Silena — especialmente dela — e precisava fazê-la acreditar. — Silena?
— Hm?
— Tem mais de cinquenta pessoas olhando pra gente agora. — murmurei, envergonhada.
— Certo.
— Por que você não canta?
Ela imediatamente se afastou, como se tivesse levado um choque elétrico.
— Não acho que seja uma boa ideia.
— Ah, é sim. — a empurrei até um acesso que dava para fora do palco, indo diretamente para o lugar em que eu me arrumara. Peguei algumas peças de roupas que — eu, pelo menos — usaria e a mandei para o banheiro se trocar. Assim que ela saiu de lá, resmungando alguns palavrões, puxei seu braço e a sentei em uma pequena cadeira que havia em frente à um espelho e passei um leve maquiagem. Certo, talvez não leve. Ela me mataria se visse aquilo. Era basicamente a maquiagem que eu usaria. E a roupa também. — Silena... Você está linda.
— Você está louca! Eu não sei tocar nada!
— Você sabe tocar violão, oras.
— Isso não é nada. — ela falou. — Thalia, isso é loucura. Não posso fazer isso. E olhe, estou parecendo uma punk. Nada contra. Mas é esquisito.
— Silena, você está linda.
Suspirou.
— Nada vai te fazer mudar de ideia, certo?
— Nada. — afirmei.
— Tudo bem. Preciso de um violão. — ofereci o meu a ela, e Silena o pegou de cara emburrada. — E de uma moeda de cinco centavos. Pra tocar mesmo. Meus dedos doem. — fiz cara feia. — Tudo bem, eu faço com os dedos e arranco minhas unhas, pode deixar.
— Vai lá e arrasa, garota. Por mim e Annabeth. — sorri.
Ela retribuiu e entrou no palco logo após uma banda de rock sair de lá.
POV Silena
Assim que subi naquele palco, meu coração parou. Aproximei-me de um cara que ficava logo atrás do microfone onde eu teria que estar e disse:
— Você pode ir me acompanhando, as notas são leves e fáceis. A letra é repetitiva, se quiser, faça coro. — então, cheguei perto de outro homem com vestes de couro e disse a mesma coisa.
Fui até o centro do palco e comecei. Era totalmente estranho, já que eu só sabia aquela música e várias pessoas me olhavam naquele momento. Pares de olhos me fitavam, quase conseguindo enxergar minha alma. Então abri a boca minimamente e comecei a cantar a primeira parte da música.
Assim que terminei, as pessoas me encaravam curiosamente. Houve um momento de silêncio antes de explodirem em palmas, o que me fez sorrir, envergonhada. Agradeci baixinho, saí do palco, encostei o violão de Thalia na cadeira e me observei no espelho. Teria que me lembrar de dizer “Obrigada” a ela mais tarde pelo visual.
Desci por uma pequeno portinha que dava para alguns degraus perto do compartimento que eu estava, e isso deu no salão novamente, com vista ao palco — onde uma mulher loira cantava alguma coisa —, e fui atrás de meus amigos.
— Oi — foi a primeira coisa que eu disse.
— Oi? — Annabeth resmungou.
— O que houve?
— Sério, Silena? — Nico perguntou, com uma emoção passando entre os olhos que não consegui distinguir.
— O quê?
— Você sabia cantar assim e não nos contou? — Luke indagou, fingindo chateação. Pelo menos, eu achava que era fingimento.
— Ué, mas...
— É, Silena, você nunca nos disse nada — Thalia continuou, maldosa — Puxa.
— Parem de condenar a namorada do meu melhor amigo — Percy rebateu.
— É! Parem de me conden... Espera, isso é um complô, né? — mandei um olhar raivoso para Percy.
— Nós podemos ir? — perguntou Annie.
— Nhá. — foi o único som que soltei, e isso atraiu olhares. — Que foi?
— Pelo amor de Deus, ela está se transformando em um rato.
— Ratos fazem “nhá”? — indaguei confusa.
— Não. Mas patos sim. — disse Thalia.
— Patos fazem “nhá”? Eles fazem “quá”, sua idiota!
— Ei!
— Percy? — ouvi a voz de Nico. — Por que você não convence Annie a cantar também? Quero dizer, Silena e Thalia já cantaram.
Annie começou a rir ironicamente.
— Que engraçado você, tentando me fazer cantar. — fechou a cara.
— Tente você fazer cantá-la.
— Vamos embora. — a loira cantarolou.
— Mas...
— Cale a boca, não discuta.
Continuamos a conversar de jeito idiota, esperando alguém finalmente se levantar e pagar a conta, até que um dos meninos foi lá. Saí da cadeira, nervosa, e caminhei entre Thalia e Annie para o carro. Abri a porta e sentei no assento do motorista, rindo maleficamente. Vi o olhar que Nico me mandou e soube imediatamente que não iria dirigir, então me joguei para a poltrona de trás, ficando sobre o colo de Annie, já que estava muito apertado.
— Quanto você está pesando, Silena? — ela perguntou, me balançando pela quinta vez.
— Talvez uns quarenta e cinco, por quê?
— Precisamos conversar.
Engoli a seco e fiquei em silêncio o resto da viagem inteira. Eles continuaram a conversar, já combinando o encontro do próximo fim de semana, e eu não falei anda, apenas observei a paisagem passando rapidamente pelos meus olhos atrás do vidro. Encostei a cabeça na superfície mais fria, e bocejei. Meu celular vibrava no meu bolso traseiro, então eu o peguei. Sophia. Não queria atender, então mandei uma SMS assegurando que estava tudo bem e chegaria em menos de uma hora.
Só percebi que já estávamos no prédio da escola dos meninos quando Luke estacionou. As garotas saíram acompanhadas de seus namorados, até que Nico percebeu que não fiz o mesmo. Ele entrou no carro, sentou ao meu lado e ficou um tempão me encarando, analisando-me.
— Tudo bem?
— Tudo. — respondi, baixinho — Só estava sentindo falta disso, sabe. De você, da Annie, da Thalia, do Percy, do Luke, de todos vocês. Preciso me acostumar com o fato de que voltaremos a todos aqueles encontros idiotas e divertidos.
— Tem certeza de que é só isso?
— Sim. — não.
— Tudo bem, então. Vamos. — ele me puxou para fora do carro e fomos nos despedir das garotas até que elas decidiram que já era muito tarde e foram embora no carro de Melanie. Tive a péssima impressão de que meus medos iriam se realizar.
POV Annabeth
Chegamos na escola já eram quase 23hrs, então rapidamente estacionei o carro e corri para o meu dormitório, no sentido mais silencioso possível. Thalia teve que tirar os saltos para não fazer barulho, e isso me fez rir quase que como uma gazela. Quando entrei no quarto, Alexis já dormia, o que me fez suspirar, aliviada. Mandei uma SMS para meu namorado avisando que já tinha chegado e, então, tomei um banho rápido para tirar a sujeira, coloquei um pijama qualquer, apaguei o abajur e fechei os olhos.
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