My Happy Ending
5 Capítulo 5 - Encontro e... "surpresa"?
Notas iniciais
POV Annabeth
Acordei com Alex jogando um travesseiro em mim.
— Acorde, preguiçosa. — ela murmurou, a voz abafada pelo travesseiro.
Eu gemi.
— Já são oito? — perguntei.
— Oito e meia. — disse.
— Pareceram minutos. — eu resmunguei.
— Annie! Acorde! — ela exclamou, e eu ouvi o colchão ranger. Ela estava se levantando.
Eu mal conseguia abrir os olhos.
— Estou cansada.
— Você vai ver o Percy hoje. Thalia já mandou umas duas mensagens reclamando. — avisou.
Enfiei a cara no travesseiro.
— Não vou levantar. Como ela pode estar acordada? É mutante, por acaso? — resmunguei novamente.
Então, Alex se jogou da beliche de cima e pousou no chão.
— Existe a escada. Você sabia? — eu disse, tirando o rosto do travesseiro, um pouco menos sonolenta.
— Eu posso morrer enquanto desço as escadas. Vamos pular que economiza tempo. — deu de ombros.
— Ah! — gemi, frustrada. — Hoje é domingo! Pelo amor de Deus! Me deixe dormir!
— Você me pagou para acordá-la, Annie. Eu preciso da grana. Vamos lá, levante.
— Argh! — reclamei, mas acabei cedendo e levantei-me.
Entrei no banheiro, fiz minha higiene matinal e voltei ao quarto, enrolada na toalha. Alex dormia. Revirei os olhos enquanto pegava uma peça de roupa qualquer e a vesti. A jaqueta se tornara a minha melhor amiga na última semana. Londres era um horror de tão frio. E nevava na maior parte do tempo. Depois, passei uma maquiagem básica, enrolei o cabelo com babyliss e me olhei no espelho.
— Nada mal. — dei uma voltinha e ri em seguida de minha idiotice. — Alex, eu não sei que horas vou voltar. Não me espere. E vai comer alguma coisa.
Saí do quarto, levando apenas meu celular no bolso, e me direcionei ao quarto de Thalia. Telefonei para ela e disse que já a esperava fora do dormitório.
— Demorou, hein. — foi a primeira coisa que minha melhor amiga disse assim que saiu do quarto. Ela vestia jeans, tênis, blusa e jaqueta. O típico visual que Thalia Grace usaria em um típico encontro.
— Desculpe, fiquei até mais tarde conversando com Alex. — respondi. — Aquela garota tem uma vontade muito grande. Não sei como conseguiu acordar. Dormimos, no mínimo, umas quatro horas.
— Então, vamos?
Eu fiz uma careta.
— Ainda não tomei café.
Ela suspirou, e aquele suspiro pareceu bem... Aliviado.
— Eu também não.
Eu ri.
— Ligue para Luke e diga que vamos nos atrasar.
— E o seu celular? — perguntou, confusa.
— Estou sem créditos. — bufei. — Passei a noite toda conversando com Percy.
Ela deu um sorrisinho malicioso.
— Falando safadezas, né?
Eu a empurrei para longe, sorrindo.
— Nada disso. — respondi.
Nós fomos ao refeitório, comemos um pouco e terminamos. Depois, eu fui até o estacionamento, acompanhada de minha melhor amiga, e peguei o carro. Antes de ligá-lo, refleti por um segundo e encarei Thalia.
— Silena não ia chegar hoje? — perguntei.
Ela deu de ombros.
— Ela me disse que nos encontraria, mas não disse como. — respondeu.
Eu fiquei em silêncio.
— Você sabe que Silena pode estar em cima do carro nesse exato momento, não é? — perguntei depois de uma longa pausa.
Thalia riu.
— Ela não estaria em cima do car... — fez uma pausa. — Certo, eu acho que ela não está em cima do carro.
— Thalia, você é muito influenciável. — eu disse, rindo. Então, virei a chave na ignição e liguei o carro.
POV Thalia
— Thalia, eu estou perdida. — Annie admitiu.
Eu dei de ombros.
— Você disse que não precisava de mapa.
— Mas eu preciso!
— Você precisa é de um belo tapa. — eu resmunguei.
— Eu sei. — ela concordou, desanimada.
— Você é muito influenciável, Annabeth. — repeti, dando língua.
Ela sorriu.
— Vamos trocar. Estacione. — pedi.
Ela rapidamente parou o carro no acostamento. Saí do automóvel enquanto Annie passava para o carona por dentro. Me joguei no assento e fechei a porta no exato momento em que um carro passou por nós em alta velocidade.
— Idiota. — ela reclamou. Saí do acostamento. — Por favor, Thalia, não bata o carro. É de Melanie. Silena disse que não podemos nos atrasar. — emendou.
— Você podia ter dito isso duas horas atrás! — eu exclamei. — Estou perdida. Pegue o mapa dentro do porta-luvas.
Ela ficou carrancuda.
— O mapa estava dentro do porta-luvas?! E você não me disse?!
— Você disse que não precisava de ajuda. — dei de ombros.
Ela bufou e pegou o mapa dentro do compartimento. Eu ouvia as instruções de Annie e estava pegando a esquerda quando o celular começou a tocar A Rocket To The Moon e eu quase tive um mini ataque cardíaco.
Annie sorriu, vingativa, com minha reação e atendeu o telefone.
— Percy, meu amor eterno! — ela brincou. — Não se irrite, vou dizer sem rodeios: Estamos perdidas. — uma pausa. — Desculpe! Eu preciso de alguém para me guiar!
— Não estamos perdidas! — eu disse suficientemente alto para que Percy pudesse me ouvir. — Sua namorada não quis usar o mapa!
— Eu nem sabia que tinha um! — rebateu. — Percy, você está no viva-voz.
— Cara. — dessa vez, não era a voz de Percy que falava. Era o meu namorado. — Vocês estão perdidas?
— Não! — exclamei ao mesmo tempo em que Annie dizia “mais ou menos”.
Eles ficaram falando coisas idiotas ao viva-voz enquanto eu percorria os quilômetros. Depois, Percy disse que tinha que desligar — ou ficaria de castigo por anos por causa da conta telefônica que chegaria à casa de seus pais. Uma meia hora após esse pequeno incidente, Annie arfou.
— Estou vendo! — ela exclamou.
— Eu também, Annie. Não estamos cegas. — respondi.
— Não, não! Estou vendo a escola!
— Ainda não entendi por que eles não foram nos buscar. — resmunguei enquanto estacionava do outro lado da rua.
— Porque eles não têm carro. — ela disse. — Nós temos.
— O carro nem é nosso! — exclamei.
— Espera.
— Mas não é mesmo!
— Thalia, cale a boca! Olhe ali! Aquela é Silena ou estou ficando maluca?
Fitei o lugar para onde seu dedo apontava, e só vi três garotos. Meu namorado sorriu para mim, e eu quase tive um ataque cardíaco. Então, uma cabecinha amarela surgiu de trás de Nico e acenou.
— É a Silena! — joguei as chaves do carro para Annie e saí de lá. Ela foi tão rápida quanto eu. Afastou-se do automóvel e correu para lá. Ela se chocou contra Silena com tanta força que achei que fosse derrubá-la.
Assim que se afastou, fui eu quem a agarrei. Não ligava para Deus e o mundo naquele momento. Silena estava ali.
— Thalia, me solte. Estou sem ar. — ela implorou.
— Não, não, não. — insisti, apertando-a ainda mais.
— Thalia, você vai matar a namorada de Nico. Ele está vermelho de ciúmes, viu. — uma voz masculina brincou.
— Cale a boca. — ouvi o sorriso na voz de Nico.
Afastei-me de Silena e olhei ao meu redor. Corei.
— Desculpem. — disse. — Saudades de você, cabelinho pro lado. — afaguei a cabeça de Percy. Ele sorriu e me chamou de “tampinha”. Depois, abracei Nico e disse que sentira sua falta. — Estou feliz que você esteja de volta.
— Eu também. — seu olhar concentrou-se em algo atrás de mim, e ele corou. Sorri novamente e voltei-me para o garoto mais importante da roda.
— Oi pra você. — ele disse.
Eu o puxei para um lugar mais afastado do pessoal.
— Eu senti a sua falta. — avisei.
— Por que sinto que isso soou como um aviso? — ele perguntou, sorridente.
— Porque, hoje, você será só meu.
— O que quer dizer com isso? — indagou, malicioso.
— Nada de Percy, Nico, Annabeth, Silena. Só Thalia.
— Nada de Percy, Nico, Annabeth, Silena. Só Luke. — ele replicou.
Eu sorri.
POV Silena
— Vocês são bipolares? — eu perguntei quando estávamos no carro.
— Odeio lugares apertados. — Nico resmungou.
— Somos dois. — Thalia concordou.
— Tem duas baleias aqui dentro. — Annie disse.
— Cale a boca. — eu disse, rindo.
— Ué.
— Percy? — Luke chamou.
— O que é?
— Nada.
— Eu estou sentindo cheiro de chocolate. — disse o namorado de Annabeth.
— É o meu cabelo, desculpe. — falei.
— Puxa, Silena! Não podia ser, sei lá, menta? Eu estou com uma fome do cão. — Thalia exclamou.
— Thalia, você já comeu. — Annie rebateu.
— Certo, mas estou com fome.
— Luke, trate sua namorada. — Percy disse, recebendo um tapa do amigo. — Ai.
— Não me diga o que fazer. Se você quer tratar alguém, trate você mesmo. Tenho medo de tapas.
Caímos na risada. Luke continuou dirigindo até pararmos em frente a um McDonald’s. Ele sorriu como se pedisse desculpas.
— Cara, você esqueceu a reserva. — Percy resmungou.
— Desculpe!
— Estou cercado por idiotas. — Nico murmurou, colocando a mão na cara para escondê-la.
— Não importa onde vamos comer. Vamos comer, certo? — Thalia perguntou.
Eu fiz uma careta.
— Você está muito viciada em comida.
— Pelo menos não sou anoréxica. — ela deu língua.
Retribui enquanto saía do carro. Luke o fechou e entramos na loja. Comemos rapidamente — Thalia resmungando sobre como a fome estava a dominando, Percy reclamando por Luke ter esquecido a reserva do restaurante, Annabeth chamando minha amiga punk de “comilona” e a única coisa que me importava era que eu estava ao lado de meu namorado. De novo.
Depois, voltamos ao carro e os garotos começaram a dizer que tinham uma surpresa. E alguma coisa me dizia que não seria apenas uma “surpresa”.
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