My Guitar
1 My Guitar
Notas iniciais
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Uma semana. Nunca pensei que isso poderia durar tanto.
Uma semana sem sorrisos, uma semana sem ver a luz do sol, uma semana em gargalhadas, uma semana sem felicidade. Felicidade...
Eu me julgava a pessoa mais infeliz do mundo mesmo tendo tudo que queria, as melhores coisas e sendo rodeada por pessoas que me amam. Ainda as tenho, mas falta uma.
A imagem dela veio em minha cabeça. Fechei os olhos com força.
Passado, forcei-me a pensar, ela é passado porque se fosse presente estaria aqui com você.
Não aquentaria mais. Já estava prestes a explodir, de novo, como já tenho feito muito.
Corri até o banheiro do quarto, trancando-o com desespero e abrindo a porta do armário espelhado. Lá no fundo de tudo estava escondido o que eu precisava.
Peguei o estilete já tremendo e mirando no pulso, soltando um gemido de prazer e dor ao mesmo tempo. O alivio me tomou, me deixando em êxtase. Não era uma tentativa de suicídio, mas se fosse tão longe sabia que não iria me importar.
Joguei a lamina no chão com o que tinha acabado de fazer. Isso sempre acontecia, mas ainda não me acostumei.
Brigava contra mim mesma, uma hora nervosa e outra amedrontada. Isso me deixa assustada.
Meu corpo e mente já declararam guerra um contra o outro e era uma batalha sangrenta, o meu sangue.
O liquido vermelho pingava no piso branco enquanto observava minha expressão no espelho. Uma garota completamente diferente do que tinha entrado no banheiro, e ela era familiar, pois todas as sessões de auto-mutilação era aparecia exatamente assim, perplexa e assustada.
Só nessas horas eu admitia que ainda preciso dela, ainda espero que ela volte, só agora pois o orgulho não deixava enquanto “sóbria”, perdida na própria sombra.
Lá eu chorei. Chorei como choraria em seus braços; como se fosse uma pequena criança. Pequena... era assim que ela me chamava.
Sentei escondendo meu rosto entre mais pernas, as costas apoiadas na parede gelada. Observei o sangue brotar do braço ferido.
Esta sensação nunca se apoderou de mim, essa vontade e necessidade de me ver sangrar. Me ver sofrer. Não quanto em fase de inocência pós mutilação.
Peguei o estilete novamente, o olhando com atenção e notando o liquido ainda molhado tornar-lhe vermelho.
Prendi a respiração e fiz outro corte. Um corte mais profundo logo abaixo do primeiro. Minhas lagrimas imitavam o sangue, saindo sem controle.
Me hipnotizava vendo-o escorrer com certa graça, como se dançasse fazendo pequenas curvas com alguma imperfeição de minha pele.
Imperfeita, sim sou. Se não fosse estaria ao seu lado agora, mas ela me trocou por alguém perfeito. A loira, Taylor.
Corpo perfeito, rosto perfeito, cabelo perfeito, dentes perfeitos, personalidade perfeita. E, de certo modo, não estava de todo triste. Mas alegre por saber que ela esta feliz, mesmo que não seja ao meu lado. O que machuca, mas afinal, quem ama liberta e eu a libertei. Abri as minhas e suas portas para novas experiências, e foi o que ela fez.
Ouvi um barulho vindo do andar de baixo da casa. Aaah não, eles chegaram.
O desespero me tomou novamente me fazendo pegar uma toalha qualquer e limpar o chão do banheiro.
Minha família não podia ver isso, pensava, ninguém podia.
Com a toalha enrolada no braço, sai do banheiro adentrando em meu quarto.
— Querida chegamos. – disse a voz abafada de minha mãe, do outro lado da porta. – Não quer sair um pouco do quarto? Tomar um sorvete talvez.
— N-não, obrigada. – respondi, tentando parecer normal. – Estou bem.
Ouvi seu suspiro de tristeza. Ninguém gostava do modo que estava agindo, até eu mesma me via perguntando o porquê de estar trancafiada no quarto. Prisioneira de mim mesma.
Seus passos se afastaram, um som que tenho ouvido muito freqüentemente.
Descobri o pulso machucado, observando os dois grandes cortes.
Maquiagem não adiantaria; o jeito é comprar pulseiras mais largas, mas por enquanto essas pratas servem.
Pequei as grandes argolas as colocando e, para minha sorte, taparam completamente os ferimentos. Ela apertava o pulso fazendo-os arder, mas tinha experiência em ignorar essa dor.
Corri os olhos pelo quarto escuro e bagunçado e percebi uma coisa pela primeira vez nessa uma semana. Meu velho violão de madeira seca. Ele estava jogado em um canto, sozinho e magoado pelo meu esquecimento.
Sorri, indo em sua direção e percebendo um letra de musica pesa em suas cordas.
Não, aquilo era outro rastro do passado em minha vida. Rasguei a letra de amor com toda minha força, a jogando na lata de lixo antes vazia.
Sentei no único espaço não coberto pelas roupas esparramadas do chão, apoiando o instrumento em minhas pernas.
Dedilhei o começo da musica que não me deixava em paz.
Você não me quer, não
Você não precisa de mim
Como eu quero você, oh
Como eu preciso de você
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida
Você não pode me ver, não
Como eu vejo você
Eu não posso ter você, não
Como você me tem
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida
Amor, Amor, Amor
Amor, Amor, Amor
Você não pode me sentir, não
Como eu sinto você
Eu não posso te roubar, não
Como você me roubou
E eu quero você na minha vida
E eu preciso de você na minha vida
Lalalalala, Lalala
Lalalalala, Lalala
E lá chorei novamente.
— Quem disse que histórias de amor sempre têm finais felizes? – sussurrei em pergunta para meu único amigo no quarto, no mundo. Meu violão.
— Eu digo.
Meu coração bateu forte quando aquela voz soou em meus ouvidos.
Olhei para porta, seguindo o som, e lá estava ela.
A luz batia contra suas costas a fazendo parecer um anjo, que de fato era. Meu anjo.
Ela sorria alegre, aquele sorriso que me assombrava.
Selena.
— Eu digo, minha pequena. – repetiu, as lagrimas também correndo em suas bochechas. – Eu te amo.
Notas finais
Espero que tenha ficado claro o bipolaridade da Demi no banheiro, obrigada novamente.
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