My Guardian Angel
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura!
O dia hoje amanheceu frio e chuvoso, era realmente irritante acordar antes das seis para ir a escola em dias como esses. Me espreguicei na cama ainda sonolento tentando me decidir se levantava e ia me arrumar ou se ficava mais alguns minutos dormindo e filava a primeira aula.
Como sempre meu lado certinho venceu e eu me levantei cambaleando me dirigindo cegamente a porta que ficava a esquerda do meu quarto, o banheiro. Tirei minha roupa sem a menor pressa e soltei um palavrão alto assim que meu corpo entrou em contato com a agua gelada. Ser pobre é foda.
Tomei banho em tempo recorde enquanto pulava em um pé só, como se isso fosse fazer a agua cair pelo meu corpo mais rápido, coloquei meu uniforme assim que sai do banheiro, vesti minha adorável e velha jaqueta e por ultimo passe a mão em meu cabelo o bagunçando ainda mais
_ Você vai se atrasar – avisou Sayume, assim que passei por ela indo em direção a cozinha, sem deixar de continuar a fazer suas flexões
Sim, você ouviu certo. Se existe uma pessoa que é capaz de acorda antes das seis nesse frio da porra apenas pra fazer flexões é minha mãe Sayume Yuuhi. Na primeira vez que eu a peguei fazendo isso considerei a ideia de marcar uma consulta com um psiquiatra, mas ela me convenceu a não fazer isso com seu argumento de “continuar gostosa mesmo já tendo um filho”, resumindo: Minha mãe é uma louca psicótica.
_ Você comeu algo antes de começar com isso? – resmunguei enquanto preparava meu cereal e desligava a musiquinha irritante que tocava no radio
_ Hey garoto não desliga não – reclamou – Vou perder o ritmo por sua culpa
_ Pare logo com isso e vá comer alguma coisa – sibilei pra ela que me deu língua emburrada – Agora – completei e ela veio se sentar ao meu lado batendo o pé como uma criança birrenta
Por Kami, quantos anos ela tinha? Às vezes eu me perguntava quem realmente era o adulto da casa. Sayume tinha quatorze anos quando engravidou do garoto popular dos seus sonhos, que assim que soube de sua gravidez tirou o corpo fora dizendo que o filho não era dele. Minha mãe foi expulsa de casa por ter sido vista como uma puta que não sabia ao menos quem era o pai do seu filho.
Ao contrario de muitas garotas por ai, a louca não abortou e continuou a viver sua vida normalmente, Sayume me deixou vir ao mundo mesmo com o olhar torto de todos da cidade sobre ela. Ela protegeu seu bebê inocente ate o fim.
É por isso que eu sempre a chamo de idiota, se ela tivesse abortado teria tido uma vida mais fácil do que teve e não teria que se matar de trabalhar agora pra sustentar um moleque com 15 anos de idade.
_ Você esta ficando mais bonito a cada dia – disse risonha enquanto bagunçava ainda mais meu cabelo
_ E você mais velha – repliquei e ela me fuzilou com os olhos – Que horas vai sair do trabalho hoje?
_ Não lhe interessa – resmungou – Não preciso que você vá me buscar todos os dias
_ Passo pra te pegar as dez – avisei enquanto me levantava – Não apronte e nem envergonhe o nome da família enquanto eu não estou por perto ta legal?
_ Você é tão engraçadinho – escutei-a gritar enquanto me encaminhava pra porta da rua – Não está esquecendo-se de algo Ran Yuuhi?
_ Não tente arranjar um pai pra mim – gritei de volta ouvindo seus gritos indignados enquanto fechava a porta
O dia estava muito muito mais frio do que havia previsto. Caminhei em passos rápidos tentando chegar o mais rápido possível ao ponto de ônibus. Tirei do meu bolso meu velho MP3 deixando as musicas rolarem no volume mais alto, e olhe que não eram muitas já que ele estava quase entrando em extinção.
Cheguei no ponto de ônibus atrasado como sempre e Kim, o motorista pé no saco, me encarou feio.
_ Por que você nunca consegue chegar no horário? – resmungou pra mim transtornado enquanto eu passava por ele já dentro do ônibus
_ Por que você sempre me espera? Não me lembro de ter pedido pra você fazer isso – resmunguei de volta e procurei um lugar pra me sentar ignorando seus xingamentos
A maioria dos alunos que iam naquele ônibus, que ainda conseguia andar não sei como, já estavam lá e algumas me encaravam com cara de tedio e impaciência.
_ Chega sempre atrasado e ao invés de ir sentar fica em pé atrasando ainda mais a gente – ouvi uma garota murmura
_ Deita na BR e morre Desgraça – resmunguei pra garota enquanto passava por sua poltrona e ela e a garota ao seu lado me olharam assustadas
Mandei meu dedo do meio para as duas e me joguei na poltrona que não tinha ninguém do lado. Normalmente era sempre assim que eu agia, talvez fosse por isso que eu não tinha nenhum amigo ou qualquer coisa do tipo.
Eu simplesmente odiava todas as pessoas dessa maldita cidade. Não passavam de um bando de hipócritas que dariam qualquer coisa pra ter um motivo de jogar alguém na fogueira. Fofoqueiros, patéticos e detestáveis. Malditos mesquinhos egoístas.
_ Continua o mesmo de sempre – Ouvi a voz friamente irritante enquanto sentia a poltrona ao meu lado afundar
_ O que quer Yoru? – resmunguei impaciente não me dignando a virar para olha-lo
Ouvi sua risada baixa e logo depois sua mão bagunçando ainda mais meu cabelo. É por isso que eu nunca arrumo o cabelo, se não for minha mãe a vir bagunça-lo pode se contar com Yoru pra isso
_ Por que você não volta pro seu mundinho e me deixa em paz? – sibilei irritado enquanto dava um tapa em sua mão me afastando e finalmente o olhando
Yoru estava como sempre. As férias de verão não haviam afetado em nada seu jeito...Yoru. Estava vestindo o uniforme normal da escola, mas apenas sua jaqueta rasgada nas mangas lhe dava um ar relaxado e ao mesmo tempo superior. Seu cabelo azul estava rebelde como sempre e seus olhos frios como a noite estavam sobre mim me encarando de forma divertida.
Apenas estar ao lado dele fazia com que eu me sentisse ridiculamente inferior. Yoru era um popular, capitão do time de basquete e um dos caras mais bonitos da escola ou talvez da cidade. Definitivamente não eramos amigos. Não me lembro do dia em que começamos a nos falar ou que ele começou a falar comigo, apenas sei que depois desse dia ele nunca mais me deixou em paz
_ Como foram suas férias? – questionou ignorando o “me deixa em paz”
_ Tediantes – resmunguei me afundando ainda mais na poltrona e Yoru sorriu pra mim – E as suas como foram? – questionei e ele arqueou uma das sobrancelhas pra mim – O que? Perguntei por educação – retruquei
_ Tediantes – Se limitou a responder
_ Ah sim, ser rico é realmente tediante – murmurei sarcástico
_ Seu sarcasmo esta ficando cada vez melhor – retrucou e senti sua mão novamente no meu cabelo
_ Porra você tem um fetiche pelo meu cabelo é? – grunhi me afastando novamente e ele deu de ombros rolando os olhos
_ YORU – alguém o gritou de lá do fundo e eu rolei os olhos
_ Vai lá Yoru, volta pra seus amiguinhos – resmunguei desdenhoso e senti sua mão no meu queixo me forçando a encara-lo
Seus olhos azuis brilhavam enquanto ele parecia ler minha alma, Yoru tinha esse poder sobre mim, apenas me olhando ele podia ver se eu estava triste, alegre, irritado... Era ridículo.
_ YORU – alguém o gritou novamente e eu o encarei irritado
_ Ate mais – sussurrou se inclinando e me dando um beijo de leve na testa
Suspirei ao vê-lo se afastar desistindo de xinga-lo como sempre fazia quando o idiota agia assim. Levei uma das minhas mãos ate o lugar onde ele havia beijado e praguejei ao sentir meu rosto corar violentamente
_ Maldito riquinho idiota
Eu realmente não estava gostando nada nada disso.
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