My Girl

1 Capítulo único


Notas iniciais
Shippo muito Uriah e Marlene, então me senti na necessidade de fazer uma fic sobre eles *-* fiz tudo com muita pressa, então peço perdão se houverem erros de português,etc. Enfim, espero que gostem e boa leitura ^^

– Acorda, seu idiota...se não, vou te deixar aqui — murmura meu irmão, Zeke. Está em plena manhã de domingo, e ele quer que eu vá com ele arrumar os equipamentos da tirolesa. A tirolesa tem cerca de uns 30 metros de altura, e fica no topo de um prédio. É lá que nós nos encontramos com Lynn, Shauna eJames. Todo domingo é assim, nós subimos até o topo do prédio, conversamos muito e bebemos muito refrigerante. No final, descemos na tirolesa e voltamos para casa. É uma forma típica de lazer de alguém da Audácia.



– Zeke...daqui a algumas semanas, você terá que participar da Cerimônia de Escolha, não é? — pergunto, coçando os olhos. Sempre quis saber como é essa cerimônia. Minha mãe me disse que quando você completa 16 anos, terá que escolher uma facção definitiva, onde passará o resto de sua vida.



– Sim, e com certeza escolherei a Audácia — diz ele, dando um murro de leve em meu braço.



– Achei que você iria querer fazer parte da Amizade, Zeke — digo, em um tom de deboche — você, que é uma pessoa tão amigável.. — digo rindo.



– Haha, muito engraçado, agora fecha essa matraca e se arruma logo — retruca ele. Coloco uma calça jeans rasgada e uma jaqueta preta. Descemos para a sala, onde nossa mãe está lutando box e nosso pai assistindo televisão. Pego uma maçã e saímos de casa.



– Soube que James vai levar sua irmã...você já conhece ela? — pergunta meu irmão.



– Não...na verdade, nem sabia que ele tinha uma irmã — retruco. E não sabia mesmo.



– O nome dela é Marlene. Ela tem a sua idade, e está louca para experimentar a tirolesa — diz ele, piscando um olho. Reviro os olhos.



– Tá, e agora você vai me empurrar pra cima dela, certo Zeke? — pergunto, já sabendo o que ele vai responder. Ele apenas assente com a cabeça.



– Você vai gostar dela, Uri. Confie em mim — diz ele. Finjo que estou de acordo, mas acho que isso não faz sentido. Nem conheço essa garota ainda, e ele já quer me jogar para cima dela. Meu irmão é doido.



Chegamos na recepção do prédio. O prédio é abandonado, então não há nada além de um balcão vazio e sofás rasgados na recepção. Caminhamos até o elevador.



– Acho que ouvi alguém gritando. Vai indo na frente que eu vou tentar saber o que é esse grito – diz Zeke. Aperto o botão do elevador e meu irmão sai andando por um corredor. Quando éramos crianças, dizíamos que este prédio era mal assombrado. Eu morria de medo, mas meu irmão nunca pareceu acreditar nessas histórias de terror. Preciso ser corajoso como ele. Aperto novamente o botão do elevador, que demora a chegar. Ouço um grito, provavelmente o mesmo grito que meu irmão escutou. Um grito feminino.



Ando em direção ao corredor e o grito se transforma em uma voz desesperada.



– Socorro! – grita a voz. Avanço mais pelo corredor e vejo uma garota ruiva sendo segurada por dois homens. Meu irmão está logo ao lado, jogado no chão com a lateral do rosto sangrando.



– Zeke! – grito e corro até ele.



– Uri...salve ela... – implora meu irmão. Seus olhos se apagam e ele desaba para o lado. A pancada na cabeça deve tê-lo deixado inconsciente. Viro-me para a garota e puxo um pequeno estilete do bolso. Apesar de ser contra a violência, sou da Audácia, e preciso estar sempre preparado para situações como essa. Respiro fundo e avanço em um dos homens, pegando-o desprevenido. Cravo a ponta do estilete em seu estômago e ele solta um gemido de dor. O outro homem solta a garota e me derruba no chão, segurando uma faca bem na minha garganta. Acabou. Não há mais nada que eu possa fazer.



De repente, ouço um estalo. O homem que me segurava solta a faca e desaba no chão. Uma poça de sangue se forma em seu redor. Levanto-me e vejo a garota segurando uma arma. Ela sorri ao ver que estou bem.



– Obrigada por salvar Zeke e eu – diz ela – você que é o irmão dele? – pergunta.



– Sim – respondo.



– Sou Marlene. É um prazer te conhecer – ela aperta minha mão. Esboço um sorriso. Como meu irmão disse, ela é muito bonita. Encaro suas feições por alguns segundos.



– Então...- limpo a garganta – você é a irmã do James? – pergunto. Ela afirma com a cabeça. Zeke levanta e se aproxima de nós. Sua cabeça ainda está sangrando, e há um corte em sua lateral.



– Quando a mamãe ver isso... – digo. Ele me fuzila com um olhar de raiva.



– Ela não vai ver, e se você não estiver a fim de levar uma surra, não vai contar nada do que aconteceu para ela – ameaça ele. Finjo uma expressão de medo.



– E o que você pretende fazer para esconder esse corte? – pergunto. Ele coloca a mão na cabeça.



– Eu não sei... – diz ele – acho que vou procurar um médico. Volte para casa e avise a Shauna, Lynn e James que está tudo cancelado por hoje. Se a mãe perguntar onde estou, diga que fui andar de skate – pede ele.



– Tudo bem – digo. Ajeito minha jaqueta e olho para Marlene. Faço um sinal para que ela me acompanhe. Caminho até a rua, e ela vem logo atrás de mim.



– Escuta...é tudo minha culpa – começa ela – seu irmão foi tentar me ajudar e acabou se ferindo. Eu realmente sinto muito – ela olha para mim com um olhar de cachorro abandonado. Sinto-me um pouco comovido.



– Tudo bem. Você não teve culpa – digo na tentativa de consolá-la. Ela sorri.



– Você mandou bem naquela hora, quando você pegou o cara de surpresa e enfiou o estilete nele – diz ela – você realmente é muito corajoso – fico envergonhado. Não é todo dia que uma garota elogia você assim. Passo a mão entre meus cabelos.



– Ah, não foi nada – retruco. Ela solta uma risada.



– O que foi? – pergunto, esperando que ela diga o que é tão engraçado que está fazendo com que ela ria tanto. Ela apenas ri novamente.



– É que...a situação é tão absurda que chega até a ser engraçado – diz ela entre risos – e também, eu gosto de rir...faz com que eu me sinta melhor – diz. Tento entender a lógica dela.



– Você é tão... – deixo escapar. Ela me encara, esperando que eu termine a frase – tão... diferente – digo. Ela solta uma risadinha.



– E você é tão...sério – diz ela, imitando meu tom de voz. Não contenho uma risada.



– Sabe Marlene, eu gostei de você, apesar de ser meio doidinha – ela faz uma careta – você é uma pessoa muito legal. A gente podia...passar mais tempo juntos – falo com a voz trêmula. Dessa vez, ela não ri, e seu rosto fica corado. Coloco as mãos nos bolsos para disfarçar o nervosismo.



– Claro – diz ela, com o rosto vermelho – o que acha de sair amanhã comigo e Lynn para almoçar? – pergunta. Eu e Lynn nunca fomos muito chegados, mas ela parece ser uma boa pessoa.



– Pode ser – digo – bem, está ficando tarde. Vou levar você para casa – apoio minhas mãos em seus ombros e a conduzo entre as ruas. Ela para em frente a uma casa.



– É aqui. Bem, boa noite, Uriah – diz ela – nos vemos amanhã. Espero que o Zeke se recupere logo. Foi um prazer conhecê-lo – ela sorri e entra na casa. Aceno e vou em direção a minha casa.



Quando chego, vejo que Zeke já está em casa. Minha mãe está brigando com ele, provavelmente já percebeu o corte em sua cabeça. Subo as escadas e desabo em minha cama. Mal posso esperar para vê-la novamente.



As horas voam e logo o dia amanhece. Como combinado, nos encontramos e almoçamos juntos. Começamos a nos encontrar repetidas vezes, eu, Marlene e Lynn. Passaram-se dois anos, e continuamos inseparáveis. Faltava apenas um dia para a nossa Cerimônia de Escolha. Nós continuaremos na Audácia, assim como meu irmão continuou quando participou da cerimônia, há dois anos atrás. Decido ir até a casa de Marlene. Ela sorri ao me ver e me convida para entrar. Ela parece estar calma, mas eu não consigo me acalmar. Estou nervoso. Tenho certeza de que ela escolherá a Audácia, mas e se ela mudar de ideia? Marlene é forte e sabe lutar muito bem, mas tem uma personalidade calma, e sempre prefere resolver as coisas sem o uso da violência. Acho que estou com medo de que ela nos deixe e vá para alguma facção pacífica, como a Amizade, ou até mesmo a Abnegação. Tudo é possível.



– Marlene...- respiro fundo – você não vai nos deixar, não é? – pergunto. Ela me encara.



– Não...claro que não – diz ela. Sua voz não parece segura. Quero confiar nela, mas tenho muito medo de que ela mude de ideia. Preciso mostrar o quanto ela é importante para mim. Se eu não fizer isso hoje, talvez nunca mais possa fazer. Então, decido fazer a coisa mais difícil que já fiz na minha vida. Me aproximo dela e encosto meus lábios nos seus. Seguro-a com força.



– Confio em você. Mas se você pensar por um segundo em ir para outra facção – digo, encostando minha testa na sua – lembre-se de mim. Eu sou um motivo para que você fique aqui. Eu te amo. Não me deixe, por favor – beijo-a novamente. Ela encosta as mãos em meu rosto.



– Eu nunca sonharia em te deixar... – ela me abraça com mais força – eu te amo, Uriah.



Ficamos por um longo tempo abraçados. Agora me sinto seguro. Agora sei que posso dormir tranquilo.



Vou para casa. O tempo voa, a noite passa, e chega o dia da escolha. Estamos sentados juntos com outros membros de 16 anos da audácia. Um por um somos chamados. Primeiro Lynn, depois Marlene e por último eu. Quando a cerimônia é encerrada, nós três e o resto do pessoal saímos para comemorar. Enquanto Lynn dança sem parar depois de beber três doses de bebida, tento procurar Marlene no meio da multidão. Ela acena de longe para mim e me junto a ela. Enquanto caminhamos, seguro uma de suas mãos. Não é como se tivéssemos algum relacionamento assumido ou algo do tipo. Nem sei se teríamos coragem para assumir, mas acho que estamos bem desse jeito. Ninguém percebeu nada, nem mesmo meu irmão. Provavelmente um dia, as pessoas irão perceber. Mas até lá...isso será apenas um segredo nosso.



Notas finais
Gostaram? C:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!