Notas iniciais
Brigada pelos Reviews, amores. ' Explicando mais uma vez... A.T.E.N.Ç.Ã.O >< Essa fic é como um "triângulo amoroso". e_e ' Mas, como já disse, no final a Inoue só ficará com um dos dois. ><

Ficou um tempo deitada ali, se remexendo e alternando as posições de um lado para o outro enquanto observava cada detalhe do quarto dele. Era sábado, quem iria desconfiar se ficasse um tempinho à mais na cama? Sentia seu cheiro por todos os cantos, em cada objeto, nos lençóis e nos travesseiros. Gastou mais alguns minutos observando o teto. Sentou-se na cama e espreguiçou-se. Jogou as cobertas para o lado e desceu da cama. Trocou de roupa, penteou os cabelos e escovou os dentes. Então, voltou para o quarto e arrumou a cama antes de descer até a cozinha, onde Yuzu estava preparando o almoço.

- Yuzu-chan... Bom dia. – Sua voz era baixa, ainda envergonhada por ter passado a noite naquela casa.

- Bom dia, Inoue-chan. – Retribuiu com um confortador sorriso estampado no rosto.

- Onde estão todos...? – Inoue perguntou, ao ver que não havia mais ninguém ali.

- Ah... É sábado. Ichi-nii foi levar Karin no treino de futebol e o papai está trabalhando. – Ela explicou, abrindo a geladeira e tirando dali uma maçã. Logo, oferecendo-a para Inoue.

- Yuzu-chan fica sozinha? – Perguntou, pegando a fruta da pequena mão da menina e sorrindo como forma de agradecimento. Inoue viveu sozinha durante um bom tempo, então não consideraria isso um grande absurdo.

- Sim. Mas não tem problema, Inoue-chan. Pode sair, se quiser. – A tranqüilizou, ainda exibindo um sorriso.

- Onde Karin-chan treina? – Perguntou, tentando parecer desinteressada. Sentando-se em uma cadeira enquanto comia a maçã. Yuzu lhe informou todo o percurso. Ficou ali conversando com ela e depois de um tempo seguiu todas as instruções dela, logo chegara ao campo que ficava próximo a escola. Karin jogava com os amigos, mas Ichigo não estava ali. Ela procurou por todos os lados e deu mais alguns passos. Após procurar um pouco, o avistou não muito distante. E não demorou para que percebesse que ele não estava sozinho. À sua frente estava uma garota de cabelos longos e verdes com os braços envolta de seu pescoço e as mãos de Ichigo em sua cintura. Aquela distância, não tinha como ter dúvidas: Estavam se beijando. – Kurosaki-kun. – Murmurou para si mesma, levando a mão em direção a boca, para abafar um grito que possivelmente viria. Ficou parada ali, forçando as lágrimas a não caírem. Logo a garota virou-se, e Inoue a reconheceu.

- Inoue-chan! – Nell gritou, após soltar o garoto e correr em sua direção.

- Nell-chan... – Ela disse e sorriu gentilmente. Não conseguia sentir raiva dela, de qualquer jeito. Mas não se sentia mais tão confortável com sua presença. Tentava ao máximo não chorar ali mesmo.

- Estava falando com o Itsugo. – Ela comentou mesmo Inoue já sabendo daquilo... E como sabia. Nell pareceu não perceber a diferença no tom da amiga, mas não conseguiu deixar de reparar a tristeza estampada no rosto da ruiva. – Está tudo bem? – Perguntou, demonstrando-se preocupada. O que, de certa forma, conseguiu aborrecer Orihime.

- Sim... Vou para casa, Nell-chan. – Disse, já no fim de sua paciência, ao ver Ichigo se aproximar..

- Ahh... Tudo bem, Inoue-chan...

- Aquele não era a Inoue? – Ele perguntou, mas Inoue já estava à uma distância segura e disposta à correr para não ter que encará-lo.

Já não conseguia mais raciocinar tão bem, em meio às lágrimas. Só sabia que queria e precisava sair dali. Corria o mais rápido que podia em direção a sua antiga casa que ainda estava sendo reconstruída. Não tinha motivos ‘concretos’ para sentir aquela raiva. Afinal, ele não era nada dela. Ele poderia sair beijando qualquer uma sem dar satisfação, não é mesmo?

Sem sequer se importar com as lágrimas rolando em seu rosto, muito menos que alguém a visse naquele estado, continuava correndo. Pessoas, que caminhavam por ali, a olhavam. Devia estar um tanto trágica, não? Esfregava os olhos quando bateu contra algo, ou alguém. Se alguém, um alguém forte o suficiente para derrubá-la sem sequer se mexer. Caída no chão, trouxe as pernas um pouco mais perto do corpo e botou a cabeça, murmurando um “Aííí” de dor.

- O que está fazendo, mulher? – A voz masculina, provavelmente vinda do homem em que acabara de esbarrar, lhe perguntou. Era uma voz conhecida, mas que Inoue não ouvia há muito tempo. Não tinha como ter dúvidas, mas abriu os olhos e ergueu a cabeça para avistar a silhueta masculina. Ele usava uma blusa branca, sobre sua calça jeans escura. Percebeu que mantinha suas mãos no bolso... Sua pele mais pálida do que a maioria das pessoas que passavam por ali, seus cabelos negros. Seu rosto, não mais com as, tão irônicas, marcas pintadas como lágrimas. Ele olhou para baixo e ela pode ver seus olhos verdes. Porque ele estava ali? Porque parecia... Tão mais humano? Ulquiorra... Nell... Mais afinal, o que eles estavam fazendo aqui?

- Ulqui... Orra...? – Apesar de óbvia, fez a pergunta. O reencontro inusitado a surpreendeu. As lágrimas cessavam lentamente, mas ainda havia vestígios delas sobre seu rosto e camisa. Usou as costas das mãos para retirar as ultimas lágrimas de seu rosto. Levantou-se sem precisar da ajuda dele, não que ele pretendesse ajudá-la.

- Depois de tantas coisas que me disse sobre sentimentos, amizade, coração... Como pode estar nessa situação patética? Onde estão todos aqueles amigos? – Ele usava as piores palavras possíveis, pelo menos, as piores para aquele momento. Parecia uma forma de humor negro. Como se, no fundo, ele quisesse rir. Os olhos de Inoue se arregalaram, lembrando-se das conversas que tinha com ele, enquanto esteve no Hueco Mundo. Procurou algum vestígio de sorriso no rosto pálido do homem, mas não encontrou. Tentava assimilar todas as palavras, sílabas e letras do que ele dizia.

Por quê? Por que, por mais frio que ele estivesse sendo... Por que tudo que ele estava dizendo parecia tão real? Porque não estava com raiva dele? Olhou para suas mãos ainda meio molhadas. Talvez ele esteja realmente certo. Mesmo que ela demorasse tanto para lhe responder, ele continuou parado ali, olhando-a e esperando sua resposta. Paciência era uma de suas qualidades. Lembrou-se também quando ele foi \'derrotado\' por Ichigo, quando ele desaparecia a sua frente e lhe estendia a mão. Queria impedi-lo, ajudá-lo. Não conseguia se lembrar por que... Mas queria ele vivo.

- Eu... Eu... Estou bem.- Disse, desviando o olhar.

- É, consigo ver. – Ele disse com tom irônico. Inoue suspirou, se acalmando um pouco.

- O que está fazendo aqui? – Ela perguntou, mudando de assunto. Ulquiorra pouco se importou, apenas continuou a conversa. Afinal, porque ele estava ali? Por quê Nell estava ali? \"Será que Grimmjow também vem?\" Pensou, sarcasticamente. Devia ser efeito de tanto choro.

- Conseguimos que Urahara Kisuke fizesse esse gigai pra nós... Grimmjow e Nelliel também estão aqui. – Foi apenas o que disse, sem se explicar muito bem.

\"Inacreditável, pelo menos posso acabar como vidente, se não tiver mais escolhas.\" Foi o que pensou após receber a noticia que Grimmjow também estava andando por aí.

- Preciso ir. – Ulquiorra disse após olhar para o relógio em seu pulso e voltar a encará-la.

- Já...? – A pergunta simplesmente saltou de seus lábios. Por algum motivo esses minutos com ele lhe trouxeram calma, tranqüilidade.

- Até mais, mulher. – Virou-se e voltou a andar. Inoue ficou parada, esperando até que não conseguisse mais vê-lo, a dor voltava ao seu peito, lentamente. A lembrança do beijo... Da ex-espada pulando sobre o seu Kurosaki-kun e o beijando. A tristeza começava a lhe tomar, a vontade de se jogar ali mesmo e começar a chorar acabara de voltar.

- Ulquiorra. – O chamou, por mais um motivo desconhecido. Mais que diabos estava acontecendo? Sobressaltou-se ao vê-lo virar e lhe encarar novamente. – Ahhn... Você...

- Sim? – Estreitou os olhos, esperando uma boa razão para que ela lhe chamasse.

- Vocês... Vão ficar por aqui? – Conseguiu completar a frase.

- Aonde quer chegar?

- Eu... – A vontade de chorar voltava. Sentia que, se não saísse logo dali, iria chorar na frente dele. – Preciso ir. – Finalizou e passou a andar, tentando fugir dali. Pena que não estava com nenhuma sorte naquele dia.

- Também vou para esse lado. – Disse. O que fez Inoue parar novamente. Não podia voltar ou sair correndo.

Decidiu que não falaria nada. Lembrava-se bem que Ulquiorra jamais fora de falar muitas coisas. Então aquele silêncio não mataria nenhum dos dois. Mas não demorou muito para que lembrasse a razão de ter corrido até ali encontrado o ex-arrankar. Uma lágrima despercebida rolou pelo seu rosto e só então se lembrou da presença de Ulquiorra. Passou a mão sobre o rosto em uma tentativa frustrada de disfarce.

- Você não acha meio ridículo o modo que está agindo, mulher? – Ele perguntou, friamente. Surpresa, Orihime vira-se e passa a olhá-lo, claramente espantada. Aqueles orbes verdes a encarando fizeram com que uma onda de choque percorresse por todo o corpo de Inoue. Ele havia parado de andar ao ouvir o choro da garota e agora a encarava. – Ficar ai se lamentando, chorando, como se esperasse que ele viesse até aqui te pedir desculpas. Como se fosse vir te consolar, implorar por perdão. Como se ele ao menos soubesse o que você sente por ele. Eu deixei que você voltasse por ele, principalmente. Não para vê-la chorando. – Ele disse. Afinal, porque ele estava dizendo todas aquelas coisas? Como assim ele havia ‘deixado’? Sabia que não estava ali para consolá-la e mesmo não querendo, mesmo não sabendo... Estava o fazendo. A ruiva ficou parada o observando, pensando em tudo o que ele disse, e chegou à conclusão de que ele tinha razão. Como podia esperar por algo de Ichigo se sequer havia contado para ele seus sentimentos?

- Obrigada, Ulquiorra-san... – Se aproximou, e mesmo sabendo que corria o risco de ser empurrada ou algo do tipo, deu um beijo da bochecha do ex-arrankar. Deu-lhe as costas novamente e voltou a andar em direção à sua antiga e destruída casa.

Meio irônico não acha? Alguém que nunca acreditou em \'coração\' ou sentimentos... Agora sentia o maior deles, e com maior intensidade possível. Sentia um frio estranho na barriga, um tipo de eletricidade percorrer todo seu corpo assim que recebera o beijo dela. Queria ser a chuva, para poder tocá-la. Queria ser o sol par estar onde ela estivesse, o céu para vê-la amanhecer e adormecer. Para tê-la sempre perto de si. Mas sabia que tudo aquilo nunca seria recíproco. E assim acabava conhecendo outros sentimentos... Tristeza, solidão... No fim, ele seria sempre o vilão obscuro e ela seria a moçinha buscando o \'Feliz para sempre\' que não seria com ele.

- Realmente. Humanos são puro lixo. – Ele murmurou para si mesmo tentando se convencer daquilo. Colocou as mãos nos bolsos da calça e continuou a andar, apenas seguindo Inoue.

- Onde você está indo? – A ruiva perguntou, após um bom tempo de silêncio.

- Estava procurando Nell. – Ele explicou, fazendo com que Inoue optasse por ficar quieta.

- Ahn. Já estamos aqui? – Parou de andar, alguns instantes depois, ao perceber que já haviam chegado à sua antiga casa. Olhou para Ulquiorra e conseguiu dar uma leve risada ao ver a expressão confusa em seu rosto. Ele parecia mais fácil de compreender estando em um gigai. – É minha antiga casa.

- O que houve com ela? – Perguntou, tentando parecer indiferente.

- Um hollow. – Explicou, simplesmente. Ulquiorra abaixou os olhos para o braço de Inoue e avaliou rapidamente a grande quantidade de curativos. – Un... Aconteceu alguma coisa? – A ruiva perguntou, ao perceber que agora ele olhava para uma árvore. Um vento repentino passou pelo local e demorou um pouco para que Inoue percebesse Hitsugaya, em seu uniforme de capitão, para em frente à Ulquiorra, com Hyourinmaru na direção do pescoço do ex-espada. Matsumoto vinha logo atrás, despreocupada.

- O que pensa que está fazendo? – O pequeno capitão perguntou, com uma voz autoritária.Ulquiorra manteve o silêncio, ignorando a presença do shinigami.

- Hitsugaya-kun! – Inoue o interrompeu ao ver que ele aproximava cada vez mais a zanpakutou, de uma forma ameaçadoramente perigosa.

- Taichou... Estou em abstinência de sakê. – Matsumoto resmungou, a boca contorcida em um pequenino biquinho.

- Estou agindo como um humano. – Ulquiorra disse, sem se importar. Encarou Inoue e não entendeu o olhar que ela exibia. Parecia... Preocupado. Ainda tinha muito o que aprender sobre sentimentos humanos.

- O que?

- Urahara... – Ele encarou Inoue mais uma vez, antes de continuar. – Disse para que agíssemos como humanos. Algo sobre os gigais que ele nos deu serem limitados.

- Eu disse. – Matsumoto resmungou novamente.

- Quieta, Matsumoto. – Ordenou, sem deixar de encarar Ulquiorra. Abaixou a zanpakutou. – E porque está com Inoue?

Ulquiorra estreitou os olhos. Já havia respondido uma pergunta, não era suficiente? Olhou para Inoue mais uma vez e murmurou um “Até mais”, antes de desviar do capitão e continuar seu caminho. Deixando um Hitsugaya furioso para trás. Inoue soltou uma risada abafada, logo acompanhada por Matsumoto.

Notas finais
Esse foi mais UlquiHime .q Acredito que o próximo venha a ser uma mistura dos dois e.e' qq
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.