My Favourite Faded Fantasy
1 The Professor
Então a grande guerra havia acabado, Voldemort estava morto e a verdade sobre muito de seus aliados eram agora o comentário por toda a comunidade bruxa. Alguns que nunca imaginaram estavam presos, outros estavam livres e como heróis. Um deles era o homem de negro que estava sentado na ponta da mesa do salão principal de Hogwarts. Era o último dia de aula dos que retornaram pós guerra. Severus olhava com o canto dos olhos a mesa da grifinória.
Lá estava ela, conversando com a mais nova dos Weasley, ela sorria mas uma lágrima escorria por suas bochechas rosadas pela excitação de algo que todos conversavam. A guerra havia os aproximado de alguma forma, talvez as horas que ficaram juntos para decidir e descobrir formas de proteger a ordem, era indiscutível que os dois seriam os mais sensatos e inteligentes naquele meio, tanto em poções como em feitiços.
Ele lembrou-se de um dos dias que eles amanheceram conversando sobre os efeitos de certa porção aliada ao feitiço certo, ela por alguns minutos esqueceu que era seu professor que estava na frente e lhe mostrou como não estava pensando de maneira lúcida, Severus não conseguiu não admirar aquela jovem mulher, ela não era mais uma criança, ele havia participado de sua festa singela de 18 anos, todos unidos lhe desejando os parabéns de uma forma tão calorosa e quando ela olhou para ele que estava no canto da sala recebeu somente uma taça erguida sutilmente em sua direção, a feição do homem era mais leve, quase como um sorriso no canto da sua boca, Hermione simplesmente abaixou o rosto com um sorriso simples e voltou para a atenção de todos os presentes.
Minerva chamou a atenção de Snape sobre algum assunto que ela já estava falando mas a sua voz era somente um murmúrio distante, sua cabeça estava flutuando para as lembranças de quando começou a não achar a sabe-tudo irritante tão irritante. Um piscada mais longa e os olhos negros se viraram para a nova diretora de Hogwarts.
O jantar terminou e ele se dirigiu para o seu quarto, olhava para o céu com um copo de fireuisque na mão, o brilho da lareira acesa refletia no líquido âmbar, por um momento pensou que sentiria falta dessa turma que estava para se formar, todos os seus alunos eram e sempre seriam cabeças ocas, mas estes não eram mais somente seus alunos, muitos eram também seus companheiros de guerra, crianças demais para que tivessem que viver tudo o que viveram.
Seus pensamentos estavam distantes quando ouviu uma batida leve em sua porta, olhou para o relógio sobre sua lareira e não conseguiu conter sua sobrancelha que ergueu com a audácia de alguém vir lhe atormentar tão tarde. Caminhou em direção a porta e abandonou o copo sobre uma mesa de centro, segurou sua varinha escondendo-a atrás de si quando abriu a porta, sua surpresa foi mais forte do que suas expressões conseguiriam disfarçar, era Hermione Granger.
— Senhora Granger, o que faz aqui e ainda mais nesse horário tão inconveniente? – Ele não dera passagem para que ela conseguisse nem mesmo ver o interior de sua sala.
— Perdoe-me, Professor, eu sei que estou sendo extremamente inapropriada, mas precisava conversar com o senhor antes de partir.
— É algo tão sério que não poderia me procurar amanhã antes de sua partida, senhorita?
— Sinto muito, vou deixá-lo em paz, Professor.
— Não. – Ela já havia se conformado e estava voltando para o dormitório. – Agora que já veio até aqui, diga-me, o que a senhorita deseja me falar.
— Eu só queria que o senhor soubesse como eu me sinto…
— Sinto lhe interromper, senhorita, mas acredito que mais inapropriado que a senhorita estar aqui, no meu dormitório neste horário, seria alguém nos ver. A senhorita gostaria de entrar? Posso pedir um chá.
Ela olhou para ele e não falou nada, somente se aproximou o que fez ele lhe dar passagem para que pudesse entrar e visse a sala escura. Ela parou ao lado da porta quando ele a fechou, ele caminhou em direção à poltrona e pegou novamente a bebida que havia deixado anteriormente. Ele olhou para a mulher parada ao lado da sua porta e ergueu sua sobrancelha.
— A senhorita pode se sentar no sofá, ele não irá lhe machucar.
— Me desculpe – ela sentou-se no sofá e olhou para o fogo que estalava fazendo-a se perder por um momento, até ouvir um pigarro do ao seu lado – Me desculpe, Professor, eu não sei se eu deveria ter vindo, pensando bem não foi uma boa ideia.
— Ora, logo a senhorita que pensa em tudo, não teve uma boa ideia – seu tom era um tanto debochado, o que fez a menina olhar para ele com os olhos levemente serrilhados, ele já conhecia aquele olhar – Perdoe-me, por vezes é mais forte do que eu consigo controlar.
— Eu só queria lhe agradecer, Professor – Novamente as expressões faciais do mago lhe entregaram. – O senhor foi muito paciente comigo quando estávamos trabalhando juntos na guerra, nem mesmo parecia o mesmo que conheci aqui no castelo, isso me fez conhecer homem diferente. Eu entendo que não poderíamos manter o mesmo contato quando voltamos para a escola, mas tenho que admitir que sinto falta de todas as nossas discussões sobre poções e feitiços. – O homem olhava para ela com a sobrancelha ainda erguida, ela sabia que ele queria entender tudo aquilo – Eu só queria mesmo lhe agradecer, mas, principalmente, dizer que sinto falta.
— Ora, senhorita Granger, o tempo que passamos trabalhando em parceria me mostrou que você não era somente uma sabe-tudo irritante, que é na verdade somente uma sabe-tudo e não que seja um problema, quando tinha sua idade eu também era.
Foi inevitável para Hermione que ela abrisse um sorriso, o homem era um gênio e não podiam negar isso, ele foi responsável por desenvolver uma poção protetora para os membros da Ordem, claro que ela ajudara, mas era mérito dele, todo aquele conhecimento, naquele homem que ela aprendeu a admirar e sonhar. Sonhar? Ora, para onde estavam indo seus pensamentos.
— Muito obrigada, Professor, eu não sei como poderia responder para um elogio seu.
— Eu não a elogiei, simplesmente disse que não é irritante.
— Ok, eu aceito não ser irritante, já é um passo.
Severus olhou para a garota sorrindo ao seu lado e lembrou mais uma vez o quanto ela era inteligente, mas com a luz batendo na pele dela, ele percebeu também o quanto ela tinha uma beleza delicada e discreta, assim como ela.
— A senhorita deseja me dizer mais alguma coisa? Eu acredito que esse seja o momento. – Ela sorriu e olhou para ele – Tem algo que eu tenho que dizer para a senhorita também.
Hermione imediatamente tornou-se tensa, sua coluna agora reta e os olhos presos na brasa da lareira, o que ele poderia querer dizer para ela.
— Eu acredito que a senhorita, seja qual for o caminho profissional que escolher, será sempre o destaque. Já decidiu o que deseja estudar agora que finalmente terminou a escola? Acredito que suas notas foram tão altas que poderia entrar em qualquer curso.
— Acredito que vá para transfiguração, ou – seus olhos se ergueram em direção ao homem – poções, ainda estou por decidir.
— Então sempre foi um plano. – ele falou mais sério e ela olhou assustada para ele – roubar meu cargo, pensei que a senhorita sera menos sonserina.
— O que o senhor está insinuando? Que eu quero roubar o seu cargo? Como poderia pensar isso sobre mim, eu o admiro, não quero lhe substituir, gostaria de me igualar… — Ela continuaria falando se não tivesse notado o meio sorriso escapando dos lábios finos do mago ao seu lado – É uma brincadeira, então o senhor sabe brincar?
— Sei várias coisas, senhorita, eu só preservo para os que merecem.
Ela sorriu e se levantou, Severus acompanhou seus movimentos e deixou o copo novamente sobre a mesa, mas agora vazio.
— Obrigada por me ouvir, Professor, me desculpe pelo horário, tão inadequado.
— Tudo bem, senhorita Granger.
— Agora vou tentar dormir, logo amanhece e não dormi nada, não quero perder nem um minuto para aproveitar o que me resta nesse castelo.
Eles caminharam em silêncio até a porta, Severus a abriu e a menina ia passar por ela quando em um movimento inesperado ela abraçou o seu professor, ou ex professor, já haviam encerrados as aulas. Quando Severus conseguiu ter alguma reação para abraçá-la o gesto já havia acabado, ela já estava no corredor quando ele conseguiu abaixar os braços para entender o que havia acontecido. Ela havia ido, como chegou, sem que ele tivesse reação.
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