My Favorite Darkness

9 Ridículo e Psicopata.


Notas iniciais
Hey :)

POV:Nico.

Estava no Tártaro dentro da mansão de Nyx, em uma enorme sala sem nenhum móvel ou objeto, tirando as velas vermelhas que eu e ela segurávamos.

–Você entende a grandiosidade do que estou prestes a fazer, James?-Nyx falava com baixo e devagar enquanto eu a ajudava colocar velas no pentagrama fracamente desenhado no chão.

–Sim, eu entendo- respondi, mas a voz não era minha- Só não sei como fará isso minha senhora... Exigirá muito do seu poder.

–Claro que exigirá. Depois do solstício de inverno ficarei muito fraca. Reviver esse monstro será muito trabalhoso, sem contar que terei de fazer alguns sacrifícios...- ela me olhou com uma expressão sombria e um tanto cobiçosa.

–Que tipo de sacrifícios?-Estava receoso, com medo do que ela poderia fazer.

–Tipo ficar sem magia por um tempo assim que ele se erguer. -ela baixou o olhar para o que estava fazendo, se agachou e disse algumas palavras em latim- Tipo talvez abrir mão da minha própria imortalidade para atingir meu propósito. Tipo- ela se levantou e virou pra mim- Sacrificar um servo fiel, para que o arrasador do Olimpo possa finalmente se recompor.

Quando percebi o que estava acontecendo tentei correr mas fiquei paralisado por conta de alguma magia que ela havia lançado em mim.

–Minha senhora, por favor, não!- tentei implorar enquanto ela se aproximava- Nyx, por favor, não!- Ela tirou um facão de lâmina curva extremamente afiado da capa que estava usando, e quando estava a apenas alguns metros de mim o ergueu e murmurou algumas palavras ininteligíveis.- NÃO!

Então tudo escureceu.

~*~

Acordei ofegando, extremamente assustado com o que tinha sonhado. Tinha acabado de presenciar a morte do ex-amigo de Violet, provavelmente pra ressuscitar um monstro que destruiria o Olimpo, na mais pura frieza. Dava calafrios.

Olhei para o lado e vi Violet sentada perto de mim, totalmente vermelha. Me perguntei porque ela estava nessa situação antes de ver que estou sem camisa deitado num saco de dormir com um monte de curativos feitos com gaze e fita hipoalérgica (fita adesiva hospitalar) pelo meu tórax e um no meu rosto. Então quem enrubesceu fui eu.

–Mas que porr...-comecei.

–Me desculpa Nico. Você desmaiou e eu tive de tirar você do ônibus junto com a Sophie e aí a gente te trouxe pro meio desse bosque e eu tentei cuidar dos ferimentos, porque você estava sangrando muito e quase com hipotermia e...-ela falava muito rápido e eu não estava entendendo nada.

–Ei.-eu a interrompi- Calma.- Olhei em volta de onde estava e vi que me encontrava numa cabana "auto-montável". Dentro dela havia eu, a filha de Nyx e as nossas mochilas.Uma brisa fria irrompia pela "porta". Estremeci- Pode me dar uma camiseta e uma blusa da minha atrás de você? Estou congelando...

–Ah claro...- Ela me entregou uma camiseta cinza- Só que você não tem blusas de frio, Nico... Acho que estava usando todas quando lutou com o Oni. Até que isso foi bom, porque senão os ferimentos seriam muito mais graves... Mas Sophie foi comprar uma nova pra você, não se preocupe.

–É, claro...-coloquei a camiseta- Mas enfim, o que aconteceu?

–Bem, depois de lutar com o Oni você estava sangrando muito. Tipo muito mesmo. Então você desmaiou, talvez por estar perdendo muito sangue, ou por bater a cabeça no chão na hora que caiu. Enfim, a filha de Nice acordou logo depois disso e nós não podíamos ficar naquele ônibus porque logo alguém o notaria, acharia o motorista e chamaria a polícia. Quando olhamos pela janela, vi que estávamos do lado de um parque turístico chamado Red Clay State Historic Park. Ninguém estaria visitando esse tipo de lugar com essa nevasca, então te carregamos pra cá — Grande herói Nico de Angelo. Grande herói.- Chegando aqui, pegamos a barraca que estava na mochila que Quíron nos deu e...

–Espera. Desde quando temos uma barraca? Ou melhor, desde quando uma barraca cabe numa mochila desse tamanho?- Era muito pequena, sério.

–Quíron falou pra um dos filhos de Hécate fazer ampliamento em várias mochilas do acampamento pra quando saíssemos em missão tivéssemos de carregar o mínimo de bagagens possível.

–Hum, isso é útil. Bem, continue.

–Nós armamos a barraca e colocamos você lá dentro porque você estava muito gelado os sangramentos não diminuíam e seu batimento cardíaco estava muito baixo, e eu...hm...nós... estávamos preocupadas. Então dei nosso dinheiro restante para a Sophie e disse pra ela achar um lugar pra comprar uma blusa pra você. Quando ela foi- ela ficou um pouco vermelha de novo- Eu te dei ambrosia e tirei o que tinha sobrado das seus agasalhos. Talvez até um pouco demais porque você começou a ficar muito quente- dei risada.- Não! Não foi isso que eu quis dizer- Violet fez cosplay de tomate- Argh. Você é muito malicioso di Angelo.

–Eu? Claro que não. Estou rindo porque quente é meu estado natural, não precisava se preocupar com isso.- Sorri abertamente.

–Você é ridículo- ela riu e me empurrou de leve. Ri também. -Então,- Violet disse, após algum tempo- quando você estava com a temperatura elevada — ela me lançou um olhar sugestivo e eu sorri- comecei a cuidar dos ferimentos, que paravam de sangrar por causa da ambrosia. Então peguei o kit de primeiros-socorros- Cara tem de tudo nessa mochila- Passei soro pra para limpar e fiz um curativo com gaze nas feridas do seu tronco e comecei a tratar do seu rosto quando você começou a ficar gelado de novo e eu te rolei pra cima desse saco de dormir.- vou ver se acho um ornitorrinco dentro daquela bolsa... vai saber?- Terminei de cuidar desse arranhão da cara e ia te colocar aí dentro- ela apontou pra onde eu estava sentado- mas você acordou.

–Sabe, talvez tenha sido sorte... Se você me rolou pra mim ficar aqui em cima, então imagina o que ia fazer pra me por dentro do saco de dormir... Eu ia acabar todo estropiado.

–Nossa, de nada.- ela deu um sorriso irônico.

–Ei, é brincadeira. Sem você eu poderia estar à essa hora congelado em meio à uma poça de sangue.

–Ai que horror Nico. Você tem uma mente muito psicopata sabia?

–Só às vezes. — sorri e ela me fez uma careta. Percebi que ela era até legal quando não estava chorando.

–Mas na verdade,- Violet disse, após alguns segundos.- Quem é o herói da história na verdade, é você. Se não estivesse lá, Sophie estaria morta e eu estaria indo para o Tártaro com aquele monstro.

–Grande herói eu sou. Por fim quem matou o Oni foi você.

–Ei, não tente se fazer de inútil. Eu e a Ruiva estávamos desmaiadas e você conteve o homem-macaco aquele tempo todo. Acho que ambos podemos ter a glória pela morte dele. Somos uma boa equipe.- ela sorriu de canto.

–Concordo. Mas concorde que Sophie poderia ter ajudado mais...-disse.

–Ajudado mais? Nico, se ela não estivesse lá, eu levaria o dobro do tempo que tive pra te trazer pra cá, bateria sua cabeça nas escadas e te arrastaria pela neve. Se alguém olhasse pela janela acharia que eu tinha te assassinado e que estava arrastando o corpo.

–E eu que tenho a mente psicopata?- olhei incrédulo pra ela.

A filha de Nyx ia me responder quando Sophie apareceu carregando uma blusa dobrada nos braços.

–Hey!- Ela disse.

–Hey. -Violet a cumprimentou- Conseguiu achar uma loja aberta?

–Bem... Eu não diria loja.- a ruiva respondeu.

–Como assim?- eu perguntei, desconfiado.

–Bom, tinha um cara na rua, vendendo umas coisas no porta-malas do carro. Então eu vi essa jaqueta que estava por 20 dólares. Eu só tinha 15 e pechinchei com o cara até conseguir esse preço.

–Quer dizer que a blusa é roubada?- Violet questionou.

–Acho que sim. Mas veja, uma blusa dessa custa entre 100 e 150 dólares. Uma pessoa que pode comprar uma blusa assim não está passando necessidade, concorda?

Demos de ombros. Até que ela não estava tão errada, mas eu não gostava da ideia de ter uma coisa roubada. Mas estávamos salvando o mundo. Acho que merecia fazer isso sem passar frio.

Quando peguei a blusa nas mãos, quase tive um infarto. Era o tipo de jaqueta que eu sempre quisera, o tipo que qualquer Hell's Angel usaria sem duvidar uma vez. Ela era de couro de verdade, preta com zíperes prata, e muito, muito quente. Quase me esqueci do fato de que ela fora furtada de alguém.

–Bem, -Violet disse- acho que agora podemos almoçar...

Ela entregou a cada um uma barrinha de cereal. Eu não diria que aquilo era um almoço mas era o que tinha. Meu gordo interior ficou frustrado.

–Gente, antes de continuar a viagem, alguém sabe o que é aquela coisa que nos atacou no ônibus? Eu nunca tinha ouvido falar nem vi em lugar algum daquele monstro. Talvez haja mais por aí.

–Eu sei o que é...-A filha de Nyx começou.- Quando eu tinha uns 7 ou 8 anos eu entrei num grupo de escoteiros mirins, e meu líder de grupo sempre contava histórias sobre mitologia quando acampávamos. Aquela coisa era um Oni, um demônio da mitologia japonesa.

–Mas isso não faz o menor sentido... Pensei que os deuses e monstros que existiam eram os romanos e gregos.- A ruiva disse, confusa.

–Só há uma explicação pra isso:-Eu falei- Nyx deve estar usando algum tipo de magia ou invocação pra chamar monstros de outra mitologia. Talvez não somente da japonesa, mas de várias outras. E algo muito pior está por vir...-contei-lhes sobre o meu sonho e a conversa da deusa da Noite sobre reerguer algo.- Se ela pode sacrificar a própria imortalidade por essa coisa, esta deve ser muito poderosa. Uma coisa que pode destruir os deuses e talvez o próprio mundo. Imagina o que pode fazer com semideuses?- engoli em seco.

–Então temos de partir o mais rápido possível...- Violet disse, levantando-se num salto e arrumando as coisas.

–Eu não sei se repararam mas ainda temos mais um pequeno problema...-Não diria que os problemas que temos são pequenos.- O nosso dinheiro acabou.

Ficamos em silêncio por um tempo. Sem dinheiro não poderíamos comer, nem pegar trens, metrôs, ônibus etc e tal. Eu já tinha visto que o dinheiro não ia durar muito tempo, mas pensei que conseguiríamos chegar à Chicago, pelo menos.

–Que fazemos agora?-perguntou Violet, com um leve tom de desolamento na voz.

–Bom, vamos usar nosso último recurso- Eu disse- o Táxi da Danação Eterna. Me arrependo de ter comido essa barrinha...