My Family, My Life, My Obsession.
1 Everything I do...
Notas iniciais
Regina estava dormindo e pela primeira vez, em meses, era um sonho sem pesadelos, sem memórias, sem dor. A morena precisava descansar, a exaustão emocional dos últimos dias não serviria a ninguém, muito menos para o que estava para acontecer.
Cora se certificou de que Regina dormiria por muitas e muitas horas em paz. Olhava com gratidão e felicidade o rosto adormecido da filha, como sua boca se abria fofamente e sua expressão ficava completamente pacifica. Como se fosse o anjo que aparentava ser. Sorriu e por fim, se levantou da cama.
Tinha que sair, uma reunião importante, mas como ignorar uns poucos minutos olhando para a filha adormecida no quarto ao lado? Ah, Cora nem se lembrava da última vez que tivera tal luxo e ela jurava que não mais deixaria oportunidades do tipo escorregarem por entre seus dedos. Ela teria sua família de volta. Inteira.
Fechou a porta do quarto com cuidado, mesmo sabendo que Regina não acordaria nem se uma guerra explodisse naquela antiga cripta. Ainda assim, todo cuidado era pouco.
Rumpelstiltskin, seu antigo mentor, era um mestre da manipulação, mas Cora definitivamente não podia ser considerada fraca em tal arte, afinal tinha acabado de enganar o Dark One em seu próprio jogo certo? Ah sim, tudo até então tinha sido cuidadosamente pensado e Cora não podia evitar o sorriso satisfeito de enfeitar seus lábios vermelhos.
Tinha sido fácil, muito fácil até. Rumpelstiltskin era tolo e sua busca pelo filho deixara indícios demais, sobreviventes demais, ódio demais. Tudo que teve que fazer foi dar uma chance de vingança a Killian e o colocar na trilha de Belle, claro que ela não esperava que a namoradinha do Dark One fosse passar da borda e perder todas as suas memórias. Riu. Mas foi uma coisa boa. Ele finalmente sabia o desespero de perder algo precioso novamente.
Ah, que inocência! Rumpelstiltskin realmente achou que nenhum dos monstros que ele deixou pelo caminho pudesse voltar e mordê-lo. Inocência. Todo monstro tem, bem dentro de si, o desejo de destruir seu criador. Cora só não conseguia entender por que Rumpelstiltskin achava que estava imune a isso?
“Cuidado, Rumpel, sua arrogância pode destruí-lo”.
Ela disse isso a ele certa vez, mas o tolo não a ouviu. Mas estava tudo bem, ela também se esquecera, por pouco tempo, que os monstros criados, hora ou outra, se rebelam, afinal Regina tentara mata-la certo? Duas vezes. A grande diferença era que nem Cora nem Regina nem Hook nutriam por Rumpel algum tipo de amor, mas Regina ainda amava Cora, mesmo sendo o monstro construído por Rumpel – e só pouco por Cora – Regina ainda encontrava dentro de si a vontade de amar. Ah, a felicidade de saber que seu monstro, tão louco, tão insano, tão perdido na própria dor e escuridão, ainda consegue te amar.
Tudo mudou no instante em que Cora percebeu que podia ter tudo de volta. Tudo mudou quando Cora percebeu que Regina ainda a amava. Tudo mudou quando Cora se lembrou do por que aprendera magia, do por que lutara tanto contra Rumpel, contra sua própria escuridão, contra o tempo, contra Henry, contra tudo. Lembrara-se do seu antigo sonho: ser tão poderosa que ninguém tentaria machucar seus filhos.
A miséria foi tanto quando percebeu que falhara nisso. Regina estava tão quebrada, tão, tão perdida. Era mais fácil convencê-la de que pertenciam juntas agora e também mais fácil protege-la, mas algo, uma parte mínima, achava que preferia muito mais que Regina ainda estivesse inteira, ainda emanasse alguma luz...
A pobre menina que só queria ser amada... Oh, como o mundo era cruel com seus filhos. Mas, não mais, nunca mais. Agora Cora estava aqui e nada, absolutamente nada, machucaria sua família novamente. Nada. E se ela precisasse destruir aquela cidade e matar cada um de seus habitantes, Cora não hesitaria um segundo.
O píer estava frio quando se materializou no meio de uma fumaça roxa. Com um sorriso satisfeito e olhos brilhantes, Cora andou confiante até a única figura no píer abandonado que se encolhia numa jaqueta azul, tentando se defender dos ventos frios daquela noite.
- Deveria vestir algo mais quente. – comentou Cora se aproximando. Não conseguiria parar de sorrir nem mesmo se quisesse. – A noite está fria e você está a um passo de um resfriado, mas fique sabendo que ninguém cozinha uma canja de galinha como eu.
A figura a olhou com quase timidez e abaixou a cabeça, sem saber o que fazer. Parte dele queria gritar, outra queria chorar.
- Gold me trouxe aqui com o seu globo. – disse o rapaz. Não, homem. – Eu conheci meu filho. – apertou os olhos como se quisesse chorar – Eu tenho um filho. E a garota que eu amei, Emma, está aqui... Bem, e quer me perdoar. – olhou para Cora fixamente. – E então, eu recebi sua mensagem... Mãe.
O sorriso de Cora aumentou. Ah, como era bom ouvir essa palavra novamente! E pela boca de seus filhos perdidos. Um para Rumpelstiltskin e o outro para o próprio tempo e espaço.
- Está feliz então? – indagou. – Ora, você tem tudo que sempre quis, não é? Uma família. Você tem a mim, sua irmã, seu filho, o que mais poderia querer, meu bem?
Ele pensou por um momento, indeciso entre ceder ou recusar.
- Você me renegou. – acusou. – Por anos, eu te procurei. Pulei de mundo em mundo, procurando por você, procurando por qualquer coisa que me dissesse por que você não me quis. Quando te acho, — abriu um sorriso amargo – você é a Rainha de Corações.
Cora o olhou com afeição. Os olhos do rapaz – homem- se encheram de lágrimas. Ela tinha feito algo certo para suas duas crianças a amarem tanto.
- O que você fez comigo...
- Era necessário. – interviu – Wonderland era perigoso. Terrível demais. Se alguém soubesse que você era meu, que você tinha o meu sangue, Neal, eu nem sei o que eles fariam com você. – se aproximou e segurou a raiva quando Neal recuou – Você viu como eles especulavam sobre ir para a Floresta Encantada por que havia boatos de que eu tinha uma família lá. Você sabe, melhor do que eu, o que eles planejavam fazer com a minha filha, com a sua irmã, por vingança a mim.
- Então, você me renegou. – ele afirmou. – Ignorou a minha presença por anos e por fim, quando consigo fugir de Wonderland com a ajuda de Alice e do Chapeleiro, quando consigo fugir da magia, desse mundo infernal, tudo volta na forma de uma garota, uma criança e um cartão postal. – lambeu os lábios trincados. – Talvez, é hora de esquecer você e adotá-los como minha única família.
Neal esperava que Cora fizesse furiosa, mas não que risse, não que olhasse para ele com aqueles olhos sábios, amorosos. Ah, há alguns anos, ele mataria para ser olhado daquela forma.
- Você é tão parecido com a sua irmã. – ela disse. – Tão inocente. Meu querido, — se aproximou e Neal não recuou dessa vez – Eles não vão te aceitar. Quando souberem, que você é meu filho, que o Dark One é seu pai, que a Evil Queen é sua irmã... – tocou uma das bochechas geladas de Neal – Eles não vão te aceitar. Não importa o quanto você prometa e jure que mudou, eles não vão te amar... Não como eu te amo ou como sua irmã vai amar.
- Emma vai me aceitar.
- Emma? – riu – Ela foi a primeira a ir atrás de Regina quando o grilo foi sequestrado por Hook, sabia disso? – pelo olhar confuso de Neal, Cora sabia que ninguém tinha se dado ao trabalho de falar sobre Regina e isso era bom – Ela prometeu mudar, sabia? Ela aceitou deixar o garoto com o avô, Henry, não é? – Neal assentiu – era o nome do meu ex-marido, o pai de Regina. – olhos arregalados, bom sinal. – Enfim, ela deixou o garoto ir, mesmo o amando tanto. Depois, ela aceitou trabalhar com o seu pai, o homem que ela mais odeia para salvar a sua preciosa Emma e Snow, a mulher que ela mais odeia, só para deixar o garoto contente. – Nela engoliu seco. – Ela quase morreu absorvendo um feitiço mortal para ter certeza de que as duas voltariam para casa, para ter certeza de que o rapazinho sorriria de novo. E sabe o que houve? – Neal não se moveu – Elas não deixaram Regina vê-lo, nem ficar com ele. Quando a primeira coisa estranha aconteceu, todos estavam na porta dela.
- Ela fez coisas terríveis.
- Eu também fiz e meu você, meu querido, também fez. – sorriu. – E isso vai sempre nos assombrar. Além do mais, eles não têm motivos para acreditar em você. Eles vão te julgar sempre por seus erros.
- Emma...-
Suspirou e recolheu sua mão enluvada.
- Emma? Tudo bem, meu querido, confie em Emma. Sua irmã também o fez e ela se arrependeu. Tudo bem. – cruzou os braços e se afastou. – Eu estarei aqui para recolher os pedaços.
- Como fez com Regina?
- Como ainda faço. – balançou os ombros e suspirou – Você não faz ideia do quanto a quebraram. – forçou um sorriso – Ela tinha uma luz tão linda... Até você teria ficado surpreso.
Neal lambeu os lábios e olhou ao redor.
- Como ela está?
Cora sorriu.
- Está dormindo. Eu fiz um feitiço básico, ela deve dormir pacificamente por um tempo. A dor não a deixa em paz. Ela sempre sonha com o filho a abandonando. – parou e olhou fixamente para Neal. – Eu queria recomeçar. Com você e com ela. Eu cometi erros, mas eu posso mudar. Eu não temo Rumpelstiltskin em cada canto tentando roubar Regina ou o Rei Xavier pedindo sua morte, Neal. Agora, eu sou forte o suficiente para proteger vocês dois. Não temo esse mundo. Aqui não é Wonderland e se for, com a ajuda de sua irmã, — riu – nem mesmo a Rainha Branca nos deteria. Eu posso ser melhor. Eu juro. É só você me dar uma chance. Eu quero ser a sua mãe, a mãe de Regina e uma boa avó para Henry.
- Henry? – indagou. Seus olhos estavam avermelhados.
Deus, ele sonhou com isso por tanto tempo, por tantos longos anos. Cora, sua mãe, estava aqui pedindo perdão, pedindo uma segunda chance, pedindo para ser a mãe que ele sempre quis, sempre sonhou. Como podia recusar? Ah, ele conhecia a Rainha de Corações, ele também conhecia, por histórias, a Rainha Má.
- Você quer vir comigo? – indagou Cora, tinha os olhos marejados de lágrimas. – Vou acordar Regina. – forçou um sorriso – podemos beber chá e conversar.
- Sério? E você me deixaria ir embora depois?
Cora riu.
- Mas é claro, meu bem. Eu aprendi a minha lição com Regina. Não vou perde-los de novo, mas não irei prendê-los. Quero vocês comigo por que me amam.
E era essa a verdade, não é? Em meios dos choros e da raiva, Neal a amava.
- Isso não vai resolver as coisas. – ele disse preocupado e tentando se manter lógico – Tem muita coisa errada entre nós dois, entre você e Regina, entre a cidade e você.
- Eu mudei. Juro que mudei. Eu admito que ajudei no rapto do grilo, mas não toquei nele. Não o torturei. Foi Hook e ele apenas. Eu me arrependo, especialmente por que culparam a minha Regina.
- Eu quero acreditar em você...
- Ora, Neal, não estou pedindo para me aceitar agora, só estou pedindo uma chance, como pedi a sua irmã. Estamos conversando, criando planos. Planejamos sair da cidade, viajar, explorar esse mundo estranho. Sem magia, sem planos de dominação, sem nada. – estendeu a mão. – Vamos conversar. É só isso que te peço. Num lugar quente, com a sua irmã. Vocês finalmente podem se conhecer. Ela pode te contar histórias sobre Henry quando menor e você pode nos contar sobre esse mundo e sobre suas aventuras. E eu, bem, eu posso contar o quanto senti a falta dos dois e o que desejo fazer agora que estamos juntos. São só planos, palavras, só isso.
Neal sentiu seu braço tremer. Era tudo que ele sempre quis, certo? Tudo que sempre sonhou quando criança.
- Por favor, Neal, meu filho.
Tudo que viu foi o sorriso aliviado e satisfeito de Cora quando apertou sua mão enluvada.
- Eu ainda não te perdoei.
- Claro que não. – sorriu. – Mas eu ainda te amo. Obrigada.
Os dois foram envoltos numa fumaça roxa e novamente o píer ficou deserto...
Exceto, pelo anão que se escondia atrás de umas caixas de peixe, que assustado, melhor, completamente apavorado correu desesperadamente até a estação de policia.
Não era meia noite e toda a cidade já desconfiava e odiava Neal.
Nada que saísse de Cora e que partilhasse o sangue da Rainha Má podia ser bom. O que eles ignoravam era o olhar apavorado de Henry.
“Mas, eu fui criado para Rainha Má e tenho o mesmo sangue do meu pai”. O que eles não podiam imaginar era que o garoto associara isso com o fato de ser potencialmente mal e nem podiam imaginar que Cora usaria disso para juntar a última peça de sua pequena família. O rapaz deixaria Regina e Neal contentes, então era só captura-lo.
Os dois estavam num dos pequenos quartos da cripta. Regina comentava algo sobre Oz e Neal retrucava. Um sorriso enorme e satisfeito cruzara sua face. Estava indo tudo de acordo com o plano.
Rumpelstiltskin estava certo.
“Se você quer algo, não espere que ele saiba disso sozinho, dê um empurrãozinho na direção certa. Podemos ama-los, mas eles nem sempre sabem o que é melhor para eles próprios.”
Ah sim, mas Cora sabia e era paciente.
Ao som da voz dos filhos, Cora se envolveu numa fumaça roxa. Estava na hora de conquistar o mais novo membro de sua pequena, mas forte família.
Notas finais
Essa teoria não é minha, é de uma brilhante amiga minha e definitivamente não é perfeita, mas eu achei super interessante, então por que não usar de uma boa ideia?
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