My Everything
12 Uma Faísca de Desejo?
Notas iniciais
– Não tem nada para me falar?-pergunta Vanessa curiosa e com um olhar travesso e sugestivo.
– Sobre?
– O que aconteceu depois que você saiu com o Jason e a Amanda?
– Ah, foi como todas as pessoas que ficam bêbadas. -falei fazendo pouco caso.
– Então não aconteceu nada?
– E o que deveria acontecer?Eu não estava em um ótimo estado, e além do mais, não sei o que você espera ouvir.
Se eu admitisse para Vanessa que o pervertido do Jason me atrai, tornaria isso mais real. Ainda não consegui definir que tipo de sensações ele me desperta, mas o Shane não é capaz de fazer com que eu sinta o mesmo. Isso é errado, a forma como Jason me faz sentir viva e eu nem o conheço o suficiente. Se bem, que se eu fosse classificar acho que conheço o Shane menos ainda, se eu considerar que não me lembro dele como deveria, e que não passamos muito tempo juntos.
Não poderia deixar nada se enraizar aqui dentro de mim, o certo para mim era o Shane. Quer dizer, deveria ser. Pelo que já tivemos, mesmo que eu ainda não lembre e pelo o que estamos tentado ter agora.
– Posso dizer uma coisa, e você promete que não vai se irritar?
– Depende. Prefiro não prometer nada.
– Dane-se, vou dizer do mesmo jeito. Shane é muito tedioso, não sei como pode aguentar um mauricinho desse tipo.
O argumento de Vanessa me fez rir.
– Bom, já chamaram ele de coisa pior. -falei ao lembrar que Jason o chamou de viadinho.
– É sério. O cara tem um ego esmagador. Mas, por outro lado, ele é incrivelmente lindo, com todo respeito Dallas.
– Já que estamos falando disso, eu queria agradecer pela ajuda que você me deu com ele.
– Amigas são para isso. Tudo bem que para te ajudar eu tive que aturá-lo, mas fazer o quê?Tudo tem seu preço.
– Quanto drama. -digo, rindo.
– O cara tem uma confiança própria que é ofuscante.
– Chega de Shane. Eu realmente estou grata a vocês, Amanda também mostrou ser uma boa amiga.
– Ah sim. Uma boa amiga que some na melhor parte. Sabe-se lá onde ela estava quando você ficou toda cheia de coragem.
Não pude evitar que o rubor denunciasse o meu constrangimento. Não me orgulho de ter feito o que fiz, chamando toda a atenção para mim.
– Sei de alguém que estava adorando aquilo. E...Que ao mesmo tempo, tava parecendo um tanto quanto incomodado por todos estarem de olho em você.
– Nem comece, você sempre volta ao mesmo ponto. Porque fica tentando bancar a cupida?
– Porque sim Dallas, porque você só precisa de uma sacudida e de um empurrãozinho para se dar conta de que o que você precisa está morando ao seu lado.
– Isso é o que você diz.
– Ah, por favor, não me insulte. Eu sei que entre vocês tem uma fagulha, uma faísca de desejo, ou melhor, o fogaréu inteiro. E sinceramente, deveria estar feliz ao ter encontrado, porque eu bem que precisaria disso.
– Não tenho dúvidas. Você precisa mesmo de alguém, quem sabe assim não sobra tempo para ficar inventando absurdos.
– Depois sou eu quem terá o gostinho de te falar que eu avisei.
– Podemos mudar de assunto?Acho que aquela noite e Jason, são assuntos que rendem demais, e não de uma boa forma.
– Então, que tal me contar o que aconteceu?Amanda me mandou mensagem avisando que você estava no hospital.
– Eu tive alguns flashes de lembranças. Não foi nada demais, só que isso acabou se intensificando com uma forte dor de cabeça e eu acabei desmaiando.
– Poxa, isso é sério. Você está mesmo bem?-logo a expressão divertida que Vanessa exibia se transformou em preocupação.
– Estou. Sabe, eu estou muito bem sabendo que tenho vocês duas comigo.
– Com certeza. Amanda não está aqui, mas falo por ela também, pode contar com nós duas sempre que precisar. Uma por todas, e todas por uma, as três mosqueteiras.
– Você é uma graça.
Uma batida na porta nos interrompe. E me surpreendo ao ver que é Jason, todos os pelos do meu corpo se arrepiam com a sua aproximação. Ter aqueles lábios mais do que convidativos tão perto quando sua expressão está tão serena, é uma verdadeira tentação.
E aqueles olhos sondando, avaliando cada centímetro do meu corpo, era um aviso de perigo eminente. Seu cabelo úmido e o cheiro da loção pós-barba que vinha dele indicava que tinha tomado banho, enquanto eu ainda estava com a mesma roupa e com um leve cheiro característico de suor. E o rabo de cabelo ridículo que eu tinha feito as pressas, acentuava meu desleixo quando teimosas mexas não queriam ficar no seu devido lugar.
Ele pigarreou e pareceu escolher as palavras que diria.
– Eu só vim entregar isso. -falou entregando minha roupa que estava amassada e cheirando mal por causa dos restos de vômito que impregnarão na roupa.
– Ah sim, obrigada.
Jason se aproxima mais de mim, e eu sinto meu corpo todo ficar rígido. Ele abre a boca como se fosse falar mais alguma coisa, mas então desiste ao perceber a presença de Vanessa. Quando eu senti o calor que emanava do seu corpo, minhas pernas quase me traíram ficando moles que nem gelatina. Esse é o efeito Jason, nada mais existe ao redor e nada de coerente se passa comigo.
– Você viu aquilo?-pergunta Vanessa.
– Aquilo o quê?
– Aquilo que eu posso dizer que é um verdadeiro vulcão prestes a entrar em erupção. -brinca Vanessa, fazendo gesto com as mãos de uma erupção imaginária.
– Acho que estou com problemas. -admito.
– Veja pelo lado bom, a solução esta bem próxima de você. Deixe queimar, e que incendeie tudo. Você sabe ou pelo menos deveria saber, que ele esta entre o top dos hot da Universidade de Denton não é?
– E porque isso deveria ser relevante?
– Porque você também está na lista feminina das hot. Os casais considerados “hot” se tornam bem famosos pelo campus, é tipo brangelina.
– Você é hilária. -digo, rindo da criatividade e dos comentários divertidos de Vanessa.
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– Dallas, você tem visita. -me avisa Vanessa, assim que termino de tomar banho e ainda decidia o que vestir.
– Preciso de um tempinho.
– Não demore, por favor.
Com o pedido de Vanessa para que eu não demorasse, acabei resolvendo vestir um vestido básico e confortável. Arrumei meu cabelo no melhor coque que consegui fazer e voltei para a sala onde encontrei uma Vanessa com a expressão de poucos amigos e um Shane que parecia muito contente.
– Minha música está tocando nas rádios. -ele me avisa com um enorme sorriso estampado em seus lábios.
– Correção, a música da sua banda está tocando nas rádios. -fala Vanessa.
– Que seja!-Shane diz a contragosto, nada contente com a petulância de Vanessa. -E não acredito que não tenha ouvido. Fui eu que escrevi, e foi para você.
– Me desculpe.
– Porque te sinto tão distante de mim e da minha vida?-Shane pergunta assim que Vanessa fez um sinal de que iria dar uma volta, e que depois voltaria.
– Talvez tenhamos perdido o elo que tínhamos.
– Não. É você que sempre tenta se afastar de mim. -o familiar tom de voz que indicava que ele ia começar a ter vários argumentos me culpando por alguma coisa, estava presente. Isso eu reconheci.
– Não fiz nada Shane, apenas ainda não ouvi a música. Mas, posso fazer isso procurando em uma rádio online ou coisa assim, ou você poderia cantá-la para mim.
– Seria melhor se no mínimo eu estivesse com meu violão. A questão não é essa, eu fiz uma música para você e ela começou a tocar nas rádios. Isso é um grande passo, mas você não parece se importar.
– Não é que não me importe, eu estava em conflito com algumas lembranças que eu estava tentando fazer com que voltasse, e estava tentando me habituar com meu novo estilo de vida. Não precisa de drama Shane, eu estou aqui.
– Preciso de você comigo. -ele diz com uma voz doce e logo parece outra pessoa, quando está com sua expressão angelical.
– E eu estou com você. -o assegurei, segurando firme em sua mão. –O que quer que eu faça?O que eu quero e preciso agora é seguir com meus estudos, para me tornar mais independente.
– Não quero que desista dos seus propósitos, mas que esteja mais presente quando se tratar dos meus.
– Você sabe onde me encontrar, e eu sempre vou te apoiar na luta pelas suas coquistas. O que você quer dizer com isso?Acha que eu estou sendo negligente com você?
Ele respirou fundo e me abraçou sem me dar uma resposta.
– Você poderia dar uma daquelas entrevistas em que foi convidada. Eu iria com você, poderia te ajudar de alguma forma. Talvez fizesse bem para nós dois, estarmos juntos tratando de um assunto que nos afetou. -ele sugere, enquanto acaricia minhas costas e eu continuo envolvida nos seus braços, aninhada a ele no sofá.
– Um psicólogo seria mais indicado então.
– Se você prefere, eu poderia conseguir um bom profissional.
– Isso não é de extrema importância agora. Tenho pessoas na minha vida que estão me fazendo um grande bem e isso já é um grande auxilio.
– Espero estar incluído entre essas pessoas. -eu gostava quando Shane tinha a fala suave e era carinhoso. -Podemos ter um futuro brilhante, só depende de você.
Quando eu ia protestar por ele colocar toda a responsabilidade em mim, ele me impediu com um beijo. Esse era o ponto que me incomodava, uma relação amorosa não é composta por apenas uma pessoa. E às vezes Shane parecia enxergar tudo pelo seu ponto de vista, sem se interessar pelo meu.
Depois de me deixar nervosa, em instantes, eu me sentia confortável em estar nos seus braços. Mas, eu estava começando a duvidar de que poderia continuar tentado reestruturar meu namoro com Shane. De repente, algo em meu interior me fez perceber que não sentiria nada tão profundo por ele, não da forma que temos que sentir por um namorado.
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