My Everything
2 Não sou um maníaco!
Notas iniciais
Acordei com um barulho irritante vindo da parede do meu quarto, onde minha cama fica encostada, o barulho infernal estava acima de mim e me incomodava bastante.
Aquele som era bastante aborrecedor e como eu já estava possesso de raiva, me levantei rapidamente e não quis perder tempo me vestindo, até porque o motivo do meu orgulho estava bem guardado na cueca. Enrolei o fino cobertor branco em minha cintura e foi verificar a causa daquele barulho.
O barulho vinha do apartamento ao lado, o 114. Alguns flashes se passaram em minha mente, eram lembranças da noite passada. Só pode ser brincadeira, eu tenho mesmo uma vizinha maluca?!
Lembro que ontem foi comemoração do aniversário de Jeremy, e tinha sido uma festa daquelas que ninguém é louco de faltar. E finalmente a irmã de Jeremy tinha baixado a guarda, mas depois ela acabou sumindo da festa e ele me avisou que ela viria atrás de mim. Então quando cheguei em “casa”, e vi alguém parado na porta do meu apartamento, pensei que seria ela.
Mas eu me enganei feio, e se tratava de uma garota meio maluca que não conseguia perceber a diferença de 113 para 114. Confesso que eu fiquei um pouco envergonhado pela cena que causei, porque eu vi que a garota realmente tinha ficado assustada. Na verdade, isso foi interessante, uma garota com medo de mim, bom talvez eu tenha contribuído um pouco para isso, mesmo assim isso era diferente das reações que eu estava acostumado a causar nas pessoas do sexo oposto.
Bati fortemente em sua porta, com a cólera circundando por todo o meu corpo. Essa maluca tinha que morar logo no apartamento ao lado?Ela abriu a porta exibindo toda a sua simpatia, e logo mudou de expressão ao me ver.Eu realmente tinha causado tão má impressão?Mesmo assim, eu me divertia com aquilo.
– O qu-e que vo-você quer?-ela gaguejou e depois pigarreou ficando séria. Fechou um pouco a porta indicando que em hipótese nenhuma me deixaria entrar, mesmo sem eu ter a intenção.
– Poderia parar com esse barulho dos infernos?
– Não sei do que está falando, eu só estou tentando pendurar um quadro. -só agora notei o martelo que ela segurava em sua mão.
– Diz isso porque não é você que tem que ouvir as batidas na parede do seu quarto, especificamente acima da sua cama. Não acha que é cedo para perturbar a paz dos outros?Ah é mesmo, você nunca sabe de nada. -debochei, ao lembrar da trapalhada de ontem.
E ela teve a audácia de me dar um tapa na cara.
– Ficou louca?-a agarrei pelos ombros e lhe dei um chacoalhão.
O cobertor deslizou pelo meu corpo indo direto para o chão, e ela soltou o martelo que fez um ruído ao bater no chão. Ela me encarou com uma expressão indecifrável da cabeça aos pés, e eu pude perceber que ela estava desconfortável sem saber ao certo como agir.
A soltei e fui adentrando seu apartamento a procura do quadro que ela queria pendurar,tinha que acabar logo com isso antes que ela voltasse a fazer tanto barulho,apenas para colocar um prego.
– O que pensa que está fazendo?-ela pergunta vindo atrás de mim.
– Um favor, vou acabar logo com isso.
– Nem pense em entrar no meu quarto, não permiti que entrasse, se quer fazer um favor então retire-se agora.-apontou para a porta me encarando com raiva.
Como minha presença podia incomodá-la tanto?E nem sei por que eu tinha entrado. Normalmente eu deveria tê-la xingado de tudo quanto é nome e a ignorado depois do tapa que ela me deu,mas parte de mim a achava intrigante.Era atrevida,maluca e chata,mas ninguém pode negar que ela era intrigante.
– O que foi?-ela me perguntou cruzando os braços abaixo dos seios.
– Eu não vou te machucar ok?
– Não é que eu esteja com medo, é que tem um idiota arrogante que se acha o dono da razão, invadindo o meu espaço. E detalhe, ele está só de cueca. -ela reclama, me fazendo dar uma alta e boa gargalhada.
O que a fez ficar ainda mais séria,pelo biquinho que seus lábios formaram,notava-se que ela estava bem desgostosa.
– Acha engraçado o fato de um maníaco que me atacou ontem no corredor, invada minha casa de manhã só de cueca?!Ainda mais bancando o senhor dono da razão.
– Não sou um maníaco. -objetei. –E bom, sobre ontem eu só confundi você com outra pessoa.
– Claro, acha que eu sou qualquer uma e que só por ser nova na área iria cair em seus braços, pronta para fazer sexo com um completo estranho bêbado?
– Eu não estava tão bêbado, se estivesse eu não lembraria do que aconteceu.
– É impressão minha ou começou a dar satisfações porque está querendo se desculpar?
– Eu não te devo desculpas, também não te conheço e já fui agredido por você duas vezes. -a lembrei.
– Sinto muito pelo tapa,você acabou falando algo que me incomodou e...Enfim,só me desculpe.-finalmente ela estava falando comigo sem elevar a voz.
Notei que ela parecia estar envolvida com os seus pensamentos e algo a fez ficar meio abatida. Aproveitei esses minutos em que ela ficou quieta, e a observei bem. Arriscando um palpite em contraste com a minha altura de 1, 80, acho que ela tem um pouco menos, talvez fosse 1,75. E apesar de sua magreza, tinha um belo par de seios, que fazia um belo contraste com suas curvas. O corpo todo parecia ter uma sintonia, nada de menos e nada de mais.
Sua pele é bem clara, tipo bem clara mesmo. Mas, algo extremamente notável era o desenho de sua boca, com isso quero dizer seus lábios que eram finos e naturalmente rosados. Na verdade, ela poderia ser considerada uma boneca de porcelana ambulante, por causa da fragilidade e sensibilidade que fisicamente aparentava. Sei lá, como que se não tivesse um cuidado ela poderia se quebrar facilmente.
Isso era interessante, eu estava realmente observando alguém?Só olhando alguém, sem ter nenhum pensamento pervertido ou coisa do tipo?Não que eu fique pensando besteiras com todas as mulheres que eu vejo, mas mesmo assim é como ela falou eu estava de cueca, tinha invadido o seu espaço pessoal (coisa que eu também não gosto que façam comigo) e de repente só estou aqui a olhando e tentando decifrar o que ela tem,para permanecer tão pensativa.
Eu nunca estive só de cueca conversando ou brigando, ou seja, lá o que for isso que estamos fazendo. Geralmente quando estou a sós com uma garota, as coisas costumam ser bem diferentes, ainda mais quando se trata de uma garota normal, que nessa situação estaria tentando me seduzir ou coisa do tipo. E acabaríamos despidos em sua cama, com ela querendo marcar uma próxima vez.
Mas hoje, eu estou aqui de frente para uma maluca, que depois de me agredir duas vezes me pede desculpas e se perde em seus próprios devaneios, fazendo com que eu me perca nos meus.
E então percebo que ela me encara como se estivesse esperando que eu também pedisse desculpas.
– O quê?-pergunto.
– Não teria nada para me falar, eu fiz a minha parte.
– Quer que eu te peça desculpas?Pelo o que exatamente?Agora estamos quites, eu errei com você e você errou comigo.
– Ah então vai ser assim?Uma coisa em troca da outra?Porque se for, é melhor sair daqui agora. Você quer me fazer o “favor” de pregar um prego e depois vai ficar me cobrando como se eu estivesse lhe devendo um favor,ia me cobrar em forma de favores sexuais?-ela meio que afirma e me acusa ao mesmo tempo.
– Não aja como se isso fosse a pior coisa do mundo. -assim que falei isso, seus olhos se estreitaram e ela me encarou incrédula e horrorizada, ela era hilária por isso eu não conseguia me irritar verdadeiramente com ela.
Isso era divertido, o fato dela ficar horrorizada com qualquer coisa que envolvesse algo entre nós. A maioria das garotas me via de uma perspectiva diferente, tem umas que me procuram quando estão carentes afim de preencher algum espaço vazio ou sei lá,é tão supérfluo.Não sei explicar direito,mas ainda não consegui me sentir “conectado” a alguém,então só tenho curtas relações com diferentes pessoas,e elas tem reações totalmente opostas da que está na minha frente nesse momento.
– O que é tão engraçado?-ela pergunta aborrecida com meu sorriso.
– Você.
– E mais essa agora. -ela reclama. -Vem até o meu apartamento para rir da minha cara. Isso já foi longe demais, estou falando sério dessa vez, vai embora.
Ela só poderia se achar muito irresistível, para imaginar que eu teria algum interesse nela. Com sua opinião formada de que eu tinha intenção de seduzi-la ou coisa do tipo.
– Está bem senhorita irresistível, só me faça o favor de ser breve com todo o seu barulho.
– Eu não vou te fazer nenhum favor!-sua voz se sobrepôs a minha. –Seu maníaco pervertido.
– Se eu fosse você, tomaria mais cuidado já que tem um vizinho maníaco. -comentei.
Sua expressão de horror voltou.
– Está vendo o peso que sua palavra tem ao me chamar de maníaco?Sabe ao menos o que é?
– Indivíduo possuído de uma mania.
– Está mais para uma pessoa obcecada por algo ou a alguém, e está sempre relacionado a crimes, então espero que não se refira mais assim quando se tratar de mim. -pedi firmemente quando estava saindo do seu apartamento, e pela sua expressão me parece que ela tinha acabado de ficar ciente disso, era como se ela já soubesse e tivesse esquecido.
Ela me olhou como se estivesse concordando comigo, mas ainda pensaria em uma palavra que pudesse me definir.
– Só me esquece ok?-ela fechou a porta bruscamente.
Bati na porta educadamente dessa vez.
– O que é?-ela quase gritou histericamente. E eu sabia que tinha contribuído para sua impaciência.
Segurei o riso, e entrei sorrateiramente para pegar meu cobertor que estava no chão e sai rapidamente. Quando estava prestes a entrar no meu apartamento vi um cara no começo do corredor me encarando de um jeito nada amigável. Dei de ombros e entrei, não ia me importa que um estranho tivesse me visto daquele jeito. Mas quando ia fechar a porta, vi o estranho caminhando em direção ao 114,isso despertou a minha curiosidade.
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