My Eternal Doll

1 - Capítulo Único.


MY ETERNAL DOLL

- CAPÍTULO ÚNICO.

POV. DAVID ROBERTS

– David?

Virei-me para encarar o miúdo e delicado corpo de minha esposa, Chloe Harrison, emergir na porta. Sua pele estava um pouco mais pálida por causa do frio que fazia, seus olhos negros transbordavam um brilho de amor, seus cabelos ruivos estavam presos em uma trança única que caia sobre seu ombro. Ainda vestia seu pijama listrado, o que apenas dava um ar angelical para minha pequena. Sorri em meio a esses pensamentos, e seu corpo minúsculo chocou-se contra o meu, em um abraço. Retribui seu abraço.

– Por quê saiu da cama? Está tão frio, e você nem vai trabalhar hoje! É Sábado, lembra? Você prometeu ficar o dia todo comigo! – aqueles lábios finos formaram um biquinho fofo. Minha vontade era de morder e beija-la. Ela deve ter percebido tal intenção minha, pois soltou um riso anasalado. – Own, David, você é tão romântico!

– Mas eu nem disse nada...

– Mas morder alguém não deve ser lá a coisa mais romântica de todas! – reviro os olhos, ela me conhecia tão bem que as vezes assustava. Ela riu mais uma vez, sorrindo e mostrando seus dentes brancos. – Estou com vontade de beber algo doce! Você prepara um chocolate-quente pra mim?

Sorri, fazendo um breve cafune em suas costas. Ela ronronou como um gato e abriu um gigantesco sorriso. Eu não conseguia resistir quando ela fazia isso. Mais uma vez, ela havia ganhado de mim.

– Preparo sim, pequena. – depositei um beijo no topo de sua cabeça, e ouvi-a bufar por causa do apelido. Ela odiava que eu a chamasse assim, mesmo sendo ela 9 centímetros mais baixa do que eu. – Vá tomar um banho quente e trocar de roupa, vou preparar o seu chocolate.

– Com canela, né?

– Com canela!

OoOoOoO

Com o passar dos anos, descobri que os medos apenas fortalecem a pessoa, eles se tornam uma lição de vida. Com o decorrer do tempo e da vida, tornei-me um homem forte graças ao que sempre levei para mim por todos esses anos: não deixe que seus medos ganhem a batalha e lhe tornem um homem fraco. Nunca permiti que os medos tomassem conta de mim, sempre fui a pessoa mais forte – o mais forte de todos para, principalmente, minha amada Chloe.

Mas, como consequência de ser o mais forte, tenho uma fraqueza e um medo. Meu medo é bobo e simples, mas todos têm. Tenho medo de que um dia, eu perca a minha tão adorada esposa Chloe Harrison. Chloe é uma mulher forte, decidida e corajosa, é por isso que tenho medo de perde-la. Ela é forte, a mulher perfeita, mas e se a vida decidir tirar essa coragem e força dela? E se no meio desse tempo, o destino decidir pregar uma peça em nossas vidas? E se, no meio da calada da noite mais fria do inverno, a morte decidir leva-la de mim?

Não consigo me ver em um mundo onde Chloe não esteja do meu lado. Não consigo me ver morando em uma casa da velha Londres onde Chloe não está para encher o ar com seus risos melodiosos. Não consigo me ver sentado no sofá, em frente a lareira, sem Chloe para deitar no meu colo e fazer massagem nas minhas coxas. Não consigo me ver vivendo sem a presença de Chloe.

Apenas... Não consigo.

Talvez seja o medo falando, talvez seja o medo de ficar sozinho falando, talvez seja o medo de ser esquecido falando, talvez seja a solidão falando. Não sei quem está falando isso, mas apenas não consigo me ver vivendo em um lugar onde não há a presença de Chloe para ficar ao meu lado.

Isso é uma coisa estúpida, tão... Banal. Mas não consigo mais viver sem o meu amor.

Não quero perde-la.

Não quero perder a minha pequena Chloe Harrison.

OoOoOoO

– Uma... Boneca?

Não consigo dizer qual é a expressão que está em seu rosto, são muitas misturados em uma só careta. Consigo identificar o medo, a confusão, a desconfiança, o horror, a surpresa, todos morando ali mesmo. Há algo a mais que não consigo identificar – talvez seja nojo?

Sinto um seco descer e cortar minha garganta. Estamos os dois na sala, eu sentado no sofá e ela com a cabeça deitada no meu colo. Como sempre, suas pequenas mãos fazem uma massagem gostosa e relaxante em minhas coxas. O fogo da lareira a nossa frente é a única coisa que espanta o ar frio e torturante da sala. Tudo o que cortava o silencio era sua voz melodiosa ao contar sobre as novidades de sua família, mas sua voz morreu assim que soltei a bomba.

Uma boneca. Sim, uma boneca. Essa era a minha ideia. Transformar minha pequena, amada e delicada esposa em uma boneca humana. Uma ideia doentia, macabra e horrível, mas de todos os meios, aquele parecia ser o único que poderia fazer com que Chloe ficasse comigo. Eu sou um monstro por querer que minha pequena não parta, mas para uma pessoa que viveu a infância e a adolescência sobre a fumaça da solidão e tristeza, era a única coisa que poderia fazer.

– Sim, meu amor, uma boneca. – murmurei, encarando algum ponto da sala. Olhava para qualquer ponto, menos em seus olhos, que eu sabia que estavam arregalados e me olhavam com espanto. Um suspiro rasgou meus lábios. – Eu... Vi isso ontem no jornal que estava encima da mesa do Sr. Boris, à tardinha, antes de ir embora. Um médico transformou sua filha com câncer em uma boneca humana. Claro, foi a pedido da menina que o homem fez aquilo, e também que a doença já estava consumindo o sistema dela, e–

– Mas David, isso é diferente! – Chloe me interrompeu, o horror reinando em sua vez. Eu havia a assustado. – Em primeiro que ambos eram pai e filha! A garota tinha câncer, a doença já estava a consumindo, e sei que ela não gostaria de deixar o pai sozinho, mas David, o nosso caso é completamente diferente. Eu sei que você tem medo de ficar sozinho novamente, mas saiba que isso não vai acontecer, eu vou ficar sempre ao seu lado, e eu não estou doente...

– Não?! – exaltei-me um pouco. – Chloe, você está com pneumonia! Pode não parecer, e por sorte nossa essa doença está sendo controlada, mas você não está bem! Pessoas morrem a todo momento, a cada segundo que passa. O nível de pessoas que morreram de pneumonia aumentou muito nesses últimos dois meses! – sem que eu notasse, lágrimas corriam por meu rosto e pingavam no rosto de Chloe, que me encarava surpresa. – Eu... Eu só não quero ficar sozinho de novo! Passei tanto tempo convivendo comigo mesmo que... Que não consigo mais! Simplesmente não consigo!

Quando tinha sete anos, fui abandonado por minha própria mãe na porta de uma fruteira. Ela disse que compraria alguns legumes e pediu para que eu a esperasse, mas ela nunca voltou. Passei dois dias parado na frente daquela fruteira, dizendo a mim mesmo que minha mãe logo me levaria para nossa humilde cabana de madeira. Mas ela nunca mais apareceu. Os donos da fruteira me acolheram, me deram um lar, roupas e alimento, foram responsáveis por mim até os meus doze anos, onde naquele tempo, faliram.

Aprendi com eles a como me virar sozinho. Comecei a trabalhar muito cedo, me sustentando e ajudando os que mais precisavam com o que eu tinha. Não era muito, vivia apenas com algumas notas e moedas, o que davam para comprar comida. Ajudava aqueles que mais precisavam, e quando eu precisava, eles me ajudavam. Foi assim até os meus dezessete anos, onde arranjei um emprego fixo, mas continuei a retribuir toda a ajuda que os outros me deram.

Trabalhei em um jornal da cidade como ajudante do gerente. Às vezes, eu ajudava os entregadores a distribuírem o jornal pela cidade e lojas, até que conheci Chloe, uma garota cheia de energia que cuidava de crianças no orfanato. Digamos que foi de um amor à primeira vista a um amor correspondido e verdadeiro. Nos casamos em uma Igreja pequena perto de uma sapataria. Não convidamos tanta gente, apenas os amigos, colegas de trabalho e as crianças do orfanato, a festa não foi grande, mas a alegria reinava ali.

E agora, há uma semana e meia atrás, descobri que Chloe está com pneumonia. Tivemos sorte de descobrir logo quando Chloe começou a apresentar um dos primeiros sintomas. Foi uma notícia chocante, admito, e que quebrou o mundo em mil pedaços – querendo ou não, eu sabia que a doença impedia de Chloe ficar comigo para sempre. Não há tantos remédios para isso, mas meu chefe, Sr. Boris, tem um pouco de conhecimento sobre os remédios necessários para evitar que a doença chegue ao ponto terminal de uma hora pra outra – ele sabe disso pois sua irmã já esteve com pneumonia.

Tantas coincidências em uma vida só, mas sei que são recompensas por ter me esforçado tanto em subir na vida e ajudar os outros.

Eu chorava como uma criança, chorava como nunca havia chorado em minha vida. A dor e a triste corroíam-me por dentro, quebrando cada fio de esperança que eu ainda tinha. Meus soluços saiam livres e altos, completamente nítidos e sem pudor ou vergonha, sou um homem adulto, mas nem sempre sou de ferro. Chloe se sentou ao meu lado, seus braços finos rodeando minha cintura e trazendo para mais perto de seu corpo frágil. Minha cabeça foi posta em seu ombro, onde chorei ainda mais. Não quero que o doce cheiro de chocolate com canela me deixe!

Chloe fazia um carinho gentil em minhas costas, murmurando coisas doces e calmas.

– Eu sei que você está com medo. Eu sei que para você é difícil encarar a realidade da solidão. – sua voz saia tremula e insegura, parecia que ela estava se controlando ao máximo para não chorar. – Mas não podemos fazer nada, David. Digo, podemos fazer algo sim, mas sabemos que o destino sabe o que faz. Eu vivi em uma realidade diferente da sua, então não sei bem como é ficar sozinho por tanto tempo, dependendo apenas de seus próprios esforços, mas...

Ela respirou fundo, tomando fôlego. Meu choro se acalmava, meus soluços diminuíram para lamurias e cochichos, mas as lágrimas continuavam a descer por meu rosto.

– Mas... Poxa David, olhe só o que você conquistou! Olha só até onde você chegou! Você não pode desistir de tudo isso que conseguiu por causa de uma doença boba. Eu aprendi com você que não devemos deixar o medo ganhar de nós, que não podemos desistir de tudo por coisas que podem ou não tirar algo de nós, e é isso que você deve fazer: você deve apenas erguer a cabeça e olhar para frente, e nunca, jamais, desistir de lutar. Deve-se lutar até o fim! – senti suas bochechas se repuxando em um sorriso. – E eu sei que você não vai largar tudo isso, eu sei que você não vai desistir, pois você é forte.

– Não sei se sou tão forte assim. – murmurei com a voz embargada. Quando se tratava de Chloe, parecia que todas s minhas forças iam embora, e restava apenas o pequeno e carente David Roberts. – Às vezes, me pergunto até onde minha força vai.

– O que quer dizer com isso?

– Quando se trata de você, a minha força vai embora, simplesmente me larga. É como se eu simplesmente desarmasse a minha armadura, e no lugar dela, o pequeno, antigo, esquecido, e carente David Roberts tomasse conta. – funguei em seu ombro, sentindo seu doce cheiro. Apenas ela conseguia acalmar a criança esquecida que existia dentro de mim. – E... E você é a única que, mesmo por tudo que está passando, não sai de perto dele, nem se importa se um dia isso lhe prejudicara, você apenas... Apenas fica ao lado dele – ao meu lado – sem se importar com o mundo. Por que?

– Porque esse pequeno, antigo, esquecido, e carente David Roberts é o homem mais forte que conheço, e não me importo de ficar ao lado dessa criança que há dentro de você. Você é meu marido, e eu sou sua esposa, prometi a mim mesma e a Deus que não importa o que aconteça comigo, vou sempre estar ao seu lado, segurando sua mão. – Chloe se ajeitou melhor no sofá, guiando meu corpo para baixo, fazendo com que ficasse deitado com a cabeça em seu colo. Suas pequenas mãos passeavam por meus cabelos. – Eu já disse isso pra você, David, e tomo a repetir: sou Chloe Roberts Harrison, a esposa de David Roberts, o homem mais forte do mundo, e não importa o que aconteça, nunca vou sair do lado dele!

Sentindo seu cheiro invadir minhas narinas, e o calor gostoso da lareira e de seu corpo, fechei os olhos, abraçando suas pernas de uma forma possessiva. Ouvi-a soltar um riso leve, suas mãos continuando fazer aquele carinho gostoso que eu tanto amava.

– Você sabe, David, que eu sempre estarei aqui, com você.

Com aquele sussurro, acabei por me entregar a inconsciência, e deixar que o sono me embalasse, ao som da melodia que Chloe cantarolava.

OoOoOoO

Respirei fundo, capturando o máximo de ar que conseguia, e o expulsei um longo suspiro. O cheiro repugnante de sangue impregnava e manchava o ar todo, o que era mais um sacrifício para respirar. Sempre odiei o cheiro de sangue, sempre me deu náuseas e um mal-estar horrível, mas o que estou fazendo é por uma boa causa. E por essa causa, posso aguentar o cheiro insuportável de sangue até estar pronto.

Na última semana, a pneumonia de Chloe a atacou no meio da noite, e com força, o que fez com que eu ligasse às pressas para meu chefe e para um médico que a tempos acompanhava o caso de Chloe. Dr. Oliver Ethan, o médico, juntamente com Boris, cuidava de Chloe enquanto eu caminhava pela sala, nervoso, assustado, esperando uma notícia sobre seu estado.

Chloe estava bem, graças a Deus, apenas uma febre que havia feito a doença dar um fio de vida, mas ela estava bem. Era tudo o que importava para mim.

Deitado sobre a maca que eu consegui, jazia o corpo de uma mulher que morrera de pneumonia. Ver o corpo da mulher ali, deitado e imóvel na maca, sabendo que a causa de sua morte foi essa maldita doença que está atacando Chloe, causava-me calafrios pelo corpo todo e fortes ânsias de vômito, sem contar com o medo e a insegurança que abatiam meu corpo inteiro.

Apoiei minhas mãos na bancada ao meu lado, respirando o mais fundo que conseguia, soltando um longuíssimo suspiro em seguida. O que e estava fazendo? Não tenho nenhum tipo conhecimento sobre medicina, ou sobre o que estava fazendo, mas se isso for para Chloe, posso abrir exceções.

Tudo por você, minha pequena e delicada flor Chloe Harrison!

– David...? – a voz fraca de Chloe ecoou pelo cômodo onde estou, e chegou aos meus ouvidos como a mais bela e composta melodia. Virei-me para encarar seu rosto cansado e abatido. Ultimamente, Chloe anda tendo febres altas, seus movimentos estão ficando cada vez mais lentos. Sua pequena figura emerge no batente da porta, uma de suas mãos esfregando o olho esquerdo. Ela fica fofa quando está com essa carinha de sono. Ela abre um de seus radiantes sorrisos. – Bom dia... Eu acho. Que horas são? Espero não ter dormido muito, não gosto de pensar que deixei você preparar o jantar sozinho...

– Na verdade, já é umas sete horas. – vi seus olhos se arregalarem. – Você deve ter dormido todo esse tempo por causa dos remédios, mas está tudo bem. Eu só estava lhe esperando para podermos jantar.

– Preparou alguma coisa?

– Pensei em fazer um arroz leve enquanto você dormia, mas sei que quando acordasse, ficaria toda triste por eu ter feito tudo, por isso nem o preparei. – sorri para Chloe. – Mas fiz uma salada, só para adiantar as coisas.

– Você é o melhor! – em passo lentos, ela veio até mim, rodeando meu pescoço com seus braços e me puxando para um abraço. Sorri, circulando seu corpo com meus braços, e juntando nossas testas. Sentia-me no céu, no Paraíso. Chloe sorriu, mas seu rosto adquiriu uma expressão de nojo quando ela fungou e sentiu o cheiro que aquela tinha. Seu rosto se dirigiu até a maca, e pude jurar o horror aparecer em sua expressão. – Deus... David, isso-

– Estou treinando, meu amor. – sussurrei, colocando uma de minhas mãos em sua nuca, guiando sua cabeça para meu peito, tentando bloquear sua visão. Eu não queria que Chloe visse o estado daquele corpo que ainda jazia ali na maca. Engoli um seco ao sentir seu corpo tremer. – Estou fazendo o que posso, mas fique tranquila, sim? Eu... Eu vou melhor, prometo! Mas por favor, não se assuste, certo?

– Certo. – ela pareceu relaxar sobre o efeito de minhas palavras. Afastou-se de meu corpo, segurando minha mão enquanto me puxava para a porta, mas ainda tentava não encarar o cadáver. – Vem, estou morrendo de fome! O que acha de colocarmos algumas batatas no arroz?

OoOoOoO

Depois de tanto tempo, finalmente estava feito. Agora, era definitivo, não havia mais volta ou lamentos ou queixas. Mas não era isso que eu desejei? Não era isso que eu desejava fazer quando descobri que Chloe poderia me deixar a qualquer momento? É claro que era, e agora, não há mais volta.

Sentada em uma cadeira de rodas, lá estava minha bela e pequena Chloe Harrison. Sua pele estava mais pálida e perdera totalmente seu calor, mas sua maciez e cheiro continuavam presentes. Seus cabelos ruivos estavam soltos, deixando sua franja solta e caída em frente a seus olhos negros. Seus olhos negros como a noite perderam seu brilho, mas com a ajuda das pálpebras costuradas, eu ainda podia vê-los, e continuavam belos, como sempre.

Seu rosto não possuía mais as bochechas coradas ou qualquer expressão sequer. Seu rosto agora era sério, frio, morto.

Chloe usava um vestido de seda vermelho, o que dava um belo contraste com sua bela e delicada pele. As mangas iam até metade de seus braços, bem encima de seus cotovelos. Na ponta das mangas, estavam bordadas rosas vermelhas da mesma tonalidade do vestido. A cauda do vestido era toda decorada com rosas e outras flores que eu sei que são as favoritas de Chloe. Fiz questão de colocar uma coroa em sua cabeça, porque ela sempre seria a minha rainha. Seus lábios estavam destacados com um batom rosa claro, apenas para dar um pouco de vida ao seu rosto.

Um sorriso maroto surge em meus lábios ao admirar por completo a minha pequena Chloe. Chloe sempre foi bonita, sempre, até mesmo quando acorda de mau-humor. Porém, agora, eu sabia que sua beleza seria conservada para sempre, até os fins da humanidade. Nada poderia lhe tirar a beleza.

Ajoelhei-me no chão, em sua frente, passando minhas mãos por seus braços que estavam pousados em seu colo. Uma lágrima fujona rolou por meu rosto, admito que queria que naquele momento Chloe sorrisse para mim. Por um lado, aquilo teve seu lado negativo: Chloe nunca mais sorriria para mim, nunca mais encheria o ar frio dessa casa com o calor de seus sorrisos e risadas. Mas era ou um rosto sério para a eternidade ou um rosto de mais uma vítima de pneumonia.

– Você está linda. – sussurrei, fazendo um carinho em suas mãos. Entrelacei nossos dedos, fechando os olhos e apreciando a maciez de sua pele e seu perfume natural de flores. – Na verdade, você sempre foi linda, até mesmo quando estava de mau-humor, mas agora, sua beleza será conservada, e para sempre. Me desculpe se em algum momento do procedimento eu lhe machuquei, te machucar nunca foi e nunca será a minha intenção. Mas toda a tristeza, dor, sofrimento e sangue valeram a pena, não?

– Agora, sua beleza é eterna. Me dói saber que seus belos olhos nunca mais brilharam como antes, ou como os seus sorrisos e risadas cortavam o ar frio dessa velha casa, mas vamos olhar pelo lado bom, não? Agora estamos juntos, para sempre! Eu não vou te deixar, e você não vai me deixar, ficaremos um ao lado do outro até o fim dos dias da humanidade. – passo as costas de minha mão em sua bochecha fria. – Calma, tá? Eu prometi a mim mesmo que não faria nenhuma loucura ou violação com você. Você é preciosa demais para mim, e eu não suportaria a mim mesmo se me atrevesse a manchar seu brilho. Eu lhe respeito mais do que tudo, Chloe...

Um sorriso bobo e apaixonado nasce em meus lábios.

– Eu te amo, Chloe. Te amo muito, muito, muito mesmo! – me levanto em um salto, e rodeio seus ombros finos e delicados com meus braços. Deposito um beijo em sua testa. – Chloe Harrison, você é a mulher mais bela de todas! – deito minha cabeça em seu colo, e fecho meus olhos. – Me sinto completo, como se um buraco, que eu nem sabia que existia, agora estivesse cheio, cicatrizado. Acho que é o buraco de quando minha mãe me abandonou e me deixou sozinho, mas cujo eu tentei esquecer. Estou feliz porque... Porque não importa mais o passado, você está aqui, comigo!

Sinto uma brisa leve passar e acariciar meu rosto, e sinto como se minha consciência estivesse mais leve, mais calma. Sorrio com aquilo.

Nada mais me importa neste momento. Nada mais me importa neste mundo dominado por pessoas gananciosas. Nada mais daquilo tudo me importava, e eu estava nem aí para o resto. Eu tinha Chloe ao meu lado, isso era tudo o que eu precisava!

Eu tenho a mais bela e delicada mulher ao meu lado. Eu tenho o amor da minha vida ao meu lado.

Eu não preciso mais me preocupar ou ter medo do futuro ou da morte. A minha bela e delicada boneca estará ao meu lado, para sempre.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!